{"id":29536,"date":"2024-10-24T12:01:00","date_gmt":"2024-10-24T15:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/fa-brasileiro-gasta-r-200-por-mes-para-alimentar-relacao-com-os-idolos-veja-raio-x-dos-fandoms\/"},"modified":"2024-10-24T12:01:00","modified_gmt":"2024-10-24T15:01:00","slug":"fa-brasileiro-gasta-r-200-por-mes-para-alimentar-relacao-com-os-idolos-veja-raio-x-dos-fandoms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/fa-brasileiro-gasta-r-200-por-mes-para-alimentar-relacao-com-os-idolos-veja-raio-x-dos-fandoms\/","title":{"rendered":"F\u00e3 brasileiro gasta R$ 200 por m\u00eas para alimentar rela\u00e7\u00e3o com os \u00eddolos; veja raio-X dos fandoms"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Pesquisa sobre tema mostrou que 38% dos brasileiros se consideram f\u00e3s. Grupos organizados na internet ganham relev\u00e2ncia cultural, poder de consumo e ajudam a moldar redes sociais.  5 descobertas de pesquisa sobre os fandoms brasileiros<br \/>\nNos rinc\u00f5es da internet, existem grupos que se organizam em hierarquias, regras e culturas pr\u00f3prias, para servir e reverenciar um \u00eddolo, ou mais de um. Os fandoms s\u00e3o como reinos \u2014 a pr\u00f3pria palavra vem da jun\u00e7\u00e3o dos termos em ingl\u00eas \u201cfan\u201d e \u201ckingdom\u201d (reinado) \u2013, com s\u00faditos satisfeitos e dispostos a gastar tempo, energia e dinheiro por sua majestade.<br \/>\nUma pesquisa in\u00e9dita sobre esse tipo de h\u00e1bito mostra que 38% dos brasileiros se enxergam como f\u00e3s. Esses gastam, em m\u00e9dia, R$ 199,41 por m\u00eas com produtos ou experi\u00eancias relacionadas aos seus \u00eddolos (ingressos, \u00e1lbuns, itens de merchandising, entre outros). O valor representa quase cinco vezes o gasto m\u00e9dio mensal com atividades culturais no pa\u00eds, que fica em R$ 40 por fam\u00edlia, segundo o relat\u00f3rio \u201cSistema de Informa\u00e7\u00f5es e Indicadores Culturais 2009-2020\u201d, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) em 2021.<br \/>\nEntre os f\u00e3s questionados, 37% afirmam acreditar que a dedica\u00e7\u00e3o ao \u00eddolo pode ser medida pela quantidade de dinheiro gasto para alimentar a rela\u00e7\u00e3o com ele.<br \/>\nO levantamento feito pela consultoria de marketing Monks, em parceria com o instituto de pesquisa comportamental Floatvibes, entrevistou mais de 600 pessoas de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds para tra\u00e7ar o perfil dos brasileiros que, em diferentes n\u00edveis de dedica\u00e7\u00e3o, fazem parte de fandoms ligados \u00e0 m\u00fasica, audiovisual (s\u00e9ries e filmes), games e esportes (veja, no gr\u00e1fico abaixo, a porcentagem de f\u00e3s por idade, g\u00eanero e regi\u00e3o do Brasil).<br \/>\nO estudo tamb\u00e9m analisou dados de redes sociais e comunidades on-line, promoveu encontros com f\u00e3s e entrevistou especialistas acad\u00eamicos e do mercado para entender as peculiaridades e h\u00e1bitos de consumo de quem faz parte desses grupos.<br \/>\nPesquisa mostra raio-X dos fandoms brasileiros<br \/>\nArte\/g1<br \/>\nAmor e \u00f3dio<br \/>\nNa cultura pop, a ideia de f\u00e3-clube ganhou for\u00e7a nos anos 1960, a partir do frenesi gerado pelos Beatles. Depois da beatlemania dominar a m\u00fasica, o cinema viveu a histeria das franquias de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, como \u201cStar Wars\u201d, com o primeiro filme lan\u00e7ado em 1977. Naquela \u00e9poca, esses grupos eram terrenos simb\u00f3licos para desafiar conven\u00e7\u00f5es sociais (veja, no gr\u00e1fico abaixo, os elementos que definem grupos de f\u00e3s em diferentes d\u00e9cadas).<br \/>\nscrolly-pop<br \/>\nAo longo de mais de meio s\u00e9culo de transforma\u00e7\u00f5es sociais, culturais e tecnol\u00f3gicas, o conceito se tornou mais complexo. \u201cO f\u00e3-clube come\u00e7a quando algumas pessoas se juntam por um interesse em comum. Conforme essa estrutura vai ganhando massa, ela vai se tornando mais din\u00e2mica, com hierarquias de funcionamento e disputas de poder\u201d, explica Fabiano Carvalho, pesquisador cultural da Monks.<br \/>\n\u00c9 uma mec\u00e2nica que envolve, por exemplo, a competi\u00e7\u00e3o velada sobre quem sabe mais sobre determinado artista: 51% dos f\u00e3s acreditam que o amor pelo \u00eddolo \u00e9 medido pelo conhecimento sobre ele e sua obra, de acordo com o estudo. No fandom de Beyonc\u00e9, saber coreografias \u00e9 t\u00e3o importante quanto entender os idiomas \u00e9lficos de \u201cSenhor dos An\u00e9is\u201d. J\u00e1 para os f\u00e3s de Taylor Swift, \u00e9 imprescind\u00edvel conhecer cada detalhe das hist\u00f3rias pessoais por tr\u00e1s de suas letras.<br \/>\nA pesquisa tamb\u00e9m aponta mudan\u00e7as no estere\u00f3tipo relacionado a esse tipo de comunidade: fandoms deixaram de ser associados a comportamentos antissociais. Na era da internet, eles se tornaram grupos com relev\u00e2ncia cultural, potencial de consumo e poder de engajamento \u2014 para o bem e para o mal.<br \/>\n64% dos entrevistados no estudo acreditam que o \u00f3dio de um f\u00e3 pode ser t\u00e3o potente quanto seu amor. E um em cada tr\u00eas f\u00e3s questionados diz que \u00e9 ou j\u00e1 foi incentivado pelo seu grupo a ser \u201chater\u201d de outros fandoms. Andr\u00e9 Alves, psicanalista da Floatvibes que participou do levantamento, analisa:<br \/>\n\u201cEm grupos de torcidas, religi\u00f5es e ex\u00e9rcitos, geralmente h\u00e1 um rebaixamento da capacidade de filtrar os afetos, o que leva a a\u00e7\u00f5es por impulso. Isso \u00e9 natural e tamb\u00e9m afeta os fandoms. H\u00e1 uma mentalidade de seita.\u201d<br \/>\n\u201cA idealiza\u00e7\u00e3o excessiva tamb\u00e9m diminui nossa capacidade cr\u00edtica e nos deixa mais suscet\u00edveis aos afetos mais primitivos\u201d, acrescenta. Para o psicanalista, a mec\u00e2nica conflituosa dos fandoms ajudou a moldar as redes sociais como conhecemos hoje.<br \/>\n\u201cNa virada dos anos 2000 pra 2010, p\u00e1ginas de f\u00e3s de Rihanna e Lady Gaga, por exemplo, passaram a ser usadas como refer\u00eancias por muitas plataformas de m\u00eddia social. O que vemos hoje no Reddit [comunidade de discuss\u00f5es on-line] foi praticamente inventado pelos f\u00f3runs de cultura.\u201d<br \/>\n\u201cIsso tamb\u00e9m est\u00e1 presente na l\u00f3gica do Twitter [atual X]. \u00c9 a economia da tens\u00e3o: o conflito como ponto principal, que hoje \u00e9 o que mais engaja na internet. Os fandoms t\u00eam essa rivalidade em sua raiz.\u201d<br \/>\nCosplay na CCXP 2022<br \/>\nLuiz Franco\/g1<br \/>\n\u2018Come to Brazil\u2019<br \/>\nA psicologia ajuda a explicar o que leva uma pessoa a admirar algo ou algu\u00e9m a ponto de se meter numa briga para defender o objeto de sua devo\u00e7\u00e3o. O psicanalista afirma que fandoms s\u00e3o capazes de proporcionar aos membros sentimentos simult\u00e2neos de pertencimento e diferencia\u00e7\u00e3o. Ele explica:<br \/>\n\u201cMuitas pessoas que entrevistamos no estudo falam do grupo de f\u00e3s como uma forma de experimentar um sentimento de pertencimento num c\u00edrculo social diferente da fam\u00edlia, da escola e da religi\u00e3o.\u201d<br \/>\n\u201cAo mesmo tempo, \u00e9 um jeito de ir encontrando suas diferen\u00e7as e seu lugar no mundo. Quando estamos entre iguais, precisamos estabelecer diferen\u00e7as m\u00ednimas dos outros para nos sentirmos n\u00f3s mesmos. \u00c9 olhar para o outro e dizer: \u2018Estudamos na mesma escola, temos a mesma idade, mas eu gosto mais de Taylor Swift&#8217;\u201d, acrescenta.<br \/>\n\u201cBrasil, estou devastada\u201d, postou Lady Gaga ao cancelar show no Rock in Rio de 2017<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter<br \/>\nO sentimento \u00e9 especialmente intenso no Brasil, onde alguns f\u00e3s vivem um tormento constante pela dist\u00e2ncia f\u00edsica de seus \u00eddolos: 62% dos entrevistados na pesquisa disseram sentir falta de mais eventos presenciais para fandoms no pa\u00eds. A perseveran\u00e7a dos brasileiros virou at\u00e9 meme internacional por causa da frase \u201cplease, come to Brazil\u201d (por favor, venha para o Brasil), encontrada com frequ\u00eancia nos coment\u00e1rios de posts feitos por artistas gringos.<br \/>\nMas o perrengue tamb\u00e9m tem seu lado positivo: com base em entrevistas e na an\u00e1lise de dados, o estudo mostrou que esse tipo de dificuldade \u00e9 capaz de unir ainda mais essas comunidades. No reino dos fandoms, os s\u00faditos mais sofridos s\u00e3o tamb\u00e9m os mais dedicados. Talvez por isso algumas realezas se impressionem tanto ao visitar as terras de c\u00e1.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2024\/10\/24\/fa-brasileiro-gasta-r-200-por-mes-para-alimentar-relacao-com-os-idolos-veja-raio-x-dos-fandoms.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa sobre tema mostrou que 38% dos brasileiros se consideram f\u00e3s. 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