{"id":29656,"date":"2024-10-26T21:00:54","date_gmt":"2024-10-27T00:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-o-filme-o-exterminador-do-futuro-previu-ha-40-anos-nossos-medos-sobre-inteligencia-artificial\/"},"modified":"2024-10-26T21:00:54","modified_gmt":"2024-10-27T00:00:54","slug":"como-o-filme-o-exterminador-do-futuro-previu-ha-40-anos-nossos-medos-sobre-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-o-filme-o-exterminador-do-futuro-previu-ha-40-anos-nossos-medos-sobre-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"Como o filme \u2018O Exterminador do Futuro\u2019 previu h\u00e1 40 anos nossos medos sobre intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Protagonizado por Arnold Schwarzenegger, o sucesso de bilheteria de 1984 se tornou sin\u00f4nimo dos perigos das m\u00e1quinas superinteligentes \u2014 mas ele \u2018ajuda e atrapalha\u2019 nosso entendimento sobre a intelig\u00eancia artificial. Arnold Schwarzenegger em cena do filme \u2018O Exterminador do Futuro\u2019<br \/>\nAlamy via BBC<br \/>\nEm um epis\u00f3dio da s\u00e9rie da HBO \u201cSilicon Valley\u201d, Thomas Middleditch (Richard Hendricks) est\u00e1 explicando sua plataforma de machine learning (aprendizado automatizado) Pied Piper para participantes de um grupo focal, quando um deles inevitavelmente a compara ao filme \u201cO Exterminador do Futuro\u201d, de James Cameron, de 1984.<br \/>\n\u201cN\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o\u201d, insiste o exasperado Middleditch.<br \/>\n\u201cPosso garantir que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma situa\u00e7\u00e3o do tipo Skynet aqui. N\u00e3o, o Pied Piper n\u00e3o vai se tornar senciente e tentar dominar o mundo.\u201d<br \/>\nTarde demais. Ele perdeu a aten\u00e7\u00e3o dos participantes.<br \/>\nCom rob\u00f4s assassinos e um sistema de intelig\u00eancia artificial (IA) rebelde, chamado Skynet, \u201cO Exterminador do Futuro\u201d se tornou sin\u00f4nimo do espectro de uma IA que se volta contra seus criadores humanos.<br \/>\nOs editores de imagens ilustram rotineiramente artigos sobre intelig\u00eancia artificial com a caveira cromada do ciborgue assassino T-800 do filme. O roboticista Ronald Arkin usou trechos do filme durante uma palestra de advert\u00eancia de 2013 chamada \u201cComo N\u00c3O construir um Exterminador do Futuro\u201d.<br \/>\nLinda Hamilton e Michael Biehn participaram de O Exterminador do Futuro, um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos<br \/>\nAlamy via BBC<br \/>\nMas o filme divide opini\u00f5es. O fil\u00f3sofo Nick Bostrom, cujo livro \u201cSuperintelig\u00eancia\u201d, de 2014, popularizou o risco existencial da \u201cIA desalinhada\u201d (intelig\u00eancia artificial que n\u00e3o est\u00e1 alinhada com os valores e bem-estar humanos), admitiu que sua esposa o \u201cprovoca em rela\u00e7\u00e3o ao Exterminador do Futuro, e o ex\u00e9rcito de rob\u00f4s\u201d.<br \/>\nEm seu livro \u201cThe Road to Conscious Machines\u201d (\u201cO Caminho para M\u00e1quinas Conscientes\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre), o pesquisador de IA Michael Woolridge dedica um cap\u00edtulo inteiro a reclamar sobre \u201ca narrativa do \u2018Exterminador do Futuro\u2019 relacionada \u00e0 IA\u201d.<br \/>\nH\u00e1 filmes influentes mais recentes, e mais plaus\u00edveis, sobre intelig\u00eancia artificial, incluindo \u201cEx Machina\u201d e \u201cEla\u201d, mas quando se trata dos perigos da tecnologia, \u201cO Exterminador do Futuro\u201d reina supremo 40 anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento.<br \/>\n\u201c\u00c9 quase, de uma forma engra\u00e7ada, mais pertinente agora do que quando foi lan\u00e7ado\u201d, disse Cameron ao site The Ringer sobre o filme e sua sequ\u00eancia de 1991, \u201cporque a IA agora \u00e9 uma coisa real com a qual temos que lidar \u2014 e, na \u00e9poca, era uma fantasia.\u201d<br \/>\n\u2018Antiarmas e antim\u00e1quina\u2019<br \/>\nEssa \u00e9 uma grande conquista para um filme que, na verdade, n\u00e3o est\u00e1 particularmente interessado na intelig\u00eancia artificial.<br \/>\nAntes de mais nada, \u00e9 um thriller simples e sinistro sobre um \u201chomem\u201d impar\u00e1vel que persegue uma mulher assustada, mas habilidosa. O T-800 \u00e9 um assassino implac\u00e1vel, nos moldes do personagem Michael Myers, de \u201cHalloween\u201d. Cameron o chamou de \u201cfilme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de terror\u201d.<br \/>\nEm segundo lugar, \u00e9 um filme de viagem no tempo sobre o tema \u201cdestino x livre arb\u00edtrio\u201d, como disse Cameron.<br \/>\nA premissa rapidamente resumida \u00e9 que, em algum momento entre 1984 e 2029, os EUA confiaram todo o seu sistema de defesa \u00e0 Skynet. Um dia, a Skynet ganhou superintelig\u00eancia \u2014 uma mente pr\u00f3pria \u2014, e deu in\u00edcio a uma guerra nuclear global.<br \/>\nOs sobreviventes da humanidade travaram ent\u00e3o uma rebeli\u00e3o de d\u00e9cadas contra o ex\u00e9rcito de ciborgues da Skynet.<br \/>\nEm 2029, a resist\u00eancia humana est\u00e1 \u00e0 beira da vit\u00f3ria gra\u00e7as \u00e0 lideran\u00e7a de John Connor, e a Skynet envia um T-800 (Arnold Schwarzenegger) para o ano de 1984, com a miss\u00e3o de matar a futura m\u00e3e de John, Sarah (Linda Hamilton), antes que ela engravide.<br \/>\nA resist\u00eancia responde com o envio de Kyle Reese (Michael Biehn) para deter o T-800 \u2014 e salvar Sarah. Em um desses paradoxos de loop temporal que os espectadores n\u00e3o devem prestar muita aten\u00e7\u00e3o, Kyle se envolve com Sarah, e acaba se tornando o pai de John. O futuro \u00e9 salvo.<br \/>\nO \u2018esqueleto\u2019 do T-800 saindo das chamas foi uma refer\u00eancia ao rob\u00f4 queimado no cl\u00e1ssico de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Metr\u00f3polis, de Fritz Lang, de 1927<br \/>\nAlamy via BBC<br \/>\n\u201cO Exterminador do Futuro\u201d \u00e9, ent\u00e3o, um thriller, uma hist\u00f3ria de amor, uma reflex\u00e3o sobre o livre-arb\u00edtrio com viagem no tempo e uma s\u00e1tira sobre nossa depend\u00eancia da tecnologia. \u00c9 anticorporativo, antiguerra, antiarmas e, em grande parte, antim\u00e1quina.<br \/>\nA tecnologia, de secret\u00e1rias eletr\u00f4nicas a walkmans, est\u00e1 envolvida quando as pessoas s\u00e3o mortas no filme. Mas tem muito pouco a dizer sobre a intelig\u00eancia artificial propriamente dita.<br \/>\n\u201cO Exterminador do Futuro\u201d arrecadou US$ 78,4 milh\u00f5es em bilheterias, mas Cameron n\u00e3o tinha expectativa de criar uma refer\u00eancia cultural.<br \/>\nEle escreveu o roteiro em um hotel decadente em Roma, em 1982, ap\u00f3s ser demitido do seu primeiro trabalho como diretor, em \u201cPiranha 2: Assassinas Voadoras\u201d; e sua produtora, Gale Ann Hurd, s\u00f3 conseguiu arrecadar um or\u00e7amento de US$ 6,4 milh\u00f5es.<br \/>\nO ator principal, um ex-fisiculturista de talento duvidoso, n\u00e3o tinha grandes expectativas. Schwarzenegger contou a um amigo sobre \u201cum filme de m\u2026 que estava fazendo, vai levar algumas semanas\u201d.<br \/>\nO pr\u00f3prio Cameron esperava que \u201cO Exterminador do Futuro\u201d fosse \u201cmassacrado\u201d nas bilheterias pelos dois \u00e9picos de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica daquele outono: \u201cDuna\u201d, de David Lynch, e \u201c2010 \u2013 O Ano em Que Faremos Contato\u201d, de Peter Hyams, uma sequ\u00eancia logo esquecida de \u201c2001 \u2013 Uma Odisseia no Espa\u00e7o\u201d.<br \/>\nH\u00e1 uma sincronicidade interessante aqui: n\u00e3o s\u00f3 \u201cO Exterminador do Futuro\u201d superou o desempenho de \u201c2010 \u2013 O Ano em Que Faremos Contato\u201d, como a Skynet suplantou o computador assassino HAL 9000 de \u201c2001 \u2013 Uma Odisseia no Espa\u00e7o\u201d, como a imagem dominante da intelig\u00eancia artificial \u200b\u200bque se rebela.<br \/>\nMuito antes do campo da IA existir, seus perigos potenciais se manifestaram na forma do rob\u00f4 criado por Karel \u010capek em sua pe\u00e7a \u201cRUR\u201d, de 1921, e foram popularizados pelo filme \u201cMetr\u00f3polis\u201d, de Fritz Lang, de 1927.<br \/>\nEm seu excelente livro sobre \u201cO Exterminador do Futuro\u201d, da s\u00e9rie de Cl\u00e1ssicos Modernos do Instituto de Cinema Brit\u00e2nico (BFI, na sigla em ingl\u00eas), Sean French sugere que a cena mais memor\u00e1vel do filme \u2014 o T-800 saindo das chamas, com seu esqueleto met\u00e1lico exposto, ap\u00f3s seu revestimento de carne ter derretido \u2014 foi uma refer\u00eancia ao rob\u00f4 queimado em \u201cMetr\u00f3polis\u201d.<br \/>\nNa d\u00e9cada de 1920, era \u00f3bvio que a intelig\u00eancia artificial andaria e falaria, como o monstro de \u201cFrankenstein\u201d. A popularidade dos rob\u00f4s letais levou o escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica Isaac Asimov a elaborar, em 1942, as \u201ctr\u00eas leis da rob\u00f3tica\u201d: a primeira tentativa de definir a intelig\u00eancia artificial \u00e9tica.<br \/>\nNo mundo real, o campo da intelig\u00eancia artificial come\u00e7ou oficialmente em 1956, durante um curso de ver\u00e3o na Universidade de Dartmouth, organizado pelos cientistas da computa\u00e7\u00e3o John McCarthy (que cunhou o termo) e Marvin Minsky.<br \/>\nA ambi\u00e7\u00e3o deles era desenvolver m\u00e1quinas que pudessem pensar como seres humanos, mas isso se mostrou muito mais dif\u00edcil do que eles imaginavam.<br \/>\nA hist\u00f3ria da intelig\u00eancia artificial \u200b\u200b\u00e9 marcada por altos e baixos, as chamadas \u201cprimaveras\u201d e \u201cinvernos\u201d da IA. As promessas alucinantes atraem aten\u00e7\u00e3o, financiamento e talentos; mas sua falha em se concretizar faz com que todos esses tr\u00eas elementos entrem em colapso.<br \/>\nOs olhos vermelhos do ciborgue do Exterminador do Futuro s\u00e3o uma homenagem a HAL, o computador assassino de 2001: Uma Odisseia no Espa\u00e7o, de Stanley Kubrick<br \/>\nAlamy via BBC<br \/>\nO boom da d\u00e9cada de 1960, antes de a dimens\u00e3o dos obst\u00e1culos t\u00e9cnicos se tornar aparente, \u00e9 conhecido como a Era de Ouro da IA. O hype extravagante sobre \u201cc\u00e9rebros eletr\u00f4nicos\u201d entusiasmou o diretor Stanley Kubrick e o escritor Arthur C. Clarke, que incorporou a IA em \u201c2001: Uma Odisseia no Espa\u00e7o\u201d, de 1968, na forma de HAL 9000.<br \/>\nO nome (sigla em ingl\u00eas para \u201cComputador Algor\u00edtmico Heuristicamente Programado\u201d) foi dado pelo pr\u00f3prio Minsky, contratado como consultor por Kubrick. Os olhos vermelhos do T-800 s\u00e3o, sem d\u00favida, uma homenagem a HAL \u2014 ter assistido a \u201c2001: Uma Odisseia no Espa\u00e7o\u201d na inf\u00e2ncia, colocou Cameron na trajet\u00f3ria para se tornar cineasta.<br \/>\nDaniel Crevier, um historiador especializado em IA, comparou a situa\u00e7\u00e3o de HAL (computador mal programado que d\u00e1 errado) com a do Colossus (computador que se torna uma nova forma de vida semelhante a um deus), do livro hom\u00f4nimo de DF Jones, de 1966.<br \/>\nNo romance de Jones, o governo dos EUA confia de forma imprudente todo seu maquin\u00e1rio de defesa ao supercomputador. O Colossus adquire senci\u00eancia, une for\u00e7as com sua contraparte sovi\u00e9tica e chantageia a humanidade para que se submeta a uma ditadura tecnol\u00f3gica: renda-se ou enfrente a aniquila\u00e7\u00e3o nuclear. O Colossus \u00e9 um prot\u00f3tipo da Skynet.<br \/>\nO fim da hist\u00f3ria<br \/>\nNem HAL nem Colossus tinham \u2014 ou precisavam \u2014 de corpos. A brilhante inova\u00e7\u00e3o de Cameron foi combinar o computador fora de controle (Skynet) com o ciborgue assassino (T-800).<br \/>\nO T-800 \u00e9 uma forma de IA com prop\u00f3sito \u00fanico que \u00e9 capaz de aprender com seu ambiente, resolver problemas, executar tarefas f\u00edsicas sofisticadas e imitar vozes, mas tem dificuldade para manter uma conversa. A Skynet, ao que parece, pode fazer tudo, menos se mover.<br \/>\nA Skynet foi um produto da segunda primavera da IA. Enquanto Cameron escrevia o roteiro, o cientista da computa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nico-canadense Geoffrey Hinton estava repensando e revitalizando a pesquisa sobre a abordagem de rede neural para IA: modelar a intelig\u00eancia da m\u00e1quina com base nos neur\u00f4nios do c\u00e9rebro humano. A Skynet \u00e9 uma IA de rede neural.<br \/>\nHinton, que acaba de ganhar o Pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica, recentemente se tornou um pessimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 IA (\u201cMinha intui\u00e7\u00e3o \u00e9: estamos fritos. Este \u00e9 o verdadeiro fim da hist\u00f3ria\u201d), mas, de acordo com um perfil preparado pela revista \u201cNew Yorker\u201d, ele gostou de \u201cO Exterminador do Futuro\u201d em 1984: \u201cN\u00e3o o incomodava que a Skynet\u2026 fosse uma rede neural; ele ficou satisfeito em ver a tecnologia retratada como promissora\u201d.<br \/>\nO nome Skynet tamb\u00e9m pode ter sido uma alus\u00e3o ao programa Guerra nas Estrelas, o sonho fracassado do presidente americano Ronald Reagan de criar um escudo antinuclear ao redor dos EUA com lasers baseados no espa\u00e7o. Felizmente para o futuro da franquia, tamb\u00e9m ecoou inadvertidamente a internet \u2014 palavra que existia em 1984, mas s\u00f3 come\u00e7ou a ser amplamente usada a partir da d\u00e9cada de 1990.<br \/>\nOs nomes amalgamados de novas startups ambiciosas, como IntelliCorp, Syntelligence e TeKnowledge, possivelmente inspiraram Cameron a transformar o nome original da criadora da Skynet, Cyber Dynamics Corporation, em Cyberdyne Systems.<br \/>\nAo assistir novamente ao filme \u201cO Exterminador do Futuro\u201d, \u00e9 surpreendente descobrir que a palavra Skynet \u00e9 pronunciada apenas duas vezes.<br \/>\nDe acordo com o personagem Kyle Reese, ela era: \u201cNova. Poderosa. Conectada a tudo, confi\u00e1vel para executar tudo. Dizem que ficou inteligente\u2026 uma nova ordem de intelig\u00eancia. Ent\u00e3o, viu todas as pessoas como uma amea\u00e7a, n\u00e3o apenas as do outro lado. Decidiu nosso destino em um microssegundo\u2026 exterm\u00ednio\u201d.<br \/>\nO interesse do filme em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 IA para por a\u00ed. Como Cameron sempre disse, os filmes de \u201cO Exterminador do Futuro\u201d s\u00e3o, na verdade, sobre pessoas, e n\u00e3o sobre m\u00e1quinas.<br \/>\nNa sequ\u00eancia de 1991, O Exterminador do Futuro 2 \u2013 O Julgamento Final, o T-800 (Arnold Schwarzenegger) protege John Connor (Edward Furlong)<br \/>\nGetty Images via BBC<br \/>\nA sequ\u00eancia de sucesso \u201cO Exterminador do Futuro 2 \u2013 O Julgamento Final\u201d, de 1991, preencheu um pouco a hist\u00f3ria. Ela surge de outro paradoxo temporal: a unidade central de processamento e o bra\u00e7o direito do Exterminador original sobreviveram \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o, e permitiram que o cientista Miles Bennett Dyson (Joe Morton), da Cyberdyne, desenvolvesse a Skynet.<br \/>\nA miss\u00e3o dos her\u00f3is agora n\u00e3o \u00e9 apenas salvar John Connor, de 10 anos, do ciborgue T-1000 que viaja no tempo, mas destruir a Skynet em seu ber\u00e7o digital.<br \/>\nEm \u201cO Exterminador do Futuro 2\u201d, um ciborgue T-800 na forma de Schwarzenegger \u00e9 o protetor, em vez de ca\u00e7ador \u2014 e, portanto, o portador da seguinte explica\u00e7\u00e3o:<br \/>\n\u201cO sistema entra em opera\u00e7\u00e3o em 4 de agosto de 1997. Decis\u00f5es humanas s\u00e3o removidas da defesa estrat\u00e9gica. A Skynet come\u00e7a a aprender, a uma taxa geom\u00e9trica. Ela se torna autoconsciente \u00e0s 2h14, hor\u00e1rio do leste (nos EUA), em 29 de agosto. Em p\u00e2nico, eles tentam deslig\u00e1-la.\u201d<br \/>\nA Skynet revida lan\u00e7ando m\u00edsseis nucleares na R\u00fassia, sabendo que o contra-ataque vai devastar os EUA. Tr\u00eas bilh\u00f5es de pessoas morrem em 24 horas: no Dia do Julgamento Final.<br \/>\nEste \u00e9 um relato fundamentalmente diferente do de Reese. No primeiro filme, a Skynet interpreta sua programa\u00e7\u00e3o de forma exagerada, considerando toda a humanidade uma amea\u00e7a. No segundo, ela est\u00e1 agindo por interesse pr\u00f3prio. A contradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o incomoda a maioria dos espectadores, mas ilustra uma diverg\u00eancia crucial sobre o risco existencial da IA.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel que um leigo imagine a IA desalinhada como rebelde e mal\u00e9vola. Mas especialistas como Nick Bostrom insistem que o perigo real est\u00e1 na programa\u00e7\u00e3o descuidada.<br \/>\nPense na vassoura do aprendiz de feiticeiro em Fantasia, da Disney: um dispositivo que segue obedientemente suas instru\u00e7\u00f5es a extremos desastrosos.<br \/>\nO segundo tipo de IA n\u00e3o \u00e9 humano o suficiente, carece de bom senso e julgamento moral. O primeiro \u00e9 humano demais \u2014 ego\u00edsta, ressentido, sedento de poder. Ambos poderiam, em teoria, ser genocidas.<br \/>\n\u201cO Exterminador do Futuro\u201d, portanto, tanto ajuda quanto atrapalha nosso entendimento da intelig\u00eancia artificial: o que significa para uma m\u00e1quina \u201cpensar\u201d, e como isso pode dar terrivelmente errado.<br \/>\nMuitos pesquisadores de IA se ressentem da obsess\u00e3o pelo filme \u201cO Exterminador do Futuro\u201d por exagerar o risco existencial da tecnologia \u200b\u200bem detrimento de perigos mais imediatos, como desemprego em massa, desinforma\u00e7\u00e3o e armas aut\u00f4nomas.<br \/>\n\u201cPrimeiramente, ele faz com que a gente se preocupe com coisas com as quais provavelmente n\u00e3o precisamos nos preocupar\u201d, escreve Michael Woolridge.<br \/>\n\u201cMas, em segundo lugar, desvia a aten\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es levantadas pela IA com as quais dever\u00edamos nos preocupar.\u201d<br \/>\nCameron revelou \u00e0 revista \u201cEmpire\u201d que est\u00e1 planejando um novo filme do \u201cExterminador do Futuro\u201d que vai descartar toda a bagagem narrativa da franquia, mas manter a ideia central de humanos \u201cimpotentes\u201d contra a IA.<br \/>\nSe isso acontecer, ser\u00e1 fascinante ver o que o diretor tem a dizer sobre a intelig\u00eancia artificial, agora que \u00e9 algo sobre o que conversamos \u2014 e nos preocupamos \u2014 todos os dias.<br \/>\nTalvez a mensagem mais \u00fatil de \u201cO Exterminador do Futuro\u201d para pesquisadores de IA seja a de \u201cdestino x livre arb\u00edtrio\u201d: as decis\u00f5es humanas determinam os resultados. Nada \u00e9 inevit\u00e1vel.<br \/>\nLeia a \u00edntegra desta reportagem (em ingl\u00eas) no site BBC Culture.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/cinema\/noticia\/2024\/10\/26\/como-o-filme-o-exterminador-do-futuro-previu-ha-40-anos-nossos-medos-sobre-inteligencia-artificial.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protagonizado por Arnold Schwarzenegger, o sucesso de bilheteria de 1984 se tornou sin\u00f4nimo dos perigos das m\u00e1quinas superinteligentes \u2014 mas ele \u2018ajuda e atrapalha\u2019 nosso entendimento sobre a intelig\u00eancia artificial. 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