{"id":38233,"date":"2025-04-09T12:03:01","date_gmt":"2025-04-09T15:03:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/vinicius-de-moraes-tem-questionado-o-machismo-de-algumas-letras-em-ep-e-livro-que-luca-argel-lancara-em-maio\/"},"modified":"2025-04-09T12:03:01","modified_gmt":"2025-04-09T15:03:01","slug":"vinicius-de-moraes-tem-questionado-o-machismo-de-algumas-letras-em-ep-e-livro-que-luca-argel-lancara-em-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/vinicius-de-moraes-tem-questionado-o-machismo-de-algumas-letras-em-ep-e-livro-que-luca-argel-lancara-em-maio\/","title":{"rendered":"Vinicius de Moraes tem questionado o machismo de algumas letras em EP e livro que Luca Argel lan\u00e7ar\u00e1 em maio"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Cantor e escritor prop\u00f5e meiga revis\u00e3o cr\u00edtica de versos escritos pelo compositor e poeta para m\u00fasicas como \u2018Formosa\u2019, \u2018Maria Moita\u2019 e \u2018Broto maroto\u2019. Vinicius de Moraes (1913 \u2013 1980) tem obra analisada pelo cantor, compositor e escritor Luca Argel, carioca residente em Portugal<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u201cComo qualquer artista, Vinicius de Moraes \u00e9 filho de seu tempo. Um tempo onde os amores nem sempre tinham o mesmo horizonte de diversidade que temos hoje, onde os pap\u00e9is de homens e de mulheres na sociedade eram muito menos flex\u00edveis e onde certas manifesta\u00e7\u00f5es do machismo nem sequer tinham sido nomeadas ainda. Tudo isto se reflete na obra de um artista. E quando este artista \u00e9 Vinicius, o nosso Vinicius, que nos ensinou a amar, a sofrer por amor, e a ser s\u00f3 perd\u00e3o, \u00e9 preciso uma dose extra de coragem para apontar o quanto destes ensinamentos j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais lugar no nosso tempo.\u201d<br \/>\n\u266b AN\u00c1LISE<br \/>\n\u266a Com as palavras reproduzidas acima, Luca Argel procura contextualizar \u2013 com argumento que j\u00e1 serve de defesa para poss\u00edveis ataques desferidos no ringue das redes sociais \u2013 o sentido do EP e do livro que lan\u00e7ar\u00e1 em maio. Agendado para 9 de maio, o EP Meigo energ\u00fameno \u2013 Luca Argel canta Vinicius descende do ensaio escrito por Argel e publicado no livro Meigo energ\u00fameno \u2013 Notas para uma leitura antimachista de Vinicius de Moraes, tamb\u00e9m previsto para ser lan\u00e7ado na primeira quinzena de maio.<br \/>\nCantor, compositor e escritor carioca residente em Portugal h\u00e1 cerca de dez anos, Luca Argel evidencia e questiona no disco e no ensaio \u2013 produto de disserta\u00e7\u00e3o publicada em 2016 \u2013 o machismo entranhado em parte do cancioneiro de Vinicius de Moraes (19 de outubro de 1913 \u2013 9 de julho de 1980).<br \/>\nVinicius foi poeta e compositor carioca que contribuiu decisivamente a partir dos anos 1950 para a renova\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira \u2013 sobretudo atrav\u00e9s da parceria fundamental com Antonio Carlos Jobim (1927 \u2013 1994) \u2013 na seara das letras, umas escritas com a leveza pedida pela bossa nova, outras em tom mais dram\u00e1tico. E algumas outras escritas com vis\u00e3o afinada com o machismo estrutural enraizado na sociedade patriarcal brasileira \u2013 objeto da carinhosa (e corajosa) revis\u00e3o cr\u00edtica proposta por Luca Argel no EP Meigo energ\u00fameno e no livro.<br \/>\nComo justificar \u00e0 luz politicamente correta de 2025 versos como os de \u201cDeus fez primeiro o homem\/ A mulher nasceu depois\/ E \u00e9 por isso que a mulher\/ Trabalha sempre pelos dois\/ O homem acaba de chegar, t\u00e1 com fome\/ A mulher tem que olhar pelo homem \/ E \u00e9 deitada, em p\u00e9\/ Mulher tem \u00e9 que trabalhar\u201d, presentes na letra de Maria Moita, m\u00fasica composta por Vinicius em 1963, em parceria com Carlos Lyra (1933 \u2013 2023), para a trilha sonora do musical Pobre menina rica (1964).<br \/>\nMesmo que escritos em fict\u00edcio contexto dramat\u00fargico, tais versos refletem mais a vis\u00e3o machista do homem do que a da personagem da m\u00fasica. Maria Moita \u00e9 uma das seis m\u00fasicas cantadas por Luca Argel no EP Meigo energ\u00fameno, editado pelo selo Aurita Records, de C\u00e9sar Lacerda.<br \/>\nTempo de amor (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), Formosa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1965) \u2013 m\u00fasica de letra cujos versos \u201cFormosa, n\u00e3o faz assim \/ Carinho n\u00e3o \u00e9 ruim \/ Mulher que nega n\u00e3o sabe, n\u00e3o \/ Tem uma coisa de menos no seu cora\u00e7\u00e3o \/ A gente nasce, a gente cresce \/ A gente quer amar \/ Mulher que nega \/ Nega o que n\u00e3o \u00e9 para negar\u201d s\u00e3o contr\u00e1rios ao respeito do \u201cn\u00e3o \u00e9 n\u00e3o\u201d,  regra b\u00e1sica do movimento feminista \u2013 e Medo de amar (Vinicius de Moraes, 1958).<br \/>\nSem falar na esquec\u00edvel Broto maroto (1965), outra parceria de Carlos Lyra com Vinicius, autor dos versos \u201cEmbora eu lhe tenha carinho \/ E ela s\u00f3 cuide de mim \/ Eu j\u00e1 tenho muito brotinho \/ Plantado no meu jardim\u201d, lembran\u00e7as de flerte fugaz do poeta com o universo juvenil do pop rock brasileiro da d\u00e9cada de 1960.<br \/>\nTantas o poeta fez em favor do modus operandi masculino que, em Regra tr\u00eas (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971), o compositor alerta o rapaz da letra para os efeitos mal\u00e9ficos do abuso dessas regras de conduta masculina que j\u00e1 caducaram no c\u00f3digo social.<br \/>\nEnfim, antes de jogar Vinicius de Moraes na fogueira dos tribunais das redes socais, \u00e9 preciso contextualizar essas letras machistas no tempo social em que foram escritas. O que jamais invalida a meiga revis\u00e3o cr\u00edtica proposta por Luca Argel no livro e no disco Meigo energ\u00fameno, cujo titulo alude a um trecho de poema de 1943, Elegia ao primeiro amigo (\u201cSou um meigo energ\u00fameno. At\u00e9 hoje s\u00f3 bati numa mulher. Mas com singular delicadeza. N\u00e3o sou bom nem mau: sou delicado. Preciso ser delicado\u201d).<br \/>\nPor ousar questionar sem sensacionalismo o teor machista de parte da da po\u00e9tica de um \u00edcone da m\u00fasica brasileira, Luca Argel merece aten\u00e7\u00e3o. Sauda\u00e7\u00f5es a quem tem dose extra de coragem em um tempo em que a grande maioria prefere o sil\u00eancio providencial\u2026<br \/>\nCapa do EP \u2018Meigo energ\u00fameno \u2013 Luca Argel canta Vinicius\u2019, de Luca Argel<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/04\/09\/vinicius-de-moraes-tem-questionado-o-machismo-de-algumas-letras-em-ep-e-livro-que-luca-argel-lancara-em-maio.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cantor e escritor prop\u00f5e meiga revis\u00e3o cr\u00edtica de versos escritos pelo compositor e poeta para m\u00fasicas como \u2018Formosa\u2019, \u2018Maria Moita\u2019 e \u2018Broto maroto\u2019. 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