{"id":33966,"date":"2025-01-21T15:02:16","date_gmt":"2025-01-21T18:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/album-historico-em-que-rita-lee-cantou-a-liberdade-feminina-na-batida-do-rock-fruto-proibido-faz-50-anos-e-gera-show\/"},"modified":"2025-01-21T15:02:16","modified_gmt":"2025-01-21T18:02:16","slug":"album-historico-em-que-rita-lee-cantou-a-liberdade-feminina-na-batida-do-rock-fruto-proibido-faz-50-anos-e-gera-show","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/album-historico-em-que-rita-lee-cantou-a-liberdade-feminina-na-batida-do-rock-fruto-proibido-faz-50-anos-e-gera-show\/","title":{"rendered":"\u00c1lbum hist\u00f3rico em que Rita Lee cantou a liberdade feminina na batida do rock, \u2018Fruto proibido\u2019 faz 50 anos e gera show"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Sob a lideran\u00e7a do guitarrista Luiz Carlini, a banda Tuttti Frutti celebra as cinco d\u00e9cadas do disco em 25 de janeiro, dia do anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo. Capa do \u00e1lbum \u2018Fruto proibido\u2019, lan\u00e7ado por Rita Lee &amp;Tutti Frutti em junho de 1975<br \/>\nMeca com arte de Kelio<br \/>\n\u266b MEM\u00d3RIA<br \/>\n\u266a Rita Lee alcan\u00e7ou picos de vendas, popularidade e criatividade entre 1979 e 1982, per\u00edodo \u00e1ureo da parceria da artista paulistana com o m\u00fasico, arranjador e produtor Roberto de Carvalho. Foi quando o cancioneiro da cantora adquiriu contorno pop, com ar por vezes foli\u00e3o, e se tornou aliciante, conquistando todo o Brasil.<br \/>\nContudo, seguidores mais radicais da artista nunca perdoaram Rita Lee Jones (31 de dezembro de 1947 \u2013 8 de maio de 2023) por essa guinada pop. Para roqueiros mais ortodoxos, a melhor fase da obra fonogr\u00e1fica da Ovelha negra p\u00f3s-Mutantes reside nos anos em que Rita esteve associada ao grupo Tutti Frutti.<br \/>\nForam quatro \u00e1lbuns gravados e lan\u00e7ados entre 1974 e 1978. Desse lote, o t\u00edtulo mais emblem\u00e1tico \u00e9 Fruto proibido, \u00e1lbum lan\u00e7ado em 1975 em edi\u00e7\u00e3o da gravadora Som Livre. O disco completa 50 anos em 2025 sem perda de relev\u00e2ncia e de status na discografia de Rita Lee.<br \/>\nAo contr\u00e1rio, analisado em perspectiva, Fruto proibido se conserva em lugar de honra por ter sido o disco que alicer\u00e7ou a trajet\u00f3ria art\u00edstica de Rita Lee ap\u00f3s a conturbada sa\u00edda \u2013 ou expuls\u00e3o, como sempre sustentou a cantora ao se referir \u00e0 briga de outubro de 1972 \u2013 de Rita do grupo Os Mutantes, com o qual a cantora arrombara a festa tropicalista a partir de 1967 com doses fartas de anarquia e irrever\u00eancia.<br \/>\nUma vez fora da banda que formara em 1966 com os irm\u00e3os Arnaldo Baptista e S\u00e9rgio Dias, Rita tentou se reafirmar em dupla com a guitarrista L\u00facia Turnbull, mas logo o duo se juntou no segundo semestre de 1973 a um grupo iniciante, esse tal de Tutti Frutti, cujas origens remontam a 1971, ano em o guitarrista Luiz S\u00e9rgio Carlini se encontrou com o baixista Lee Marcucci.<br \/>\nEm dezembro de 1973, Rita Lee gravou \u00e1lbum com Lucia e a banda de Carlini, mas o disco foi arquivado pela gravadora Philips e somente foi lan\u00e7ado como bootleg em 2008, com o t\u00edtulo de Cilibrinas do \u00c9den.  Ent\u00e3o sob a dire\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Midani (1932 \u2013 2019), a companhia fonogr\u00e1fica preferiu apostar em 1974 em outro repert\u00f3rio e em outro \u00e1lbum, assinado por Rita com Tutti Frutti.<br \/>\nIntitulado Atr\u00e1s do porto tem uma cidade, esse \u00e1lbum foi gravado com produ\u00e7\u00e3o musical do ent\u00e3o iniciante Marco Mazzola e foi lan\u00e7ado em junho de 1974.<br \/>\nInteiramente composto por Rita Lee, sozinha ou em parceria com Lee Marcucci e Luiz Carlini, o repert\u00f3rio foi dominado pelo rock, mas incluiu balada, Menino bonito, que seria amplificada em 1984, dez anos depois, na voz de Wanderl\u00e9a.<br \/>\nFormatado com muita interfer\u00eancia da gravadora na sonoridade, o disco Atr\u00e1s do porto tem uma cidade soou aqu\u00e9m do potencial dos artistas, embora haja acertos no repert\u00f3rio, como Ando jururu, De p\u00e9s no ch\u00e3o e Mam\u00e3e natureza, m\u00fasica herdada do cancelado disco de 1973. Tanto que as vendas foram p\u00edfias.<br \/>\nDispensados pela Philips, Rita Lee &amp; Tutti Frutti encontraram abrigo na Som Livre, gravadora pela qual fizeram Fruto proibido, \u00e1lbum de som (bem) mais azeitado do que o antecessor.<br \/>\nFruto proibido fez hist\u00f3ria e \u00e9 por isso que Luiz Carlini \u2013 guitar hero do rock brasileiro da d\u00e9cada de 1970 \u2013 estar\u00e1 mais uma vez \u00e0 frente da banda Tutti Frutti em show que celebrar\u00e1 os 50 anos do \u00e1lbum Fruto proibido em show que ser\u00e1 apresentado no Blue Note SP em 25 de janeiro, dia do anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo (SP), cidade da qual o som cosmopolita de Rita Lee foi uma das mais completas tradu\u00e7\u00f5es, como atestaria Caetano Veloso em verso da can\u00e7\u00e3o Sampa (1978).<br \/>\nGravado em abril de 1975 no Est\u00fadio Eldorado, em S\u00e3o Paulo (SP), o \u00e1lbum Fruto proibido \u00e9 em ess\u00eancia um \u00e1lbum de rock que versa sobre as liberdades individuais, assunto de Agora s\u00f3 falta voc\u00ea (Rita Lee e Luiz Carlini), Dan\u00e7ar para n\u00e3o dan\u00e7ar (Rita Lee) \u2013 do verso \u201cD\u00ea-se ao luxo de ser f\u00fatil agora\u201d \u2013 e Pirataria (Lee Marcucci e Rita Lee, 1975).<br \/>\nA escrita de Rita Lee falava diretamente com o p\u00fablico jovem, sobretudo com as mulheres. Sim, Fruto proibido se conserva atual ap\u00f3s 50 anos por ser disco que hasteia a bandeira da liberdade sob prisma feminista sem cair em tom panflet\u00e1rio. Rita ia contra a moral machista da \u00e9poca \u2013 vigente inclusive no clube do rock \u2013 ao reacender a chama da dan\u00e7arina naturista Dora Vivacqua (1917 \u2013 1967) em Luz Del Fuego (Rita Lee) e ao se permitir encarnar uma Eva maliciosa e finamente ir\u00f4nica na m\u00fasica-t\u00edtulo Fruto proibido (Rita Lee).<br \/>\nSem falar que a roqueira cita a bailarina e core\u00f3grafa norte-americana Isadora Duncan (1887 \u2013 1927) em versos (\u201cFa\u00e7a como Isadora \/ Que ficou na hist\u00f3ria \/ Por dan\u00e7ar como bem quisesse\u201d) do j\u00e1 mencionado rock Dan\u00e7ar para n\u00e3o dan\u00e7ar.<br \/>\nTudo isso pode parecer at\u00e9 banal em 2025, mas era revolucion\u00e1rio em 1975. Se os machos roqueiros ainda eram vistos como bandidos no Brasil ditatorial da d\u00e9cada de 1960, imagine uma mulher que fazia rock e levantava bandeiras feministas antes da abertura de 1979.<br \/>\nSim, Rita Lee marcou \u00e9poca com Fruto proibido, \u00e1lbum lan\u00e7ado em 30 de junho de 1975 com capa que expunha a cantora em foto de Meca, enquadrada na arte cor-de-rosa choque criada por Kelio em sintonia com os tons do repert\u00f3rio do disco produzido por Andy Mills.<br \/>\nO p\u00fablico mordeu Fruto proibido de cara por conta do sucesso de Esse tal de roque enrow (Rita Lee e Paulo Coelho, 1975), rock amplificado nas r\u00e1dios e na trilha sonora da novela Bravo! (TV Globo), trama das 19h daquele ano.<br \/>\nNos versos desse rock assinado por Rita com o futuro escritor Paulo Coelho, a cantora destilava mordacidade e sarcasmo contra a classe m\u00e9dia ao versar sobre o g\u00eanero, mas a letra \u00e9 a \u00fanica do disco que envelheceu mal. Em 2025, o rock n\u00e3o \u00e9 mais o g\u00eanero musical que representa a rebeldia juvenil como em 1975.<br \/>\nCom Paulo Coelho, Rita tamb\u00e9m comp\u00f4s O toque (\u00fanica das nove m\u00fasicas do disco que n\u00e3o passou para a posteridade) e o blues-rock Cart\u00e3o postal, com o qual rejeitou a sofr\u00eancia ao mandar recado para mulheres que terminavam relacionamentos afetivos.<br \/>\nAl\u00e9m de Esse tal de roque enrow, o grande sucesso radiof\u00f4nico do \u00e1lbum foi a balada folk Ovelha negra (Rita Lee), emblema de uma gera\u00e7\u00e3o que resistia a permanecer como nossos pais. A can\u00e7\u00e3o nunca perdeu a atualidade.<br \/>\nA grava\u00e7\u00e3o de Ovelha negra tamb\u00e9m ficou imortalizada pelo solo antol\u00f3gico e referencial da guitarra de Luiz Carlini (guitarras, viol\u00e3o, gaita e vocal), virtuose de banda que inclu\u00eda o tamb\u00e9m grande Lee Marcucci (baixo e cowbell), Franklin Paolillo (bateria e percuss\u00e3o) e Guilherme Bueno (piano e clavinete), al\u00e9m Rubens Nardo e Gilberto Nardo nos vocais. Al\u00e9m de cantar e de assinar os arranjos com a banda, Rita Lee tocou viol\u00e3o e um sintetizador pr\u00e9-hist\u00f3rico.<br \/>\nDisco que abriu portas para o rock brasileiro, ent\u00e3o representado no mainstream somente por Rita e Raul Seixas (1945 \u2013 1989), Fruto proibido foi aclamado pela cr\u00edtica \u2013 em louva\u00e7\u00e3o que somente aumentou ao longo desses 50 anos \u2013 e vendeu cerca de 200 mil c\u00f3pias at\u00e9 o fim de 1976.<br \/>\nAtualmente, o j\u00e1 cinquenten\u00e1rio Fruto proibido est\u00e1 entronizado na galeria do rock como um dos discos mais importantes na hist\u00f3ria do g\u00eanero no Brasil.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/01\/21\/album-historico-em-que-rita-lee-cantou-a-liberdade-feminina-na-batida-do-rock-fruto-proibido-faz-50-anos-e-gera-show.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob a lideran\u00e7a do guitarrista Luiz Carlini, a banda Tuttti Frutti celebra as cinco d\u00e9cadas do disco em 25 de janeiro, dia do anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo. 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