{"id":31535,"date":"2024-12-02T21:01:09","date_gmt":"2024-12-03T00:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-ainda-estou-aqui-inspira-jovens-a-compartilhar-no-tiktok-historias-de-pais-e-avos-torturados-na-ditadura\/"},"modified":"2024-12-02T21:01:09","modified_gmt":"2024-12-03T00:01:09","slug":"como-ainda-estou-aqui-inspira-jovens-a-compartilhar-no-tiktok-historias-de-pais-e-avos-torturados-na-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-ainda-estou-aqui-inspira-jovens-a-compartilhar-no-tiktok-historias-de-pais-e-avos-torturados-na-ditadura\/","title":{"rendered":"Como \u2018Ainda Estou Aqui\u2019 inspira jovens a compartilhar no TikTok hist\u00f3rias de pais e av\u00f3s torturados na ditadura"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Relatos ganharam milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e trouxeram \u00e0 tona hist\u00f3rias de tortura, ex\u00edlio e persegui\u00e7\u00e3o. O pai de Maria Petrucci sofreu traumas e sempre falava sobre o assunto com muito receio e medo<br \/>\nMaria Petrucci\/Arquivo Pessoal<br \/>\nMaria Petrucci, de 22 anos, teve o pai preso por militares durante a ditadura no in\u00edcio dos anos 1970.<br \/>\nLuana Lungaretti, de 22 anos, tamb\u00e9m sofreu com a tortura e pris\u00e3o do pai por agentes no DOI-CODI, na mesma d\u00e9cada.<br \/>\nJ\u00e1 Elisa Nunes, de 21 anos, teve a av\u00f3 exilada na Fran\u00e7a durante dez anos nesta mesma \u00e9poca.<br \/>\nAs tr\u00eas jovens, de idades semelhantes, compartilham hist\u00f3rias de familiares marcados pela repress\u00e3o do regime militar brasileiro, que durou 21 anos.<br \/>\nOs relatos foram compartilhados gra\u00e7as a uma trend no TikTok, inspirada no filme Ainda Estou Aqui, do diretor Walter Salles, e que rendeu postagens virais, com mais de quatro milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nUm dos primeiros v\u00eddeos foi o de Maria, onde ela segura a foto 3\u00d74 do pai, preso na \u00e9poca, e escreve: \u201cO impacto de ver esse filme sendo filha de um preso pol\u00edtico da ditadura que hoje tem Alzheimer em estado avan\u00e7ado\u201d.<br \/>\nA hist\u00f3ria da \u2018Casa da Morte\u2019 contada por \u00fanica sobrevivente<br \/>\n\u2018Meus av\u00f3s esconderam mist\u00e9rio sobre morte do meu pai na ditadura\u2019<br \/>\nComo funcionava o SNI, o \u2018monstro\u2019 da repress\u00e3o criado pela ditadura militar h\u00e1 60 anos<br \/>\nO post tinha como trilha sonora a m\u00fasica \u201c\u00c9 Preciso Dar um Jeito, Meu Amigo\u201d, do cantor Erasmo Carlos, e que comp\u00f5e o longa.<br \/>\nAp\u00f3s essa publica\u00e7\u00e3o, outros jovens come\u00e7aram a compartilhar relatos sobre pais e av\u00f3s que sofreram com a persegui\u00e7\u00e3o, destacando como o filme se tornou um marco para que o tema fosse falado abertamente.<br \/>\n\u201cEu n\u00e3o imaginei que ia ter essa repercuss\u00e3o e muitas pessoas jovens perguntando o que foi a ditadura. Fiquei feliz que pude contribuir para que outras pessoas pudessem ter mais consci\u00eancia de todo o preju\u00edzo que muitas fam\u00edlias sofreram. Vi um paralelo com a hist\u00f3ria do meu pai\u201d, diz Maria.<br \/>\nCodinome Frederico<br \/>\nLogo que ingressou na faculdade de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica na d\u00e9cada de 1970, o pai de Maria, S\u00e9rgio de Azevedo, hoje com 78 anos, entrou para o movimento estudantil e ajudou pessoas que eram perseguidas pela ditadura.<br \/>\nEle e os amigos usavam um apartamento para salvar e abrigar indiv\u00edduos e deix\u00e1-los em seguran\u00e7a.<br \/>\n\u201cEles chamavam de \u2018aparelho\u2019 e funcionava como uma esp\u00e9cie de esconderijo. Para dificultar a identifica\u00e7\u00e3o, ele tamb\u00e9m usava o nome de Frederico\u201d, diz Maria.<br \/>\nNa \u00e9poca, ele tinha uma amiga chamada Anita e os dois combinaram de se encontrar em uma pra\u00e7a no bairro do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Ela demorou muito a aparecer no local e quando ele e um amigo estavam indo embora, foram surpreendidos por militares.<br \/>\n\u201cOs militares os pisotearam e os levaram para a penitenci\u00e1ria da Tijuca\u201d, relembra a estudante.<br \/>\nChegando ao local, ele passou cinco dias em uma cela, deitado em uma esteira no ch\u00e3o, com um militar armado ao seu lado.<br \/>\n\u201cEle ficou por volta de dois meses na pris\u00e3o e, nesse meio tempo, ocorreram diversas situa\u00e7\u00f5es que o impediram de ser torturado\u201d, conta. Na primeira vez, segundo Maria, os militares haviam encontrado jovens de outro grupo e n\u00e3o realizaram a tortura.<br \/>\n\u201cProvavelmente acharam um outro grupo mais significativo. E talvez n\u00e3o desconfiaram dele, porque ele realmente escondeu muita gente relevante no apartamento\u201d, acrescenta.<br \/>\nEm um outro momento, ele foi levado para uma sess\u00e3o de tortura na qual as pessoas eram chamadas em ordem alfab\u00e9tica.<br \/>\nPor ter o nome S, ele estava entre os \u00faltimos e, bem naquele dia, o hor\u00e1rio para tortura havia acabado. \u201cEle nunca agradeceu tanto por ser S\u00e9rgio e ter o S no nome\u201d, relembra.<br \/>\nEm outro momento, um militar o acorda no meio da noite e pergunta se ele era o Frederico e diz \u201cque n\u00e3o queria estar na pele dele e que ele havia ca\u00eddo\u201d.<br \/>\nMaria conta que o pai chegou a pensar que fora delatado pelos amigos, mas, ao chegar na sala de tortura, viu seu amigo ensanguentado e, mesmo assim, o companheiro disse que aquele n\u00e3o era o Frederico que os militares estavam buscando.<br \/>\n\u201cAt\u00e9 hoje a gente n\u00e3o sabe se ele quis poup\u00e1-lo ou se n\u00e3o era ele mesmo. Ele passou \u2018raspando\u2019 por sess\u00f5es de tortura\u201d, conta a jovem.<br \/>\nAp\u00f3s quase dois meses, ele consegue ser solto com a ajuda de um militar conhecido da fam\u00edlia, que o ajuda com argumentos de que ele tinha bons antecedentes e que j\u00e1 havia estudado no col\u00e9gio naval na adolesc\u00eancia.<br \/>\nAo sair da cadeia, Maria conta que o pai era vigiado constantemente por militares e precisou mudar de casa. Ele havia passado em um concurso para ser fiscal de renda e sofreu amea\u00e7as para assumir o cargo, o que o fez desistir.<br \/>\n\u201cEles n\u00e3o queriam que algu\u00e9m contra o regime ocupasse um cargo p\u00fablico\u201d, conta.<br \/>\nS\u00f3 depois de muito tempo e com uma liminar na Justi\u00e7a, que ele conseguiu, de fato, pleitear o cargo.<br \/>\nDepois, passou por processos de ex\u00edlio, quando foi estudar para um mestrado no Chile e na Argentina, at\u00e9 retornar ao Brasil, nos anos 70.<br \/>\nDevido a todas as adversidades, S\u00e9rgio sofreu traumas e sempre falava sobre o assunto com muito receio e medo. \u201cEle falava baixo, falava com medo. Chegou a dar depoimento na Comiss\u00e3o Nacional da Verdade e ficou realmente nervoso\u201d, relembra a filha.<br \/>\nFim dos sonhos e Alzheimer<br \/>\nMesmo n\u00e3o sofrendo tortura f\u00edsica, as sequelas psicol\u00f3gicas foram graves, de acordo com Maria. Ele conta que o pai tomou por muito tempo ansiol\u00edticos e, mesmo ap\u00f3s anos, ainda tinha receio de falar sobre tudo que viveu na pris\u00e3o.<br \/>\nA estudante tamb\u00e9m relata que o pai parou de sonhar, literalmente, anos ap\u00f3s sair da cadeia.<br \/>\n\u201cEle n\u00e3o tinha mais a experi\u00eancia de sonhar como as pessoas normais. Quando ele saiu da pris\u00e3o, ele sonhava muito com tortura, tirando a camisa, a cal\u00e7a, para se \u2018desidentificar&#8217;\u201d, diz.<br \/>\n\u201cComo fazia abuso de ansiol\u00edticos, teve um comprometimento ps\u00edquico e neural. Ent\u00e3o, ele realmente n\u00e3o sonhava com nada ou n\u00e3o se lembrava. E tamb\u00e9m n\u00e3o tinha mais esperan\u00e7a com a vida. Tornou-se uma pessoa muito pessimista\u201d, acrescenta.<br \/>\nEm 2018, S\u00e9rgio foi diagnosticado com dem\u00eancia e a doen\u00e7a foi evoluindo. Ele precisou se retirar da faculdade em que dava aula e foi tendo uma piora no quadro de sa\u00fade.<br \/>\nAtualmente, por decis\u00e3o da fam\u00edlia, ele vive em uma ILPI (Institui\u00e7\u00e3o de Longa Perman\u00eancia), e tem dificuldade em reconhecer as filhas. \u201cHoje, ele j\u00e1 est\u00e1 em est\u00e1gio avan\u00e7ado do Alzheimer e muito debilitado. Tem dificuldade para se comunicar, para formar frase\u201d, diz.<br \/>\nMesmo diante da condi\u00e7\u00e3o, Maria acredita que os resqu\u00edcios da ditadura ainda permanecem. \u201cUma vez eu estava cantando Chico Buarque para ele e ele disse para eu n\u00e3o cantar aquilo que iam me prender\u201d, relembra.<br \/>\nPara a jovem, a identifica\u00e7\u00e3o com o filme  veio justamente da\u00ed, j\u00e1 que, para ela, a cena mais emblem\u00e1tica foi quando a atriz Fernanda Montenegro, que interpreta Eunice no fim da vida, reconhece o marido na televis\u00e3o e esbo\u00e7a rea\u00e7\u00e3o sem dizer uma palavra.<br \/>\n\u201cFoi muito impactante. Ela ressurge de si mesma. Fiquei muito comovida com esses paralelos\u201d, diz.<br \/>\nPara ela, a obra \u00e9 fundamental para preservar a hist\u00f3ria de todas as pessoas que passaram por algum tipo de tortura nessa \u00e9poca, al\u00e9m de mostrar para outras que duvidam que isso existiu.<br \/>\n\u201cTenho relato de amigos que foram assistir com pais conservadores. E s\u00f3 de conseguirem ter empatia e entender o que pelo menos foi o regime militar, fico feliz. \u00c9 muito importante a empatia que o cinema proporciona\u201d, diz.<br \/>\n\u2018Meu pai foi torturado e teve o t\u00edmpano perfurado\u2019<br \/>\nA estudante Luana Lungaretti, de 22 anos, cresceu ouvindo sobre o impacto da ditadura militar na vida de seu pai, Celso Lungaretti, hoje com 74 anos.<br \/>\nJornalista e ex-guerrilheiro da Vanguarda Popular Revolucion\u00e1ria (VPR), ele foi preso aos 19 anos em uma opera\u00e7\u00e3o que desarticulou o grupo ao qual pertencia.<br \/>\nCelso foi preso no dia 16 de abril de 1970 e levado para a sede do DOI-CODI, na zona norte do Rio de Janeiro.<br \/>\nDurante o tempo de deten\u00e7\u00e3o, foi submetido as sess\u00f5es de tortura que inclu\u00edam choques el\u00e9tricos e espancamentos.<br \/>\n\u201cChoques nos dedos, nos test\u00edculos e com eletrodos atados nos ouvidos, de forma que sent\u00edamos como se um raio atravessasse nosso c\u00e9rebro\u201d, relembra Celso, em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<br \/>\nEle sofreu agress\u00f5es pelo tenente Ailton Joaquim, que, segundo S\u00e9rgio, era considerado um dos mais violentos da \u00e9poca. O militar chegou a ministrar uma aula pr\u00e1tica de tortura na Vila Militar, em outubro de 1969, para um grupo de sargentos e oficiais.<br \/>\n\u201cEm uma dessas sess\u00f5es, ele teve o t\u00edmpano do ouvido direito estourado, uma les\u00e3o que resultou em anos de crises de labirintite e cirurgias\u201d, conta Luana.<br \/>\n\u201cFiz tr\u00eas cirurgias, mas at\u00e9 hoje continua perfurado. O buraco s\u00f3 diminuiu de di\u00e2metro, mas, se entrar \u00e1gua, infecciona\u201d, afirma o jornalista.<br \/>\nAl\u00e9m dos danos f\u00edsicos, as marcas psicol\u00f3gicas e sociais foram severas. \u201cEle passou quase um ano tentando se reerguer psicologicamente ap\u00f3s a pris\u00e3o. Ainda assim, enfrentou difama\u00e7\u00f5es e foi acusado injustamente de delatar seus colegas. Isso o isolou de muitas pessoas e comprometeu sua carreira profissional por d\u00e9cadas\u201d, relata a filha.<br \/>\nEle chegou a ficar um ano preso, e levou praticamente o mesmo tempo em que ficou em c\u00e1rcere para se recuperar. \u201cN\u00e3o tinha dinheiro para pagar terapeuta, mas fui superando os traumas e revolta represada\u201d, diz.<br \/>\nSegundo Celso, pelo menos 20 pessoas que ele conhecia pessoalmente foram assassinadas durante a luta armada ao participar de uma comunidade alternativa, a convite de antigos amigos dele da escola.<br \/>\nPara driblar a hostilidade e os preconceitos, ele chegou a usar pseud\u00f4nimos para assinar trabalhos na imprensa e conseguir trabalho.<br \/>\nA hist\u00f3ria do pai nunca foi um tabu dentro de casa. Desde cedo, Luana ouviu sobre o per\u00edodo repressivo e como ele moldou sua vis\u00e3o de mundo.<br \/>\n\u201cMeu pai nunca se calou sobre o que viveu. Ele sempre participou de debates, deu entrevistas e escreveu sobre o tema. Em 2005, publicou o livro \u201cN\u00e1ufrago da Utopia\u201d, onde relata sua trajet\u00f3ria na guerrilha e as marcas deixadas pela ditadura\u201d, ressalta.<br \/>\nAo assistir ao filme \u201cAinda Estou Aqui\u201d, a estudante sentiu-se representada.\u201dFoi imposs\u00edvel n\u00e3o me emocionar e pensar no que meu pai enfrentou. Era como se eu pudesse sentir, mesmo que minimamente, o que ele viveu na pele\u201d, diz.<br \/>\nNo entanto, a experi\u00eancia foi marcada por limita\u00e7\u00f5es: tanto ela quanto Celso t\u00eam defici\u00eancia auditiva, e a aus\u00eancia de legendas nos cinemas brasileiros dificultou o acesso.<br \/>\n\u201cUma pessoa que me acompanhava precisou escrever pelo WhatsApp o que acontecia para que eu pudesse entender.\u201d O pai da jovem ainda n\u00e3o conseguiu assistir ao longa, justamente pela falta de acessibilidade.<br \/>\nDocumento mostra persegui\u00e7\u00e3o durante ditadura militar brasileira<br \/>\nLuana Lungaretti\/Arquivo pessoal<br \/>\nA repercuss\u00e3o do filme e dos v\u00eddeos no TikTok, onde Luana compartilhou a hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia, \u00e9, para ela, uma oportunidade de conscientizar as novas gera\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cA maioria que defende, muitas vezes, \u00e9 influenciada por opini\u00f5es extremistas e, em alguns casos, sem fundamento sobre o assunto. Falta mais estudo e, principalmente, humanidade\u201d, diz Luana.<br \/>\nQuestionados sobre as pessoas que pedem para que a ditadura retorne, ambos s\u00e3o categ\u00f3ricos nas respostas. Para eles, defender a volta desse regime \u00e9 fruto da falta de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cTais pessoas, ou est\u00e3o sendo enganadas por gente inescrupulosa que lhes impingem mentiras cabeludas aproveitando sua inoc\u00eancia, ou s\u00e3o seres desumanos ao extremo\u201d, diz Celso.<br \/>\nA filha ainda faz um apelo para que essas pessoas se coloquem no lugar das minorias, de quem perdeu algu\u00e9m e de quem teve que lutar.<br \/>\n\u201cViver com medo, viver sendo vigiado, viver sob cautela o tempo todo, viver sem direitos. Isso n\u00e3o \u00e9 viver, e n\u00e3o podemos permitir que se repita.\u201d<br \/>\n\u2018Minha av\u00f3 ficou exilada por dez anos na Fran\u00e7a\u2019<br \/>\nA av\u00f3 da estudante Elisa Nunes, Vera Tude de Souza, precisou abandonar sua vida no Brasil durante a ditadura militar.<br \/>\n\u201cMinha av\u00f3 era muito jovem, praticamente da minha idade, e teve que largar tudo para acompanhar meu av\u00f4, que era da luta armada. Ela n\u00e3o era militante, mas ajudava pessoas perseguidas, como o Rubens Paiva\u201d, conta Elisa.<br \/>\nVera acabou sendo identificada pelas autoridades ap\u00f3s ajudar na fuga de um amigo, que acabou capturado. A situa\u00e7\u00e3o se tornou insustent\u00e1vel, e ela partiu para o ex\u00edlio na Fran\u00e7a em 1969. L\u00e1, ingressou no Partido Comunista Franc\u00eas e passou a observar as diferen\u00e7as sociais e pol\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil.<br \/>\n\u201cEla via como pol\u00edticas p\u00fablicas, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o de qualidade mudavam a vida das pessoas, e isso marcou muito a vis\u00e3o dela\u201d, explica a neta.<br \/>\nMesmo politicamente ativa no ex\u00edlio, sua av\u00f3 enfrentou dificuldades financeiras. Sem forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica completa, fez trabalhos manuais e passeava com cachorros para sustentar as filhas g\u00eameas. \u201cA ditadura roubou isso dela, e ela teve que se virar com o que dava para criar minha m\u00e3e e minha tia\u201d, relata Elisa.<br \/>\nSegundo a jovem, a av\u00f3 conta que o per\u00edodo, apesar dos desafios, foi importante para a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica dela, que agora tem 81 anos. \u201cEla nunca escondeu essa parte da vida para a fam\u00edlia, sempre contou suas experi\u00eancias. Foi uma \u00e9poca dif\u00edcil, mas que trouxe muito aprendizado para ela e meu av\u00f4.\u201d<br \/>\nElisa tamb\u00e9m explorou a hist\u00f3ria da av\u00f3 em sua monografia do ensino m\u00e9dio, que abordava o papel das mulheres na ditadura.<br \/>\n\u201cUsei os relatos dela para mostrar como era ser mulher na linha de frente naquele per\u00edodo. Foi muito especial trazer essa mem\u00f3ria para o trabalho\u201d, afirma.<br \/>\nA identifica\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia com o filme de Walter Salles foi imediata. \u201cAssistimos juntos porque sab\u00edamos que nos reconhecer\u00edamos nos personagens. Somos uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia, e a trajet\u00f3ria deles lembra muito a da minha av\u00f3.\u201d<br \/>\nAo levar a hist\u00f3ria de Vera para o TikTok, a estudante quis destacar a for\u00e7a e resili\u00eancia da av\u00f3.<br \/>\n\u201cEla \u00e9 uma hero\u00edna invis\u00edvel, a mulher que eu mais admiro no mundo. \u00c9 importante contar essas hist\u00f3rias para que ningu\u00e9m esque\u00e7a o que aconteceu e para que possamos entender melhor nosso passado.\u201d<br \/>\nPara Elisa, a falta de puni\u00e7\u00e3o aos respons\u00e1veis pelo regime contribui para o esquecimento coletivo.<br \/>\n\u201cOs culpados nunca foram punidos, e isso cria um fator de esquecimento muito grande nas pessoas. Muitos defendem a ditadura sem saber o que realmente aconteceu\u201d, diz<br \/>\nFernanda Torres: \u2018\u00c0s vezes voc\u00ea sonha que seus filhos te ponham no colo, mas n\u00e3o d\u00e1 certo. O papel da m\u00e3e \u00e9 segurar\u2019<br \/>\n\u2018Ainda estou aqui\u2019: por que caso da ditadura relatado no filme segue sem resolu\u00e7\u00e3o no STF<br \/>\nA inf\u00e2ncia de Bolsonaro entre quilombolas, guerrilheiros e a rica fam\u00edlia de Rubens Paiva<br \/>\nFernanda Torres e Selton Mello falam sobre \u2018Ainda estou aqui\u2019<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/cinema\/noticia\/2024\/12\/02\/como-ainda-estou-aqui-inspira-jovens-a-compartilhar-no-tiktok-historias-de-pais-e-avos-torturados-na-ditadura.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relatos ganharam milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es e trouxeram \u00e0 tona hist\u00f3rias de tortura, ex\u00edlio e persegui\u00e7\u00e3o. O pai de Maria Petrucci sofreu traumas e sempre falava sobre o assunto com muito receio e medo Maria Petrucci\/Arquivo Pessoal Maria Petrucci, de 22 anos, teve o pai preso por militares durante a ditadura no in\u00edcio dos anos 1970.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31536,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-31535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31535\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31536"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}