{"id":32809,"date":"2024-12-30T06:01:38","date_gmt":"2024-12-30T09:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-o-rap-abracou-a-introspeccao-e-a-vulnerabilidade-em-2024\/"},"modified":"2024-12-30T06:01:38","modified_gmt":"2024-12-30T09:01:38","slug":"como-o-rap-abracou-a-introspeccao-e-a-vulnerabilidade-em-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-o-rap-abracou-a-introspeccao-e-a-vulnerabilidade-em-2024\/","title":{"rendered":"Como o rap abra\u00e7ou a introspec\u00e7\u00e3o e a vulnerabilidade em 2024"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Letras sobre sa\u00fade mental, depress\u00e3o e outros temas n\u00e3o t\u00e3o comuns no estilo conquistaram as paradas e mudaram a cara do hip hop neste ano. V\u00cdDEO explica tend\u00eancia. O Rap ficou sens\u00edvel em 2024?<br \/>\nQuando voc\u00ea imagina um rapper, \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea pense em uma pessoa com correntes de ouro, carr\u00f5es e cara de mal. \u00c9 uma imagem que o rap cultivou por d\u00e9cadas. Em 2024, por\u00e9m, algo mudou.<br \/>\nQuando voc\u00ea pensa em rap, ainda imagina correntes de ouro, carr\u00f5es e muita cara feia? Tudo bem, o clich\u00ea ainda tem certo sentido, mas o estilo tem mudado nos \u00faltimos anos. Em 2024, o rap parece ter abra\u00e7ado a introspec\u00e7\u00e3o e a vulnerabilidade.<br \/>\nNos \u00faltimos anos, grandes nomes como Kendrick Lamar e Tyler, The Creator j\u00e1 vinham explorando temas como traumas, emo\u00e7\u00f5es e processos terap\u00eauticos.<br \/>\nNo Brasil, nomes importantes do estilo como Febem e Matu\u00ea tamb\u00e9m adotaram essa tend\u00eancia, trazendo introspec\u00e7\u00e3o para o mainstream.<br \/>\nDe gangsta ao vulner\u00e1vel?<br \/>\nSegundo Nave Beatz, produtor que trabalhou com o rapper BK e venceu o Grammy latino de 2020 com \u201cAmarElo\u201d de Emicida, a ideia de mostrar fraqueza antes era impens\u00e1vel:<br \/>\n\u201cPrincipalmente no rap que era mais Gangsta em S\u00e3o Paulo e tudo mais, tu n\u00e3o podia demonstrar a fraqueza sabe, eu acho que tinha muito isso rap, tanto antigamente tanto at\u00e9 l\u00e1 fora tamb\u00e9m.\u201d<br \/>\nA virada do jogo<br \/>\nO rap nasceu no Bronx, nos Estados Unidos em 1970, como parte da cultura hip hop. No in\u00edcio, era um reflexo das ruas: pobreza, viol\u00eancia e a luta contra a opress\u00e3o.  Nas d\u00e9cadas de 90 e 2000, o \u201cGangsta rap\u201d dominou, exaltando uma postura durona vista em artistas como N.W.A, Racionais MC\u2019s e 50 Cent.<br \/>\nA partir dos anos 2000, nomes como Kanye West e Kid Cudi desafiaram essa narrativa. \u00c1lbuns como \u201cThe College Dropout\u201d e \u201cMan On The Moon: The End Of The Day\u201d trouxeram temas como depress\u00e3o e solid\u00e3o.<br \/>\nMontagem das capas dos albuns \u2018The College Dropout\u2019 de Kanye West e \u2018Man On The Moon The End Of Day\u2019 de Kid Cudi<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nNesse contexto, houve um epis\u00f3dio interessante: uma disputa entre Kanye e 50 Cent em 2007 marcou esse momento de transi\u00e7\u00e3o.<br \/>\n50 Cent, irritado com as proje\u00e7\u00f5es das vendas do \u00e1lbum \u2018Graduation\u2019 de Kanye, disse que se o rapper vendesse mais que ele com o \u00e1lbum \u2018Curtis\u2019, 50 Cent se aposentaria. Kanye venceu nas vendas, provando que havia espa\u00e7o para um rap mais sens\u00edvel.<br \/>\nNo Brasil, Emicida foi o principal expoente desse estilo com sua mixtape de estreia \u201cPra Quem J\u00e1 Mordeu Cachorro por comida, at\u00e9 que Cheguei Longe\u201d. Em 2009, ele abordou temas como amor, vulnerabilidade social e sonhos.<br \/>\nQuando o rap encontra o emo<br \/>\nEm 2016 um fen\u00f4meno interessante aconteceu no hip-hop, o trap (aquela vertente mais arrastada do rap) vivia seu momento de ascens\u00e3o e se fundiu com outro estilo musical, o emo, nascendo o emo Trap.<br \/>\nXxxtentacion, Lil Peep e Lil Uzi Vert usavam das batidas do trap para falar sobre suas desilus\u00f5es amorosas, depress\u00e3o e como tudo isso era canalizado no abuso de drogas.<br \/>\nNeste mesmo per\u00edodo no Brasil, o rapper carioca BK surgiu em uma safra que tinha ainda Djonga e Xam\u00e3. Juntos, deram continuidade a esse estilo de fazer rap e abriram caminho para uma nova gera\u00e7\u00e3o de rappers com vontade de equilibrar intensidade e emo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Abaixo do Radar\u2019 de Febem<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nFebem \u00e9 o codinome do rapper paulista Felipe Silva,  que come\u00e7ou sua carreira em 2010 e lan\u00e7ou em julho deste ano o \u00e1lbum \u201cAbaixo do Radar\u201d.<br \/>\nO disco aborda temas como a press\u00e3o de ser o sustento da fam\u00edlia, o lado ruim da fama e a import\u00e2ncia da sa\u00fade mental. Em entrevista ao g1, Febem comentou sobre esses temas nas m\u00fasicas:<br \/>\n\u201cPode ser influ\u00eancia de idade mesmo, t\u00e1 ligado? A nossa gera\u00e7\u00e3o t\u00e1 envelhecendo. S\u00f3 que \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 nem sobre a cultura em si \u00e9 sobre vida.\u201d<br \/>\nAs consequ\u00eancias da pandemia<br \/>\nEm 2022, Kendrick Lamar lan\u00e7ou o \u00e1lbum \u201cMr. Morale &amp; The Big Steppers\u201d. O projeto levou cinco anos para ser conclu\u00eddo e virou marco de um rap mais ligado a traumas pessoais.<br \/>\n\u201cA pandemia foi um catalisador para isso. Muita gente que n\u00e3o fazia terapia come\u00e7ou a fazer, porque estava ficando dod\u00f3i da cabe\u00e7a. Eu acho que os artistas dos nossos tempos s\u00e3o os que que contam as hist\u00f3rias\u201d , resume Nave Beatz, produtor de Emicida e D2, ao g1.<br \/>\nMontagem das capas dos \u00e1lbuns \u2018GNX\u2019 de Kendrick Lamar e \u2018Chromakopia\u2019 de Tyler, The Creator<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nTyler, The Creator lan\u00e7ou \u201cChromakopia\u201d em 2024, seu disco mais pessoal abordando temas mais maduros como o envelhecimento e expectativas sobre a vida, o \u00e1lbum vendeu cerca de 300 mil c\u00f3pias na primeira semana.<br \/>\nUm fen\u00f4meno parecido aconteceu com Kendrick e o \u00e1lbum \u201cGNX\u201d. O projeto \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura do hip-hop da costa oeste. Al\u00e9m disso, o \u00e1lbum traz temas introspectivos, como s\u00edndrome do impostor, depress\u00e3o e solid\u00e3o.<br \/>\nHip hop como terapia<br \/>\nA influ\u00eancia da terapia no rap tamb\u00e9m existe. A hip hop therapy, m\u00e9todo criado em 1996 pelo m\u00e9dico americano Edgar Tyson (1963-2018), usa letras e batidas como ferramenta terap\u00eautica.<br \/>\nA \u201cterapia do hip hop\u201d tem ajudado jovens marginalizados a lidar com traumas e expressar emo\u00e7\u00f5es. Para muitos artistas, como Kendrick, ir \u00e0 terapia foi um divisor de \u00e1guas e esse processo aparece em letras de m\u00fasicas como a de \u201cMr. Morale\u201d.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Alligator Bites Never Heal\u2019 de Doechii<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nEssa tend\u00eancia tamb\u00e9m aparece no trabalho de nov\u00edssimos nomes, como Doechii. Sua mixtape \u201cAlligator Bites Never Heal\u201d disputa o Grammy de 2025  de \u00c1lbum de Rap e ela \u00e9 uma das favoritas ao pr\u00eamio de Revela\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMatu\u00ea, fen\u00f4meno do trap brasileiro, fez do aguardado \u00e1lbum \u201c333\u201d um disco que vai al\u00e9m da autoafirma\u00e7\u00e3o. H\u00e1 espa\u00e7o para refletir sobre fama e vida longe da internet.<br \/>\nS\u00e3o exemplos que deixam claro que o rap tem se mostrado mais sens\u00edvel e mais aberto a temas que exp\u00f5e seus artistas. Ao que tudo indica, essa transforma\u00e7\u00e3o veio para ficar.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2024\/12\/30\/como-o-rap-abracou-a-introspeccao-e-a-vulnerabilidade-em-2024.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Letras sobre sa\u00fade mental, depress\u00e3o e outros temas n\u00e3o t\u00e3o comuns no estilo conquistaram as paradas e mudaram a cara do hip hop neste ano. V\u00cdDEO explica tend\u00eancia. O Rap ficou sens\u00edvel em 2024? 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