{"id":35069,"date":"2025-02-10T18:05:23","date_gmt":"2025-02-10T21:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-bad-bunny-virou-estrela-em-gaza-e-libano-suas-letras-sao-muito-poderosas-no-oriente-medio\/"},"modified":"2025-02-10T18:05:23","modified_gmt":"2025-02-10T21:05:23","slug":"como-bad-bunny-virou-estrela-em-gaza-e-libano-suas-letras-sao-muito-poderosas-no-oriente-medio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-bad-bunny-virou-estrela-em-gaza-e-libano-suas-letras-sao-muito-poderosas-no-oriente-medio\/","title":{"rendered":"Como Bad Bunny virou estrela em Gaza e L\u00edbano: \u2018Suas letras s\u00e3o muito poderosas no Oriente M\u00e9dio\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     \u2018DtMF\u2019, uma can\u00e7\u00e3o nost\u00e1lgica de Bad Bunny, aparece em v\u00eddeos nas redes sociais de pessoas em Gaza que come\u00e7aram a voltar para casa depois do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Bad Bunny em fotos do \u00e1lbum \u2018Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nMarie-Jose Azzi, jornalista do Servi\u00e7o \u00c1rabe da BBC radicada no L\u00edbano, diz que nunca viu uma m\u00fasica de origem estrangeira, com ritmos de outro pa\u00eds e letras dedicadas a outra realidade pol\u00edtica, ressoar tanto no seu pa\u00eds e em Gaza.<br \/>\nBad Bunny, com um \u00e1lbum inteiramente inspirado em Porto Rico, conseguiu.<br \/>\nA m\u00fasica \u201cDtMF\u201d (\u201cEu deveria ter tirado mais fotos\u201d) est\u00e1 sendo usada por moradores de Gaza e do L\u00edbano para acompanhar v\u00eddeos nas redes sociais que mostram cenas de \u00edcones de seus locais de origem antes do in\u00edcio do conflito mais recente com Israel.<br \/>\nA can\u00e7\u00e3o est\u00e1 no mais recente \u00e1lbum hom\u00f4nimo do artista lan\u00e7ado no in\u00edcio de janeiro.<br \/>\nOs usu\u00e1rios que postam esses v\u00eddeos os acompanham com mensagens como: \u201cAh, como estou com saudades\u201d ou \u201cEstamos prontos para reconstruir\u201d.<br \/>\n\u201cDtMF\u201d \u00e9 uma plena, g\u00eanero musical folcl\u00f3rico afro-porto-riquenho, de ritmo energ\u00e9tico e percuss\u00e3o forte. A m\u00fasica cont\u00e9m letras que remetem ao fato de o artista n\u00e3o ter tirado fotos suficientes de um amor, que bem poderia ser a pr\u00f3pria ilha onde nasceu.<br \/>\n\u201cEu deveria ter tirado mais fotos de quando tive voc\u00ea. Eu deveria ter te dado mais beijos e abra\u00e7os quantas vezes pudesse. Espero que os meus nunca se afastem\u201d, diz um dos versos de \u201cDtMF\u201d.<br \/>\nMas Azzi n\u00e3o viu apenas v\u00eddeos com essa m\u00fasica, mas tamb\u00e9m com m\u00fasicas como \u201cLo Que Le Pas\u00f3 en Hawaii\u201d, em que Bad Bunny se posiciona a favor da independ\u00eancia de Porto Rico, territ\u00f3rio norte-americano desde 1898, quando foi cedido aos Estados Unidos ap\u00f3s a Guerra Hispano-Americana.<br \/>\nE no L\u00edbano, a m\u00fasica do Bad Bunny tamb\u00e9m \u00e9 ouvida em restaurantes e clubes, diz Azzi.<br \/>\n\u201cOntem ouvi a m\u00fasica \u2018Baile Inolvidable\u2019 em uma pizzaria. As mensagens pol\u00edticas do \u00e1lbum e de \u2018DtMF\u2019 s\u00e3o muito poderosas. As pessoas do Oriente M\u00e9dio se identificaram com Porto Rico\u201d, diz ela.<br \/>\n\u201cFiquei chocada porque, geralmente, as pessoas aqui n\u00e3o falam espanhol. No caso do \u2018DtMF,\u2019 algu\u00e9m fez uma tradu\u00e7\u00e3o no TikTok e isso ficou conhecido\u201d, acrescenta em entrevista \u00e0 BBC News Mundo, servi\u00e7o em espanhol da BBC.<br \/>\nO confronto mais recente nos territ\u00f3rios palestinos come\u00e7ou em 7 de outubro de 2023, ap\u00f3s uma incurs\u00e3o do Hamas no sul de Israel que deixou cerca de 1.200 mortos e a captura de 251 ref\u00e9ns.<br \/>\nA resposta subsequente das for\u00e7as armadas de Israel causou mais de 46 mil mortes e deixou um rasto de destrui\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio de Gaza.<br \/>\nO mesmo aconteceu no sul do L\u00edbano, onde ocorreram confrontos entre o Hezbollah, grupo aliado do Hamas, e as For\u00e7as de Defesa de Israel (FDI).<br \/>\nEm 15 de janeiro, Israel e o Hamas chegaram a um acordo de cessar-fogo e milhares de pessoas tentaram regressar \u00e0s suas casas e encontraram, em muitos casos, montanhas de escombros.<br \/>\nPalestinos fazem \u2018trend\u2019 mostrando limpeza de casas ap\u00f3s retorno \u00e0 Cidade de Gaza<br \/>\nAp\u00f3s o in\u00edcio do retorno, come\u00e7aram a aparecer v\u00eddeos com a m\u00fasica de Benito Mart\u00ednez Ocasio, nome verdadeiro do artista.<br \/>\n\u201cDtMF\u201d est\u00e1 repleto de s\u00edmbolos porto-riquenhos.<br \/>\nNo \u00e1lbum, que entra pela segunda semana no topo da Billboard 200 e lidera os mais ouvidos no Spotify e Apple Music, Bad Bunny denuncia o colonialismo, a crise econ\u00f4mica e o deslocamento em Porto Rico.<br \/>\nPara Azzi, embora o territ\u00f3rio caribenho n\u00e3o seja uma zona de conflito, e a situa\u00e7\u00e3o nas duas \u00e1reas n\u00e3o seja compar\u00e1vel, a sua dif\u00edcil realidade socioecon\u00f4mica \u00e9 o que liga o pa\u00eds a Gaza e ao L\u00edbano.<br \/>\nPor que o \u00e1lbum de Bad Bunny \u00e9 t\u00e3o popular?<br \/>\nO Oriente M\u00e9dio conhece bem o reggaeton. M\u00fasicas como \u201cGasolina\u201d (2004), do tamb\u00e9m porto-riquenho Daddy Yankee, ainda s\u00e3o tocadas em clubes de Beirute, capital libanesa.<br \/>\nTamb\u00e9m artistas importantes s\u00e3o Don Omar, outro porto-riquenho, e a colombiana Shakira, de ascend\u00eancia libanesa e uma estrela pop que experimenta m\u00fasica urbana.<br \/>\nM\u00fasicas desses artistas, que, como comenta Azzi, \u201celevam o \u00e2nimo\u201d, se conectaram facilmente nos pa\u00edses \u00e1rabes desde o in\u00edcio dos anos 2000.<br \/>\n\u201cDtMF\u201d, continua a jornalista, tamb\u00e9m tem ritmos dan\u00e7antes, n\u00e3o s\u00f3 gra\u00e7as aos caracter\u00edsticos pandeiros da plena, mas tamb\u00e9m pelas m\u00fasicas que incluem salsa, bomba, bachata e reggaeton dos anos 90.<br \/>\nPortanto, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que um p\u00fablico com ouvidos habituados \u00e0 m\u00fasica latina se sinta identificado com a nova proposta de El Conejo Malo, como Bad Bunny \u00e9 tamb\u00e9m chamado.<br \/>\n\u201cAdoramos a m\u00fasica que nos faz dan\u00e7ar. Temos o mesmo clima, ver\u00f5es e praias\u201d, afirma.<br \/>\nO \u00e1lbum em geral tem letras escritas \u201cpara Porto Rico\u201d. E sua comercializa\u00e7\u00e3o vem acompanhada de s\u00edmbolos como o sapo concho, animal end\u00eamico da ilha, al\u00e9m da vers\u00e3o independentista da bandeira porto-riquenha.<br \/>\nSapo concho aparece em curta do disco \u2018Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos\u2019, de Bad Bunny<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube<br \/>\nBad Bunny, cuja equipe foi contatada pela BBC News Mundo sem receber resposta antes da publica\u00e7\u00e3o deste artigo, tamb\u00e9m incluiu trechos da hist\u00f3ria de Porto Rico nos v\u00eddeos com letras do YouTube para as 17 m\u00fasicas do \u00e1lbum.<br \/>\nMas o seu tema n\u00e3o \u00e9 apenas local e ressoa em outros pa\u00edses.<br \/>\n\u201c\u00c9 a primeira vez que vejo um disco pol\u00edtico de um artista estrangeiro, com can\u00e7\u00f5es patri\u00f3ticas, ter tanta aceita\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Azzi.<br \/>\nNo caso dos palestinos, \u00e9 poss\u00edvel que eles se identifiquem com parte do que o cantor denuncia, como a invas\u00e3o norte-americana de Porto Rico no final do s\u00e9culo 19, embora a realidade entre a ilha e Gaza n\u00e3o seja compar\u00e1vel.<br \/>\n\u201cAs pessoas adoram as m\u00fasicas por causa da realidade pol\u00edtica de Porto Rico e Gaza. Os palestinos dizem que est\u00e3o sob ocupa\u00e7\u00e3o e que suas terras foram roubadas. Talvez vejam uma semelhan\u00e7a com o que aconteceu em Porto Rico ap\u00f3s a chegada dos EUA\u201d, ela diz.<br \/>\nOs problemas econ\u00f4micos e de infraestrutura s\u00e3o fatores que tamb\u00e9m ligam o L\u00edbano e Gaza \u00e0 ilha do Caribe.<br \/>\nNo L\u00edbano, diz Azzi, h\u00e1 cortes constantes de energia, um problema que afeta Porto Rico h\u00e1 d\u00e9cadas, que tem um dos sistemas de energia com menos rendimento que o dos EUA, algo que Bad Bunny tamb\u00e9m denunciou.<br \/>\nAzzi acrescenta que, no L\u00edbano, existe um s\u00edmbolo da produ\u00e7\u00e3o que ressoou de forma inesperada: as cadeiras de pl\u00e1stico que aparecem na capa do \u00e1lbum, comuns em reuni\u00f5es familiares nos bairros populares de Porto Rico.<br \/>\nCapa do disco \u2018Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos\u2019, de Bad Bunny<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u201cUm amigo me escreveu e perguntou se eu tinha visto a capa do disco. Fiquei surpreso porque, no L\u00edbano, usamos o mesmo tipo de cadeiras e temos as mesmas bananeiras\u201d, diz.<br \/>\nCom sua m\u00fasica, Bad Bunny ajudou as pessoas do Oriente M\u00e9dio a verem o Caribe como uma regi\u00e3o n\u00e3o t\u00e3o distante, apesar dos muitos quil\u00f4metros que os separam e da diferen\u00e7a lingu\u00edstica, diz Azzi.<br \/>\n\u2018M\u00fasica do Caribe para o mundo\u2019<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nada que deixe um porto-riquenho mais orgulhoso do que as conquistas de seus artistas e atletas. Para uma ilha sem soberania, incapaz de ter rela\u00e7\u00f5es bilaterais com outros pa\u00edses, a sua cultura \u00e9 a \u00fanica porta para o mundo.<br \/>\nDa\u00ed o profundo amor por Bad Bunny, que levou a realidade porto-riquenha a lugares t\u00e3o inesperados como Gaza.<br \/>\nE n\u00e3o qualquer realidade. \u201cDeb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos\u201d, o novo \u00e1lbum de Benito, funde ritmos como labomba ou plena, nascidos entre as classes populares da ilha como m\u00e9todos de resist\u00eancia aos processos de acultura\u00e7\u00e3o impostos pelos dois poderes que a governaram nos \u00faltimos 500 anos de hist\u00f3ria, Espanha e Estados Unidos.<br \/>\nA bomba foi usada pelos escravos para se expressarem secretamente durante os tempos da coloniza\u00e7\u00e3o espanhola. Enquanto a plena era o chamada \u201cjornal do povo\u201d. G\u00eanero musical que os trabalhadores inventaram para fazer reclama\u00e7\u00f5es ou contar sobre seu cotidiano durante as greves da primeira metade do s\u00e9culo 20.<br \/>\nPortanto, apesar da barreira lingu\u00edstica e da dist\u00e2ncia do Caribe, \u00e9 l\u00f3gico que algu\u00e9m no Oriente M\u00e9dio se identifique com o \u00e1lbum.<br \/>\nN\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma m\u00fasica \u201cpegajosa\u201d e dan\u00e7ante, n\u00e3o s\u00f3 tem letras profundamente pol\u00edticas, mas nasce sob um contexto de lutas.<br \/>\nBad Bunny conhece muito bem essa realidade. Ele nasceu em uma casa de classe m\u00e9dia baixa. H\u00e1 at\u00e9 poucos anos, era empacotador de supermercado.<br \/>\nA sua magia \u00e9 que conseguiu fundir a sua hist\u00f3ria com a de Porto Rico e torn\u00e1-la universal.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2025\/02\/10\/como-bad-bunny-virou-estrela-em-gaza-e-libano-suas-letras-sao-muito-poderosas-no-oriente-medio.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2018DtMF\u2019, uma can\u00e7\u00e3o nost\u00e1lgica de Bad Bunny, aparece em v\u00eddeos nas redes sociais de pessoas em Gaza que come\u00e7aram a voltar para casa depois do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Bad Bunny em fotos do \u00e1lbum \u2018Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos\u2019 Divulga\u00e7\u00e3o Marie-Jose Azzi, jornalista do Servi\u00e7o \u00c1rabe da BBC radicada no L\u00edbano, diz que<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14437,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-35069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35069"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35069\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}