{"id":31148,"date":"2024-11-25T06:45:13","date_gmt":"2024-11-25T09:45:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/depoimentos-de-medicos-revelam-como-foi-atendimento-a-mae-e-bebe-que-morreram-apos-parto-em-maternidade-de-palmas\/"},"modified":"2024-11-25T06:45:13","modified_gmt":"2024-11-25T09:45:13","slug":"depoimentos-de-medicos-revelam-como-foi-atendimento-a-mae-e-bebe-que-morreram-apos-parto-em-maternidade-de-palmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/depoimentos-de-medicos-revelam-como-foi-atendimento-a-mae-e-bebe-que-morreram-apos-parto-em-maternidade-de-palmas\/","title":{"rendered":"Depoimentos de m\u00e9dicos revelam como foi atendimento a m\u00e3e e beb\u00ea que morreram ap\u00f3s parto em maternidade de Palmas"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Pol\u00edcia Civil indiciou a cl\u00ednica geral Marcelle da Silva Costa por homic\u00eddio culposo pelas mortes de Karle Cristina Vieira Bassorici e do beb\u00ea. Segundo a profissional, cl\u00ednicos gerais passaram a atender gestantes sem orienta\u00e7\u00e3o clara de quando acionar obstetras.  Karle Cristina Vieira estava gr\u00e1vida de 39 semanas. Ela e o beb\u00ea morreram no Hospital e Maternidade Dona Regina.<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nDurante depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Civil, a m\u00e9dica Marcelle da Silva Costa, que foi indiciada pelo homic\u00eddio culposo de Karle Cristina Vieira Bassorici e seu beb\u00ea, negou que tenha agido de forma negligente. Ela relatou que cl\u00ednicos gerais s\u00e3o respons\u00e1veis por atendimentos \u00e0s gestantes no Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos, em Palmas, e n\u00e3o h\u00e1 orienta\u00e7\u00e3o clara de quando acionar obstetras.<br \/>\nComo o inqu\u00e9rito n\u00e3o est\u00e1 mais em sigilo, o g1 teve acesso aos depoimentos tanto de Marcelle, respons\u00e1vel pelo primeiro atendimento de Karle, como dos demais profissionais da unidade que atenderam a gr\u00e1vida no dia do parto.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.farcomto.org\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/1f4-219.png\" alt=\"\ud83d\udcf1\" class=\"wp-smiley\" style=\"height: 1em; max-height: 1em;\"> Participe do canal do g1 TO no WhatsApp e receba as not\u00edcias no celular.<br \/>\nO g1 pediu posicionamento \u00e0 m\u00e9dica, mas n\u00e3o houve resposta at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<br \/>\nA Secretaria de Estado da Sa\u00fade (SES) informou que opera com escalas completas de profissionais de sa\u00fade, o que inclui especialistas em ginecologia e obstetr\u00edcia nos plant\u00f5es. Tamb\u00e9m explicou que realiza atendimentos e intercorr\u00eancias cl\u00ednicas em gestantes e pu\u00e9rperas e que, caso de d\u00favidas no atendimento, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o conjunta com o obstetra plantonista (veja nota completa no fim da reportagem).<br \/>\nKarle Cristina Vieira estava gr\u00e1vida de 39 semanas. Ela e o beb\u00ea morreram no Hospital e Maternidade Dona Regina.<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Redes Sociais<br \/>\nMarcelle foi indiciada no dia 20 de novembro por por homic\u00eddio culposo. Karle tinha sido atendida por ela no dia 29 de outubro. Segundo a Pol\u00edcia Civil, houve neglig\u00eancia da m\u00e9dica e tanto a m\u00e3e como beb\u00ea acabaram morrendo, na maternidade, no dia seguinte.<br \/>\nEm depoimento, Marcelle contou que Karle chegou \u00e0 unidade com queixas de febre alta, congest\u00e3o nasal e dores lombares leves, al\u00e9m de dificuldade para urinar. Com o quadro apresentado, ela diagnosticou Karle com sintomas gripais de influenza e prescreveu antibi\u00f3tico como precau\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de antit\u00e9rmico e antial\u00e9rgico.<br \/>\nMesmo tendo conhecimento de que Karle era uma gestante de alto risco por ter apresentado diabetes gestacional, a cl\u00ednica geral n\u00e3o pediu exames para saber o estado do beb\u00ea. Tamb\u00e9m n\u00e3o chamou um obstetra porque Karle \u201cn\u00e3o apresentava sinais obst\u00e9tricos de gravidade, como sangramento ou aus\u00eancia de movimentos fetais\u201d, segundo inqu\u00e9rito.<br \/>\nPor n\u00e3o ser especialista, justificou que atendeu a paciente gestante porque houve mudan\u00e7as recentes no fluxo de atendimento do hospital que alteraram a din\u00e2mica de atua\u00e7\u00e3o dos cl\u00ednicos gerais. Eles passaram a atender presencialmente os casos cl\u00ednicos e, segundo Marcelle, n\u00e3o havia nenhuma orienta\u00e7\u00e3o clara sobre quais situa\u00e7\u00f5es um obstetra deveria ser acionado.<br \/>\nEla se defendeu afirmando que n\u00e3o agiu com neglig\u00eancia e que sua decis\u00e3o de n\u00e3o tomar outras medidas foi baseada nas queixas apresentadas pela paciente. Mas reconheceu que se ela tivesse sido atendida por um obstetra, a abordagem m\u00e9dica poderia ter sido diferente, mas \u201cn\u00e3o necessariamente com outro desfecho\u201d, diz o documento da Pol\u00edcia Civil.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M:<br \/>\nM\u00e9dica que atendeu m\u00e3e e beb\u00ea antes de morte em parto vai responder por homic\u00eddio culposo: \u2018Agiu de forma negligente\u2019, diz SSP<br \/>\nMarido relembra morte da esposa e filho em parto e pede justi\u00e7a: \u2018Pra n\u00e3o acontecer com outra fam\u00edlia\u2019<br \/>\nMaternidade \u00e9 vistoriada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico ap\u00f3s gr\u00e1vida e beb\u00ea morrerem em parto; fam\u00edlia denunciou caso<br \/>\nGr\u00e1vida e beb\u00ea morrem ap\u00f3s parto e parentes denunciam falta de m\u00e9dico especialista: \u2018Fam\u00edlia est\u00e1 desolada\u2019<br \/>\nAp\u00f3s morte de m\u00e3e e filho, MPE pede que Estado regularize escala de especialistas na maternidade Dona Regina<br \/>\nLaudo revela causas das mortes de t\u00e9cnica de enfermagem e beb\u00ea ap\u00f3s parto em hospital; fam\u00edlia denunciou falta de especialistas<br \/>\nPrimeiro atendimento levou \u00e0s mortes<br \/>\nM\u00e9dica vai responder por homic\u00eddio culposo ap\u00f3s morte de m\u00e3e e beb\u00ea em maternidade<br \/>\nA pol\u00edcia tamb\u00e9m ouviu outros m\u00e9dicos que atenderam Karle no dia 30 de novembro, quando ela retornou ao Dona Regina. Um dos m\u00e9dicos relatou que a paciente chegou com dor abdominal intensa e sofrimento fetal, ou seja, o beb\u00ea estava com os batimentos card\u00edacos baixos, e sinais de descolamento parcial da placenta.<br \/>\nEla foi levada para fazer uma cesariana de emerg\u00eancia, mas o beb\u00ea j\u00e1 estava morto. O m\u00e9dico disse que como Karle tinha dificuldade para urinar, isso seria um motivo para pedir mais exames para identificar ou descartar uma infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria.<br \/>\nO profissional ressaltou que havia obstetras de plant\u00e3o no dia 29 de outubro e que indicaria a realiza\u00e7\u00e3o de exames mais detalhados e observa\u00e7\u00e3o. Ele destacou \u201cfalhas graves na condu\u00e7\u00e3o do caso por parte da m\u00e9dica Marcelle no dia 29, incluindo omiss\u00e3o de exames b\u00e1sicos, neglig\u00eancia ao liberar a paciente sem observa\u00e7\u00e3o e desconsidera\u00e7\u00e3o dos sinais de risco\u201d.<br \/>\nOutra profissional que acompanhou a cesariana de Karle destacou em depoimento que o sofrimento fetal era evidente, mas n\u00e3o podia afirmar com precis\u00e3o h\u00e1 quanto tempo o beb\u00ea estava em sofrimento.  Segundo ela, a aus\u00eancia de exames no dia anterior impediu o diagn\u00f3stico precoce de complica\u00e7\u00f5es.<br \/>\nOutro m\u00e9dico que atendeu Karle no momento do parto afirmou em depoimento que a realiza\u00e7\u00e3o de exames para saber o estado do beb\u00ea, embora n\u00e3o garantir que o \u00f3bito da m\u00e3e poderia ter sido evitado, aumentaria as chances de salvar a crian\u00e7a. Tamb\u00e9m destacou que em um hospital de refer\u00eancia como o Dona Regina, \u00e9 essencial que gestantes sejam avaliadas por obstetras antes de serem liberadas.<br \/>\nA causa da morte de Karle foi embolia pumonar, segundo laudo do Instituto M\u00e9dico Legal (IML). A Pol\u00edcia Civil indiciou a cl\u00ednica geral Marcelle por homic\u00eddio culposo, pela neglig\u00eancia no atendimento que contribuiu com a morte da m\u00e3e e do beb\u00ea.<br \/>\nVistoria e pedido de regulariza\u00e7\u00e3o<br \/>\nAp\u00f3s a morte de Karle,  o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE) e o Conselho Regional de Medicina fizeram vistorias no Hospital e Maternidade Dona Regina. Foram apontados problemas estruturais e grande volume de trabalho para poucos profissionais nas escalas.<br \/>\nO MPE entrou com uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica pedindo que o Estado regularize a escala de obstetras e pediatras na sala de parto do Hospital e Maternidade Dona Regina.<br \/>\nO que diz a SES<br \/>\nA Secretaria de Estado da Sa\u00fade (SES-TO) informa que o Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR), que responde pelo cuidado de alta complexidade no Estado, opera com escalas completas de profissionais de sa\u00fade, dentre eles m\u00e9dicos especialistas em Ginecologia e Obstetr\u00edcia de plant\u00e3o.<br \/>\nA SES-TO esclarece que a cl\u00ednica m\u00e9dica do HMDR realiza atendimentos e intercorr\u00eancias cl\u00ednicas em gestantes e pu\u00e9rperas, sempre atentando para o fato de que este atendimento, no caso das gestantes, deve levar em considera\u00e7\u00e3o o bin\u00f4mio m\u00e3e e beb\u00ea. Em caso de d\u00favidas no atendimento ou queixas relacionadas \u00e0 obstetr\u00edcia, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o conjunta com o obstetra plantonista.<br \/>\nA Pasta pontua que tem tomado medidas estrat\u00e9gicas para fortalecer a rede de cuidado materno-infantil no Tocantins, com foco principal nas unidades hospitalares estaduais que realizam partos, em especial o HMDR, que segue abastecido de materiais, medicamentos e insumos para funcionamento de rotina e n\u00e3o enfrenta falta de profissionais que comprometa a assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nVeja mais not\u00edcias da regi\u00e3o no g1 Tocantins.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/to\/tocantins\/noticia\/2024\/11\/25\/depoimentos-de-medicos-revelam-como-foi-atendimento-a-mae-e-bebe-que-morreram-apos-parto-em-maternidade-de-palmas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1  Tocantins<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pol\u00edcia Civil indiciou a cl\u00ednica geral Marcelle da Silva Costa por homic\u00eddio culposo pelas mortes de Karle Cristina Vieira Bassorici e do beb\u00ea. 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