{"id":37423,"date":"2025-03-27T03:03:06","date_gmt":"2025-03-27T06:03:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/por-que-artistas-gringos-trazem-shows-mais-simples-ao-brasil-e-como-turnes-sao-negociadas\/"},"modified":"2025-03-27T03:03:06","modified_gmt":"2025-03-27T06:03:06","slug":"por-que-artistas-gringos-trazem-shows-mais-simples-ao-brasil-e-como-turnes-sao-negociadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/por-que-artistas-gringos-trazem-shows-mais-simples-ao-brasil-e-como-turnes-sao-negociadas\/","title":{"rendered":"Por que artistas gringos trazem shows mais simples ao Brasil e como turn\u00eas s\u00e3o negociadas?"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Entenda por que apresenta\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul tendem a ser mais enxutas e como \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de artistas para festivais como o Lollapalooza. g1 ouviu profissionais do setor. Entenda por que artistas gringos trazem shows mais simples ao Brasil<br \/>\nQuem \u00e9 f\u00e3 de artistas internacionais sabe que o show feito l\u00e1 fora raramente \u00e9 o mesmo que vem ao Brasil. Palcos diferentes, megaestruturas, pirotecnias\u2026 s\u00e3o poucas as turn\u00eas que trazem toda a estrutura quando passam pela Am\u00e9rica do Sul.<br \/>\n\u00c0s vezes, a atra\u00e7\u00e3o traz algo bem mais modesto para c\u00e1. Como Miley Cyrus, que em 2014 deixou o palco especial com escorregador de l\u00edngua para tr\u00e1s e trouxe somente algumas trocas de figurino. Ou SZA, com show no Lollapalooza 2024 que teve as dan\u00e7arinas e elementos no palco, mas quase nada do robusto cen\u00e1rio da turn\u00ea.<br \/>\nPregui\u00e7a? M\u00e1 vontade? Na verdade, isso acontece porque trazer a estrutura de um show depende de muitas vari\u00e1veis.<br \/>\nSZA canta \u2018Kill Bill\u2019 no Lolla 2024<br \/>\nO g1 ouviu profissionais do mercado de shows, que explicaram como funciona a negocia\u00e7\u00e3o da estrutura de shows. Segundo eles:<br \/>\nQuem define a estrutura trazida, geralmente, \u00e9 o artista;<br \/>\nOs aparatos que v\u00eam para c\u00e1 e quais ser\u00e3o fornecidos s\u00e3o previstos em contrato;<br \/>\nVari\u00e1veis como o retorno financeiro, o transporte, viabilidade t\u00e9cnica, proposta art\u00edstica \u2013 tudo isso influencia a decis\u00e3o;<br \/>\nUm problema no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul? A dist\u00e2ncia\u2026 e as estradas;<br \/>\nH\u00e1 alternativas para garantir a viabilidade do show com op\u00e7\u00f5es mais enxutas;<br \/>\nMas geralmente, se n\u00e3o for poss\u00edvel trazer uma parte importante da estrutura, a tend\u00eancia \u00e9 que os artistas (e as promotoras) decidam n\u00e3o trazer o show.<br \/>\nEntenda como funciona:<br \/>\nQuem define o que vem para c\u00e1?<br \/>\nOs profissionais entrevistados pelo g1 afirmaram que, na maior parte das vezes, cabe ao artista decidir a estrutura que ser\u00e1 trazida ao Brasil.<br \/>\nPara um entrevistado de uma produtora internacional, o maior problema no Brasil \u00e9 a log\u00edstica. \u201cEstamos longe de todo mundo. \u00c9 um custo alto chegar ao continente. E depois, quando chegam aqui, as estradas s\u00e3o raras ou ruins\u201d, explica. Por isso, trazer aparatos dos shows \u00e0 Am\u00e9rica do Sul \u2013 e transport\u00e1-las entre diferentes lugares \u2013 \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o complexa e cara.<br \/>\nAl\u00e9m dos gastos, h\u00e1 uma quest\u00e3o de tempo. \u201cDependendo dos itens que artistas do pop querem trazer, precisa ser de navio, algo demorado, algo caro, que n\u00e3o vale a pena\u201d, diz outro entrevistado. Isso dificulta a agenda da turn\u00ea, e pode at\u00e9 impossibilitar o show.<br \/>\n\u201cTeve um mega artista, que teve uma mega produ\u00e7\u00e3o, que era 360 graus. Tinha que ser com essa produ\u00e7\u00e3o, porque foi um palco especialmente desenhado a n\u00edvel de engenharia para essa turn\u00ea. O custo de levar esse palco para toda as datas na Am\u00e9rica do Sul era muito caro. Ent\u00e3o, essa turn\u00ea n\u00e3o foi para Am\u00e9rica do Sul.\u201d<br \/>\n\u201cEssa decis\u00e3o tamb\u00e9m depende do investimento (ou preju\u00edzo) que o artista est\u00e1 disposto a ter. \u201cEle define o que ele quer trazer, o que ele quer produzir localmente. De certa maneira, sai do custo dele. Sai do artista, e entra no resultado do show.\u201d<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 um c\u00e1lculo t\u00e3o simples: do valor do show, \u00e9 preciso tirar impostos, sal\u00e1rio de agentes e outras despesas. A infraestrutura de todo o show tamb\u00e9m \u00e9 \u201cpaga\u201d pelo artista.<br \/>\nPode ser que n\u00e3o compense para o artista e que ele fique no preju\u00edzo ao trazer tudo \u2013 e a\u00ed, pode at\u00e9 deixar de vir ao Brasil, j\u00e1 que isso afeta quase inteiramente o show planejado. Por outro lado, ele pode optar por trazer a estrutura em uma vers\u00e3o mais enxuta, s\u00f3 para n\u00e3o deixar de vir.<br \/>\nE em festivais?<br \/>\nSe para shows solo j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil, trazer a estrutura completa para festivais \u00e9 praticamente imposs\u00edvel. Muitas vezes, \u00e9 justamente a economia na produ\u00e7\u00e3o que compensa a vinda, j\u00e1 que o evento fornece sua pr\u00f3pria estrutura \u201cb\u00e1sica\u201d.<br \/>\n\u201cQuando o festival faz uma oferta para um determinado artista, j\u00e1 envia o rider, ou seja, aquilo que o festival oferece. Se o artista quiser algo al\u00e9m do que ele oferece, inicia-se um di\u00e1logo para ver o que d\u00e1 para atender e quem ser\u00e1 respons\u00e1vel por isso. No fim, todos tem que se adaptar um pouco\u201d, conta Marcelo Beraldo, diretor art\u00edstico do Lollapalooza.<br \/>\nRosal\u00eda se apresenta no Lollapalooza 2023 em S\u00e3o Paulo<br \/>\nF\u00e1bio Tito\/g1<br \/>\nToda a estrutura oferecida \u00e9 negociada dependendo do tamanho do artista. \u201cSe ele diz que precisa de um pouco mais disso ou daquilo, a gente vai tentando atender dentro do poss\u00edvel. E eu digo dentro do poss\u00edvel porque tem coisas que nem t\u00eam na Am\u00e9rica do Sul. Nesse caso, o artista pode arranjar ou abrir m\u00e3o, e o festival tamb\u00e9m pode ir atr\u00e1s, tudo depende dessa negocia\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nPara algumas atra\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vale a pena tocar em festivais. \u201cA Taylor Swift tem uma produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cabe em nenhum festival do mundo. Se ela recebe a oferta de um festival, cabe a ela definir se quer fazer o show sem aquela produ\u00e7\u00e3o ou s\u00f3 com parte dela. O festival vai topar se ela topar, mas muita coisa faz parte da estrat\u00e9gia dela. Alguns artistas querem fazer o seu show de duas horas no est\u00e1dio, s\u00f3 para os seus f\u00e3s.\u201d<br \/>\nAl\u00e9m disso, uma vez negociada a estrutura, o festival n\u00e3o tem direito a intervir no conte\u00fado do show. \u201cA partir do momento em que voc\u00ea manda uma oferta e ele aceita, legalmente falando, voc\u00ea n\u00e3o tem o direito de censurar nada\u201d, refor\u00e7a.<br \/>\nFestivais tamb\u00e9m enfrentam quest\u00f5es como o \u201ccurfew\u201d, ou seja, o hor\u00e1rio limite para acabar \u2013 por isso, a troca entre um show e outro tem que ser mais breve poss\u00edvel. \u201cA troca de palco dura uma hora, mas para um headliner h\u00e1 toda uma prepara\u00e7\u00e3o antes. Estruturas espec\u00edficas podem ficar montadas sem serem usadas em shows anteriores, e nem sempre os outros shows contam com tempo suficiente para passagem de som e outros ajustes como os headliners\u201d.<br \/>\nO festival tamb\u00e9m tem que contemplar artistas que dividem o mesmo palco. Em 2024, Ludmilla enfrentou problemas com a organiza\u00e7\u00e3o do Rock in Rio porque, segundo ela, n\u00e3o conseguiu a libera\u00e7\u00e3o para usar uma estrutura como gostaria. Ela teria solicitado a passarela, montada no palco para o show de Travis Scott, mas esse uso n\u00e3o foi autorizado.<br \/>\nLudmilla em show no Rock in Rio 2024<br \/>\nStephanie Rodrigues\/g1<br \/>\nSegundo Beraldo, geralmente, a regra \u00e9 que a estrutura do headliner n\u00e3o pode ser utilizada por outros artistas do mesmo palco. \u201cAs estruturas extras, em geral, s\u00e3o desenhadas e montadas especificamente para determinado show\u201d, explica.<br \/>\nO que est\u00e1 previsto em contrato?<br \/>\nVem cen\u00e1rio, tel\u00e3o, dan\u00e7arinos, fogos de artif\u00edcio? Os profissionais apontam que toda a estrutura que vem ao Brasil \u00e9 acordado com a promotora do show, nos \u201criders t\u00e9cnicos\u201d anexos aos contratos. L\u00e1, consta quantas e quais luzes, estrutura de som, fogos de artif\u00edcio, por a\u00ed vai. \u00c9 assim que o artista informa o que pretende trazer e o que precisa ser fornecido pelo promotor local para que tudo funcione.<br \/>\nS\u00e3o muitas vari\u00e1veis: o tamanho do p\u00fablico no Brasil, os espa\u00e7os dispon\u00edveis, a estrutura do lugar e at\u00e9 a legisla\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cComigo j\u00e1 aconteceu de desistirmos de um show porque o artista queria utilizar pirotecnia em um local fechado, o que o Corpo de Bombeiros n\u00e3o aprovava em fun\u00e7\u00e3o de riscos ao p\u00fablico. Um local maior e aberto n\u00e3o fazia sentido econ\u00f4mico. O artista veio com outro promotor\u201d, conta um profissional ouvido pelo g1.<br \/>\nKaty Perry se apresenta no Rock in Rio 2024<br \/>\nStephanie Rodrigues\/g1<br \/>\nO Brasil compensa<br \/>\nEspecialistas argumentam que, apesar de todas as quest\u00f5es de log\u00edstica, \u00e0s vezes artistas decidem investir no Brasil mesmo podendo sair no preju\u00edzo. Afinal, o show tamb\u00e9m \u00e9 uma ferramenta de marketing \u2013 especialmente eficaz no caso do nosso pa\u00eds.<br \/>\nNos \u00faltimos anos, o pa\u00eds passou a ser reconhecido como uma m\u00e1quina de engajamento e favoreceu o investimento em grandes shows por aqui. Mesmo caso n\u00e3o renda lucro, um show bem feito por aqui rende boa publicidade nas redes e fortalece a rela\u00e7\u00e3o dos artistas com seus f\u00e3s.<br \/>\n\u201cNosso neg\u00f3cio \u00e9 hoje em dia completamente internacional. A Am\u00e9rica do Sul j\u00e1 entrou dentro do que \u00e9 a estrada de turn\u00eas. E a Am\u00e9rica do Sul em geral, e obviamente Brasil por seu tamanho, proporcionalmente gera muito mais streams em Spotify que outros mercados. Ent\u00e3o, \u00e9 fundamental para qualquer artista vir para c\u00e1\u201d, conta um produtor de shows.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/lollapalooza\/2025\/noticia\/2025\/03\/27\/por-que-artistas-gringos-trazem-shows-mais-simples-ao-brasil-e-como-turnes-sao-negociadas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda por que apresenta\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul tendem a ser mais enxutas e como \u00e9 a contrata\u00e7\u00e3o de artistas para festivais como o Lollapalooza. g1 ouviu profissionais do setor. 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