{"id":38143,"date":"2025-04-07T15:01:36","date_gmt":"2025-04-07T18:01:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/trilha-sonora-da-novela-gabriela-faz-50-anos-como-a-mais-bela-e-memoravel-da-historia-da-teledramaturgia-brasileira\/"},"modified":"2025-04-07T15:01:36","modified_gmt":"2025-04-07T18:01:36","slug":"trilha-sonora-da-novela-gabriela-faz-50-anos-como-a-mais-bela-e-memoravel-da-historia-da-teledramaturgia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/trilha-sonora-da-novela-gabriela-faz-50-anos-como-a-mais-bela-e-memoravel-da-historia-da-teledramaturgia-brasileira\/","title":{"rendered":"Trilha sonora da novela \u2018Gabriela\u2019 faz 50 anos como a mais bela e memor\u00e1vel da hist\u00f3ria da teledramaturgia brasileira"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Grava\u00e7\u00f5es de Gal Costa, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, Maria Beth\u00e2nia, Djavan e MPB4 valorizam sele\u00e7\u00e3o musical afinada com a trama estreada em abril de 1975. Gal Costa (1945 \u2013 2022) \u00e9 a int\u00e9rprete de \u2018Modinha para Gabriela\u2019, tema de abertura da novela estreada em 14 de abril de 1975<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ Capa do disco \u2018Divina maravilhosa\u2019<br \/>\n\u266b MEM\u00d3RIA<br \/>\n\u266a L\u00e2mina afiada na grava\u00e7\u00e3o de Brasil (Cazuza, George Israel e Nilo Romero, 1987), m\u00fasica ouvida no remake da novela Vale tudo na grava\u00e7\u00e3o feita em 1988 para a vers\u00e3o original da novela, a voz imortal de Gal Costa (1945 \u2013 2022) marcou grandes momentos da teledramaturgia brasileira em uma hist\u00f3ria que completa 50 anos na pr\u00f3xima segunda-feira, 14 de abril.<br \/>\nSim, foi em 14 de abril de 1975 que a voz de Gal foi ouvida pela primeira vez na trilha sonora de uma novela da TV Globo. Naquele dia, a emissora exibiu o primeiro dos 132 cap\u00edtulos de Gabriela, primorosa adapta\u00e7\u00e3o do livro Gabriela cravo e canela (1958), um dos romances mais aclamados do escritor baiano Jorge Amado (1912 \u2013 2001).<br \/>\nTamb\u00e9m baiana, Gal era a int\u00e9rprete de Modinha para Gabriela (1975), m\u00fasica ent\u00e3o in\u00e9dita do compositor tamb\u00e9m baiano Dorival Caymmi (1914 \u2013 2008), gravada pela cantora com arranjo de Jo\u00e3o Donato (1934 \u2013 2023) para ser o tema de abertura da novela escrita por Walter George Durst (1922 \u2013 1997) e dirigida por Walter Avancini (1935 \u2013 2001).<br \/>\nRealizada com esmero para celebrar a primeira d\u00e9cada da TV Globo, emissora que entrou no ar em 26 de abril de 1965, a novela Gabriela ganhou trilha sonora \u00e0 altura da produ\u00e7\u00e3o. Produzida por Guto Gra\u00e7a Mello, essa trilha sonora original \u2013 como enfatizada na capa dupla do LP editado pela gravadora Som Livre com as 13 m\u00fasicas da novela \u2013 completa 50 anos como a mais bela da hist\u00f3ria da teledramaturgia e dos 60 anos da TV Globo. Todas as grava\u00e7\u00f5es e m\u00fasicas s\u00e3o irretoc\u00e1veis.<br \/>\nA come\u00e7ar por Modinha para Gabriela, composi\u00e7\u00e3o que associou Gal definitivamente ao universo do escritor Jorge Amado. Gal chegou a ser convidada para interpretar a personagem-t\u00edtulo Gabriela, mas recusou o convite por n\u00e3o ser atriz, abrindo caminho para que a personagem ca\u00edsse nas m\u00e3os de S\u00f4nia Braga, atriz al\u00e7ada ao estrelato a partir de ent\u00e3o.<br \/>\nCapa da edi\u00e7\u00e3o em LP do disco editado em 1975 pela gravadora Som Livre com a trilha sonora original da novela \u2018Gabriela\u2019<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nAl\u00e9m de Gal Costa, quem tamb\u00e9m debutou nas trilhas sonoras de novelas da Globo em Gabriela foi Maria Beth\u00e2nia, int\u00e9rprete da ent\u00e3o in\u00e9dita can\u00e7\u00e3o Cora\u00e7\u00e3o ateu, p\u00e9rola po\u00e9tica de Sueli Costa (1943 \u2013 2023), compositora j\u00e1 associada a Beth\u00e2nia desde a encena\u00e7\u00e3o de Rosa dos ventos \u2013 O show encantado (1971).<br \/>\nCom arranjo de Perinho Albuquerque, a grava\u00e7\u00e3o de Cora\u00e7\u00e3o ateu foi feita para a trilha sonora de Gabriela, assim como a quase totalidade dos 13 fonogramas. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 Retirada, composi\u00e7\u00e3o de Elomar, extra\u00edda do primeiro \u00e1lbum do artista baiano, \u2026Das barrancas do Rio Gavi\u00e3o (1973), editado dois anos antes. Retirada ilustrava o fluxo migrat\u00f3rio da popula\u00e7\u00e3o nordestina pelos sert\u00f5es \u00e1ridos da regi\u00e3o em busca de \u00e1gua e p\u00e3o.<br \/>\nNa trilha dessa rota, seguida pela personagem Gabriela no in\u00edcio da trama, cabia tamb\u00e9m Caravana, composi\u00e7\u00e3o de Geraldo Azevedo e Alceu Valen\u00e7a. Caravana n\u00e3o foi composta para a trilha, mas se afinou com ela ao ser gravada por Geraldo para a novela, se tornando o primeiro sucesso do artista pernambucano.<br \/>\nJ\u00e1 Alceu Valen\u00e7a figura no disco como int\u00e9rprete de outra m\u00fasica, S\u00e3o Jorge dos Ilh\u00e9us, tema da lavra de Alceu gravado sem a letra censurada por falar da tirania de Ramiro Bastos (Paulo Gracindo), coronel que simbolizava o poder totalit\u00e1rio em Ilh\u00e9us (BA), cidade onde se passava a hist\u00f3ria. Os vocalizes de Alceu valorizam grava\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica como um grito de protesto parado no ar pela repress\u00e3o da \u00e9poca.<br \/>\nTamb\u00e9m sem letra, Guitarra baiana tinha a efervesc\u00eancia r\u00edtmica do grupo Novos Baianos, no qual emergira Moraes Moreira (1947 \u2013  2000), autor e int\u00e9rprete do tema instrumental. Fora do grupo desde 1974, Moraes Moreira iniciava carreira solo naquele momento. Tamb\u00e9m sem verso, Porto \u00e9 tema de Dori Caymmi que trazia a assinatura vocal do grupo MPB4 em grava\u00e7\u00e3o que se tornou indissoci\u00e1vel da novela.<br \/>\nAl\u00e9m do alto valor art\u00edstico, a trilha sonora de Gabriela contribuiu para propagar duas novas vozes da MPB. Djavan j\u00e1 tinha sido projetado em janeiro daquele ano de 1975 com a defesa do samba autoral Fato consumado no festival Abertura, promovido pela TV Globo, mas o sucesso da grava\u00e7\u00e3o da m\u00fasica Alegre menina \u2013 composta por Dori Caymmi a partir de poema de Jorge Amado, por sugest\u00e3o de Guto Gra\u00e7a Mello \u2013 abriu caminho para que o artista alagoano lan\u00e7asse o primeiro \u00e1lbum em 1976.<br \/>\nJ\u00e1 a paraense Faf\u00e1 de Bel\u00e9m era ilustre desconhecida quando foi convidada para gravar o samba de roda Filho da Bahia, do cantor e compositor baiano Walter Queiroz. A int\u00e9rprete escalada era Maria Creuza. Mas, como Creuza ficou doente, Faf\u00e1 assumiu Filho da Bahia \u2013 em grava\u00e7\u00e3o arranjada por Guto Gra\u00e7a Mello \u2013 e conquistou o Brasil com um canto brejeiro, solar, construindo bem-sucedida carreira que completa 50 anos em 2025.<br \/>\nWalter Queiroz tamb\u00e9m figura na trilha de Gabriela como int\u00e9rprete de outro samba de roda, Quero ver subir quero ver descer, tema tradicional do Rec\u00f4ncavo Baiano adaptado por Roberto Santana, o produtor que p\u00f4s o nome de Faf\u00e1 na roda diante da impossibilidade de contar com Maria Creuza na trilha.<br \/>\nJ\u00e1 Jo\u00e3o Bosco era conhecido como compositor desde 1972 na voz de Elis Regina (1945 \u2013 1972) pela obra criada em parceria como Aldir Blanc (1946 \u2013 2020). Para a novela, a dupla comp\u00f4s Doces olheiras, m\u00fasica gravada por Bosco em clima de tango. Embora com letra escrita para a trama, a m\u00fasica nunca ficou associada \u00e0 novela e terminou esquecida, sem jamais ter sido regravada nesses 50 anos.<br \/>\nAl\u00e9m de Modinha para Gabriela, Dorival Caymmi figura com autor de outras duas composi\u00e7\u00f5es, ambos de tom melanc\u00f3lico. Horas era m\u00fasica in\u00e9dita que ganhou as vozes do Quarteto em Cy.<br \/>\nJ\u00e1 Adeus era can\u00e7\u00e3o tristonha de 1948 que ressurgiu com o canto macio de Carlos Walker em grava\u00e7\u00e3o que reverencia um certo Jo\u00e3o Gilberto (1931 \u2013 2019), cantor e violonista natural de Juazeiro (BA) e devoto do cancioneiro em que Caymmi evocou a Bahia m\u00edtica em que se ambienta Gabriela, memor\u00e1vel novela que tem na antol\u00f3gica trilha sonora um ponto luminoso e fundamental para o sucesso da adapta\u00e7\u00e3o do livro de Jorge Amado para a televis\u00e3o.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/04\/07\/trilha-sonora-da-novela-gabriela-faz-50-anos-como-a-mais-bela-e-memoravel-da-historia-da-teledramaturgia-brasileira.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grava\u00e7\u00f5es de Gal Costa, Faf\u00e1 de Bel\u00e9m, Maria Beth\u00e2nia, Djavan e MPB4 valorizam sele\u00e7\u00e3o musical afinada com a trama estreada em abril de 1975. 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