{"id":36493,"date":"2025-03-07T12:05:21","date_gmt":"2025-03-07T15:05:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/nobre-matriarcado-de-dona-ivone-lara-no-samba-e-festejado-e-perpetuado-pelo-grupo-brejeiras-em-album-majestoso\/"},"modified":"2025-03-07T12:05:21","modified_gmt":"2025-03-07T15:05:21","slug":"nobre-matriarcado-de-dona-ivone-lara-no-samba-e-festejado-e-perpetuado-pelo-grupo-brejeiras-em-album-majestoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/nobre-matriarcado-de-dona-ivone-lara-no-samba-e-festejado-e-perpetuado-pelo-grupo-brejeiras-em-album-majestoso\/","title":{"rendered":"Nobre matriarcado de Dona Ivone Lara no samba \u00e9 festejado e perpetuado pelo grupo Brejeiras em \u00e1lbum majestoso"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Convidada do quarteto curitibano, \u00c1urea Martins tem grande presen\u00e7a em tr\u00eas das dez faixas do disco que sai na pr\u00f3xima sexta-feira, 14 de mar\u00e7o. Capa do \u00e1lbum \u2018Senhora da can\u00e7\u00e3o \u2013 Brejeiras cantam Ivone Lara\u2019, do grupo Brejeiras<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Senhora da can\u00e7\u00e3o \u2013 Brejeiras cantam Ivone Lara<br \/>\nArtista: Brejeiras<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605 1\/2<br \/>\n\u266c Cantora e compositora que abriu alas femininas no universo patriarcal do samba, a carioca Yvonne da Silva Lara (13 de abril de 1922 \u2013 16 de abril de 2018) conseguiu h\u00e1 60 anos um marco hist\u00f3rico ao ser a primeira mulher a assinar um samba-enredo ouvido no desfile das principais escolas do Carnaval do Rio de Janeiro. Foi no Carnaval de 1965, ano em que o Imp\u00e9rio Serrano cantou na avenida o samba-enredo Os cinco bailes da hist\u00f3ria do Rio, assinado por Ivone com Silas Oliveira (1916 \u2013 1972) e com Antonio Bacalhau.<br \/>\nNo embalo dessa conquista pioneira, a compositora construiu carreira de cantora a partir da d\u00e9cada de 1970. Foi quando Yvonne se tornou Ivone Lara. Ou melhor, Dona Ivone Lara, com o prefixo que j\u00e1 exp\u00f5e no nome a nobreza desta matriarca do samba, Senhora da can\u00e7\u00e3o, como celebrada no nome da composi\u00e7\u00e3o de Nei Lopes e Claudio Jorge lan\u00e7ada em 2000 em grava\u00e7\u00e3o feita por Nei com Alcione e com a pr\u00f3pria Ivone Lara.<br \/>\nO samba Senhora da can\u00e7\u00e3o batiza o \u00e1lbum em que o quarteto curitibano Brejeiras d\u00e1 vozes e instrumentos ao cancioneiro de Ivone Lara sob dire\u00e7\u00e3o musical de \u00c9rica Silva.<br \/>\nNo disco, que chega ao mundo na pr\u00f3xima sexta-feira, 14 de mar\u00e7o, Beatriz Schneider (viol\u00e3o de sete cordas), Gisele Fontoura (cavaco e voz), J\u00f4 Nunes (voz e pandeiro) e Mariana Zib\u00e1h (flauta transversal, voz e surdo) celebram e perpetuam o matriarcado de Ivone Lara no universo do samba.<br \/>\nO disco carrega carga adicional de representatividade identit\u00e1ria pelo fato de o grupo paranaense ter sido formado em Curitiba (PR) em 2016 com forma\u00e7\u00e3o inteiramente feminina \u2013 fato ainda incomum no mundo do samba, ainda dominado pelos homens. At\u00e9 porque, na composi\u00e7\u00e3o das Brejeiras, todas as quatro integrantes s\u00e3o instrumentistas, o que j\u00e1 desafia a regra de um mercado que normalmente confia \u00e0s mulheres somente o papel do canto nas rodas e discos de samba.<br \/>\nPara al\u00e9m desse car\u00e1ter simb\u00f3lico, o \u00e1lbum Senhora da can\u00e7\u00e3o \u2013 Brejeiras cantam Ivone Lara tem grande valor musical e deixa \u00f3tima impress\u00e3o j\u00e1 na faixa inicial, Nos combates desta vida (1983), uma das obras-primas da parceria de Ivone com Delcio Carvalho (1939 \u2013 2013). H\u00e1 no canto e no arranjo da grava\u00e7\u00e3o das Brejeiras uma\u2026 brejeirice que remete ao registro original feito em 1983 por Beth Carvalho (1946 \u2013 2019), uma das mulheres sambistas saudadas ao fim da faixa.<br \/>\nOutro samba apresentado ao Brasil na voz referencial de Beth, Mas quem disse que eu te esque\u00e7o? (Ivone Lara e Herm\u00ednio Bello de Carvalho, 1981) traz a voz senhoril de \u00c1urea Martins, j\u00e1 octogen\u00e1ria cantora carioca.<br \/>\n\u00c1urea retorna em Enredo do meu samba (1984) \u2013 parceria bissexta de Ivone com Jorge Arag\u00e3o \u2013 em dueto imponente com Gisele Fontoura. A faixa tamb\u00e9m merece nota 10 no quesito percuss\u00e3o pelo naipe tocado pelas irm\u00e3s irm\u00e3s Halanna Aguiar e Kauhana Aguiar.<br \/>\nA recorrente \u00c1urea Martins ainda reaparece majestosa em Nasci para sonhar e cantar (Ivone Lara e Delcio Carvalho, 1982), nobre faixa que combina o som dos antigos conjuntos regionais com inebriante arranjo vocal do maestro Vicente Ribeiro, regente do grupo Vocal Brasileir\u00e3o de Curitiba.<br \/>\nAlvorecer (Ivone Lara e Delcio Carvalho) tamb\u00e9m se ilumina pelo entrela\u00e7amento de vozes no arranjo do mesmo  Vicente Ribeiro. \u00c9 boa sa\u00edda para a faixa, j\u00e1 que \u00e9 dif\u00edcil igualar o canto luminoso de Clara Nunes (1942 \u2013 1983) na grava\u00e7\u00e3o original de Alvorecer no hom\u00f4nimo \u00e1lbum de 1974.<br \/>\nComo o samba de Ivone Lara \u00e9 atemporal, Bodas de ouro (1997) \u2013 parceria da compositora com Paulo C\u00e9sar Pinheiro que deu nome ao \u00e1lbum comemorativo dos 50 anos de carreira de Ivone \u2013 \u00e9 joia lapidada no clima j\u00e1 vintage dos sambas ouvidos no Brasil pr\u00e9-Bossa Nova.<br \/>\nJ\u00e1 Doces recorda\u00e7\u00f5es (1985) alterna o canto das tr\u00eas solistas vocais do quarteto Brejeiras. \u00c9 um canto uniforme e sem arroubos, mas harmonioso e afinado com o tom primaveril do canto da pr\u00f3pria Ivone e com a do\u00e7ura filos\u00f3fica dessa p\u00e9rola da parceria de Ivone com Delcio Carvalho.<br \/>\nJ\u00e1 o medley que une dois sambas menos conhecidos dessa parceria \u2013 Pra afastar a solid\u00e3o (1998), composi\u00e7\u00e3o mais recente da safra, e Minha verdade (1976) \u2013 exemplifica o requinte instrumental do disco. No caso, as melodias de contraponto e o di\u00e1logo soprado entre o trombone de Fernanda Cordeiro e a flauta de Marcela Zanette ilustram o \u00f3timo acabamento do \u00e1lbum tocado e cantado por mulheres.<br \/>\nA mesma flauta de Zanette sublinha o interl\u00fadio do medley que fecha o \u00e1lbum com a jun\u00e7\u00e3o dos sambas Cora\u00e7\u00e3o, por que choras? (1982) e Sorriso de crian\u00e7a (Ivone Lara e Delcio Carvalho), faixa que ao fim apresenta o canto de Serena, filha de J\u00f4 Nunes, cantora e percussionista do grupo Brejeiras.<br \/>\nNo fecho desse grande primeiro \u00e1lbum das Brejeiras, o gracioso canto do verso final \u2018eu embalei\u2019 por Serena sinaliza que a dinastia feminina do samba seguir\u00e1 na avenida em que alas foram abertas h\u00e1 60 anos pela matriarca Yvonne da Silva Lara, primeira dama do samba.<br \/>\nCriado em 2016, em Curitiba (PR), o grupo Brejeiras \u00e9 formado por quatro instrumentistas, sendo que tr\u00eas integrantes tamb\u00e9m s\u00e3o cantoras<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/03\/07\/nobre-matriarcado-de-dona-ivone-lara-no-samba-e-festejado-e-perpetuado-pelo-grupo-brejeiras-em-album-majestoso.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convidada do quarteto curitibano, \u00c1urea Martins tem grande presen\u00e7a em tr\u00eas das dez faixas do disco que sai na pr\u00f3xima sexta-feira, 14 de mar\u00e7o. 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