{"id":33473,"date":"2025-01-12T15:03:48","date_gmt":"2025-01-12T18:03:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/martinho-da-vila-e-entronizado-como-heroi-da-liberdade-na-narrativa-africana-do-musical-de-teatro-coracao-de-rei\/"},"modified":"2025-01-12T15:03:48","modified_gmt":"2025-01-12T18:03:48","slug":"martinho-da-vila-e-entronizado-como-heroi-da-liberdade-na-narrativa-africana-do-musical-de-teatro-coracao-de-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/martinho-da-vila-e-entronizado-como-heroi-da-liberdade-na-narrativa-africana-do-musical-de-teatro-coracao-de-rei\/","title":{"rendered":"Martinho da Vila \u00e9 entronizado como her\u00f3i da liberdade na narrativa africana do musical de teatro \u2018Cora\u00e7\u00e3o de rei\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     O ator Alan Rocha sobressai no elenco do espet\u00e1culo, em cartaz no Rio de Janeiro, por reproduzir em cena com precis\u00e3o o \u2018lai\u00e1rai\u00e1\u2019 do sambista. Ren\u00e9e Natan (\u00e0 esquerda), Celso Luz, Alan Rocha e Fernando Leite (\u00e0 direita) se revezam na interpreta\u00e7\u00e3o de Martinho da Vila no espet\u00e1culo idealizado por J\u00f4 Santana<br \/>\nErik Almeida \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE MUSICAL DE TEATRO<br \/>\nT\u00edtulo: Martinho \u2013 Cora\u00e7\u00e3o de rei \u2013 O musical<br \/>\nIdealiza\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o: J\u00f4 Santana<br \/>\nDire\u00e7\u00e3o: Miguel Falabella<br \/>\nDramaturgia: Helena Theodoro<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 1\/2<br \/>\n\u266c No \u00e1lbum mais coeso de Martinho da Vila nos \u00faltimos anos, Negra \u00f3pera (2023), o artista se confirmou resistente her\u00f3i da liberdade na narrativa dessa \u00f3pera popular que versou sobre assuntos como a morte na cad\u00eancia do samba.<br \/>\nMusical de teatro que estreou no Rio de Janeiro (RJ) na quinta-feira, 9 de janeiro, ap\u00f3s cumprir temporada em S\u00e3o Paulo (SP), Martinho \u2013 Cora\u00e7\u00e3o de rei retoca esse retrato do cantor, compositor e ritmista fluminense, louvando artista que renovou o samba na segunda metade da d\u00e9cada de 1960 com partidos de alta qualidade e sambas-enredos menos caudalosos, como Iai\u00e1 do Cais Dourado, joia do Carnaval de 1969 revivida no espet\u00e1culo em cartaz no Teatro Riachuelo de quinta-feira a s\u00e1bado.<br \/>\nEm cena, Martinho Jos\u00e9 Ferreira \u00e9 entronizado como her\u00f3i da liberdade, um Zumbi contempor\u00e2neo que dissemina a heran\u00e7a afro-brasileira na selva das cidades atrav\u00e9s de m\u00fasicas como \u00c0 volta da fogueira (Martinho da Vila, Manoel Rui e Ruy Mingas, 1983), surpresa de roteiro musical que tamb\u00e9m escapa do \u00f3bvio ao rebobinar Folia de reis  e Linha do \u00e3o, duas m\u00fasicas lan\u00e7adas no segundo \u00e1lbum de Martinho, Meu lai\u00e1rai\u00e1 (1970).<br \/>\nA matriz africana embasa a dramaturgia de Helena Theodoro, encenada sob dire\u00e7\u00e3o de Miguel Falabella a convite de J\u00f4 Santana, idealizador do espet\u00e1culo.  No pr\u00f3logo \u00e9pico que abre o musical, Alan Rocha \u2013 um dos quatro atores que se revezam na pele de Martinho da Vila \u2013 encarna um gri\u00f4, entidade que, na mitologia da sociedade africana, repassa adiante a hist\u00f3ria dos povos ancestrais.<br \/>\nNa cena de Martinho \u2013 Cora\u00e7\u00e3o de rei, avivada pelas cores dos figurinos exuberantes de Claudio Tovar, o pr\u00f3logo fica dissociado da hist\u00f3ria em si contada na sequ\u00eancia e centrada nos passos iniciais de Martinho para se impor como compositor nos anos 1960, sem a inten\u00e7\u00e3o de virar cantor.<br \/>\nComo o texto enfatiza, a carreira de cantor aconteceu de forma quase acidental naqueles dias de luta em que o artista iniciante se dividia entre a quadra da escola de samba Unidos de Vila Isabel e o quartel, onde cumpria expediente como sargento.<br \/>\nNa narrativa metalingu\u00edstica, quatro atores \u2013 Alan Rocha, Celso Luz, Fernando Leite e Ren\u00e9e Natan \u2013 se alternam (e se re\u00fanem) em cena como Martinho, sendo que a performance de Alan logo se imp\u00f5e como o maior trunfo do espet\u00e1culo.<br \/>\nMostrando conhecer bem o lai\u00e1rai\u00e1 singular de Martinho,  Alan Rocha reproduz com precis\u00e3o o jeito de o artista falar, cantar e se movimentar, valorizando musical que salpica informa\u00e7\u00f5es sobre a vida e obra do artista sem preocupa\u00e7\u00f5es cronol\u00f3gicas e com \u00eanfase na conex\u00e3o do artista com a \u00c1frica.<br \/>\nComo se n\u00e3o bastasse chegar \u00e0 apoteose como Martinho da Vila, Alan Rocha ainda arranca risos da plateia ao performar como um impag\u00e1vel Jamel\u00e3o (1913 \u2013 2008).<br \/>\nUm Noel Rosa (1910 \u2013 1937) vaporoso vaga pela cena \u2013 como esp\u00edrito encarnado no corpo do ator Dante Paccola \u2013 com a fun\u00e7\u00e3o de pontuar determinados acontecimentos no texto que, valendo-se do uso da metalinguagem, cita v\u00e1rias vezes o nome do diretor Miguel Falabella e p\u00f5e a pr\u00f3pria dramaturga em cena no segundo ato.<br \/>\nEntre vis\u00f5es idealizadas da m\u00e3e de Martinho, Teresa de Jesus \u2013 louvada em cena com o canto do samba Pra m\u00e3e Teresa (Martinho da Vila e Beto sem Bra\u00e7o, 1989) \u2013 e da hist\u00f3ria de amor do artista com Cl\u00e9o Ferreira, contada ao som de Recriando a cria\u00e7\u00e3o (Martinho da Vila e Z\u00e9 Katimba, 1985), o musical Martinho \u2013 Cora\u00e7\u00e3o de rei apresenta outras mulheres importantes na vida do artista.<br \/>\nM\u00e3e de Analimar Ventapane e Mart\u2019n\u00e1lia, An\u00e1lia Mendon\u00e7a (1942 \u2013 2005) \u00e9 interpretada pela neta Dandara Ventapane, que brilha ao cantar o acalanto Tom maior (Martinho da Vila, 1968).<br \/>\nNo segundo ato, a dramaturgia se dilui e fica sem conclus\u00e3o, apesar de o canto de Her\u00f3is da liberdade (Silas de Oliveira, Mano D\u00e9cio da Viola e Manoel Ferreira) \u2013 antol\u00f3gico samba-enredo com o qual a escola Imp\u00e9rio Serrano desfilou no Carnaval de 1969 \u2013 sublinhar a mensagem do musical antes de tudo se acabar em roda da samba, recurso f\u00e1cil para fazer o p\u00fablico cantar com o elenco sucessos como Madalena do Jucu (Martinho da Vila, 1989). Sambas que reiteram a realeza de Martinho Jos\u00e9 Ferreira.<br \/>\nAs cores vivas dos figurinos de Claudio Tovar saltam aos olhos no espet\u00e1culo \u2018Martinho \u2013 Cora\u00e7\u00e3o de rei \u2013 O musical\u2019, em cartaz no Teatro Riachuelo<br \/>\nErik Almeida \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/01\/12\/martinho-da-vila-e-entronizado-como-heroi-da-liberdade-na-narrativa-africana-do-musical-de-teatro-coracao-de-rei.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ator Alan Rocha sobressai no elenco do espet\u00e1culo, em cartaz no Rio de Janeiro, por reproduzir em cena com precis\u00e3o o \u2018lai\u00e1rai\u00e1\u2019 do sambista. 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