{"id":34901,"date":"2025-02-07T12:04:13","date_gmt":"2025-02-07T15:04:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/gregorio-duvivier-roca-a-lingua-de-caetano-veloso-ao-interpretar-cancao-de-1997-em-monologo-encenado-no-rio\/"},"modified":"2025-02-07T12:04:13","modified_gmt":"2025-02-07T15:04:13","slug":"gregorio-duvivier-roca-a-lingua-de-caetano-veloso-ao-interpretar-cancao-de-1997-em-monologo-encenado-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/gregorio-duvivier-roca-a-lingua-de-caetano-veloso-ao-interpretar-cancao-de-1997-em-monologo-encenado-no-rio\/","title":{"rendered":"Greg\u00f3rio Duvivier ro\u00e7a a l\u00edngua de Caetano Veloso ao interpretar can\u00e7\u00e3o de 1997 em mon\u00f3logo encenado no Rio"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     M\u00fasica \u2018Livros\u2019 tem letra que dialoga com os versos em decass\u00edlabos de \u2018Ch\u00e3o de estrelas\u2019, composi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada por Silvio Caldas em 1937.  Greg\u00f3rio Duvivier protagoniza o mon\u00f3logo \u2018O c\u00e9u da l\u00edngua\u2019, em cartaz no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro (RJ), at\u00e9 o fim de fevereiro<br \/>\nRaquel Pellicano \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b AN\u00c1LISE<br \/>\n\u266a Ator e escritor carioca, Greg\u00f3rio Duvivier ro\u00e7a e fricciona a l\u00edngua de Lu\u00eds de Cam\u00f5es (1524 \u2013 1580) em mon\u00f3logo idealizado e apresentado pelo artista no ano passado, em palcos lusitanos, para celebrar os 500 anos do nascimento do poeta portugu\u00eas, completados em 2024.<br \/>\nIntitulado O c\u00e9u da l\u00edngua, o mon\u00f3logo estreou no Brasil ontem, 6 de fevereiro, em temporada que se estender\u00e1 at\u00e9 o fim do m\u00eas no Teatro Carlos Gomes, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).<br \/>\nEm cena, sob dire\u00e7\u00e3o de Luciana Paes e emoldurado por imagens de palavras projetadas por Theodora Duvivier, Greg\u00f3rio atua com o toque do contrabaixista Pedro Aune, instrumentista respons\u00e1vel pela ambienta\u00e7\u00e3o musical desde mon\u00f3logo que cruza fronteiras c\u00eanicas, se situando entre um pseudo-recital de poesia e um stand-up de humor \u00e1cido e \u00e1gil.<br \/>\nAl\u00e9m de expor a elasticidade e a vivacidade da l\u00edngua portuguesa, com a inten\u00e7\u00e3o de pegar o p\u00fablico pela palavra, Duvivier ro\u00e7a a l\u00edngua de Caetano Veloso na parte final do mon\u00f3logo. \u00c9 quando o ator interpreta Livros, can\u00e7\u00e3o composta por Caetano e gravada pelo autor no \u00e1lbum Livro (1997).<br \/>\nRepleta de alitera\u00e7\u00f5es, a letra da m\u00fasica de Caetano remete intencionalmente \u00e0 can\u00e7\u00e3o Ch\u00e3o de estrelas (1939), composi\u00e7\u00e3o que exemplifica o Brasil seresteiro e sentimental das d\u00e9cadas de 1930 e 1940.<br \/>\nCom versos l\u00edricos que derramam poesia, romantizando a vida de quem mora nos barracos, Ch\u00e3o de estrelas \u00e9 o maior sucesso da parceria do cantor e compositor carioca Silvio Caldas (23 de maio de 1908 \u2013 3 de fevereiro de 1988) com o compositor e jornalista conterr\u00e2neo Orestes Barbosa (7 de maio de 1893 \u2013 15 de agosto de 1966).<br \/>\nCom letra escrita em versos decass\u00edlabos, a can\u00e7\u00e3o Ch\u00e3o de estrelas nasceu em 1935 quando Caldas musicou poema de Orestes, intitulado Foste a sonoridade que acabou, ap\u00f3s insistir muito com o autor do poema.<br \/>\nE o fato \u00e9 que os imag\u00e9ticos versos l\u00edricos como \u201cA porta do barraco era sem trinco\/ Mas a lua furando nosso zinco \/ Salpicava de estrelas nosso ch\u00e3o \/ Tu pisavas nos astros, distra\u00edda \/ Sem saber que a ventura desta vida \/ \u00c9 a cabrocha, o luar e o viol\u00e3o\u201d cativou os poetas do Brasil como Guilherme de Almeida (1890 \u2013 1969), respons\u00e1vel pela troca do t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o para Ch\u00e3o de estrelas. E um dos maiores, Manuel Bandeira (1886 \u2013 1968), chegou a sentenciar em 1956 que o verso mais bonito da m\u00fasica brasileira era \u201cTu pisavas nos astros, distra\u00edda\u201d.<br \/>\nEm 1997, decorridos 60 anos da grava\u00e7\u00e3o original de Ch\u00e3o de estrelas por Silvio Caldas em 1937, Caetano Veloso subverteu os versos na can\u00e7\u00e3o Livros, dialogando com a letra da m\u00fasica com teor po\u00e9tico menos l\u00edrico e menos rom\u00e2ntico.<br \/>\nCom versos como \u201cTrope\u00e7ava nos astros desastrada \/ Sem saber que a ventura e a desventura \/ Desta estrada que leva o nada ao nada \/ S\u00e3o livros e o luar contra a cultura\u201d, a can\u00e7\u00e3o Livros evoca mel\u00f3dica e poeticamente Ch\u00e3o de estrelas sem resvalar para a par\u00f3dia ou para simples imita\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa interpreta\u00e7\u00e3o de Greg\u00f3rio Duvivier, no arremate do mon\u00f3logo O c\u00e9u da l\u00edngua, a can\u00e7\u00e3o Livros salpica em cena signos e significados que corroboram o que foi exposto antes pelo ator com a verve e o humor caracter\u00edsticos de Duvivier.<br \/>\nEm O c\u00e9u da l\u00edngua, o idioma portugu\u00eas, cheio de vida, \u00e9 a p\u00e1tria do ator, que comove o p\u00fablico atrav\u00e9s da m\u00fasica de Caetano ap\u00f3s fazer confus\u00f5es de pros\u00f3dias e profus\u00f5es de par\u00f3dias na cena inspirada pela escrita po\u00e9tica de Lu\u00eds de Cam\u00f5es, mas tamb\u00e9m iluminada pela l\u00edngua perspicaz de Caetano Veloso, poeta da can\u00e7\u00e3o popular brasileira.<br \/>\n\u266a Eis a letra de Livros, can\u00e7\u00e3o de Caetano Veloso interpretada por Greg\u00f3rio Duvivier no mon\u00f3logo O c\u00e9u da l\u00edngua :<br \/>\nLivros (Caetano Veloso, 1997)<br \/>\n\u201cTrope\u00e7avas nos astros desastrada<br \/>\nQuase n\u00e3o t\u00ednhamos livros em casa<br \/>\nE a cidade n\u00e3o tinha livraria<br \/>\nMas os livros que em nossa vida entraram<br \/>\nS\u00e3o como a radia\u00e7\u00e3o de um corpo negro<br \/>\nApontando pra a expans\u00e3o do Universo<br \/>\nPorque a frase, o conceito, o enredo, o verso<br \/>\nE, sem d\u00favida, sobretudo o verso<br \/>\n\u00c9 o que pode lan\u00e7ar mundos no mundo<br \/>\nTrope\u00e7avas nos astros desastrada<br \/>\nSem saber que a ventura e a desventura<br \/>\nDessa estrada que vai do nada ao nada<br \/>\nS\u00e3o livros e o luar contra a cultura<br \/>\nOs livros s\u00e3o objetos transcendentes<br \/>\nMas podemos am\u00e1-los do amor t\u00e1ctil<br \/>\nQue votamos aos ma\u00e7os de cigarro<br \/>\nDom\u00e1-los, cultiv\u00e1-los em aqu\u00e1rios,<br \/>\nEm estantes, gaiolas, em fogueiras<br \/>\nOu lan\u00e7\u00e1-los pra fora das janelas<br \/>\nTalvez isso nos livre de lan\u00e7armo-nos<br \/>\nOu \u00ad o que \u00e9 muito pior \u00ad por odiarmo-los<br \/>\nPodemos simplesmente escrever um<br \/>\nEncher de v\u00e3s palavras muitas p\u00e1ginas<br \/>\nE de mais confus\u00e3o as prateleiras<br \/>\nTrope\u00e7avas nos astros desastrada<br \/>\nMas pra mim foste a estrela entre as estrelas\u201d<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/02\/07\/gregorio-duvivier-roca-a-lingua-de-caetano-veloso-ao-interpretar-cancao-de-1997-em-monologo-encenado-no-rio.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00fasica \u2018Livros\u2019 tem letra que dialoga com os versos em decass\u00edlabos de \u2018Ch\u00e3o de estrelas\u2019, composi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada por Silvio Caldas em 1937. 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