{"id":37895,"date":"2025-04-02T12:00:46","date_gmt":"2025-04-02T15:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/beth-carvalho-e-louvada-em-correto-sambabook-que-irmana-bambas-e-estranhos-no-quintal-do-samba-carioca\/"},"modified":"2025-04-02T12:00:46","modified_gmt":"2025-04-02T15:00:46","slug":"beth-carvalho-e-louvada-em-correto-sambabook-que-irmana-bambas-e-estranhos-no-quintal-do-samba-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/beth-carvalho-e-louvada-em-correto-sambabook-que-irmana-bambas-e-estranhos-no-quintal-do-samba-carioca\/","title":{"rendered":"Beth Carvalho \u00e9 louvada em correto \u2018Sambabook\u2019 que irmana bambas e estranhos no quintal do samba carioca"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Repert\u00f3rio referencial da cantora \u00e9 revitalizado por 32 artistas em grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, produzidas por Alceu Maia sem inven\u00e7\u00f5es de moda. Capa do \u00e1lbum \u2018Sambabook Beth Carvalho\u2019<br \/>\nWashington Possato<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Sambabook Beth Carvalho<br \/>\nArtistas: Agnes Nunes, Arlindinho, Bateria da Mangueira, Diogo Nogueira, Fagner, Ferrugem, Fundo de Quintal, Gabriel Grossi, Hamilton de Holanda, Golden Boys, Jorge Arag\u00e3o, Luana Carvalho, Leci Brand\u00e3o, Lu Carvalho, Luciana Mello, Luedji Luna, Maria Rita, Marina Iris, Marcelinho Moreira, Mosquito, Mumuzinho, Nicolas Krassik, Paula Lima, P\u00e9ricles, Prettos, Rildo Hora, Seu Jorge, Sombrinha, Teresa Cristina, Xande de Pilares, Zeca Pagodinho e Z\u00e9lia Duncan.<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605<br \/>\n\u266c Compositora bissexta, Beth Carvalho assinou somente oito m\u00fasicas em trajet\u00f3ria art\u00edstica iniciada em 1965. Como cantora, no entanto, Elizabeth Santos Leal de Carvalho (5 de maio de 1946 \u2013 30 de abril de 2019) imprimou assinatura indel\u00e9vel no mundo do samba, tornando-se refer\u00eancia no g\u00eanero entre os anos 1970 e 1980 pelo rigor com que selecionava o repert\u00f3rio dos \u00e1lbuns de samba que lan\u00e7ou entre 1973 e 2014.<br \/>\nTanto que soa natural o fato de a sexta edi\u00e7\u00e3o do Sambabook \u2013 projeto multim\u00eddia criado por Afonso Carvalho, empres\u00e1rio que trabalhou com a cantora carioca \u2013 ser a primeira dedicada a um artista identificado primordialmente como int\u00e9rprete. As cinco edi\u00e7\u00f5es anteriores celebraram as obras autorais dos sambistas Jo\u00e3o Nogueira (1941 \u2013 2000), Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara (1922 \u2013 2018) e Jorge Arag\u00e3o.<br \/>\nSob dire\u00e7\u00e3o musical de Alceu Maia, 32 artistas \u2013 entre cantores e instrumentistas \u2013 se irmanam nesta louva\u00e7\u00e3o a Beth Carvalho, cantora que, a partir de 1978, p\u00f4s na roda a gera\u00e7\u00e3o de bambas da gera\u00e7\u00e3o do grupo Fundo de Quintal.<br \/>\nNo mundo digital a partir de amanh\u00e3, 3 de abril, o Sambabook Beth Carvalho frui com corre\u00e7\u00e3o com doses ou maiores de brilhos individuais em solos ou em eventuais duetos como o de Maria Rita com Seu Jorge em Ainda \u00e9 tempo pra ser feliz (Arlindo Cruz, Sombra e Sombrinha, 1988).<br \/>\nH\u00e1 quem fa\u00e7a o Carnaval, como Luciana Mello, int\u00e9rprete de Firme e forte (Efson e Nei Lopes, 1983), samba foli\u00e3o que ficou meio esquecido, ainda que tenha sido regravado em 2016 por Diogo Nogueira, int\u00e9rprete de Malandro sou eu (Arlindo Cruz, Sombrinha e Franco, 1985). H\u00e1 boas surpresas como a escala\u00e7\u00e3o de Agnes Nunes para reviver As rosas n\u00e3o falam (Cartola, 1976) no estilo mais interiorizado da jovem artista baiana.<br \/>\nH\u00e1 presen\u00e7as \u00f3bvias e indispens\u00e1veis, como a do afilhado portelense de Beth, Zeca Pagodinho, que canta A chuva cai (Argemiro Patroc\u00ednio e Casquinha, 1980), sucesso da lavra de bambas da Velha Guarda da Portela \u2013 e a do Fundo do Quintal, grupo que tem a cozinha ideal para temperar Samba no Quintal (Everaldo Cruz e Toninho Nascimento, 1979).<br \/>\nDuo bamba de S\u00e3o Paulo, Prettos transita bem na rota carioca do pagode N\u00e3o quero saber mais dela (Almir Guineto e Sombrinha, 1984), partido de alto quilate que ganha versos improvisados por Magnu Sous\u00e1 e Maur\u00edlio de Oliveira. J\u00e1 o partido Goiabada casc\u00e3o (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1978) baixa o tom por carregar o sabor do preconceito musical em versos como \u201cHoje s\u00f3 tem discoth\u00e8que, s\u00f3 tem som de black, s\u00f3 imita\u00e7\u00e3o \/ J\u00e1 n\u00e3o em mais caixa de goiabada casc\u00e3o\u201d, ouvidos surpreendentemente na voz ativista de Z\u00e9lia Duncan. O samba em si \u00e9 \u00f3timo, mas essa parte da letra j\u00e1 n\u00e3o fazia sentido em 1978 por embutir cr\u00edticas ao movimento musical Black Rio e \u00e0 disco music.<br \/>\nFoi sagaz o convite para o salgueirense Xande de Pilares escalar 1.800 colinas (Gracia do Salgueiro, 1974). Voz do pagode miscigenado dos anos 2010, Ferrugem faz \u00c1gua de chuva no mar (Carlos Caetano, Wanderley Monteiro e Gerson Gomes, 1999) correr com a mesma flu\u00eancia com que o samba-enredo Nas veias do Brasil (Luiz Carlos da Vila, 1986) evolui no canto de Marina Iris com o toque da bateria da Mangueira e com cita\u00e7\u00e3o inteligente do samba-enredo Hist\u00f3ria pra ninar gente grande (Tomaz Miranda, Deivid Dom\u00eanico, Luiz Carlos M\u00e1ximo, Mama, M\u00e1rcio Bola, Ronie Oliveira, Danilo Firmino e Manu da Cu\u00edca, 2018).<br \/>\nEm tom mais sereno que ro\u00e7a a melancolia, P\u00e9ricles reacende Fogo de saudade (Sombrinha e Adilson Victor, 1986) e Jorge Arag\u00e3o reconstitui Um peda\u00e7o de ilus\u00e3o (Jorge Arag\u00e3o, Jotab\u00ea e Sombrinha, 1981). Cabe ressaltar que Arag\u00e3o forneceu grandes sucessos para Beth. O maior deles, Vou festejar (Jorge Arag\u00e3o, Dida e Neoci Dias, 1978), reaparece no Sambabook na voz da paulistana Paula Lima.<br \/>\nA sele\u00e7\u00e3o de int\u00e9rpretes inclui vozes de todo o Brasil. Se a baiana Luedji Luna adentra o quintal carioca para repisar Folhas secas (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973) com a cad\u00eancia do samba tradicional, o cearense Fagner faz O mundo \u00e9 um moinho (Cartola, 1976) girar com poesia no tom seresteiro do viol\u00e3o de Carlinhos Sete Cordas.<br \/>\nSobrinha de Beth, Lu Carvalho se junta ao bom partideiro Mosquito para se deixar levar na mar\u00e9 de Camar\u00e3o que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto Sem Bra\u00e7o e Zeca Pagodinho, 1983).<br \/>\nCom a tarimba dos pagodes da vida, Teresa Cristina carrega Saco de feij\u00e3o (Francisco Santana, 1977) com a corre\u00e7\u00e3o que pauta este Sambabook em que ningu\u00e9m inventa moda com o repert\u00f3rio lapidar de Beth Carvalho, cantora que ganhou proje\u00e7\u00e3o ao defender a can\u00e7\u00e3o Andan\u00e7a (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapaj\u00f3s) em festival de 1968 com os Golden Boys.<br \/>\nPois o trio participa deste tributo repisando os passos de Andan\u00e7a com Luana Carvalho, filha de Beth, em grava\u00e7\u00e3o que se destaca neste Sambabook que honra uma sambista que, mesmo tendo sido essencialmente int\u00e9rprete, firmou a pr\u00f3pria assinatura no samba ao dar voz a um repert\u00f3rio irretoc\u00e1vel que projetou uma gera\u00e7\u00e3o de compositores e m\u00fasicos que revolucionaram a maneira de tocar samba.<br \/>\nFoi esse repert\u00f3rio ora revitalizado no Sambabook Beth Carvalho que tornou a Madrinha uma refer\u00eancia de alta qualidade nos quintais do Brasil.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/04\/02\/beth-carvalho-e-louvada-em-correto-sambabook-que-irmana-bambas-e-estranhos-no-quintal-do-samba-carioca.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Repert\u00f3rio referencial da cantora \u00e9 revitalizado por 32 artistas em grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, produzidas por Alceu Maia sem inven\u00e7\u00f5es de moda. 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