{"id":32135,"date":"2024-12-15T06:03:46","date_gmt":"2024-12-15T09:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/os-20-melhores-filmes-de-2024-segundo-criticos-da-bbc-sim-ainda-estou-aqui-esta-na-lista\/"},"modified":"2024-12-15T06:03:46","modified_gmt":"2024-12-15T09:03:46","slug":"os-20-melhores-filmes-de-2024-segundo-criticos-da-bbc-sim-ainda-estou-aqui-esta-na-lista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/os-20-melhores-filmes-de-2024-segundo-criticos-da-bbc-sim-ainda-estou-aqui-esta-na-lista\/","title":{"rendered":"Os 20 melhores filmes de 2024, segundo cr\u00edticos da BBC (sim, \u2018Ainda Estou Aqui\u2019 est\u00e1 na lista)"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     De filme de a\u00e7\u00e3o er\u00f3tico a drama no Vaticano, cr\u00edticos elegeram as melhores produ\u00e7\u00f5es do ano \u2014 e tem brasileiro na lista. De filme de a\u00e7\u00e3o er\u00f3tico a drama no Vaticano, cr\u00edticos elegeram as melhores produ\u00e7\u00f5es do ano<br \/>\nFocus Features\/ A24\/ Paramount Pictures\/ BBC<br \/>\nUm filme de a\u00e7\u00e3o er\u00f3tico com um toque diferente, um drama nos bastidores do Vaticano e o retorno de um \u00e9pico da Antiguidade.<br \/>\nOs cr\u00edticos de cinema da BBC Nicholas Barber (NB) e Caryn James (CJ) selecionam seus destaques do ano na tela grande e no streaming.<br \/>\nOs n\u00fameros da lista n\u00e3o representam ordem de classifica\u00e7\u00e3o. Eles foram inclu\u00eddos apenas para separar os filmes com maior clareza. Pegue a pipoca e confira!<br \/>\n1. Imaculada<br \/>\nA atriz americana Sydney Sweeney<br \/>\nAlamy<br \/>\nA atriz americana Sydney Sweeney \u00e9 a produtora e tamb\u00e9m a estrela deste filme de terror maravilhosamente assustador, sobre uma novi\u00e7a norte-americana que aprende que nem tudo \u00e9 o que parece em um convento na It\u00e1lia.<br \/>\nImaculada poderia facilmente ter sido um filme apelativo de baixa qualidade, mas \u00e9 (muito) superior em diversos aspectos \u2013 desde os coment\u00e1rios ousados sobre como os homens tratam as mulheres, at\u00e9 a cinematografia, que relembra a arte religiosa renascentista.<br \/>\nMas o mais surpreendente \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o de levar tudo ao mais extremo poss\u00edvel.<br \/>\nExistem in\u00fameros momentos em que voc\u00ea pensa enquanto est\u00e1 assistindo \u201cn\u00e3o\u2026 eles n\u00e3o v\u00e3o fazer isso\u2026 eles n\u00e3o iriam\u2026\u201d \u2013 e eles fazem. (NB)<br \/>\nImaculada est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Amazon Prime V\u00eddeo, Apple TV e Google Play.<br \/>\n2. Guerra Civil<br \/>\nTrecho do filme<br \/>\nA24 Films<br \/>\nGuerra Civil gerou rea\u00e7\u00f5es quase t\u00e3o polarizadas quanto o pa\u00eds dividido que ele mostra. Este \u00e9 um sinal de que seu diretor, Alex Garland, tocou em um ponto sens\u00edvel ao mostrar sua vis\u00e3o fict\u00edcia dos Estados Unidos em um futuro pr\u00f3ximo, com o pa\u00eds mergulhado em uma guerra civil, governado por um presidente fascista.<br \/>\nUma personagem central da trama \u00e9 a fotojornalista interpretada por Kirsten Dunst. Ela e seus colegas (Wagner Moura, Cailee Spaeny e Stephen McKinley Henderson) se colocam em grande risco, testemunhando e relatando as a\u00e7\u00f5es \u00e0 sua volta.<br \/>\nGarland torna essa a\u00e7\u00e3o visceral e explosiva, colocando armas e tanques nas ruas de Washington DC e criando violentos encontros cara a cara no supostamente calmo interior do pa\u00eds.<br \/>\nMas o aspecto mais angustiante do filme \u00e9 como ele posiciona a fic\u00e7\u00e3o, de forma aguda e convincente, a um passo de dist\u00e2ncia do mundo real.<br \/>\nAlguns espectadores observaram que Garland poderia ter criado um conflito pol\u00edtico mais agudo, mas, para mim, o filme j\u00e1 \u00e9 suficientemente assustador com sua vis\u00e3o de um futuro muito poss\u00edvel, assolado pela guerra. (CJ)<br \/>\nGuerra Civil est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Amazon Prime V\u00eddeo, Apple TV, Max e Google Play.<br \/>\n3. Love Lies Bleeding: O Amor Sangra<br \/>\nLove Lies Bleeding: O Amor Sangra: \u2018engra\u00e7ado e criativo\u2019.<br \/>\nA24 Films<br \/>\nA personagem de Kristen Stewart tem uma vida infeliz no come\u00e7o de Love Lies Bleeding: O Amor Sangra, como costuma acontecer com muita frequ\u00eancia com as personagens interpretadas pela atriz.<br \/>\nEnquanto administra uma academia de gin\u00e1stica decadente em uma cidade pequena, evitando seu pai g\u00e2ngster (Ed Harris), ela tenta em v\u00e3o convencer sua irm\u00e3 (Jena Malone) a p\u00f4r fim ao seu casamento abusivo.<br \/>\nMas tudo muda quando chega \u00e0 cidade uma viajante carism\u00e1tica, interpretada por Katy O\u2019Brian, a caminho de um concurso de bodybuilding em Las Vegas, nos Estados Unidos. Surgem as fa\u00edscas e os fogos de artif\u00edcio do sexo quente, forte viol\u00eancia e a total loucura explodindo.<br \/>\nFilme noir LGBT estiloso e com humor \u00e1cido da diretora brit\u00e2nica Rose Glass (que estreou no cinema com o aclamado filme de terror Saint Maud (2019), Love Lies Bleeding: O Amor Sangra \u00e9 o filme de suspense policial mais engra\u00e7ado e criativo desde Bom Comportamento (2017) \u2013 que, por acaso, era estrelado pelo parceiro de Stewart na saga Crep\u00fasculo (2008-2012), Robert Pattinson. (NB)<br \/>\nLove Lies Bleeding: O Amor Sangra est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Amazon Prime V\u00eddeo e Max.<br \/>\n4. La Chimera<br \/>\nLa Chimera: filmagem \u2018exuberante\u2019<br \/>\nNeon<br \/>\nOs filmes da cineasta italiana Alice Rohrwacher \u2013 como a \u00f3tima f\u00e1bula Lazzaro Felice (2018) \u2013 t\u00eam um toque de realismo m\u00e1gico.<br \/>\nAmbientado na Toscana (It\u00e1lia) dos anos 1980, La Chimera \u00e9 uma das suas melhores obras. Ela percorre a linha entre os sonhos e o realismo em rica textura.<br \/>\nJosh O\u2019Connor interpreta o ingl\u00eas Arthur, que trabalha com uma gangue de ladr\u00f5es de t\u00famulos locais, para encontrar artefatos antigos em tumbas etruscas e vender no mercado negro.<br \/>\nTriste e com apar\u00eancia maltrapilha, Arthur est\u00e1 se recuperando da perda do seu amor, Beniamina. Nas palavras de outro personagem, ele procura no submundo \u201cuma porta para o al\u00e9m\u201d e, \u00e0s vezes, parece encontr\u00e1-la.<br \/>\nRohrwacher tem um olhar para encontrar beleza nas ru\u00ednas, seja na grande casa aos peda\u00e7os onde mora a m\u00e3e de Beniamina (Isabella Rossellini) ou no pr\u00f3prio Arthur.<br \/>\nO roteiro apresenta movimento cont\u00ednuo, com perigos, crimes e fugas da pol\u00edcia. Mas o filme \u00e9 marcado pela interpreta\u00e7\u00e3o de O\u2019Connor \u2013 comovente e moderada, mas carism\u00e1tica \u2013 e pela vis\u00e3o elegante de Rohrwacher, exuberantemente filmada pela grande cineasta Helene Louvart. (CJ)<br \/>\n5. Meu Amigo Rob\u00f4<br \/>\nMeu Amigo Rob\u00f4 \u00e9 um desenho animado \u00fanico. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 franco-espanhola, mas presta uma ador\u00e1vel homenagem \u00e0 vibrante Nova York dos anos 1980.<br \/>\nA anima\u00e7\u00e3o segue o estilo de um livro de figuras 2D, mas repleta de min\u00fasculos detalhes. Embora n\u00e3o haja di\u00e1logos, a obra \u00e9 salpicada de perspic\u00e1cia e sabedoria.<br \/>\nO desenho gira em torno de um cachorro e um rob\u00f4 e \u00e9 um rico estudo da solid\u00e3o e do companheirismo humano.<br \/>\nAdaptada do romance em quadrinhos de Sara Varon e dirigida por Pablo Berger, esta joia que foi indicada ao Oscar conta a encantadora hist\u00f3ria de dois amigos que encontram alegria e reconforto na companhia um do outro \u2013 e precisam descobrir se conseguem viver afastados. (NB)<br \/>\nMeu Amigo Rob\u00f4 est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Amazon Prime V\u00eddeo, Apple TV, Google Play e YouTube.<br \/>\n6. Eu, Capit\u00e3o<br \/>\nPoucos dramas sobre migrantes s\u00e3o t\u00e3o comoventes, humanos e cheios de suspense quanto este. Eu, Capit\u00e3o descreve a trai\u00e7oeira jornada de um menino de 16 anos que deixa o Senegal em busca de uma vida melhor.<br \/>\nO filme rendeu a Matteo Garrone (da s\u00e9rie Gomorra, 2014-2021) o pr\u00eamio de melhor diretor no Festival de Cinema de Veneza, na It\u00e1lia, de 2023 \u2013 e, ao astro amador Seydou Sarr, o pr\u00eamio de melhor jovem ator.<br \/>\nSarr interpreta o personagem fict\u00edcio Seydou, um menino gentil, determinado a chegar \u00e0 It\u00e1lia junto com seu primo, Moussa. E cada etapa da viagem apresenta um perigo diferente.<br \/>\nEles atravessam o Saara com um grupo de outros migrantes. Quando uma mulher morre, Seydou a v\u00ea deslizando no ar, como se a realidade fosse grande demais para ser internalizada.<br \/>\nNa L\u00edbia, Seydou \u00e9 preso e torturado. E, na \u00faltima etapa da viagem, ele precisa pilotar um barco cheio de migrantes em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia \u2013 da\u00ed o nome Eu, Capit\u00e3o.<br \/>\nCom relativamente poucas palavras, Garrone e Sarr criam um filme real, penetrante e eloquente sobre um personagem, cuja hist\u00f3ria retrata a situa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. (CJ)<br \/>\nEu, Capit\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Amazon Prime V\u00eddeo, Apple TV, Google Play e YouTube.<br \/>\n7. Dias Perfeitos<br \/>\nTalvez voc\u00ea n\u00e3o imaginasse que algu\u00e9m que limpava banheiros p\u00fablicos para viver pudesse ter encontrado o segredo da felicidade. Mas Dias Perfeitos, do cineasta Wim Wenders, defende com convic\u00e7\u00e3o esta ideia.<br \/>\nO filme falado em japon\u00eas, do diretor e roteirista alem\u00e3o, \u00e9 um hipn\u00f3tico estudo do seu personagem. Ele acompanha Hirayama (K\u014dji Yakusho) na capital japonesa, T\u00f3quio, enquanto ele cumpre com suas tarefas de limpeza, rega as plantas, l\u00ea romances, ouve rock americano e tira fotos de \u00e1rvores \u2013 tudo silenciosamente, com o mesmo orgulho e dilig\u00eancia.<br \/>\nAqui e ali, surgem indica\u00e7\u00f5es de como a vida de Hirayama mudou e como ela pode vir a mudar ainda mais no futuro. Mas o foco do filme \u00e9 a medita\u00e7\u00e3o em forma de document\u00e1rio sobre a serenidade de uma exist\u00eancia restrita aos seus pontos essenciais.<br \/>\nE os banheiros p\u00fablicos do filme s\u00e3o t\u00e3o bem projetados que Dias Perfeitos poderia muito bem transform\u00e1-los em atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas. (NB)<br \/>\nDias Perfeitos est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Amazon Prime V\u00eddeo e Apple TV.<br \/>\n8. Gladiador 2<br \/>\nA continua\u00e7\u00e3o do \u00e9pico da era romana do diretor Ridley Scott, vencedor do Oscar de 2000, \u00e9 extremamente interessante.<br \/>\nO filme inclui desde a atua\u00e7\u00e3o din\u00e2mica (e subestimada) de Paul Mescal como o protagonista Lucius \u2013 o gladiador e herdeiro secreto do trono do Imp\u00e9rio Romano \u2013 at\u00e9 as cenas fascinantes e implac\u00e1veis no Coliseu, onde os gladiadores enfrentam advers\u00e1rios que incluem tubar\u00f5es, babu\u00ednos e rinocerontes.<br \/>\nMescal \u00e9 a \u00e2ncora do filme. Ele nos mostra a raiva e a sensibilidade de Lucius. Fora do Coliseu, Denzel Washington se supera como o magnata vestido com toga e joias, que compra Lucius e o leva para seu grupo de lutadores.<br \/>\nPedro Pascal interpreta um general romano, enquanto Joseph Quinn e Fred Hechinger d\u00e3o um ar assustador como os imperadores g\u00eameos debochados, que se sentam no lugar que, por direito, pertence a Lucius.<br \/>\nRepleto de cores e exageros maravilhosos, Gladiador 2 \u00e9 tudo o que se pode esperar de um filme no cinema \u2013 a prova de que, quando Scott est\u00e1 no melhor da sua forma, \u00e9 capaz de criar um espet\u00e1culo grandioso como nenhum outro diretor. (CJ)<br \/>\nNo Brasil, Gladiador 2 est\u00e1 em cartaz nos cinemas.<br \/>\n9. Babygirl<br \/>\nBabygirl traz Nicole Kidman como a poderosa dona de uma milion\u00e1ria empresa de rob\u00f3tica, ao lado de Harris Dickinson, como um jovem e arrogante estagi\u00e1rio.<br \/>\nAssim que coloca os olhos nele, ela sente que o jovem poderia conseguir satisfaz\u00ea-la de formas que seu amoroso marido (Antonio Banderas) n\u00e3o consegue. Come\u00e7a ent\u00e3o um arriscado jogo de domina\u00e7\u00e3o e submiss\u00e3o.<br \/>\nEsta poderia ser a premissa de um glamouroso thriller er\u00f3tico dos anos 1980 ou 90. E, em alguns aspectos, Babygirl parece ser exatamente isso, com seus belos atores e atrizes, seu figurino da moda e seus \u00f3timos cen\u00e1rios.<br \/>\nMas a roteirista e diretora Halina Reijn (Morte Morte Morte, 2022) sente muita compaix\u00e3o pelos seus personagens para trat\u00e1-los como sedutores predadores e v\u00edtimas infelizes, que poderiam ter feito parte de um filme daquele tipo, d\u00e9cadas atr\u00e1s.<br \/>\nNa verdade, eles s\u00e3o indiv\u00edduos imperfeitos, com vidas tumultuadas e desejos conflitantes, o que torna o seu affair ainda mais fascinante e imprevis\u00edvel. (NB)<br \/>\nNo Brasil, Babygirl tem previs\u00e3o de estreia nos cinemas em janeiro de 2025.<br \/>\n10. Hard Truths<br \/>\nO diretor Mike Leigh demonstra mais uma vez que um filme n\u00e3o precisa ser grande ou turbulento para ser espetacular.<br \/>\nVinte e oito anos depois de Segredos e Mentiras (1996), Leigh traz a atriz Marianne Jean-Baptiste, que interpreta Pansy. A personagem \u00e9 t\u00e3o deprimida e convencida de que o mundo est\u00e1 contra ela que ataca a tudo e a todos, desde estranhos at\u00e9 os mais pr\u00f3ximos.<br \/>\nSua atua\u00e7\u00e3o \u00e9 surpreendente \u2013 furiosa e intensa, mas cheia de empatia e compreens\u00e3o.<br \/>\nSem sentimentalismo e sem defender Pansy explicitamente, Leigh e Jean-Baptiste geram enorme compaix\u00e3o pela personagem. Seu amargor e comportamento agressivo s\u00e3o consequ\u00eancias de uma infelicidade profunda que \u00e9 inexplic\u00e1vel para ela.<br \/>\nOs atores coadjuvantes, especialmente Michele Austin como irm\u00e3 de Pansy, criam uma fam\u00edlia preocupada com ela, mas que n\u00e3o tem ideia do que deve fazer.<br \/>\nMais uma vez, Leigh prova que \u00e9 um mestre em nos fazer mergulhar na realidade de vidas comuns em um filme que, apesar da sua espinhosa hero\u00edna, chega a incluir tra\u00e7os de sagacidade e \u00e9 repleto de calor humano. (CJ)<br \/>\n11. Tudo que Imaginamos como Luz<br \/>\nO primeiro longa-metragem da diretora indiana Payal Kapadia foi um document\u00e1rio lan\u00e7ado em 2021 (Uma Noite Sem Saber Nada). Mas ela era praticamente desconhecida (pelo menos, para mim) at\u00e9 este ano, quando o lan\u00e7amento do seu primeiro drama a incluiu na lista dos jovens diretores mais interessantes do mundo.<br \/>\nEm Tudo que Imaginamos como Luz, as atrizes Kani Kusruti, Divya Prabha e Chhaya Kadam interpretam tr\u00eas mulheres indianas de diferentes gera\u00e7\u00f5es. Todas trabalham no mesmo hospital de Mumbai, na \u00cdndia, e compartilham sofrimentos pessoais.<br \/>\nUma delas \u00e9 vi\u00fava e est\u00e1 por ser despejada da casa do casal. Outra vive a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de um marido que ela mal conhece. E a terceira \u00e9 apaixonada por um homem com quem seus pais nunca ir\u00e3o permitir que ela se case.<br \/>\n\u00c0 medida que as mulheres estudam se devem permanecer em Mumbai ou voltar para suas aldeias de origem, este filme po\u00e9tico e comovente evoca a sonhadora magia de perambular \u00e0 noite por uma grande e agitada cidade.<br \/>\nNavegando na fronteira entre a fic\u00e7\u00e3o e o document\u00e1rio, o filme \u00e9 t\u00e3o intimista e inspirador que faz o espectador se sentir como se tamb\u00e9m estivesse vagando pela cidade, ao lado de tr\u00eas amigas queridas. (NB)<br \/>\nNo Brasil, Tudo que Imaginamos como Luz est\u00e1 em cartaz nos cinemas.<br \/>\n12. Emilia P\u00e9rez<br \/>\nN\u00e3o existe nada como Emilia P\u00e9rez.<br \/>\nO drama musical do diretor franc\u00eas Jacques Audiard \u00e9 divertido, artisticamente arrojado e delirantemente maluco. O filme \u00e9 t\u00e3o bizarro que n\u00e3o deveria funcionar, mas suas partes se encaixam com surpreendente ast\u00facia e movimento.<br \/>\nKarla Sof\u00eda Gasc\u00f3n interpreta um senhor do crime mexicano, Manitas. Ele se transmuta para se tornar Emilia, com ajuda de sua advogada (Zoe Salda\u00f1a).<br \/>\nEmilia se disfar\u00e7a de uma prima distante, para se aproximar da pr\u00f3pria esposa (Selena Gomez) e dos filhos. Ela se torna filantropa, at\u00e9 ser atingida pelos seus impulsos criminosos.<br \/>\nO filme \u00e9 repleto de m\u00fasica e dan\u00e7a, com n\u00fameros musicais ao lado de cenas de viol\u00eancia. Mas, sob essa aparente intensidade, as personagens evoluem at\u00e9 o seu final comovente \u2013 com destaque para Gomez e Salda\u00f1a.<br \/>\nEm um cen\u00e1rio de filmes de super-her\u00f3is e continua\u00e7\u00f5es, por mais maravilhosos que sejam alguns deles, este filme se destaca pela sua originalidade. Audiard re\u00fane uma ousada mistura de g\u00eaneros para criar um filme tocante e ambicioso. (CJ)<br \/>\nNo Brasil, Emilia P\u00e9rez tem previs\u00e3o de estreia nos cinemas em fevereiro de 2025.<br \/>\n13. Nosferatu<br \/>\nJ\u00e1 h\u00e1 muito tempo, os vampiros do cinema passaram a ser sedutores \u2013 como em True Blood (2008-2014) e na saga Crep\u00fasculo (2008-2012) \u2013 ou absurdos \u2013 como em Hotel Transilv\u00e2nia (2012-2022) e Renfield \u2013 Dando Sangue pelo Chefe (2023).<br \/>\nMas a not\u00e1vel refilmagem do cl\u00e1ssico mudo do mesmo nome (1922), do cineasta alem\u00e3o F. W. Murnau (1888-1931), leva os vampiros de volta para suas antigas origens no folclore europeu. E, ao mesmo tempo, acrescenta um lado moderno ao tema do romance original Dr\u00e1cula, de Bram Stoker (1847-1912).<br \/>\nNosferatu (2024) \u00e9 um filme de \u00e9poca meticulosamente pesquisado, ambientado na Alemanha do in\u00edcio do s\u00e9culo 19.<br \/>\nBill Skarsg\u00e5rd interpreta o morto-vivo Conde Orlok. E assim encontramos, pela primeira vez, um vampiro que n\u00e3o \u00e9 um devasso encantador, nem um rabugento solit\u00e1rio. Ele \u00e9 uma for\u00e7a demon\u00edaca verdadeiramente estranha e monstruosa.<br \/>\nMas o melodrama g\u00f3tico de Eggers, na verdade, n\u00e3o \u00e9 sobre o conde, por mais assustador que ele seja. Na verdade, a hist\u00f3ria \u00e9 sobre Thomas Hutter (Nicholas Hoult) e sua esposa Ellen (Lily-Rose Depp), um casal teoricamente feliz que \u00e9 amea\u00e7ado pelas suas inseguran\u00e7as de classe e sexo \u2013 e tamb\u00e9m pelo sanguin\u00e1rio da Transilv\u00e2nia, que se mudou para a mans\u00e3o rural vizinha em ru\u00ednas. (NB)<br \/>\nNo Brasil, o lan\u00e7amento de Nosferatu nos cinemas est\u00e1 previsto para janeiro de 2025.<br \/>\n14. Conclave<br \/>\nConclave \u00e9 uma obra rara: um filme comercial fascinante, repleto de talento art\u00edstico e enriquecido pela dire\u00e7\u00e3o meticulosa de Edward Berger e pela sutil, mas poderosa atua\u00e7\u00e3o de Ralph Fiennes.<br \/>\nFiennes interpreta um cardeal que concorre \u00e0 elei\u00e7\u00e3o do novo papa. E Berger \u2013 depois de Nada de Novo no Front (2022), que ganhou o Oscar de melhor filme internacional de 2022 \u2013 oferece \u00e0 obra o ritmo de um grande thriller pol\u00edtico, com as manipula\u00e7\u00f5es, o jogo sujo e as manobras de bastidores dos cardeais participantes do conclave.<br \/>\nA cinematografia \u00e9 deslumbrante, com belas composi\u00e7\u00f5es de cenas, repletas das ricas cores dos mantos dos cardeais e com a grandiosidade dos ambientes do Vaticano.<br \/>\nO cardeal Lawrence, interpretado por Fiennes, \u00e9 totalmente calmo na superf\u00edcie, mas podemos observar sua ang\u00fastia interior pelo questionamento da pr\u00f3pria f\u00e9.<br \/>\nE existem interpreta\u00e7\u00f5es fascinantes e claramente estudadas, como a de Stanley Tucci, que acrescenta um toque engra\u00e7ado como um concorrente ao cargo em disputa; John Lithgow, como um cardeal de alto escal\u00e3o que precisa esconder seus esc\u00e2ndalos; e Isabella Rossellini, uma freira que costuma ficar nos bastidores, at\u00e9 que finalmente escolhe o momento certo de dizer palavras fortes.<br \/>\nComo as melhores obras de Hollywood, Conclave \u00e9 inteligente e sofisticado. Assistir ao filme \u00e9 um imenso prazer. (CJ)<br \/>\nNo Brasil, o lan\u00e7amento de Conclave nos cinemas est\u00e1 previsto para janeiro de 2025.<br \/>\n15. Anora<br \/>\nMerecido vencedor da Palma de Ouro deste ano no Festival de Cannes, na Fran\u00e7a, Anora conta a turbulenta hist\u00f3ria de Ani (Mikey Madison), uma jovem russo-americana, dan\u00e7arina de um clube de striptease de Nova York, nos Estados Unidos.<br \/>\nPor um valor expressivo, ela concorda em fazer sexo com Vanya (Mark Eydelshteyn), o filho cabe\u00e7a-oca de um oligarca russo, e acaba acreditando que eles podem ter um futuro juntos. Mas os pais de Vanya n\u00e3o est\u00e3o de acordo com esta possibilidade.<br \/>\nMadison e o roteirista e diretor do filme, Sean Baker, criaram uma personagem com tanto entusiasmo que ela salta da tela. Suas absurdas desventuras s\u00e3o, ao mesmo tempo, engra\u00e7adas e emocionantes.<br \/>\nMas Baker sempre mant\u00e9m tudo ligado \u00e0 realidade nua e crua da vida americana contempor\u00e2nea, como ele pr\u00f3prio fez em seus filmes anteriores, como Tangerina (2015) e Projeto Fl\u00f3rida (2017).<br \/>\nDelirantemente divertido, Anora \u00e9 um aut\u00eantico retrato das pessoas que contam com pouco dinheiro no bolso. (NB)<br \/>\nNo Brasil, o lan\u00e7amento de Anora nos cinemas est\u00e1 previsto para janeiro de 2025.<br \/>\n16. A Semente da Figueira Sagrada<br \/>\nEsque\u00e7a o t\u00edtulo confuso. Este filme franco-iraniano \u00e9 um dos mais poderosos e oportunos do ano.<br \/>\nEle se baseia em uma fam\u00edlia que incorpora o conflito pol\u00edtico e geracional que assola o Ir\u00e3.<br \/>\nIman \u00e9 o pai austero, investigador do Tribunal Revolucion\u00e1rio Isl\u00e2mico na capital Teer\u00e3. Sua esposa \u00e9 d\u00f3cil e submissa e suas duas filhas jovens adultas prestam aten\u00e7\u00e3o ao movimento de protesto das mulheres nas ruas.<br \/>\nO diretor Mohammad Rasoulof inclui na sua obra algumas imagens reais dos protestos de 2022. Mas o filme \u00e9 um drama repleto de suspense e tens\u00e3o, muito longe de ser um folhetim.<br \/>\nIman perde sua arma e acusa a fam\u00edlia de tom\u00e1-la. Sua personalidade brutal e a profunda resist\u00eancia da filha contra ele e o patriarcado do pa\u00eds transformam o filme em uma hist\u00f3ria de a\u00e7\u00e3o angustiante.<br \/>\nRasoulof produziu o filme em segredo. Ele fugiu de uma senten\u00e7a de pris\u00e3o no Ir\u00e3 para apresentar a obra em Cannes. Agora, ele vive no ex\u00edlio, na Alemanha.<br \/>\nMas a a\u00e7\u00e3o na tela \u00e9 o que importa. O filme \u00e9 um drama intenso e intimista, que registra o impacto brutal que a pol\u00edtica pode exercer sobre os indiv\u00edduos. (CJ)<br \/>\n17. A Subst\u00e2ncia<br \/>\nO sucesso da diretora francesa Coralie Fargeat combina diversos g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos. Ele come\u00e7a como uma s\u00e1tira dura e brilhante do mundo do show business, no mesmo estilo de Crep\u00fasculo dos Deuses (1950).<br \/>\nSua hero\u00edna \u00e9 uma ex-superestrela vencedora do Oscar (Demi Moore), considerada ultrapassada pelo detest\u00e1vel produtor do seu programa di\u00e1rio na TV (Dennis Quaid).<br \/>\nO filme ent\u00e3o se transforma em um drama surreal de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, que relembra O M\u00e9dico e o Monstro (1941). A ex-estrela paga para ser clonada e fazer com que sua r\u00e9plica \u201cmelhor e mais jovem\u201d (Margaret Qualley) possa assumir o programa.<br \/>\nDepois disso, A Subst\u00e2ncia passa a ser um brutal filme de monstros, at\u00e9 chegar \u00e0 sua extraordin\u00e1ria e cruel conclus\u00e3o.<br \/>\nAs cr\u00edticas sobre as tend\u00eancias preconceituosas de Hollywood em rela\u00e7\u00e3o ao sexo e \u00e0 idade n\u00e3o s\u00e3o exatamente sutis. Mas, aqui, a sutileza raramente \u00e9 a quest\u00e3o.<br \/>\nFargeat prova que, se voc\u00ea tiver algo a dizer e expressar aquilo com for\u00e7a suficiente, um filme com or\u00e7amento relativamente baixo ainda pode levar as pessoas a assistir \u2013 e depois discutir o tema em quest\u00e3o. (NB)<br \/>\nA Subst\u00e2ncia est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil no Mubi, na Amazon Prime V\u00eddeo e na Apple TV.<br \/>\n18. Blitz<br \/>\nSteve McQueen amplia seu j\u00e1 extenso repert\u00f3rio com este filme comovente. Ele nos faz mergulhar na vida de uma m\u00e3e solteira e seu filho durante os bombardeios de Londres, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).<br \/>\nSaoirse Ronan interpreta Rita, uma trabalhadora industrial que mora com seu pai (Paul Weller) e seu filho George, de nove anos (Elliott Heffernan).<br \/>\nMcQueen \u00e9 conhecido pelos seus filmes mais sombrios, como Fome (2008) e 12 Anos de Escravid\u00e3o (2013). Agora, ele mistura o ambiente dos tempos de guerra com a aventura, cr\u00edtica social e um acolhedor sentimento familiar.<br \/>\nQuando George foge para evitar ser enviado para um local seguro no interior, sua jornada assume caracter\u00edsticas de Oliver Twist. O filme tamb\u00e9m aborda o racismo que rodeia a fam\u00edlia, incluindo a forma como o pai de George, que \u00e9 imigrante africano, foi preso injustamente e deportado.<br \/>\nOs atores agem de forma natural, mesmo nas circunst\u00e2ncias mais extraordin\u00e1rias, sob a lideran\u00e7a de Ronan. Ele nos permite observar, desde o in\u00edcio, o intenso amor de Rita pelo seu filho.<br \/>\nA corajosa cinematografia de McQueen cria uma sensa\u00e7\u00e3o cruel de presenciar o bombardeio. Mas, em \u00faltima an\u00e1lise, esta comovente hist\u00f3ria de guerra fala sobre fam\u00edlia, com toda a sua dramaticidade e emo\u00e7\u00e3o. (CJ)<br \/>\nBlitz est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil na Apple TV.<br \/>\n19. A Verdadeira Dor<br \/>\nA brilhante carreira de Jesse Eisenberg como ator incluiu um pouco de tudo, como Zumbil\u00e2ndia (2009 e 2019), A Rede Social (2010) e Sasquatch Sunset (outro sucesso de 2024). Agora, depois de duas d\u00e9cadas, ele prova que tem, atr\u00e1s das c\u00e2meras, o mesmo talento que exibe na tela.<br \/>\nSeu segundo filme como roteirista e diretor conta a hist\u00f3ria de dois primos, David e Benji, interpretados pelo pr\u00f3prio Eisenberg e por Kieran Culkin.<br \/>\nDavid \u00e9 cuidadoso e precavido, enquanto Benji \u00e9 extrovertido e irritantemente egoc\u00eantrico. Mas, para tentar restabelecer o relacionamento que eles tiveram quando crian\u00e7as em Nova York, os primos fazem um tour guiado por locais hist\u00f3ricos do Holocausto na Pol\u00f4nia.<br \/>\nO que \u00e9 extraordin\u00e1rio em A Verdadeira Dor \u00e9 que o filme lida com um tema t\u00e3o s\u00e9rio, com respeito e sensibilidade \u2013 e, ainda assim, consegue fazer rir do come\u00e7o ao fim. Isso porque as partes c\u00f4micas sempre parecem descontra\u00eddas, surgindo naturalmente das personalidades dos dois primos.<br \/>\nEisenberg conseguiu elaborar um filme sincero, esclarecedor e profundamente tocante que, ao mesmo tempo, \u00e9 tamb\u00e9m o mais engra\u00e7ado do ano. (NB)<br \/>\nNo Brasil, o lan\u00e7amento de A Verdadeira Dor nos cinemas est\u00e1 previsto para fevereiro de 2025.<br \/>\n20. Ainda Estou Aqui<br \/>\nO cineasta brasileiro Walter Salles \u2013 de Central do Brasil (1998) e Di\u00e1rios de Motocicleta (2004), entre tantos outros \u2013 traz um drama pol\u00edtico pessoal neste filme eloquente, baseado na hist\u00f3ria real da fam\u00edlia Paiva.<br \/>\nNo Rio dos anos 1970, o ex-deputado federal Rubens Paiva foi um dos muitos desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985).<br \/>\nEle foi levado pela pol\u00edcia e nunca mais foi visto. Sua esposa Eunice e seus cinco filhos precisaram enfrentar as consequ\u00eancias do ocorrido pelos anos e d\u00e9cadas que se seguiram.<br \/>\nA interpreta\u00e7\u00e3o de Fernanda Torres \u00e9 de discreta, mas not\u00e1vel resist\u00eancia. Ela sintetiza a vontade de ferro de Eunice, lutando para sustentar sua fam\u00edlia e descobrir o destino do marido.<br \/>\nWalter Salles nos faz sentir a tens\u00e3o e o medo gerados pelo sequestro nos dias que se seguiram. Mas poucos filmes ilustram de forma t\u00e3o singular os efeitos permanentes deste tipo de trag\u00e9dia sobre as pessoas que ficam para tr\u00e1s.<br \/>\nCom o passar do tempo, a fam\u00edlia enlutada aprende a olhar para frente, sem perder de vista o passado. E Ainda Estou Aqui revela esse longo luto de forma elegante, mostrando como as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e suas repercuss\u00f5es podem tirar a vida das pessoas completamente dos trilhos. (CJ)<br \/>\nNo Brasil, Ainda Estou Aqui est\u00e1 em exibi\u00e7\u00e3o nos cinemas.<br \/>\n\u201cAinda Estou Aqui\u201d \u00e9 indicado ao Critics\u2019 Choice Awards<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2024\/12\/15\/os-20-melhores-filmes-de-2024-segundo-criticos-da-bbc-sim-ainda-estou-aqui-esta-na-lista.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De filme de a\u00e7\u00e3o er\u00f3tico a drama no Vaticano, cr\u00edticos elegeram as melhores produ\u00e7\u00f5es do ano \u2014 e tem brasileiro na lista. 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