{"id":30946,"date":"2024-11-20T05:19:30","date_gmt":"2024-11-20T08:19:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/suca-conheca-musica-e-danca-que-celebram-cultura-afrobrasileira-e-levantam-temas-como-racismo-e-intolerancia-religiosa\/"},"modified":"2024-11-20T05:19:30","modified_gmt":"2024-11-20T08:19:30","slug":"suca-conheca-musica-e-danca-que-celebram-cultura-afrobrasileira-e-levantam-temas-como-racismo-e-intolerancia-religiosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/suca-conheca-musica-e-danca-que-celebram-cultura-afrobrasileira-e-levantam-temas-como-racismo-e-intolerancia-religiosa\/","title":{"rendered":"Su\u00e7a: conhe\u00e7a m\u00fasica e dan\u00e7a que celebram cultura afrobrasileira e levantam temas como racismo e intoler\u00e2ncia religiosa"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     A su\u00e7a est\u00e1 presente nas comunidades tradicionais e quilombolas do Tocantins, principalmente na regi\u00e3o sul do estado. Grupos levam a cultura afrobrasileira para escolas, onde promovem trabalho de valoriza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o patrimonial com jovens.  Grupos de su\u00e7a no Tocantins celebram cultura afrobrasileira<br \/>\nMontagem\/Fl\u00e1vio Cavalera\/Secult\/Roberta Tavares<br \/>\nCantos, batuques, dan\u00e7as e saias longas s\u00e3o caracter\u00edsticas marcantes da Su\u00e7a, uma manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica que conta e celebra a heran\u00e7a cultural de descendentes africanos. No Tocantins, a su\u00e7a costuma estar presente em eventos cat\u00f3licos e principalmente nas comunidades quilombolas. A arte \u00e9 considerada um s\u00edmbolo do combate ao racismo e intoler\u00e2ncia religiosa.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.farcomto.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1f4-176.png\" alt=\"\ud83d\udcf1\" class=\"wp-smiley\" style=\"height: 1em; max-height: 1em;\"> Participe do canal do g1 TO no WhatsApp e receba as not\u00edcias no celular.<br \/>\nA su\u00e7a chegou no Tocantins por volta do s\u00e9culo XVIII, por meio de descendentes africanos escravizados que foram trazidos para trabalhar em minas de ouro, na regi\u00e3o sul do estado. Essa manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica \u00e9 encontrada em cidades como Natividade, Chapada de Natividade, Dian\u00f3polis, Paran\u00e3, Santa Rosa do Tocantins, Almas, Arraias e Monte do Carmo.<br \/>\nSua atua\u00e7\u00e3o no combate ao preconceito est\u00e1 relacionada as reflex\u00f5es que as letras das m\u00fasicas provocam, al\u00e9m de um contexto hist\u00f3rico sobre o Brasil e a escravid\u00e3o. O g1 conversou com a historiadora, mestra e pesquisadora em dan\u00e7a da su\u00e7a, Roberta Tavares, que explicou como a arte se relaciona com o combate ao racismo.<br \/>\n\u201cA dan\u00e7a da su\u00e7a no Tocantins pode ser considerada um s\u00edmbolo de luta e de combate ao racismo, porque celebra e valoriza a cultura afrobrasileira. Ela fortalece a identidade das comunidades negras e quilombolas. As letras das m\u00fasicas carregam mensagens de resist\u00eancia. Elas carregam a ancestralidade da hist\u00f3ria negra e tamb\u00e9m mostram o orgulho das ra\u00edzes e das tradi\u00e7\u00f5es nas comunidades. Atrav\u00e9s das apresenta\u00e7\u00f5es, a su\u00e7a cria espa\u00e7os de visibilidade e reconhecimento\u201d, explicou.<br \/>\nRoberta Tavares e filho durante apresenta\u00e7\u00e3o de su\u00e7a<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Roberta Tavares\/Arquivo Pessoal<br \/>\nPor muitas vezes a su\u00e7a \u00e9 associada \u00e0 macumba de forma pejorativa, segundo a historiadora, revelando n\u00e3o apenas o racismo como tamb\u00e9m a intoler\u00e2ncia \u00e0s religi\u00f5es de matrizes africanas.<br \/>\n\u201cApesar de fazer parte do catolicismo popular, ela sofre tamb\u00e9m preconceitos. V\u00e1rias vezes a gente ouve a associa\u00e7\u00e3o utilizando o termo macumba de forma pejorativa, e isso reflete os preconceitos hist\u00f3ricos que desvalorizam pr\u00e1ticas de matriz africana e perpetuam esses estigmas. A su\u00e7a promove inclus\u00e3o e oferece uma resposta cultural contra o preconceito, contra a marginaliza\u00e7\u00e3o, contra a intoler\u00e2ncia religiosa\u201d, disse.<br \/>\nSusseiros dan\u00e7ando em roda na cidade de Natividade<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Emerson Silva<br \/>\nVoc\u00ea sabia? A escrita da palavra su\u00e7a \u00e9 variada e pode ser feita de diferentes formas como sussa, s\u00facia, suscia ou sussia.<br \/>\nVersos que falam do cotidiano<br \/>\nOs tambores, a viola e os pandeiros d\u00e3o vida \u00e0 dan\u00e7a da su\u00e7a, marcando o ritmo com as batidas e melodias intensas. Nas rodas, os refr\u00e3os s\u00e3o repetidos v\u00e1rias vezes enquanto os susseiros dan\u00e7am, e os m\u00fasicos cantam hist\u00f3rias sobre o cotidiano.<br \/>\n\u201cOs versos de su\u00e7a tem toda uma hist\u00f3ria do cotidiano dos escravizados at\u00e9 os nossos dias. Falam da comunidade, da colheita, do clima, dos costumes. Na su\u00e7a os instrumentos utilizados s\u00e3o confeccionados manualmente pelos artes\u00e3os das comunidades. Podemos ver nas comunidades, os coletivos de su\u00e7a, que s\u00f3 utilizam tambores porque tem a dificuldade de encontrar pessoas da comunidade para ensinar os mais jovens a tocar viola e pandeiro\u201d, contou Roberta.<br \/>\nConhe\u00e7a um pouco sobre a su\u00e7a, dan\u00e7a tradicional de Natividade<br \/>\nVeja algumas das letras cantadas por grupos de su\u00e7a abaixo:<br \/>\n\u201cA formiga que d\u00f3i \u00e9 jiquitaia. Ela morde, ela co\u00e7a, ela esconde na palha. Ela morde no p\u00e9 e debaixo da saia. A formiga que d\u00f3i \u00e9 jiquitaia\u201d;<br \/>\n\u201cEu pisei na ponte, a ponte tremeu, a \u00e1gua tem veneno morena, quem bebeu morreu\u201d;<br \/>\n\u201cO batuque na cozinha a sinh\u00e1 n\u00e3o quer, fui teimar, queimei meu p\u00e9\u201d (o verso est\u00e1 presente na m\u00fasica \u2018Batuque na Cozinha\u2019, que \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o da Baiana, e j\u00e1 foi gravada por Martinho da Vila e Pixinguinha).<br \/>\nA jiquitaia presente na m\u00fasica tamb\u00e9m est\u00e1 presente na dan\u00e7a. Em algumas comunidades ela \u00e9 conhecida como um passo que faz parte do batuque da su\u00e7a. O nome faz refer\u00eancia a formiga que tem uma picada ardida e causa sensa\u00e7\u00e3o de queima\u00e7\u00e3o.<br \/>\nGrupo de Su\u00e7a Tia Benvinda, em Natividade<br \/>\nFl\u00e1vio Cavalera\/Governo do Tocantins<br \/>\nA professora Roberta explica que essas formigas eram encontradas em locais onde os escravizados viviam e que a dan\u00e7a tem como base os movimentos feitos para tentar tirar a jiquitaia do corpo.<br \/>\n\u201c\u00c9 um passo bem fren\u00e9tico, \u00e9 um passo que o susseiro e a susseira v\u00e3o estar tirando do corpo, do cabelo e da roupa, a jiquitaia. E a jiquitaia \u00e9 uma formiga vermelha que d\u00f3i muito a picada dela. As hist\u00f3rias contam que os escravizados eram atacados quando se deitavam no ch\u00e3o para o descanso da labuta da escravid\u00e3o. Eles come\u00e7aram a tirar do corpo, a bater os p\u00e9s, ent\u00e3o \u00e9 assim a hist\u00f3ria contada nos versos da m\u00fasicas da jiquitaia\u201d, explicou.<br \/>\nSusseiros aos passos da Jiquitaia, na comunidade quilombola em Dian\u00f3polis, no Tocantins<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Secult<br \/>\nO vestu\u00e1rio fica por conta das longas saias que na maioria das vezes s\u00e3o estampadas. Em Natividades, as saias encontradas costumam ser brancas. Nos festejos religiosos a saia \u00e9 opcional, j\u00e1 que todas as pessoas podem dan\u00e7ar a su\u00e7a de cal\u00e7a, se quiser.<br \/>\nCultura passada em gera\u00e7\u00f5es<br \/>\nO susseiro Marcos Albuquerque Menezes de 15 anos participa do grupo \u2018Su\u00e7a das Dianas\u2019. O  conhecimento sobre a manifesta\u00e7\u00e3o cultural que ele tem foi passado pela fam\u00edlia. Sua tia, Ver\u00f4nica de Albuquerque, coordena o grupo o Grupo de Su\u00e7a Tia Benvinda e sua m\u00e3e, Roberta Tavares, al\u00e9m de pesquisar o tema, tamb\u00e9m criou um grupo em Dian\u00f3polis.<br \/>\n\u201cDesde que me entendo por gente conhe\u00e7o a su\u00e7a. Eu costumava ver os mais velhos dan\u00e7arem na cidade onde morei [Chapada de Natividade]. Mais tarde, por volta de 2016 a 2017, comecei a ver a forma\u00e7\u00e3o de grupos de su\u00e7as com jovens, inclusive entrei no grupo coordenado por minha tia,  Ver\u00f4nica T. de Albuquerque, em Natividade, no ano de 2017, o Grupo de Su\u00e7a Tia Benvinda\u201d, contou.<br \/>\nMarcos Albuquerque Menezes \u00e9 tocador no grupo Su\u00e7a das Dianas<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Roberta Tavares\/Arquivo Pessoal<br \/>\nPara Marcos a su\u00e7a \u201crepresenta um tra\u00e7o da cultura africana que est\u00e1 presente entre os brasileiros\u201d. E por saber disso, ele atua no Su\u00e7a das Dianas repassando os saberes que aprendeu desde pequeno aos jovens que entram para o grupo.<br \/>\n\u201cComo eu fiz parte do grupo de su\u00e7a mais veterano em Natividade, acabei por dominar parte da su\u00e7a, ent\u00e3o eu mostro o ritmo do toque do tambor; as letras das diversas m\u00fasicas e como os garotos devem dan\u00e7ar. \u00c9 bem legal a sensa\u00e7\u00e3o de voc\u00ea estar ensinando algu\u00e9m. Acho muito gratificante\u201d, explicou.<br \/>\nSu\u00e7a das Dianas<br \/>\nNo Tocantins h\u00e1 v\u00e1rios grupos, sendo um deles a Su\u00e7a das Dianas, criado pela professora Roberta. A pesquisadora se mudou de Pernambuco para o Tocantins, onde passou a morar em Chapada de Natividade, no ano de 2001. L\u00e1 ela atuou na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o e conheceu a dan\u00e7a.<br \/>\nEm 2015 ela criou um grupo em uma escola, que deu continuidade quando se mudou para Dian\u00f3polis, em 2019. O nome Su\u00e7a das Dianas faz refer\u00eancia a cidade que tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como \u2018Terra das Dianas\u2019. Foi colocado para identificar que \u00e9 de Dian\u00f3polis.<br \/>\nSusseiras do grupo \u2018Su\u00e7a das Dianas\u2019 ensaiam em pra\u00e7a na cidade de Dian\u00f3polis<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Roberta Tavares\/Arquivo Pessoal<br \/>\nEm Natividade \u00e9 poss\u00edvel encontrar o grupo de Su\u00e7a Tia Bem-vinda e o grupo Manana. J\u00e1 em Chapada de Natividade os grupos Mestre Patricinho e Dona Maria.<br \/>\nSegundo a pesquisadora, muitos grupos fazem apresenta\u00e7\u00f5es em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e escolas. Dessa forma \u00e9 poss\u00edvel disseminar o conhecimento sobre a cultura da su\u00e7a, al\u00e9m de promover um trabalho de valoriza\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o patrimonial com crian\u00e7as e adolescentes.<br \/>\n\u201cVejo o cen\u00e1rio da su\u00e7a no Tocantins como uma mistura de desafios e resist\u00eancia. Apesar da dan\u00e7a ser uma express\u00e3o cultural que est\u00e1 enraizada na hist\u00f3ria das comunidades tradicionais e quilombolas ela ainda enfrenta preconceitos. Temos grupos que est\u00e3o se esfor\u00e7ando para manter viva essa pr\u00e1tica. \u00c9 um longo caminho a percorrer para que ela seja plenamente compreendida, como parte integral da identidade cultural tocantinense e como uma manifesta\u00e7\u00e3o negra que deve ser fortalecida afastando os estigmas raciais\u201d, explicou Roberta.<br \/>\nApresenta\u00e7\u00e3o do grupo Su\u00e7a das Dianas<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Roberta Tavares\/Arquivo Pessoal<br \/>\nVeja mais not\u00edcias da regi\u00e3o no g1 Tocantins.<br \/>\nGrupos de su\u00e7a no Tocantins celebram cultura afrobrasileira<br \/>\nMontagem\/Fl\u00e1vio Cavalera\/Secult\/Roberta Tavares<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/to\/tocantins\/noticia\/2024\/11\/20\/suca-conheca-musica-e-danca-que-celebram-cultura-afrobrasileira-e-levantam-temas-como-racismo-e-intolerancia-religiosa.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1  Tocantins<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A su\u00e7a est\u00e1 presente nas comunidades tradicionais e quilombolas do Tocantins, principalmente na regi\u00e3o sul do estado. 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