{"id":30602,"date":"2024-11-14T12:02:28","date_gmt":"2024-11-14T15:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/pagode-90-de-martnalia-oscila-entre-o-molejo-cativante-e-o-chororo-romantico\/"},"modified":"2024-11-14T12:02:28","modified_gmt":"2024-11-14T15:02:28","slug":"pagode-90-de-martnalia-oscila-entre-o-molejo-cativante-e-o-chororo-romantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/pagode-90-de-martnalia-oscila-entre-o-molejo-cativante-e-o-chororo-romantico\/","title":{"rendered":"Pagode 90 de Mart\u2019n\u00e1lia oscila entre o molejo cativante e o choror\u00f4 rom\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Releitura de hit do grupo Molejo e faixas com Lu\u00edsa Sonza e Martinho da Vila valorizam \u00e1lbum escorado no culto ao samba da d\u00e9cada de 1990 e sem emo\u00e7\u00e3o real no canto das m\u00fasicas mais sentimentais. Capa do \u00e1lbum \u2018Pagode de Mart\u2019n\u00e1lia\u2019, de Mart\u2019n\u00e1lia<br \/>\nArte de Vik Muniz sobre foto de Nil Canin\u00e9<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Pagode da Mart\u2019n\u00e1lia<br \/>\nArtista: Mart\u2019n\u00e1lia<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605<br \/>\n\u266a Mart\u2019n\u00e1lia \u00e9 do tipo raro de artista que fala o que pensa quando conversa com jornalistas. Nas entrevistas que vem dando para promover o \u00e1lbum Pagode da Mart\u2019n\u00e1lia, a filha de Martinho da Vila deixa claro que nunca gostou da vertente pop rom\u00e2ntica do samba que irrompeu na d\u00e9cada de 1990 com arranjos calcados mais nos teclados do que nas percuss\u00f5es.<br \/>\nCom o \u00e1lbum, a cantora, compositora e ritmista carioca entra na onda do culto ao pagode dos anos 1990 que vem rendendo shows, discos e at\u00e9 curso (programado pelo Sesc S\u00e3o Paulo para come\u00e7ar em 26 de novembro).<br \/>\nNo mundo desde \u00e0s 21h de ontem, 13 de novembro, com bela capa de Vik Muniz, o \u00e1lbum Pagode da Mart\u2019n\u00e1lia \u00e9 ideia da empres\u00e1ria da artista, M\u00e1rcia Alvarez, que assina a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica do disco com Marcus Preto. De in\u00edcio, a cantora rejeitou a ideia, mas acabou cedendo.<br \/>\nO resultado \u00e9 \u00e1lbum que oscila, n\u00e3o por conta da excel\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o musical do pianista Luiz Ot\u00e1vio, mas porque Mart\u2019n\u00e1lia nunca foi cantora vocacionada para dar voz ao trivial choror\u00f4 rom\u00e2ntico de pagodes como Sem o teu calor (P\u00e9ricles, Chrigor e Isaias Marcelo, 1997) e Der\u00ea (Ademir Foga\u00e7a, 1997), m\u00fasicas menos inspiradas dos repert\u00f3rios dos grupos Exaltasamba e Soweto, respectivamente.<br \/>\nFalta no canto de Mart\u2019n\u00e1lia a emo\u00e7\u00e3o real exigida por versos do\u00eddos. A aus\u00eancia de sintonia entre m\u00fasica e int\u00e9rprete tamb\u00e9m fica evidente no canto de Que se chama amor (Jos\u00e9 Fernando, 1993), ainda que um fraseado soul d\u00ea toque diferente ao sucesso do grupo S\u00f3 pra Contrariar.<br \/>\nEm contrapartida, a cantora d\u00e1 show quando canta Cl\u00ednica geral (Pedrinho da Flor e Anderson Leonardo, 1996), swingueira do grupo Molejo. \u00c9 quando Mart\u2019n\u00e1lia d\u00e1 baile e canta pagode do jeito dela.<br \/>\nNessa linha com molejo, cabe tamb\u00e9m destacar o dueto com Lu\u00edsa Sonza em Cheia de manias (Luiz Carlos, 1992). A participa\u00e7\u00e3o de Sonza pode at\u00e9 ser midi\u00e1tica, e n\u00e3o se pode esquecer que o \u00e1lbum Pagode da Mart\u2019n\u00e1lia marca a estreia da sambista na Sony Music, gravadora multinacional que naturalmente alimenta expectativas comerciais quanto ao desempenho do disco.<br \/>\nSeja como for, o fato \u00e9 que Lu\u00edza Sonza se ambienta bem no pagode de Mart\u2019n\u00e1lia e, ao lado da colega, d\u00e1 frescor ao didididi\u00ea do grupo Ra\u00e7a Negra em grava\u00e7\u00e3o feita com m\u00fasicos do naipe de Dadi Carvalho (viol\u00e3o), Jamil Joanes (baixo) e, claro, Luiz Ot\u00e1vio nos teclados cheio de suingue e soul.<br \/>\nA swingueira do piano de Luiz Ot\u00e1vio d\u00e1 toque diferenciado \u00e0 abordagem de Sem abuso (Leandro Lehart, 2003), m\u00fasica menor do grupo Art Popular que refor\u00e7a a sensa\u00e7\u00e3o de que o repert\u00f3rio poderia ter sido selecionado com maior rigor.<br \/>\nPara dar o que chama de \u201caval\u201d a um repert\u00f3rio que nunca a seduziu, Mart\u2019n\u00e1lia convidou dois \u00edcones da m\u00fasica brasileira. Com o pai Martinho da Vila, a cantora revive O teu chamego (Beto Correa, L\u00facio Curvello e Pagom, 1992) com tal dengo que parece que o pagode do Grupo Ra\u00e7a \u00e9 samba do pr\u00f3prio Martinho. Foi grande sacada chamar Martinho para cantar esse tema. O reencontro entre pai e filha \u00e9 um dos pontos altos do \u00e1lbum Pagode da Mart\u2019n\u00e1lia.<br \/>\nJ\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o de Caetano Veloso em Domingo (Alexandre Pires, Fernando Pires, Vadinho e Renato Barros, 1993) resulta aqu\u00e9m do esperado de um grande int\u00e9rprete como Caetano. A faixa \u00e9 embalada por cordas arranjadas com aura cl\u00e1ssica, mas faltou ao dueto o vi\u00e7o exibido pela abordagem de outro sucesso do Grupo Ra\u00e7a, Eu e ela (D\u00e9lcio Luiz e Ronaldo Barcellos, 1994).<br \/>\nNesse pagode, Mart\u2019n\u00e1lia cai marota no suingue, dando sentido homoafetivo aos versos da m\u00fasica do qual o vocalista do \u00e1lbum, Ronaldo Barcellos, \u00e9 um dos compositores. Desencanada e assumida, Mart\u2019n\u00e1lia tamb\u00e9m manda bem Recado \u00e0 minha amada (Salgadinho, Juninho e Fi, 1996), sucesso do grupo Katinguel\u00ea.<br \/>\nNo fecho do disco, um registro de voz e piano deixa Mart\u2019n\u00e1lia a s\u00f3s com Luiz Ot\u00e1vio em abordagem de Essa tal liberdade (Chico Roque e Paulo S\u00e9rgio Valle, 1994) que real\u00e7a melodia sobressalente na safra rala do pagode 90.<br \/>\nEmbora irregular e sem a ambi\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos primeiros discos da artista (o \u00faltimo trabalho realmente arrojado da cantora, N\u00e3o tente compreender, saiu em 2012 e foi rejeitado tanto pelo p\u00fablico como pelo mercado), o \u00e1lbum Pagode da Mart\u2019n\u00e1lia tem mais altos do que baixos.<br \/>\nO que torna injustific\u00e1vel a escolha de Cora\u00e7\u00e3o radiante (Xande de Pilares, Helinho do Salgueiro e Mauro J\u00fanior, 2002) para ter sido o cart\u00e3o-de-visitas do \u00e1lbum em single editado em 25 de outubro (a partir de hoje, o foco \u00e9 a azeitada faixa com Lu\u00edsa Sonza).<br \/>\nEnfim, entre o molejo cativante e o choror\u00f4 dos pagodes rom\u00e2nticos que n\u00e3o encara com a devida emo\u00e7\u00e3o, Mart\u2019n\u00e1lia se imp\u00f5e na roda alheia pela ginga do samba.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2024\/11\/14\/pagode-90-de-martnalia-oscila-entre-o-molejo-cativante-e-o-chororo-romantico.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Releitura de hit do grupo Molejo e faixas com Lu\u00edsa Sonza e Martinho da Vila valorizam \u00e1lbum escorado no culto ao samba da d\u00e9cada de 1990 e sem emo\u00e7\u00e3o real no canto das m\u00fasicas mais sentimentais. 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