{"id":36120,"date":"2025-03-01T12:03:13","date_gmt":"2025-03-01T15:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/quem-sao-os-acusados-de-matar-rubens-paiva-e-o-que-aconteceu-com-eles\/"},"modified":"2025-03-01T12:03:13","modified_gmt":"2025-03-01T15:03:13","slug":"quem-sao-os-acusados-de-matar-rubens-paiva-e-o-que-aconteceu-com-eles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/quem-sao-os-acusados-de-matar-rubens-paiva-e-o-que-aconteceu-com-eles\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os acusados de matar Rubens Paiva e o que aconteceu com eles?"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Os militares Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos, Jurandyr Ochsendorf e Jacy Ochsendorf s\u00e3o acusados de envolvimento na morte de Paiva nas depend\u00eancias do DOI-Codi no Rio de Janeiro. \u00c0 esq., foto de fam\u00edlia com Eunice, Rubens e Babiu (filha ca\u00e7ula) no Rio em 1970 (\u00e0 dir., cena do filme)<br \/>\nArquivo Pessoal de Vera Paiva\/Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nNo pr\u00f3ximo domingo (2), a cerim\u00f4nia do Oscar pode marcar um momento hist\u00f3rico para o cinema brasileiro. O filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, concorre em tr\u00eas categorias e pode trazer ao pa\u00eds sua primeira estatueta dourada.<br \/>\nO longa, inspirado no livro hom\u00f4nimo de Marcelo Rubens Paiva, resgata a hist\u00f3ria das perdas de Eunice Paiva, que teve o marido Rubens Paiva, ex-deputado sequestrado e morto durante a ditadura militar, cujo desaparecimento permanece sem responsabiliza\u00e7\u00e3o judicial at\u00e9 hoje.<br \/>\nNa \u00faltima segunda-feira (24), o caso voltou a ganhar destaque, quando militantes do coletivo Levante da Juventude protestaram em frente \u00e0 casa do general reformado Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, na zona sul do Rio de Janeiro.<br \/>\nEle \u00e9 um dos acusados, que est\u00e1 vivo, de envolvimento na morte de Paiva, denunciado por homic\u00eddio e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, mas nunca foi julgado.<br \/>\nPaiva foi preso por agentes do regime em janeiro de 1971 e levado ao Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito, no bairro da Tijuca. Segundo a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, ele morreu sob cust\u00f3dia militar. O reconhecimento oficial da morte s\u00f3 ocorreu d\u00e9cadas depois, com os trabalhos da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, criada em 2012, para apurar crimes da ditadura.<br \/>\nMesmo com as investiga\u00e7\u00f5es, os acusados seguem sem condena\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, os militares Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos, Jurandyr Ochsendorf e Jacy Ochsendorf s\u00e3o acusados de envolvimento na morte de Paiva nas depend\u00eancias do DOI-Codi na capital fluminense.<br \/>\nPor\u00e9m, devido \u00e0 demora no julgamento do processo, tr\u00eas deles j\u00e1 morreram.<br \/>\nA maior parte das informa\u00e7\u00f5es sobre os militares denunciados se restringe a documentos at\u00e9 2014, sem registros oficiais sobre o falecimento de tr\u00eas deles.<br \/>\nVeja quem s\u00e3o os militares acusados no caso.<br \/>\nFoto de Eunice em 1971, ap\u00f3s sair da pris\u00e3o, com os cinco filhos<br \/>\nArquivo pessoal\/Vera Paiva<br \/>\nJos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham<br \/>\nO general reformado Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham comandou o DOI-Codi do 1\u00ba Ex\u00e9rcito entre 1970 e 1971, per\u00edodo marcado por intensas opera\u00e7\u00f5es contra opositores do regime militar.<br \/>\nAntes disso, em 1969, ele j\u00e1 havia sido designado para integrar o Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna (Codi), \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel por coordenar a repress\u00e3o pol\u00edtica.<br \/>\nNo DOI-Codi, Belham acumulou a chefia da Se\u00e7\u00e3o de Opera\u00e7\u00f5es e, posteriormente, o comando do destacamento. Suas fun\u00e7\u00f5es inclu\u00edam a coordena\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es externas da unidade, como capturas e interrogat\u00f3rios de suspeitos. Ele frequentava o local diariamente e afirmava realizar inspe\u00e7\u00f5es nas celas.<br \/>\nEm depoimento ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Belham negou a exist\u00eancia de mortes no DOI-Codi durante seu comando. No entanto, documentos oficiais, incluindo o relat\u00f3rio Direito \u00e0 Mem\u00f3ria e \u00e0 Verdade, contradizem essa vers\u00e3o. Al\u00e9m da morte de Rubens Paiva, o relat\u00f3rio cita pelo menos onze casos de desaparecimentos e execu\u00e7\u00f5es de dissidentes pol\u00edticos no Rio de Janeiro no mesmo per\u00edodo.<br \/>\nEntre as v\u00edtimas identificadas est\u00e3o Celso Gilberto de Oliveira, Ant\u00f4nio Joaquim de Souza Machado, Carlos Alberto Soares de Freitas, Joel Vasconcelos Santos, Maur\u00edcio Guilherme da Silveira, Gerson Theodoro de Oliveira e Stuart Edgar Angel Jones. Testemunhas ouvidas pelo MPF tamb\u00e9m confirmaram a posi\u00e7\u00e3o de comando exercida por Belham em um dos principais centros de repress\u00e3o da ditadura.<br \/>\nApesar das den\u00fancias e das evid\u00eancias documentais, Belham nunca foi julgado pelo desaparecimento de Rubens Paiva nem pelos demais crimes atribu\u00eddos ao DOI-Codi sob sua gest\u00e3o.<br \/>\nTropas e tanques protegem o Minist\u00e9rio da Guerra, no Rio de Janeiro, pouco antes do golpe de 1964<br \/>\nGetty Images<br \/>\nJurandyr Ochsendorf e Jacy Ochsendorf e Souza<br \/>\nOs sargentos e irm\u00e3os Jurandyr Ochsendorf e Souza e Jacy Ochsendorf e Souza, da brigada paraquedista do Ex\u00e9rcito, faziam parte das equipes de busca e apreens\u00e3o do DOI do Rio de Janeiro na \u00e9poca do desaparecimento de Rubens Paiva.<br \/>\nSegundo den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), eles e o ent\u00e3o capit\u00e3o Raymundo Ronaldo Campos sustentaram por d\u00e9cadas a vers\u00e3o oficial de que Paiva teria fugido ap\u00f3s um suposto ataque ao carro que o transportava. O MPF aponta que os militares omitiram informa\u00e7\u00f5es sobre os respons\u00e1veis pelo crime e tinham o dever de evitar sua continuidade.<br \/>\nAl\u00e9m da oculta\u00e7\u00e3o do corpo, os denunciados s\u00e3o acusados de alterar provas para encobrir o assassinato. Entre as a\u00e7\u00f5es apontadas est\u00e1 a destrui\u00e7\u00e3o do Volkswagen usado no transporte de Paiva, incendiado na madrugada de 22 de janeiro de 1971, e a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es falsas para induzir as investiga\u00e7\u00f5es ao erro.<br \/>\nA den\u00fancia tamb\u00e9m inclui a participa\u00e7\u00e3o dos militares em um esquema de repress\u00e3o dentro do DOI, voltado ao sequestro de dissidentes pol\u00edticos. No DOI, Jurandyr e Jacy Ochsendorf e Souza estavam subordinados a Raymundo Ronaldo Campos e Jos\u00e9 Antonio Nogueira Belham. No Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), respondiam a Freddie Perdig\u00e3o Pereira e Rubens Paim Sampaio.<br \/>\nJurandyr j\u00e1 faleceu, mas Jacy segue vivo. Segundo o portal da Transpar\u00eancia, ele recebe R$ 23.457,15 de sal\u00e1rio bruto de aposentadoria.<br \/>\nRubens Paim Sampaio<br \/>\nRubens Paim Sampaio, identificado pelo codinome \u201cDr. Teixeira\u201d, era major do Ex\u00e9rcito e comandava uma das equipes operacionais do CIE no Rio de Janeiro, atuando a partir do Pal\u00e1cio Duque de Caxias. O \u00f3rg\u00e3o foi um dos principais respons\u00e1veis pela repress\u00e3o pol\u00edtica durante a ditadura militar e esteve diretamente ligado a sequestros, mortes e desaparecimentos de opositores do regime entre 1969 e 1975.<br \/>\nSampaio integrou um dos n\u00facleos de intelig\u00eancia do CIE entre 1970 e 1974, per\u00edodo em que esteve subordinado ao gabinete do ministro do Ex\u00e9rcito. Documentos do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) apontam que ele teve participa\u00e7\u00e3o direta no esquema que levou \u00e0 morte e oculta\u00e7\u00e3o do corpo do ex-deputado Rubens Paiva. O MPF sustenta essa acusa\u00e7\u00e3o com base em testemunhos de ex-militares e ex-presos pol\u00edticos, al\u00e9m de documentos oficiais.<br \/>\nTr\u00eas ex-integrantes do DOI-Codi no Rio de Janeiro confirmaram ao MPF que o CIE usava as depend\u00eancias do \u00f3rg\u00e3o para opera\u00e7\u00f5es, com envolvimento de Sampaio.<br \/>\nMaria Helena Gomes de Souza, vi\u00fava do m\u00e9dico Am\u00edlcar Lobo Moreira da Silva, e a ex-presa pol\u00edtica Cec\u00edlia Coimbra tamb\u00e9m reconheceram sua atua\u00e7\u00e3o no DOI, associando-o a sess\u00f5es de tortura. Outro depoimento relevante foi o de Iracy Pedro Interaminense Corr\u00eaa, ex-integrante do CIE, que afirmou que Sampaio comandava uma das equipes de opera\u00e7\u00f5es do centro de intelig\u00eancia.<br \/>\nMesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas, sua participa\u00e7\u00e3o na repress\u00e3o ainda \u00e9 alvo de questionamentos. Em 2012, uma reportagem do jornal O Globo revelou que Sampaio vivia em um bairro de classe m\u00e9dia alta em Resende, no interior do Rio de Janeiro. Na \u00e9poca, sua esposa, Jeane Sampaio, disse \u00e0 publica\u00e7\u00e3o: \u201cEle fez o trabalho que tinha que fazer naquela \u00e9poca. \u00c9 passado e ficou no passado. Ele n\u00e3o tem nada a declarar.\u201d<br \/>\nPara a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, em 2014, Rubens chegou a afirmar que \u201cnunca houve ordem expressa para que os l\u00edderes das organiza\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o fossem mortos.\u201d<br \/>\nAfirmou ainda que n\u00e3o participou de execu\u00e7\u00f5es, torturas e interrogat\u00f3rios. Por fim, disse ainda que nunca ouviu a hist\u00f3ria relatada por Paulo Malh\u00e3es de que o corpo de Rubens Paiva fora retirado de uma praia do Recreio dos Bandeirantes e nada sabe dizer sobre o fato.<br \/>\nSoldados brasileiros patrulham as ruas de S\u00e3o Paulo em 3 de abril de 1964<br \/>\nGetty Images<br \/>\nRaymundo Ronaldo Campos<br \/>\nO ent\u00e3o capit\u00e3o Raymundo Ronaldo Campos atuava no Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es (DOI) do I Ex\u00e9rcito como oficial de perman\u00eancia da se\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es, permanecendo no cargo por um ano e dois meses. Ele ingressou na unidade a convite do general Syseno Sarmento, um dos principais comandantes do \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o durante a ditadura militar.<br \/>\nSegundo den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Campos era respons\u00e1vel por comandar pris\u00f5es, buscas em resid\u00eancias consideradas \u201caparelhos\u201d da resist\u00eancia pol\u00edtica e apreens\u00e3o de materiais classificados como subversivos. No DOI, sua rotina inclu\u00eda turnos ininterruptos de 24 horas, seguidos por dois dias de descanso.<br \/>\nAl\u00e9m dele, os sargentos Jurandyr Ochsendorf e Souza e Jacy Ochsendorf e Souza, ambos vindos da brigada paraquedista do Ex\u00e9rcito, integravam equipes de busca e apreens\u00e3o ligadas \u00e0 se\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es do DOI no Rio de Janeiro. Os tr\u00eas foram acusados pelo MPF de participa\u00e7\u00e3o na oculta\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver do ex-deputado Rubens Paiva, desaparecido em 1971.<br \/>\nA den\u00fancia aponta que Campos e os sargentos sustentaram, ao longo dos anos, a vers\u00e3o oficial apresentada pelos militares no dia 22 de janeiro de 1971, segundo a qual Paiva teria fugido ap\u00f3s um suposto ataque ao carro que o transportava. Para o MPF, a repeti\u00e7\u00e3o desse relato falso e a omiss\u00e3o sobre os autores do crime caracterizam acobertamento doloso.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o MPF sustentou que os acusados faziam parte de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa dentro do DOI, voltada \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o de opositores do regime por meio de sequestros e desaparecimentos for\u00e7ados. Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, Jurandyr e Jacy Ochsendorf e Souza estavam subordinados a Raymundo Ronaldo Campos e Jos\u00e9 Antonio Nogueira Belham no DOI, enquanto, no Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CIE), respondiam a Freddie Perdig\u00e3o Pereira e Rubens Paim Sampaio.<br \/>\nQuarenta anos depois dos acontecimentos, Raymundo Ronaldo Campos admitiu que a vers\u00e3o oficial sobre a fuga de Rubens Paiva era uma inven\u00e7\u00e3o. Em 2013, em depoimento \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade do Rio de Janeiro, ele reconheceu que o relato divulgado pelos militares na \u00e9poca n\u00e3o correspondia \u00e0 realidade dos fatos. N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es oficiais sobre a data de sua morte.<br \/>\nProcurado pela reportagem, o advogado de defesa disse que, por ter exclusividade com outro ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poderia dar entrevista \u00e0 BBC e nem confirmar a idade e estado de sa\u00fade dos militares que seguem vivos.<br \/>\nAcusados ainda podem ir para a pris\u00e3o?<br \/>\nO Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a avaliar, no m\u00eas de fevereiro, a\u00e7\u00f5es que questionam a aplicabilidade da Lei da Anistia, que concedeu perd\u00e3o tanto a v\u00edtimas de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica quanto aos agentes do Estado envolvidos em crimes durante a ditadura militar.<br \/>\nAp\u00f3s um longo per\u00edodo sem avan\u00e7os, a Corte decidiu retomar o julgamento de recursos que buscam reabrir processos contra militares acusados de matar opositores ao regime, como o deputado Rubens Paiva.<br \/>\nEspecialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que a repercuss\u00e3o do filme contribuiu para trazer o assunto de volta ao STF e a debate o alcance da Lei da Anistia.<br \/>\nAl\u00e9m do impacto na sociedade, o debate jur\u00eddico gira em torno da possibilidade de punir crimes cometidos h\u00e1 mais de 50 anos e da disposi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em enfrentar um dos per\u00edodos mais violentos de sua hist\u00f3ria recente.<br \/>\nPara S\u00e9rgio Suiama, do Grupo de Trabalho Justi\u00e7a de Transi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), a idade avan\u00e7ada dos acusados n\u00e3o impede uma eventual condena\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cA lei brasileira n\u00e3o estabelece distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento de pena por pessoas idosas. Em caso de condena\u00e7\u00e3o, o regime e o local de cumprimento dependem da pena estabelecida pelo juiz na senten\u00e7a\u201d, explica.<br \/>\nFl\u00e1vio de Le\u00e3o Bastos Pereira, coordenador do N\u00facleo da Mem\u00f3ria da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da OAB-SP, destaca que o julgamento do STF pode abrir caminho para responsabilizar torturadores do regime.<br \/>\n\u201cSe os ministros decidirem que os crimes de oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver n\u00e3o s\u00e3o acobertados pela Lei da Anistia, isso pode levar ao processamento, julgamento e condena\u00e7\u00e3o de militares\u201d, afirma.<br \/>\nEle ressalta que, por serem considerados crimes contra a humanidade, essas viola\u00e7\u00f5es s\u00e3o imprescrit\u00edveis.<br \/>\n\u201cO Brasil j\u00e1 foi condenado em 2010 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Gomes Lund, que declarou nulas as leis de autoanistia. Sem Justi\u00e7a para as v\u00edtimas, suas fam\u00edlias e a sociedade, n\u00e3o se pode falar em futuro\u201d, conclui.<br \/>\nA reportagem tamb\u00e9m procurou o Ex\u00e9rcito e, por meio de nota, as For\u00e7as Armadas informaram que \u201cn\u00e3o se manifestam sobre processos judiciais em andamento\u201d.<br \/>\nMovimentos pedem responsabiliza\u00e7\u00e3o de militares que praticaram tortura e outros crimes<br \/>\nGetty Images<br \/>\nSimbologia e import\u00e2ncia do filme<br \/>\nO impacto do filme Ainda Estou Aqui sobre o caso de Rubens Paiva e sobre as investiga\u00e7\u00f5es relacionadas aos abusos da ditadura militar foi ressaltado por especialistas que acompanham de perto a busca por justi\u00e7a para as v\u00edtimas desse per\u00edodo.<br \/>\nPara Adriano Diogo, presidente da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade Rubens Paiva, a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica foi essencial para impulsionar o avan\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u201cO filme mudou a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Se n\u00e3o tivesse sido o filme, n\u00e3o haveria sido pedido pela PGR a condena\u00e7\u00e3o dos militares golpistas, a dela\u00e7\u00e3o premiada do coronel Cid n\u00e3o teria vindo, e todos os \u00e1udios. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds t\u00e3o cruel que precisou de um filme ficcional contando a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia para mudar a realidade brasileira\u201d, afirma Diogo.<br \/>\nSegundo o presidente da Comiss\u00e3o, o filme teve um papel determinante no desbloqueio de informa\u00e7\u00f5es importantes sobre o caso e na abertura de arquivos que estavam mantidos sob sigilo por d\u00e9cadas.<br \/>\nEle acredita que a narrativa que acompanha a busca pela verdade da fam\u00edlia Paiva ajudou a trazer \u00e0 tona detalhes da morte do ex-deputado, incluindo a mudan\u00e7a forjada do corpo, uma informa\u00e7\u00e3o que foi esclarecida com o aux\u00edlio da Comiss\u00e3o da Verdade.<br \/>\n\u201cTalvez o filme seja t\u00e3o ou mais importante que a aprova\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia. Ele trouxe \u00e0 tona o real papel dos militares na hist\u00f3ria do Brasil e ajudou a revelar o impacto de suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas no pa\u00eds, mas em toda a Am\u00e9rica Latina\u201d, completa.<br \/>\nAur\u00e9lio Rios, subprocurador-geral da Rep\u00fablica, tamb\u00e9m afirma que o impacto do filme Ainda Estou Aqui vai muito al\u00e9m de uma obra cinematogr\u00e1fica. Ele destaca ainda que o longa fez mais pela verdade e pela mem\u00f3ria do pa\u00eds do que muitas iniciativas institucionais que, segundo ele, tamb\u00e9m foram importantes, para cuidar do tema como a Comiss\u00e3o de Anistia, Comiss\u00e3o de Mortos e Desaparecidos e mesmo a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<br \/>\n\u201cO filme criou, de forma espont\u00e2nea, uma conex\u00e3o afetiva com a fam\u00edlia de Rubens Paiva, especialmente com Eunice Paiva, que, por anos, lutou para obter o atestado de \u00f3bito do marido, ap\u00f3s ele ser torturado e assassinado por agentes do Estado. Ela levou 20 anos para conseguir esse documento, enquanto o corpo de Rubens Paiva permanece desaparecido at\u00e9 hoje\u201d, diz.<br \/>\nA import\u00e2ncia do filme na reabertura do processo tamb\u00e9m \u00e9 destacada por Suiama. Ele explica que a a\u00e7\u00e3o penal contra os militares respons\u00e1veis pela morte de Rubens Paiva estava paralisada desde 2014.<br \/>\n\u201c\u00c9 importante dizer que a a\u00e7\u00e3o penal do caso Rubens Paiva \u00e9 uma, dentre mais de trinta a\u00e7\u00f5es ajuizadas pelo MPF contra agentes da ditadura militar\u201d, diz.<br \/>\nA partir do filme, segundo ele, o STF decidiu analisar a Lei da Anistia e pautou tr\u00eas recursos com repercuss\u00e3o geral: o caso de Rubens Paiva, o desaparecimento de cinco pessoas no Araguaia e o desaparecimento de M\u00e1rio Alves, tamb\u00e9m no Rio de Janeiro.<br \/>\nEle acredita que, com a an\u00e1lise desses precedentes, outros casos de crimes da ditadura tamb\u00e9m poder\u00e3o ser reabertos.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/03\/01\/quem-sao-os-acusados-de-matar-rubens-paiva-e-o-que-aconteceu-com-eles.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os militares Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Raymundo Ronaldo Campos, Jurandyr Ochsendorf e Jacy Ochsendorf s\u00e3o acusados de envolvimento na morte de Paiva nas depend\u00eancias do DOI-Codi no Rio de Janeiro. \u00c0 esq., foto de fam\u00edlia com Eunice, Rubens e Babiu (filha ca\u00e7ula) no Rio em 1970 (\u00e0 dir., cena do filme) Arquivo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36121,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-36120","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36120"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36120\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}