{"id":36797,"date":"2025-03-14T12:00:45","date_gmt":"2025-03-14T15:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/djonga-sacia-o-apetite-de-afirmacao-na-jornada-reflexiva-de-grande-album-que-traz-milton-nascimento-e-samuel-rosa\/"},"modified":"2025-03-14T12:00:45","modified_gmt":"2025-03-14T15:00:45","slug":"djonga-sacia-o-apetite-de-afirmacao-na-jornada-reflexiva-de-grande-album-que-traz-milton-nascimento-e-samuel-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/djonga-sacia-o-apetite-de-afirmacao-na-jornada-reflexiva-de-grande-album-que-traz-milton-nascimento-e-samuel-rosa\/","title":{"rendered":"Djonga sacia o apetite de afirma\u00e7\u00e3o na jornada reflexiva de grande \u00e1lbum que traz Milton Nascimento e Samuel Rosa"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Em \u2018Quanto mais eu como, mais fome eu sinto\u2019, rapper \u2018sampleia\u2019 Los Hermanos, busca autoconhecimento e recupera a for\u00e7a atenuada no disco anterior. Capa do \u00e1lbum \u2018Quanto mais eu como, mais fome eu sinto\u2019, de Djonga<br \/>\nConiiin  \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Quanto mais eu como, mais fome eu sinto<br \/>\nArtista: Djonga<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605 \u2605<br \/>\n\u266c Fez bem a Djonga ter atravessado 2024 sem lan\u00e7ar um \u00e1lbum, fato ent\u00e3o in\u00e9dito na discografia iniciada pelo rapper mineiro em 2017 com Heresia. Com o oitavo \u00e1lbum, Quanto mais eu como, mais fome eu sinto, o artista recupera a for\u00e7a que pareceu levemente atenuada no disco anterior, Inocente \u201cdemotape\u201d (2023), pautado por certa intencional suavidade.<br \/>\nLan\u00e7ado \u00e0s 18h13 de ontem, 13 de mar\u00e7o, o \u00e1lbum Quanto mais eu como, mais fome eu sinto flagra Djonga saciado, mas inquieto, ao expressar ang\u00fastias, conquistas, d\u00favidas e frustra\u00e7\u00f5es na jornada reflexiva de disco em que o rapper busca o alimento espiritual. Se o corpo j\u00e1 est\u00e1 alimentado, a alma consciente permanece faminta de autoconhecimento e justi\u00e7a social.<br \/>\nCom beats e arranjos criados por Coyote Beatz e Rapaz do Dread em sintonia com as inquieta\u00e7\u00f5es do rapper, o \u00e1lbum reflete a vis\u00e3o atual de Djonga ap\u00f3s a supera\u00e7\u00e3o da fome (que j\u00e1 foi real, e n\u00e3o somente metaf\u00f3rica) e da conquista da fama que gera dinheiro e poder, mas tamb\u00e9m vampiros que sugam o sucesso alheio.<br \/>\n\u201cN\u00e3o confio nem no espelho, \u00e9 que ele \u00e9 ao contr\u00e1rio \/ A imagem que me d\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o que eu represento \/ Que eu n\u00e3o vou trocar o moleque que s\u00f3 pensa em dan\u00e7ar \/ Por um adulto covarde que s\u00f3 pensa em sustento\u201d, dispara Djonga nos versos de Fome.<br \/>\nDjonga canta versos afiados sobre os beats de Coiote Beatz e Rapaz do Dread, produtores musicais do \u00e1lbum \u2018Quanto mais eu como, mais fome eu sinto\u2019,<br \/>\nConiiin  \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nNa narrativa composta pelas letras das 12 m\u00fasicas (bem) mixadas e masterizadas pelo engenheiro de som Arthur Luna, Djonga se permite acessar dores e desconfortos sem deixar de ostentar resili\u00eancias e vit\u00f3rias.<br \/>\n\u201cEu penso em Deus quando vejo um mano da cor formado \/ Eu penso em Deus quando vejo um mano da cor roubando \/ Eu vejo Deus at\u00e9 naquele que t\u00e1 conformado \/ N\u00e3o penso em Deus quando vejo o dedo branco apontando\u201d, ressalta o rapper nos versos de PPRT!, apontando o dedo para o racismo embutido na estrutura social do Brasil.<br \/>\nEm Real demais, o canto \u00e9 nervoso, talvez porque Djonga toque ali nas pr\u00f3prias feridas. \u201cAinda s\u00f3 penso em tudo que passei \/ Tipo a certeza que o dem\u00f4nio mora ao lado \/ Da pol\u00edcia a parte ruim \u00e9 tudo que eu sei\u201d, reflete Djonga sobre o beat de Rapaz do Dread, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela batida de Melhor que ontem, faixa aberta com sample de \u00daltimo romance (Rodrigo Amarante, 2003), sucesso da banda carioca Los Hermanos.<br \/>\nCom for\u00e7a mais espiritual do que f\u00edsica, a voz de Milton Nascimento enobrece o refr\u00e3o mel\u00f3dico do rap Demoro a dormir. \u201cEu ando pensando sobre n\u00f3s \/ E toda noite demoro a dormir \/ Vivo no presente, Deus se encaminha do ap\u00f3s \/ E sei que o que foi, morreu atr\u00e1s ficou ali\u201d, canta Milton, enfatizando o tom reflexivo e espiritual do \u00e1lbum editado por Djonga pelo selo A Quadrilha e distribu\u00eddo no mercado digital via ONErpm.<br \/>\n\u201cTentaram me fazer surtar que nem Chor\u00e3o, mas trago guias no pesco\u00e7o que valem mais que um cord\u00e3o \/ Te p\u00f5e no topo pelo prazer de tirar de l\u00e1, perguntam se tu quer o doce s\u00f3 pra dizer n\u00e3o\u201d, acusa o rapper nos versos de Jo\u00e3o e Maria.<br \/>\nO incessante questionamento de Djonga no \u00e1lbum se estende \u00e0 esfera privada dos relacionamentos afetivos. \u201cO que que c\u00ea quer aqui? Essas bolsas? Esses carros? \/ Ou o que eu sou quando me tiram tudo isso, um cara comum e sens\u00edvel \/ Diz, o que que c\u00ea quer aqui? \/ Eu sou o cara que seus pais te disseram pra tomar cuidado\u201d, questiona o rapper em QQ c\u00ea quer aqui? em di\u00e1logo com a parceira de cama e mesa. Em Te espero l\u00e1, o convite \u00e0 menina \u00e9 feito na voz de Samuel Rosa em refr\u00e3o que acena para a leveza pop em conex\u00e3o sutil com o disco anterior de Djonga.<br \/>\nSem perder o pique em m\u00fasicas como Ainda (gravada com Dora Morelenbaum), Livre (\u201cOu\u00e7a o grito de um negro livre\u201d) e Ponto de vista (faixa que traz o emergente rapper mineiro RT Mallone), o \u00e1lbum Quanto mais eu como, mais fome eu sinto \u00e9 o retrato (aparentemente sem retoques) de Djonga ap\u00f3s o rapper ter entrado para a linha de frente do hip hop brasileiro.<br \/>\n\u201cE eu me mostro por inteiro, \u00e9 mask off, voc\u00eas s\u00e3o f\u00e3s de coach, bando de fantoche \/ Uns nascem com dom pra dono, outros pra mascote, quando passar, s\u00f3 sobram os originais, se v\u00e3o os xerox\u201d, projeta o rapper com virul\u00eancia nos versos de Selvagem.<br \/>\nEnfim, ao contar hist\u00f3rias da pr\u00f3pria \u00e1rea sob a perspectiva e a \u00f3tica de quem transcendeu o gueto atrav\u00e9s das rimas sempre afiadas, Djonga se eleva ao se olhar no espelho no \u00e1lbum Quanto mais eu como, mais fome eu sinto com apetite voraz pelo autoconhecimento e pela gana de escancarar as regras nem sempre limpas do jogo social.<br \/>\nDjonga canta com Dora Morelenbaum e RT Mallone no oitavo \u00e1lbum, \u2018Quanto mais eu como, mais fome eu sinto\u2019, no mundo desde ontem, 13 de mar\u00e7o<br \/>\nConiiin  \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/03\/14\/djonga-sacia-o-apetite-de-afirmacao-na-jornada-reflexiva-de-grande-album-que-traz-milton-nascimento-e-samuel-rosa.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em \u2018Quanto mais eu como, mais fome eu sinto\u2019, rapper \u2018sampleia\u2019 Los Hermanos, busca autoconhecimento e recupera a for\u00e7a atenuada no disco anterior. 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