{"id":30994,"date":"2024-11-21T06:03:55","date_gmt":"2024-11-21T09:03:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-a-industria-da-musica-pop-pode-estar-te-deixando-ansioso-e-o-que-fazer-para-evitar-isso\/"},"modified":"2024-11-21T06:03:55","modified_gmt":"2024-11-21T09:03:55","slug":"como-a-industria-da-musica-pop-pode-estar-te-deixando-ansioso-e-o-que-fazer-para-evitar-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-a-industria-da-musica-pop-pode-estar-te-deixando-ansioso-e-o-que-fazer-para-evitar-isso\/","title":{"rendered":"Como a ind\u00fastria da m\u00fasica pop pode estar te deixando ansioso (e o que fazer para evitar isso)"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     M\u00fasicas que chegam \u00e0s paradas ganharam batidas mais ca\u00f3ticas. Especialistas dizem que sons podem gerar agita\u00e7\u00e3o e ansiedade, especialmente se escuta n\u00e3o for consentida; entenda Como a ind\u00fastria da m\u00fasica pop pode te deixar ansioso<br \/>\nVoc\u00ea n\u00e3o precisa viver de m\u00fasica, nem ser membro ativo de algum fandom para sofrer os efeitos psicol\u00f3gicos da briga pelo sucesso na ind\u00fastria do pop. O tipo de som que toca nas paradas pode estar te deixando ansioso, mesmo ouvindo de forma involunt\u00e1ria.<br \/>\nIsso tem a ver com o poder da m\u00fasica de gerar sensa\u00e7\u00f5es no corpo: a combina\u00e7\u00e3o de ritmo, melodia, harmonia, timbre e altura \u2014 alguns dos elementos que comp\u00f5em uma can\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 capaz de ativar diferentes regi\u00f5es do c\u00e9rebro ao mesmo tempo, causando emo\u00e7\u00f5es e respostas motoras, como o \u00edmpeto de rebolar ao ouvir uma batida de funk.<br \/>\nUm dos mais conhecidos estudos sobre esse tema \u00e9 a Escala Emocional de M\u00fasica de Genebra (GEMS, na sigla em ingl\u00eas), criada pelo psic\u00f3logo Marcel Zentner em 2008. Com base em testes com m\u00fasica cl\u00e1ssica, a pesquisa estabeleceu nove esferas de emo\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s experi\u00eancias musicais: alegria, tristeza, encantamento, transcend\u00eancia, nostalgia, ternura, tranquilidade, poder e tens\u00e3o.<br \/>\nNo pop, as rea\u00e7\u00f5es emocionais tamb\u00e9m s\u00e3o usadas a favor do bom desempenho de \u00e1lbuns e singles, mas o foco mudou nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u201cNos anos 1980, 90, at\u00e9 o in\u00edcio de 2000, o pop era mais pl\u00e1stico, suave, mais ligado \u00e0 serotonina [neurotransmissor conhecido como \u201chorm\u00f4nio da felicidade\u201d, por gerar sensa\u00e7\u00f5es de satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar]\u201d, explica o produtor musical brasileiro Mul\u00fa, parceiro de nomes como Pabllo Vittar, Luedji Luna e Duda Beat. Ele compara:<br \/>\n\u201cMais recentemente, a produ\u00e7\u00e3o musical passou a buscar mais sujeira, texturas sonoras e experimenta\u00e7\u00e3o, elementos mais ligados \u00e0 dopamina [neurotransmissor relacionado ao prazer, motiva\u00e7\u00e3o e euforia].\u201d<br \/>\nRugido de le\u00e3o<br \/>\nO grande marco dessa mudan\u00e7a aconteceu com a explos\u00e3o do trap nos Estados Unidos, na virada para os anos 2010. A vertente do rap de batidas mais lentas e pesadas espalhou sua influ\u00eancia, criando uma era de sons mais graves no pop. Voc\u00ea deve se lembrar de hits como \u201cHotline Bling\u201d, do rapper Drake, e \u201cLean On\u201d, do Major Lazer com a cantora M\u00d8, ambos de 2015.<br \/>\nDancinha de \u2018Hotline Bling\u2019 virou moda quando videoclipe foi lan\u00e7ado em 2016<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nFoi nesse per\u00edodo que se popularizou na produ\u00e7\u00e3o musical o tipo de som chamado de \u201csub-bass\u201d (ou sub-baixo), um grave de frequ\u00eancia baix\u00edssima, no in\u00edcio da percep\u00e7\u00e3o humana, que causa sensa\u00e7\u00f5es al\u00e9m do ouvido. \u201cA vibra\u00e7\u00e3o dessa onda provoca algo f\u00edsico, como se a m\u00fasica te tocasse, voc\u00ea sente o som interagindo com seu corpo\u201d, define Mul\u00fa. \u00c9 aquele \u201cventinho\u201d que d\u00e1 para perceber quando se est\u00e1 muito pr\u00f3ximo de uma caixa de som.<br \/>\nAs batidas mais graves geralmente s\u00e3o respons\u00e1veis por adicionar profundidade, conduzir o ritmo e ditar o \u201cgroove\u201d de uma m\u00fasica. No c\u00e9rebro humano, elas s\u00e3o capazes de gerar sensa\u00e7\u00f5es de poder e motiva\u00e7\u00e3o nos ouvintes, segundo o artigo \u201cThe Music of Power\u201d (a m\u00fasica do poder), publicado por cinco pesquisadores de universidades americanas em 2014.<br \/>\nNo entanto, os sentimentos podem se tornar negativos em alguns casos. Uma m\u00fasica mais grave pode deixar o ouvinte mais ansioso, especialmente se a escuta n\u00e3o for consentida, dizem especialistas ouvidos pelo g1.<br \/>\n\u201cSons graves t\u00eam a caracter\u00edstica de se espalharem mais facilmente pelo ambiente por causa do largo comprimento de onda. Por isso que escutamos mais o som grave vindo da festa do vizinho, por exemplo\u201d, afirma o pesquisador em m\u00fasica, cogni\u00e7\u00e3o e tecnologia Jos\u00e9 Fornari, do N\u00facleo Interdisciplinar de Comunica\u00e7\u00e3o Sonora da Unicamp (Universidade de Campinas). Ele acrescenta:<br \/>\n\u201cComo esses sons mais graves s\u00e3o normalmente relacionados a situa\u00e7\u00f5es tensas, potencialmente perigosas e solenes \u2014 como o rugido de um le\u00e3o ou um trov\u00e3o \u2013, na m\u00fasica, eles tendem a representar este tom afetivo.\u201d<br \/>\nGuerra do volume<br \/>\nOutro fen\u00f4meno do pop que mexe com as rea\u00e7\u00f5es do c\u00e9rebro \u00e9 o que vem sendo chamado de \u201cguerra do volume\u201d. Trata-se de uma esp\u00e9cie de corrida, na masteriza\u00e7\u00e3o de grava\u00e7\u00f5es digitais, para lan\u00e7ar m\u00fasicas com uma percep\u00e7\u00e3o de volume cada vez mais alto.<br \/>\n\u201cO \u00e1udio digital tem um limite para a representa\u00e7\u00e3o da intensidade sonora, pois ele \u00e9 representado por n\u00fameros bin\u00e1rios com uma resolu\u00e7\u00e3o finita. Se a grava\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m desse limite, o \u00e1udio clipa, ou seja, tem a representa\u00e7\u00e3o da onda ac\u00fastica distorcida, o que gera ru\u00eddo\u201d, explica o pesquisador da Unicamp. Por isso, quando voc\u00ea aumenta demais um \u00e1udio no computador, os sons mais graves se sobressaem e dificultam a audi\u00e7\u00e3o de toda a grava\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cNo entanto, a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica percebeu que faixas que soam mais alto, com mais volume, vendem mais\u201d, diz Jos\u00e9 Fornari.<br \/>\n\u201c[Produtores e masterizadores] fazem o poss\u00edvel para aumentar ao m\u00e1ximo a percep\u00e7\u00e3o da intensidade sonora. Isso faz com que as faixas de \u00e1udio digital sejam cada vez mais comprimidas, aproveitando ao m\u00e1ximo esse limite, em detrimento da perda de din\u00e2mica e da varia\u00e7\u00e3o da intensidade sonora ao longo de uma m\u00fasica.\u201d<br \/>\nBillie Eilish em foto de divulga\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u2018Hit me Hard and Soft\u2019, um dos mais tocados do mundo em 2024<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/Est\u00fadio Petros<br \/>\nNa produ\u00e7\u00e3o musical, um dos processos que causam esse efeito \u00e9 chamado de satura\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 como se voc\u00ea pegasse o sinal digital e replicasse ele, para fazer o som crescer, semelhante ao que acontece com a satura\u00e7\u00e3o de cor no audiovisual\u201d, diz o produtor Mul\u00fa. Ele reconhece que a t\u00e9cnica se tornou comum na m\u00fasica pop.<br \/>\nFornari acredita que isso tem a ver com a forma como se consome m\u00fasica hoje: \u201cPara mim, isso tamb\u00e9m se deve ao ru\u00eddo urbano, que dificulta a percep\u00e7\u00e3o de nuances musicais. Isso faz faz com que o \u00e1udio mais comprimido facilite a escuta.\u201d<br \/>\nM\u00fasica para relaxar<br \/>\nNessa trilha de batidas graves, distorcidas e intensas, apelar para m\u00fasicas pr\u00e9-classificadas como relaxantes pode n\u00e3o ser a melhor estrat\u00e9gia para se acalmar.<br \/>\n\u201cHoje estamos sempre produzindo essa m\u00fasica do grave. Daqui a pouco tempo o ser humano vai estar t\u00e3o pilhado que precisar\u00e1 muito de m\u00fasicas mais calmas\u201d, refletiu o cantor Silva, conhecido pelo repert\u00f3rio mais suave, em entrevista ao g1 Ouviu, podcast e videocast de m\u00fasica do g1. Ele contou que, quando quer relaxar, costuma ouvir discos de m\u00fasica ambiente produzidos no Jap\u00e3o nos anos 1980.<br \/>\nSilva ao g1 Ouviu: \u2018A humanidade vai precisar de m\u00fasica calma como rem\u00e9dio\u2019<br \/>\nO pesquisador Jos\u00e9 Fornari confirma que faixas com pouca intensidade e pulsa\u00e7\u00e3o podem ter um efeito mais calmante. Mas o mais importante, segundo os especialistas, \u00e9 ouvir o que queremos e gostamos. O conselho pode parecer \u00f3bvio, mas, em tempos de playlists, o consumo de m\u00fasica nem sempre \u00e9 t\u00e3o direcionado.<br \/>\n\u201cAo pensar em can\u00e7\u00f5es para relaxar, o que eu indico \u00e9 refletir sobre qual m\u00fasica voc\u00ea realmente gosta, suas prefer\u00eancias individuais\u201d, recomenda Julie Wein, cantora e doutora em neuroci\u00eancia da m\u00fasica pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).<br \/>\n\u201cUma m\u00fasica pr\u00e9-categorizada como relaxante n\u00e3o vai ser relaxante para todo mundo. O c\u00e9rebro de cada pessoa responde de forma muito particular aos est\u00edmulos musicais\u201d. A neurocientista acrescenta:<br \/>\n\u201cNo fim das contas, o que tem mais influ\u00eancia \u00e9 o gosto musical de quem ouve. Ele \u00e9 o mais poderoso regente de como o c\u00e9rebro vai responder \u00e0 m\u00fasica.\u201d<br \/>\nSegundo Julie, h\u00e1 elementos que ajudam a construir o gosto musical: por exemplo, a familiaridade com determinadas can\u00e7\u00f5es \u2013 o fato delas terem embalado momentos agrad\u00e1veis ou terem sido apresentadas por pessoas queridas.<br \/>\nMas um ritmo totalmente novo tamb\u00e9m pode ser bem recebido pelo c\u00e9rebro j\u00e1 numa primeira audi\u00e7\u00e3o. Isso a ci\u00eancia n\u00e3o explica, diz a neurocientista. \u201cComo a m\u00fasica pode causar emo\u00e7\u00f5es t\u00e3o fortes, at\u00e9 em beb\u00eas pequenos? Esse ainda \u00e9 um grande mist\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o ao seu poder.\u201d<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2024\/11\/21\/como-a-industria-da-musica-pop-pode-estar-te-deixando-ansioso-e-o-que-fazer-para-evitar-isso.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00fasicas que chegam \u00e0s paradas ganharam batidas mais ca\u00f3ticas. 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