{"id":36559,"date":"2025-03-09T12:04:49","date_gmt":"2025-03-09T15:04:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/minha-mae-sempre-esteve-aqui-orfaos-de-pai-contam-como-filme-brasileiro-vencedor-do-oscar-os-fez-olhar-para-o-luto-da-mae\/"},"modified":"2025-03-09T12:04:49","modified_gmt":"2025-03-09T15:04:49","slug":"minha-mae-sempre-esteve-aqui-orfaos-de-pai-contam-como-filme-brasileiro-vencedor-do-oscar-os-fez-olhar-para-o-luto-da-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/minha-mae-sempre-esteve-aqui-orfaos-de-pai-contam-como-filme-brasileiro-vencedor-do-oscar-os-fez-olhar-para-o-luto-da-mae\/","title":{"rendered":"\u2018Minha m\u00e3e sempre esteve aqui\u2019: \u00f3rf\u00e3os de pai contam como filme brasileiro vencedor do Oscar os fez olhar para o luto da m\u00e3e"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Filhos relatam como suas m\u00e3es, assim como Eunice Paiva, precisaram ser fortes para amparar os filhos e manter a fam\u00edlia em p\u00e9. Conhe\u00e7a essas hist\u00f3rias.  \u00d3rf\u00e3os de pai contam como \u2018Ainda Estou Aqui\u2019 os fez olhar para o luto da m\u00e3e<br \/>\nVencedor do primeiro Oscar da hist\u00f3ria do Brasil, o filme \u201cAinda Estou Aqui\u201d tocou de forma diferente os \u00f3rf\u00e3os de pais, principalmente na forma como eles passaram a enxergar suas m\u00e3es. O g1 re\u00fane hist\u00f3rias de filhos de m\u00e3es vi\u00favas que perceberam que elas, assim como Eunice Paiva \u2014 personagem central do filme \u2013, priorizaram a fam\u00edlia em detrimento do pr\u00f3prio luto.<br \/>\nPrimeiro filme original Globoplay, \u201cAinda Estou Aqui\u201d \u00e9 baseado no livro hom\u00f4nimo com a hist\u00f3ria real de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice (Fernanda Torres) e de Rubens Paiva (Selton Mello), ex-deputado federal assassinado durante a ditadura militar. O filme retrata a luta da advogada e ativista que passou 40 anos procurando a verdade sobre o desaparecimento de seu marido enquanto criava seus filhos sem entregar os pontos.<br \/>\nFrancisca Elisabete Ferreira, Ivanilde Oliveira e Cl\u00e1udia da Silva Batista seguraram o luto da perda dos maridos para que os filhos seguissem em frente. fazer<br \/>\nArquivo Pessoal<br \/>\nO podcaster Pedro Philippe conta que o filme o fez lembrar da aus\u00eancia de choro da m\u00e3e, Francisca Elisabete Ferreira. Seu pai, Jos\u00e9 Alberto Braz, foi assassinado dentro do pr\u00f3prio escrit\u00f3rio de contabilidade em 2002, quando Pedro tinha 12 anos de idade. Mesmo diante da trag\u00e9dia, o filho conta que n\u00e3o via a m\u00e3e triste.<br \/>\n\u201cEra como se a morte do meu pai nem tivesse abalado. N\u00e3o \u00e9 que ela fingisse que nada tinha acontecido, mas ela queria fazer a gente seguir em frente\u201d.<br \/>\nO filme mexeu tanto com Pedro que ele falou sobre isso no podcast do qual \u00e9 um dos apresentadores. Em um epis\u00f3dio especial intitulado \u2018Minha M\u00e3e Ainda Est\u00e1 Aqui\u2019, o cearense do munic\u00edpio de Barbalha conversa com a m\u00e3e sobre a morte do pai e o luto que nunca havia demonstrado. S\u00f3 ent\u00e3o ela contou ao filho que chorava escondido na casa de uma amiga da igreja.<br \/>\n\u2018N\u00f3s vamos sorrir. Sorriam.\u2019<br \/>\nFoto tirada durante \u2018Ainda estou aqui\u2019 com a fam\u00edlia protagonista do filme<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nPara a psic\u00f3loga Erika Noah, de Montes Claros (MG), a cena mais marcante do filme \u00e9 a que Eunice Paiva diz aos filhos para sorrirem para a foto que sairia em uma revista, mesmo com o fot\u00f3grafo pedindo uma imagem mais s\u00e9ria. Ali, Erika enxergou a pr\u00f3pria m\u00e3e, Ivanilde Oliveira.<br \/>\n\u201cEla sempre nos dava uma for\u00e7a velada, atrav\u00e9s da tentativa de fazer algo diferente em casa, de dar um sorriso, tentando ver as coisas positivas do que viv\u00edamos. Ela estava se esfor\u00e7ando para que a gente tivesse dias melhores\u201d.<br \/>\nAs circunst\u00e2ncias da morte do pai de Erika, Afonso Andrade, foram muito traum\u00e1ticas. Ele se suicidou em 2017. Por isso, Erika acredita que a forma como a m\u00e3e agiu foi essencial para a fam\u00edlia lidar com a dor. \u201cEra toda a for\u00e7a de que precis\u00e1vamos naquele momento\u201d, disse.<br \/>\nDesde que conquistou o Oscar de melhor filme, Ainda estou aqui tem levado mais espectadores ao cinema<br \/>\nJ\u00e1 o supervisor de vendas John Lenno da Silva, de Governador Eug\u00eanio Barros (MA), perdeu o pai, Get\u00falio Wagner dos Santos, em 2021, v\u00edtima da covid-19. O filme o fez perceber o quanto a m\u00e3e, Cl\u00e1udia da Silva Batista, foi forte ap\u00f3s a perda do companheiro de 19 anos.<br \/>\n\u201cSempre soube que ela sofreu muito, mas nunca tinha parado para pensar no esfor\u00e7o di\u00e1rio que ela fazia para seguir em frente. Depois de assistir ao filme, entendi que muitas das atitudes dela, que \u00e0s vezes eu mesmo n\u00e3o compreendia, eram formas de se manter de p\u00e9 pelos seus filhos\u201d.<br \/>\nNo discurso que escreveu para a cerim\u00f4nia do Oscar, o diretor do filme, Walter Sales, dedicou o pr\u00eamio \u201ca Eunice Paiva e a todas as m\u00e3es que, diante de tamanha adversidade, t\u00eam a coragem de resistir. Que nos ensinam a lutar sem perder a capacidade de sorrir, mesmo quando elas se sentem fr\u00e1geis\u201d.<br \/>\nJohn Lenno, Pedro Philippe e Erika Noah<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nLeia os relatos:<br \/>\n\u2018Ela queria fazer a gente seguir em frente\u2019<br \/>\nPedro Philippe (de amarelo) com a m\u00e3e, Francisca Elisabete Ferreira, e os irm\u00e3os Jo\u00e3o Henrique e Dora Helena<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nDepoimento de Pedro Philippe:<br \/>\n\u201cFoi vendo \u2018Ainda Estou Aqui\u2019 que eu lembrei que minha m\u00e3e n\u00e3o chorava, assim como Eunice Paiva. Tem uma cena em que ela est\u00e1 chorando e a filha chega com uma boneca para consertar. Ela s\u00f3 d\u00e1 uma ajeitada, sem transparecer a dor. Minha m\u00e3e fez muito isso. Ela n\u00e3o transferia a tristeza pra gente.<br \/>\nTenho uma lembran\u00e7a da inf\u00e2ncia, de ir procur\u00e1-la e a encontrar abra\u00e7ada com duas amigas, chorando. Eu levei um choque, fiquei sem entender por que ela estava assim. Para mim, era como se a morte do meu pai nem a tivesse abalado. N\u00e3o sei qual a psicologia na cabe\u00e7a dela, mas deu certo. Ela n\u00e3o fingia que nada tinha acontecido, mas queria fazer a gente seguir em frente.<br \/>\nMeu irm\u00e3o comentou comigo que nunca tinha pensado sobre isso, mas, se minha m\u00e3e tivesse vacilado s\u00f3 um pouco, se a dor a tivesse consumido, a gente n\u00e3o estaria como est\u00e1 hoje. Isso \u00e9 verdade. Esse foi um trabalho herc\u00faleo dela.<br \/>\nAssim como Eunice, minha m\u00e3e tamb\u00e9m n\u00e3o deixou o rancor corroer os filhos. No filme, ela nem comenta a morte com eles. Minha m\u00e3e tamb\u00e9m n\u00e3o falava muito sobre o que tinha acontecido. Ela nos escutava, mas n\u00e3o deixava o luto se transformar em remorso, em raiva. \u00c9 o que eu vejo tamb\u00e9m na hist\u00f3ria de Eunice. Ela pegou tudo aquilo e transformou em luta.<br \/>\nA cena do filme que mais me marcou foi aquela em que Marcelo Rubens Paiva brinca com o pai. Eu j\u00e1 comecei a chorar dali. A cena me pegou por lembrar desses momentos com o meu pai.\u201d<br \/>\nA morte dele nunca teve esclarecimento. O cara que o matou foi preso, julgado, mas s\u00f3 dizia que cometeu o crime porque acordou com vontade de matar algu\u00e9m. Na minha cabe\u00e7a de crian\u00e7a, n\u00e3o fazia sentido algu\u00e9m ter seguido meu pai e atirar nele, sem raz\u00e3o alguma. Por isso, eu vivia sonhando que ele ainda ia voltar.<br \/>\nPedro Philippe com o pai, Jos\u00e9 Alberto Braz e  m\u00e3e Francisca Elisabete Ferreira<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\n\u2018Ela deu toda a for\u00e7a de que n\u00f3s precis\u00e1vamos\u2019<br \/>\nErika Noah (de branco) com o pai, Afonso Andrade, a m\u00e3e Ivanilde Oliveira e a irm\u00e3 Izzis Fernanda<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nDepoimento de Erika Noah:<br \/>\n\u201cA cena que mais marcou foi quando a personagem da Fernanda Torres dizia que ia sorrir pra foto, apesar de o fot\u00f3grafo querer uma imagem mais deprimida. Perdi meu pai com 25 anos e, mesmo sendo adulta, minha m\u00e3e precisou ser um suporte para mim, porque eu sempre fui muito vinculada a ele, e a morte foi repentina.<br \/>\nA for\u00e7a que ela dava era sempre velada, atrav\u00e9s de uma tentativa de fazer algo diferente em casa, um sorriso que ela tinha, tentando ver as coisas positivas do que viv\u00edamos. N\u00e3o era algo direto, mas eu sabia que ela estava se esfor\u00e7ando para que a gente tivesse dias bons, dias melhores, e essa foi toda a for\u00e7a de que precis\u00e1vamos.<br \/>\nEu sempre enxerguei isso na minha m\u00e3e, mas o filme deixou mais \u00f3bvio. Vejo a for\u00e7a de uma mulher tendo que manter a fam\u00edlia em p\u00e9, com maestria, sendo m\u00e3e, vi\u00fava, dona de casa, apesar da tristeza com a morte da \u00fanica pessoa que ela amou.<br \/>\nMinha m\u00e3e tamb\u00e9m teve confian\u00e7a e f\u00e9 ao seguir em frente e continuar fazendo o melhor poss\u00edvel para os filhos, com uma esperan\u00e7a e uma for\u00e7a incontest\u00e1vel, apesar da dor.\u201d<br \/>\n\u2018O filme me fez perceber o quanto minha m\u00e3e foi forte\u2019<br \/>\nJohn Lenno (de rosa) com a m\u00e3e Cl\u00e1udia da Silva Batista, o pai Get\u00falio Wagner dos Santos e os irm\u00e3os John Kellyson e John Thallys<br \/>\nArquivo pessoal<br \/>\nDepoimento de John Lenno:<br \/>\n\u201cO filme retrata o luto de uma forma t\u00e3o forte que me emocionou e me fez refletir bastante. Na \u00e9poca, minha m\u00e3e chegou a ter um in\u00edcio de depress\u00e3o, mas, assim como a Eunice, teve que lidar com a dor e seguir em frente, mesmo com tudo desmoronando.<br \/>\nA cena da sorveteria, sem d\u00favida, \u00e9 a mais emocionante do filme. Eunice estava ali, s\u00f3 que ao mesmo tempo n\u00e3o estava. Ela observava o mundo seguindo, as pessoas rindo, conversando, e ela s\u00f3 olhava, presa em um vazio que ningu\u00e9m ao redor consegue enxergar.<br \/>\nO filme me fez perceber o quanto minha m\u00e3e foi forte. Sempre soube que ela sofreu muito, mas nunca tinha parado para pensar no esfor\u00e7o di\u00e1rio que ela fazia para seguir em frente. Depois de assistir, entendi que muitas das atitudes dela, que \u00e0s vezes eu n\u00e3o compreendia, eram formas de se manter de p\u00e9 pelos seus filhos.<br \/>\nAssim como Eunice, ela tamb\u00e9m teve que fazer escolhas dif\u00edceis, sem deixar a dor do luto a parar. Minha m\u00e3e sempre priorizou os filhos. Ela fez enormes sacrif\u00edcios para dar um futuro melhor para seus filhos. Se mudou para S\u00e3o Paulo, enfrentando toda e qualquer dificuldade no caminho.<br \/>\nNo in\u00edcio, eu notava no olhar dela que n\u00e3o estava bem, mas nunca nos deixou faltar nada. \u00c0s vezes, ela at\u00e9 fingia estar bem, talvez para n\u00e3o nos preocupar. Era o jeitinho dela de nos proteger.\u201d<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/03\/09\/minha-mae-sempre-esteve-aqui-orfaos-de-pai-contam-como-filme-brasileiro-vencedor-do-oscar-os-fez-olhar-para-o-luto-da-mae.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filhos relatam como suas m\u00e3es, assim como Eunice Paiva, precisaram ser fortes para amparar os filhos e manter a fam\u00edlia em p\u00e9. 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