{"id":33385,"date":"2025-01-10T12:03:09","date_gmt":"2025-01-10T15:03:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/ney-matogrosso-e-legitimo-porta-voz-de-cancoes-para-mundo-em-agonia-na-pegada-roqueira-de-album-com-hecto\/"},"modified":"2025-01-10T12:03:09","modified_gmt":"2025-01-10T15:03:09","slug":"ney-matogrosso-e-legitimo-porta-voz-de-cancoes-para-mundo-em-agonia-na-pegada-roqueira-de-album-com-hecto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/ney-matogrosso-e-legitimo-porta-voz-de-cancoes-para-mundo-em-agonia-na-pegada-roqueira-de-album-com-hecto\/","title":{"rendered":"Ney Matogrosso \u00e9 leg\u00edtimo porta-voz de can\u00e7\u00f5es para mundo em agonia na pegada roqueira de \u00e1lbum com Hecto"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Pot\u00eancia das letras incisivas e da moldura instrumental do disco atenua a irregularidade do in\u00e9dito repert\u00f3rio composto e produzido por Guilherme G\u00ea. Capa do \u00e1lbum \u2018Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo\u2019, de Ney Matogrosso &amp; Hecto<br \/>\nMarcos Hermes<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo<br \/>\nArtista: Ney Matogrosso &amp; Hecto<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605<br \/>\n\u266a \u201cTiraram a minha raz\u00e3o \/ Na vida, meu viol\u00e3o \/ Levaram o meu amor \/ Meus sonhos e o que sobrou \/ Saudade de existir \/ Saudade\u2026\u201d, cantam Ney Matogrosso e Guilherme G\u00ea, vocalista do duo Hecto, dando vozes aos versos de Anonimato, pseudo-samba de G\u00ea que assume a forma de rock e fecha o \u00e1lbum Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo.<br \/>\nA letra de Anonimato foi escrita sob a \u00f3tica de um morador de rua, invis\u00edvel aos olhos da sociedade, mas bem pode ser interpretada como r\u00e9quiem para a humanidade vazia de emo\u00e7\u00f5es reais que vaga sem rumo em busca do algoritmo.<br \/>\nNo mercado digital a partir de hoje, 10 de janeiro, o \u00e1lbum Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo junta o cantor Ney Matogrosso \u2013 \u00edcone da MPB que, dois anos ap\u00f3s ser revelado em 1973 como vocalista do trio Secos &amp; Molhados, iniciou carreira solo que completa 50 coerentes anos em 2025 \u2013 com o duo Hecto.<br \/>\nO duo Hecto \u00e9 natural do Rio de Janeiro (RJ) tendo sido formado pelo cantor, produtor musical e multi-instrumentista carioca Guilherme G\u00ea com o guitarrista catarinense Marcelo Nader.<br \/>\nA caminho dos 84 anos que festejar\u00e1 em 1\u00ba de agosto, Ney felizmente insiste na juventude e, em vez de deitar e adormecer no ber\u00e7o espl\u00eandido dos medalh\u00f5es da m\u00fasica brasileira, continua atento aos sinais e se junta com G\u00ea neste disco pautado pela atitude roqueira que sempre diferenciou o cantor no universo da MPB.<br \/>\nCom predisposi\u00e7\u00e3o para se conectar com artistas jovens, de menor visibilidade no mercado, Ney \u00e9 o porta-voz das nove can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum gravado com produ\u00e7\u00e3o musical e arranjos de Guilherme G\u00ea (piano, viol\u00e3o de a\u00e7o, bandolim, guitarra, baixo el\u00e9trico, teclados, programa\u00e7\u00e3o de bateria, loops e sampler).<br \/>\nSim, por mais que o \u00e1lbum Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo seja assinado pelo cantor com o duo Hecto e tenha sido idealizado por Guilherme G\u00ea, o disco atrai aten\u00e7\u00f5es por ser, afinal, um disco de Ney Matogrosso, cujo \u00faltimo \u00e1lbum, Nu com a minha m\u00fasica (2021), saiu j\u00e1 h\u00e1 quatro anos.<br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 que, apesar da embalagem atraente, Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo \u00e9 \u00e1lbum aqu\u00e9m da hist\u00f3rico discogr\u00e1fico de Ney.<br \/>\nDe tom roqueiro, a moldura instrumental soa sempre potente e se afina com a pena afiada das letras, retratos de mundo que agoniza, em decomposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que o inv\u00f3lucro das m\u00fasicas atenua, mas n\u00e3o disfar\u00e7a, a ess\u00eancia irregular do repert\u00f3rio, percept\u00edvel desde a faixa de abertura, P\u00e1tria gentil (Guilherme G\u00ea), rock marcado pela bateria de Will Cahoun, da banda norte-americana Living Colour.<br \/>\nEscrita na linha mis\u00e9ria s.a., a letra de P\u00e1tria gentil simula liga\u00e7\u00e3o de telemarketing para enumerar mazelas do Brasil, dando o tom cr\u00edtico do disco.<br \/>\nPovoado por corpos cansados e almas insones, o universo em desencanto do \u00e1lbum \u00e9 bem retratado nos versos de Mon\u00f3logo (Guilherme G\u00ea e S\u00e9rgio Britto a partir de poema de Paulo S\u00e9rgio Valle), m\u00fasica de refr\u00e3o envolvente que se imp\u00f5e no repert\u00f3rio ao lado da j\u00e1 conhecida Teu sangue (Guilherme G\u00ea, 2024), faixa lan\u00e7ada como single inicial do \u00e1lbum em agosto do ano passado.<br \/>\nOutra quest\u00e3o \u00e9 que as presen\u00e7as de convidados \u2013 como Roberto Frejat em Solaris (Guilherme G\u00ea a partir de letra de Mauro Santa Cec\u00edlia), rock turbinado com solo de guitarra de Fernando Magalh\u00e3es,  m\u00fasico da banda Bar\u00e3o Vermelho \u2013 tampouco agregam valor ao disco. At\u00e9 porque a boa intera\u00e7\u00e3o vocal de Ney Matogrosso com Guilherme G\u00ea \u00e9 um dos trunfos do \u00e1lbum Can\u00e7\u00f5es para um novo mundo.<br \/>\nPor isso mesmo, soa dispens\u00e1vel a entrada da cantora Ana Ca\u00f1as em O amor vem antes de tudo (Guilherme G\u00ea e D\u00e9a Moura), outra faixa gravada com o toque afro da bateria de Will Cahoun e tamb\u00e9m aditivada com a c\u00edtara de Mario Moura.<br \/>\nO folk rock Tro\u00e7o (Guilherme G\u00ea) e a balada-rock Can\u00e7\u00e3o para um novo mundo (Guilherme G\u00ea e Mauro Santa Cec\u00edlia) sublinham a sensa\u00e7\u00e3o de que as letras incisivas sempre se sobrep\u00f5em \u00e0s melodias por denunciarem uma humanidade sufocada, como alerta verso de Nosso grito (Guilherme G\u00ea e D\u00e9a Moura, 2024), m\u00fasica apresentada em outubro como segundo single do disco editado pela gravadora Som Livre.<br \/>\nCertamente foram as letras que atra\u00edram Ney Matogrosso para o repert\u00f3rio, fazendo com o que o cantor seja o porta-voz de cancioneiro que, justi\u00e7a seja feita, tem pegada e o m\u00e9rito de retratar o caos social do mundo no s\u00e9culo XXI com muita gente sentindo saudade de existir.<br \/>\nGuilherme G\u00ea (\u00e0 esquerda), vocalista do duo Hecto, canta com Ney Matogrosso as nove m\u00fasicas do disco lan\u00e7ado hoje, 10 de janeiro<br \/>\nMarcos Hermes \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/01\/10\/ney-matogrosso-e-legitimo-porta-voz-de-cancoes-para-mundo-em-agonia-na-pegada-roqueira-de-album-com-hecto.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pot\u00eancia das letras incisivas e da moldura instrumental do disco atenua a irregularidade do in\u00e9dito repert\u00f3rio composto e produzido por Guilherme G\u00ea. 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