{"id":30414,"date":"2024-11-11T06:02:27","date_gmt":"2024-11-11T09:02:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/de-tyler-the-creator-a-ayra-starr-como-sons-africanos-inspiram-hits-atuais-do-mainstream\/"},"modified":"2024-11-11T06:02:27","modified_gmt":"2024-11-11T09:02:27","slug":"de-tyler-the-creator-a-ayra-starr-como-sons-africanos-inspiram-hits-atuais-do-mainstream","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/de-tyler-the-creator-a-ayra-starr-como-sons-africanos-inspiram-hits-atuais-do-mainstream\/","title":{"rendered":"De Tyler the Creator a Ayra Starr, como sons africanos inspiram hits atuais do mainstream"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Entenda como \u2018Noid\u2019, do cantor Tyler the Creator, \u00e9 reflexo de onda de can\u00e7\u00f5es que bombam com ritmos africanos. \u00c9 com riffs distorcidos de guitarra, batidas em foco e suspiros ofegantes que Tyler the Creator inicia \u201cNoid\u201d, o hit paranoico de \u201cChromakopia\u201d, seu \u00e1lbum lan\u00e7ado no fim de outubro. Vibrante, a can\u00e7\u00e3o traz um rap alucin\u00f3geno com tra\u00e7os de zamrock, o rock zambiano surgido na d\u00e9cada de 1970.<br \/>\nCom versos que exp\u00f5em um Tyler inseguro diante da fama, \u201cNoid\u201d sampleia \u201cNizaka Panga Ngozi\u201d, m\u00fasica da banda Ngozi Family. \u201cQuando vier \u00e0 minha casa, mantenha o respeito (paranoico) \/ porque eu n\u00e3o quero fofocas, fofocas\/ fofocas trazem problemas\u201d, canta o vozeir\u00e3o agudo de Paul Ngozi no trecho do sample \u2014 falado em chewa, um dos idiomas da Z\u00e2mbia.  <\/p>\n<p>Compartilhando semelhan\u00e7as com o hard rock, blues, soul e funk estadunidense, o zamrock \u00e9 um subg\u00eanero de rock que mescla ritmos africanos com ares libert\u00e1rios de psicodelia. A partir de rasgos de guitarra el\u00e9trica e kalindula (instrumento que lembra o baixo), o estilo surgiu no embalo decolonial da Z\u00e2mbia rec\u00e9m-independente. Nos anos 1980, caiu em crise devido \u00e0 epidemia de Aids. E agora, ressurge nas paradas de maior sucesso mundial.<br \/>\nAl\u00e9m de \u201cNoid\u201d, o zamrock est\u00e1 presente em \u201cSirens\u201d, de Travis Scott, outro rapper que gosta bastante de trabalhar com rock e psicodelia. A m\u00fasica, que tamb\u00e9m virou hit quando lan\u00e7ada (2023), faz sample de \u201cNsunka Lwendo\u201d, da banda zambiana Amanaz.<br \/>\nAssim como Tyler e Travis, outros artistas do mainstream t\u00eam se inspirado em sons africanos e, com eles, emplacado hits globais. \u00c9 uma onda que vem crescendo desde 2022, quando veio o megassucesso \u201cCalm Down\u201d, parceria entre o rapper nigeriano Rema e a popstar americana Selena Gomez.<\/p>\n<p>Nem tudo \u00e9 afrobeats<br \/>\n\u201cCalm Down\u201d \u00e9 um afrobeats, m\u00fasica que mistura v\u00e1rios g\u00eaneros \u2014 desde populares, como R&amp;B e dancehall, at\u00e9 vertentes mais nichadas como highlife, fuji e afrobeat.<br \/>\nAqui vale frisar que afrobeat e afrobeats s\u00e3o coisas diferentes. A palavra sem o \u201cs\u201d \u00e9 um g\u00eanero surgido nos anos 1960, com uma pegada que lembra jazz e m\u00fasica iourb\u00e1. \u00c9 tocado em orquestras, e teve Fela Kuti como pioneiro. J\u00e1 o termo com \u201cs\u201d veio bem depois, nos anos 2000, para se referir de forma gen\u00e9rica ao pop africano.<br \/>\nAtualmente, quem est\u00e1 bombando nas paradas \u00e9 o estilo com \u201cs\u201d: o afrobeats. Em 2023, ele foi tocado por 223 milh\u00f5es de horas s\u00f3 no Spotify. A plataforma tamb\u00e9m notou um aumento de m\u00fasicas desse tipo em seu acervo: desde 2017, houve um aumento de 550%.<br \/>\nA cantora nigeriana Ayra Starr<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nUma das vozes mais famosas do estilo \u00e9 a da Ayra Starr, que canta os hits \u201cSanta\u201d, \u201cBloody Samaritan\u201d e \u201cRush\u201d. Nas letras, a nigeriana costuma misturar ingl\u00eas, iorub\u00e1 e naij\u00e1. Neste ano, ela foi uma das indicadas ao primeiro trof\u00e9u Grammy de m\u00fasica africana (cuja vencedora foi Tyla).<br \/>\n\u201cSe voc\u00ea me der uma batida de funk [americana], encontrarei um afrobeats nela e te darei um afropunk\u201d, afirmou Ayra \u00e0 revista americana \u201cElle\u201d em maio. \u201cTenho muito orgulho de ser uma artista afrobeats.\u201d<br \/>\nMas nem todo mundo sente isso. Mesmo sendo popularmente conhecido como um cantor da safra afrobeats, o nigeriano Burna Boy n\u00e3o gosta dessa associa\u00e7\u00e3o. Em 2018, ele chegou a dizer que prefere termos como \u201cafrofusion\u201d e \u201cafropop\u201d, e deu a entender que falar \u201cafrobeats\u201d seria um desrespeito aos m\u00fasicos do afrobeat (o g\u00eanero escrito no singular). Cinco anos depois, ele ainda afirmou que \u201c90% daquilo que \u00e9 chamado de afrobeats\u201d s\u00e3o m\u00fasicas \u201csem subst\u00e2ncia\u201d. O fato \u00e9 que o termo virou recorrente no vocabul\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o pop.<br \/>\nNo Brasil, quem tem curtido o afrobeats \u00e9 Ludmilla. Ela levou o som para \u201cSocadona\u201d e \u201cWhine\u201d \u2014essa em parceria com o nigeriano Asake. Al\u00e9m da cantora, o EP \u201cAfroHits\u201d (cujo lan\u00e7amento \u00e9 dia 20 deste m\u00eas) tamb\u00e9m promete surfar no estilo trazendo um gostinho nacional.<br \/>\nO cantor Burna Boy<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u201c\u00c9 um disco completamente baseado em um ritmo que tem contagiado a Europa. Mas ele \u00e9 voltado ao mercado brasileiro, ent\u00e3o mistura essas ess\u00eancias do afrobeats com funk e trap\u201d, diz ao g1 Jefferson Junior, s\u00f3cio da produtora Mousik. Entre os artistas do disco, est\u00e3o as funkeiras Rebecca e Bibi Babydoll. \u201cO cen\u00e1rio pop precisava de renova\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nEle tamb\u00e9m diz que o boom do afrobeats tem influenciado g\u00eaneros tipicamente afrobrasileiros como funk, trap e samba. \u201cQualquer beat feito com inspira\u00e7\u00e3o na m\u00fasica africana \u00e9 um afrobeats.\u201d<br \/>\n\u00c9 justamente desse car\u00e1ter gen\u00e9rico do conceito que surgem algumas discuss\u00f5es. Tivemos um exemplo em setembro, quando a sul-africana Tyla levou o trof\u00e9u VMA de Melhor Afrobeats. Ao receb\u00ea-lo, ela deu uma alfinetada na premia\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cSei que existe uma tend\u00eancia de enquadrar todos os artistas africanos sob o r\u00f3tulo de \u2018afrobeats\u2019. Mas ainda que o afrobeats tenha dominado acelerado as coisas e aberto tantas portas para n\u00f3s, a m\u00fasica africana \u00e9 muito diversa\u201d, disse a cantora.<br \/>\nTyla se apresenta no Rock in Rio 2024<br \/>\nMiguel Folco\/g1<br \/>\nDi\u00e1spora musical<br \/>\nDona do hit \u201cWater\u201d e vencedora do primeiro Grammy de m\u00fasica africana, Tyla canta amapiano. Esse \u00e9 outro g\u00eanero da \u00c1frica que vem crescendo no mainstream.<br \/>\nO amapiano \u00e9 um g\u00eanero sul-africano surgido nos anos 2010, com influ\u00eancias do kwaito, house music e soul. Seus arranjos costumam trazer piano, baixo, sintetizadores e, sobretudo, o chamado tambor de fenda. As m\u00fasicas t\u00eam uma atmosfera brisada, s\u00e3o dan\u00e7antes e sexy.<br \/>\nAl\u00e9m de explorar o zamrock, Travis Scott tamb\u00e9m trabalhou com o amapiano recentemente. No remix de \u201cWater\u201d, ele canta ao lado de Tyla, adicionando um trecho de rap mel\u00f3dico no hit sedutor.<br \/>\nTravis Scott se apresenta no Rock in Rio 2024<br \/>\nStephanie Rodrigues\/g1<br \/>\nCom 855 milh\u00f5es de streams no Spotify em 2024, o g\u00eanero tamb\u00e9m aparece em \u201cTshwala Bam\u201d, feat entre TitoM, S.N.E,  Yuppe e Burna Boy. \u00c9 tamb\u00e9m um estilo que vem inspirando a brasileira Larissa Luz e conduziu seu show no festival Afropunk, que aconteceu neste fim de semana em Salvador.<br \/>\n\u201cO amapiano est\u00e1 com bastante destaque global\u201d, diz o produtor Rafael Tudesco, da Warner Music. \u201cTeve um aumento de hits pop inspirados em g\u00eaneros africanos, sim. Muito disso \u00e9 por conta da cultura que esses ritmos t\u00eam. O modo de se vestir, dan\u00e7as, g\u00edrias\u2026\u201d<br \/>\nCom a crescente influ\u00eancia do TikTok na ind\u00fastria musical, a dan\u00e7a passou a ser um elemento importante para a receita do hit mainstream. Da\u00ed, coreografias africanas que viralizam na rede acabam ajudando a impulsionar alguns g\u00eaneros do continente.<br \/>\n\u201cA globaliza\u00e7\u00e3o, a populariza\u00e7\u00e3o da internet, o acesso \u00e0s redes\u2026 Isso fez as pessoas terem acesso a cenas locais de diversos cantos do mundo. E a m\u00fasica pop bebe muito de cenas locais, sempre est\u00e1 em busca do novo som\u201d, acrescenta Rafael.<br \/>\nTyler the Creator em \u2018Noid\u2019, seu oitavo disco<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nQuando falamos em mercado musical, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a \u00c1frica foi (e ainda \u00e9) preterida para investimentos, acordos e parcerias. Rafel afirma, no entanto, que o mercado fonogr\u00e1fico africano tem vivido uma expans\u00e3o. Ele lembra, por exemplo, que a pr\u00f3pria Warner lan\u00e7ou neste ano um escrit\u00f3rio voltado aos pa\u00edses franc\u00f3fonos do continente.<br \/>\nO setor de streaming tamb\u00e9m deve crescer na regi\u00e3o. Uma pesquisa da Statista mostra que o streaming musical na \u00c1frica deve crescer em R$ 513 milh\u00f5es at\u00e9 2027.<br \/>\n\u201cAs gravadoras precisam investir mais no continente africano para que cada vez mais a gente tenha artistas e selos da regi\u00e3o. \u00c9 preciso fazer mais isso em vez de simplesmente injetar [a est\u00e9tica de g\u00eaneros locais] no mainstream [do Ocidente] tentando fabricar algo que n\u00e3o \u00e9 real\u201d, diz Rafael.<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2024\/11\/11\/de-tyler-the-creator-a-ayra-starr-como-sons-africanos-inspiram-hits-atuais-do-mainstream.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda como \u2018Noid\u2019, do cantor Tyler the Creator, \u00e9 reflexo de onda de can\u00e7\u00f5es que bombam com ritmos africanos. \u00c9 com riffs distorcidos de guitarra, batidas em foco e suspiros ofegantes que Tyler the Creator inicia \u201cNoid\u201d, o hit paranoico de \u201cChromakopia\u201d, seu \u00e1lbum lan\u00e7ado no fim de outubro. Vibrante, a can\u00e7\u00e3o traz um rap<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30415,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-30414","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30414\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}