{"id":35926,"date":"2025-02-26T15:02:19","date_gmt":"2025-02-26T18:02:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/e-possivel-criticar-ainda-estou-aqui-o-que-diz-quem-nao-gostou-do-filme\/"},"modified":"2025-02-26T15:02:19","modified_gmt":"2025-02-26T18:02:19","slug":"e-possivel-criticar-ainda-estou-aqui-o-que-diz-quem-nao-gostou-do-filme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/e-possivel-criticar-ainda-estou-aqui-o-que-diz-quem-nao-gostou-do-filme\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel criticar \u2018Ainda Estou Aqui\u2019? O que diz quem n\u00e3o gostou do filme"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Entre as quase un\u00e2nimes avalia\u00e7\u00f5es de espectadores e especialistas, quem critica a obra enfrenta um clima de hostilidade nas redes sociais. Fernanda Torres em cena de \u2018Ainda estou aqui\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nDo momento em que recebeu 10 minutos de aplausos no Festival de Veneza, quando estreou em 2024, at\u00e9 as indica\u00e7\u00f5es para o Oscar em 2025, o filme brasileiro \u201cAinda Estou Aqui\u201d coleciona elogios e um ex\u00e9rcito estrondoso de f\u00e3s nas redes sociais.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o atingiu 97% de aprova\u00e7\u00e3o dos cr\u00edticos no Rotten Tomatoes, uma plataforma que agrega avalia\u00e7\u00f5es da imprensa especializada. O \u00edndice alto foi atingido com a m\u00e9dia de 156 cr\u00edticas em sites de cinema em todo o mundo.<br \/>\nO filme dirigido por Walter Salles tamb\u00e9m registrou a mesma pontua\u00e7\u00e3o, de 97%, de aprova\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<br \/>\nO roteiro acompanha a hist\u00f3ria de Eunice Paiva, m\u00e3e de cinco filhos, ap\u00f3s o sequestro e assassinato do seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva pela ditadura militar.<br \/>\nNo pr\u00f3ximo domingo (2), o longa-metragem concorre a tr\u00eas categorias no Oscar 2025 e pode levar estatuetas nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz com Fernanda Torres.<br \/>\nMas, entre as quase un\u00e2nimes avalia\u00e7\u00f5es de espectadores e especialistas, quem critica a obra enfrenta um clima de hostilidade nas redes sociais.<br \/>\nO cr\u00edtico franc\u00eas Jacques Mandelbaum, do jornal franc\u00eas Le Monde, publicou uma resenha negativa de \u201cAinda Estou Aqui\u201d, em diverg\u00eancia com a voz quase un\u00e2nime dos cr\u00edticos internacionais sobre o filme.<br \/>\nNa sequ\u00eancia, brasileiros inundaram a rede social do jornal de coment\u00e1rios. Em dois dias, o jornal recebeu cerca de 21,6 mil coment\u00e1rios de conte\u00fado ofensivo, principalmente no Instagram, em compara\u00e7\u00e3o aos 700 que a publica\u00e7\u00e3o costuma receber diariamente.<br \/>\nA BBC News Brasil pediu entrevista a Mandelbaum, que declinou o convite para comentar o tema. A reportagem apurou que o jornal orientou seus colaboradores a n\u00e3o comentarem publicamente para n\u00e3o fomentar pol\u00eamicas em torno no filme.<br \/>\nLeia tamb\u00e9m: \u2018Ainda Estou Aqui\u2019 tem a maior estreia de um filme latino-americano no Reino Unido<br \/>\n\u2018Fui linchado e chamado de inimigo do Brasil\u2019<br \/>\nNo final de dezembro, o influenciador Thiago Torres, conhecido pelo canal de YouTube Chavoso da USP, foi alvo de ataques virtuais ap\u00f3s publicar um v\u00eddeo de 20 minutos sobre \u201cAinda Estou Aqui\u201d.<br \/>\nNa publica\u00e7\u00e3o, que tem quase 100 mil visualiza\u00e7\u00f5es e mais de 2,5 mil coment\u00e1rios, ele faz coment\u00e1rios cr\u00edticos ao roteiro do filme, por se centrar em uma fam\u00edlia de classe m\u00e9dia alta<br \/>\nTorres diz que a ideia do v\u00eddeo era conectar o filme, assunto que estava sendo muito falado nas redes sociais, com epis\u00f3dios recentes de viol\u00eancia policial no pa\u00eds.<br \/>\nEle diz que queria, a partir da obra de Salles, refletir como a trucul\u00eancia da ditadura militar ainda permanece para a popula\u00e7\u00e3o negra e de favelas.<br \/>\n\u201cEssa \u00e9 uma pauta que eu sempre levantei no meu canal. Para quem me acompanha, naquele meu v\u00eddeo n\u00e3o teve nenhuma novidade. A \u00fanica novidade foi que eu falei sobre um filme, um filme que estava tendo muita repercuss\u00e3o naquele momento, e que continua tendo\u201d, diz. \u201cNessa inten\u00e7\u00e3o de juntar essas duas pautas quentes daquele momento \u2013 o filme \u201cAinda Estou Aqui\u201d e a viol\u00eancia policial nas periferias \u2013, eu fiz aquele v\u00eddeo.\u201d<br \/>\nV\u00eddeo de Thiago Torres sobre filme teve mais de 2,5 mil coment\u00e1rios<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube via BBC<br \/>\nAssim que subiu o v\u00eddeo na plataforma, com o t\u00edtulo, \u201cAinda Estou Aqui: Por que n\u00e3o gostei do filme?\u201d, Torres come\u00e7ou a receber centenas de coment\u00e1rios.<br \/>\n\u201cNos primeiros segundos da postagem, j\u00e1 tinha gente me xingando. Ou seja, pessoas que n\u00e3o assistiram ao v\u00eddeo, porque n\u00e3o deu tempo sequer de abrir o v\u00eddeo, j\u00e1 estavam ali me xingando, me atacando e me criticando pelo simples fato de eu ter dito que n\u00e3o gostei do filme.\u201d<br \/>\nO caso tomou repercuss\u00e3o nas redes sociais e foi at\u00e9 tema de pergunta para Marcelo Rubens Paiva, autor do livro no qual o filme \u00e9 baseado, em sabatina no programa Roda Viva, na TV Cultura.<br \/>\n\u201cTive que fazer mais dois v\u00eddeos comentando sobre essa repercuss\u00e3o que continua tendo at\u00e9 hoje. Toda vez que sai alguma not\u00edcia sobre o filme, algu\u00e9m me marca para me xingar, para me atacar. Ou algu\u00e9m faz um novo v\u00eddeo reagindo, comentando sobre o assunto.\u201d<br \/>\nPara ele, o clima de hostilidade est\u00e1 relacionado \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<br \/>\n\u201cEnvolve o tema sobre a ditadura militar no momento em que se descobre que teve uma tentativa de golpe militar. Ent\u00e3o, de fato, se cria um clima de animosidade em torno desse filme, em torno dessas pautas que est\u00e3o sendo abordadas\u201d, afirma.<br \/>\n\u201cPor\u00e9m, eu comecei o meu v\u00eddeo ressaltando que esse \u00e9 um filme importante nesse sentido. Mas, com esse clima de Copa do Mundo em torno do filme, quem n\u00e3o est\u00e1 nessa onda vai ser tratado como inimigo. Fui chamado de inimigo do Brasil.\u201d<br \/>\n\u201cEstamos falando de emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o de raz\u00e3o. E quando voc\u00ea critica alguma coisa que as pessoas defendem de forma inconsciente, porque aquilo mexe com paix\u00f5es e desejos delas, elas n\u00e3o v\u00e3o ter uma rea\u00e7\u00e3o racional.\u201d<br \/>\nO que diz quem critica o filme?<br \/>\nA rea\u00e7\u00e3o hostil a vis\u00f5es cr\u00edticas sobre o filme demonstra uma vis\u00e3o dogm\u00e1tica e polarizada que impede o debate, na opini\u00e3o do jornalista e cin\u00e9filo Saymon Nascimento. \u201cCr\u00edticas n\u00e3o existem para que voc\u00ea concorde com elas, mas para abrir horizontes\u201d, diz.<br \/>\nPara ele, \u201cAinda Estou Aqui\u201d restringe seu olhar sobre a ditadura militar \u00e0 esfera familiar e ao luto de Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres. \u201cO filme tem algum tipo de resist\u00eancia a ser pol\u00edtico de fato\u201d, argumenta.<br \/>\n\u201cO que me incomoda nem \u00e9 o fato de o filme n\u00e3o cobrir a experi\u00eancia do brasileiro como um todo, que \u00e9 imposs\u00edvel. Mas, mesmo dentro dessa classe privilegiada que o filme cobre, s\u00e3o pessoas que tiveram uma vida pol\u00edtica. E o filme decide se restringir \u00e0 esfera dom\u00e9stica deles.\u201d<br \/>\nNascimento cita filmes como \u201cL\u00facio Fl\u00e1vio, o Passageiro da Agonia\u201d (1977) de Hector Babenco, e \u201cEles N\u00e3o Usam Black-tie\u201d (1981) de Leon Hirszman, para argumentar que \u00e9 poss\u00edvel fazer um filme pol\u00edtico e que alcance um p\u00fablico amplo.<br \/>\n\u201cFazer um filme mais pol\u00edtico n\u00e3o significa fazer um filme menos acess\u00edvel\u201d, diz.<br \/>\nEmbora o sequestro e a morte de Rubens Paiva sejam retratados, sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica aparece apenas de maneira indireta, e a maior parte da hist\u00f3ria se concentra na supera\u00e7\u00e3o pessoal da protagonista, diz Nascimento.<br \/>\n\u201cO filme trata o luto de forma estoica, como se essa fosse a principal hist\u00f3ria da personagem\u201d, observa.<br \/>\nNa Folha de S. Paulo, o cr\u00edtico In\u00e1cio Ara\u00fajo fez coment\u00e1rios semelhantes \u00e0 obra.<br \/>\n\u201cToda vez que o cinema de Walter Salles deriva para um tema ou personagem direta ou indiretamente pol\u00edtico, sua delicadeza tende a levar esse tema para uma esfera curiosamente apol\u00edtica\u201d, inicia seu texto.<br \/>\nProfessora avalia que filme n\u00e3o explora bem a figura de Eunice<br \/>\nSony Pictures Classics<br \/>\n\u201cO car\u00e1ter amb\u00edguo do filme, que chama para um tema pol\u00edtico e termina tocando um assunto familiar me parece que se deve ao temperamento delicado de seu realizador. Por mais atroz que sejam os acontecimentos que tenha em m\u00e3os, \u00e9 sempre para uma suave concilia\u00e7\u00e3o que o filme caminha\u201d, continua Ara\u00fajo.<br \/>\nO cr\u00edtico diz que Salles n\u00e3o foi infiel ao tema, n\u00e3o dirigiu mal seus atores ou t\u00e9cnicos. \u201cMas n\u00e3o se pode fugir de seu temperamento, que n\u00e3o parece o melhor para fazer esse tipo de filme.\u201d<br \/>\nJ\u00e1 o cr\u00edtico franc\u00eas Jacques Mandelbaum, do jornal Le Monde, afirmou que a produ\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 tradicional e classifica como monoc\u00f3rdica a performance de Fernanda Torres.<br \/>\nSilvia Adoue, professora da Unesp, diz que a narrativa adotada em \u201cAinda Estou Aqui\u201d opta por um recorte muito espec\u00edfico da hist\u00f3ria da ditadura militar no Brasil.<br \/>\nPara ela, essa abordagem limita a compreens\u00e3o do per\u00edodo e se alinha a um relato hegem\u00f4nico da ditadura, restrito \u00e0 experi\u00eancia da classe m\u00e9dia intelectual que foi atingida pelo regime a partir de 1968.<br \/>\n\u201cParece que faz 40 anos que assistimos ao mesmo filme sobre a ditadura militar\u201d, comenta Adoue. \u201cH\u00e1 um relato dominante que estabelece, para come\u00e7o de conversa, que a ditadura foi um evento que come\u00e7ou, acabou e pronto\u201d, diz.<br \/>\n\u201cMas n\u00e3o acho que tenha sido um evento que deixou apenas restos, res\u00edduos ou marcas superficiais. Esse per\u00edodo estruturou o que \u00e9 o Brasil hoje. Mas esses relatos s\u00e3o os hegem\u00f4nicos porque quem formula essas narrativas s\u00e3o intelectuais, em sua maioria, pessoas da classe m\u00e9dia atingidas pela ditadura a partir de maio de 1968\u201d, afirma.<br \/>\nA professora ressalta que os trabalhadores e camponeses foram alvos da repress\u00e3o desde 1964, mas o foco predominante da maioria dos relatos sobre a ditadura \u00e9 a persecu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a militantes de esquerda ligados a partidos e universidades.<br \/>\nOutro ponto de aten\u00e7\u00e3o, para a professora, \u00e9 a personagem de Eunice. \u201cEla \u00e9 uma pessoa bel\u00edssima e sua apari\u00e7\u00e3o me fez pensar que o filme poderia ter explorado mais essa figura\u201d, diz.<br \/>\n\u201cMas isso \u00e9 apenas sugerido. Para quem n\u00e3o sabe quem foi Eunice, aquilo passa de forma muito superficial.\u201d<br \/>\nO sucesso de Ainda estou aqui vai al\u00e9m do cinema<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/cinema\/noticia\/2025\/02\/26\/e-possivel-criticar-ainda-estou-aqui-o-que-diz-quem-nao-gostou-do-filme.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as quase un\u00e2nimes avalia\u00e7\u00f5es de espectadores e especialistas, quem critica a obra enfrenta um clima de hostilidade nas redes sociais. Fernanda Torres em cena de \u2018Ainda estou aqui\u2019 Divulga\u00e7\u00e3o Do momento em que recebeu 10 minutos de aplausos no Festival de Veneza, quando estreou em 2024, at\u00e9 as indica\u00e7\u00f5es para o Oscar em 2025,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14437,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-35926","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}