{"id":38318,"date":"2025-04-11T03:03:18","date_gmt":"2025-04-11T06:03:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/rappers-nao-escrevem-mais-letras-como-o-punch-in-esta-mudando-a-forma-de-fazer-rap\/"},"modified":"2025-04-11T03:03:18","modified_gmt":"2025-04-11T06:03:18","slug":"rappers-nao-escrevem-mais-letras-como-o-punch-in-esta-mudando-a-forma-de-fazer-rap","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/rappers-nao-escrevem-mais-letras-como-o-punch-in-esta-mudando-a-forma-de-fazer-rap\/","title":{"rendered":"Rappers n\u00e3o escrevem mais letras? Como o \u2018punch-in\u2019 est\u00e1 mudando a forma de fazer rap"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Avan\u00e7o da tecnologia fez com que letras de rap ficassem mais \u2018improvisadas\u2019. Ao g1, Negra Li, Major RD e Brocasito explicam se tend\u00eancia que domina EUA tem vez no Brasil. Do protesto ao lifestyle: como a t\u00e9cnica de Punch-In mudou o jeito de fazer rap<br \/>\nDesde que o rap \u00e9 rap, o estilo foi pautado pela for\u00e7a das narrativas e da escrita. S\u00e3o letras que mesclavam a realidade das ruas com met\u00e1foras e outras figuras de linguagem. Ser um bom rapper era ter autenticidade e habilidade para criar esses versos.<br \/>\nMas a tecnologia e a mudan\u00e7a no perfil dos ouvintes de rap parecem estar abrindo espa\u00e7o para uma outra forma de criar: o \u201cpunch-in\u201d. N\u00e3o tem caneta ou papel. Hoje, para a maioria dos rappers americanos as m\u00fasicas s\u00e3o criadas com microfone e batida, tudo improvisado.<br \/>\nGrandes nomes internacionais do estilo como Doechii, Lil Wayne e Jay-Z confirmaram isso em entrevistas recentes. No Brasil, Major RD e Mc Cabelinho est\u00e3o entre os adeptos do \u201cpunch-in\u201d.<br \/>\n\u201cEu tinha mais facilidade de fazer rima na hora do que compor\u201d, contextualiza Major RD ao g1. \u201cQuando eu fazia m\u00fasica com os caras, eu ficava ali enrolando, mexendo no telefone fingindo que estava escrevendo, quando chegava a hora de gravar eu come\u00e7ava a rimar na hora.\u201d<br \/>\nHoje, grandes nomes da ind\u00fastria nacional e mundial do rap como Doechii, Playboi Carti,  utilizam da t\u00e9cnica conhecida como \u201cpunch-in\u201d para criar suas m\u00fasicas e atingir n\u00fameros astron\u00f4micos. Entenda:<br \/>\nMas o que \u00e9 o \u2018punch-in\u2019?<br \/>\nO \u201cPunch-In\u201d, ou \u201cfreestyle\u201d, \u00e9 uma t\u00e9cnica de cria\u00e7\u00e3o musical levada no improviso, utilizando a batida instrumental;<br \/>\nOs versos n\u00e3o s\u00e3o escritos no processo, apenas gravados em partes curtas, muitas vezes com trechos balbuciados, sem palavras;<br \/>\nAntes, com as limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, os rappers chegavam com letras prontas para as sess\u00f5es de est\u00fadio;<br \/>\nHoje, \u00e9 poss\u00edvel fazer quantas regrava\u00e7\u00f5es o artista quiser, dispensando a necessidade de uma composi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via.<br \/>\nJay-Z foi um dos primeiros a popularizar esse m\u00e9todo nos anos 1990. Conhecido por improvisar suas letras com base em experi\u00eancias pessoais, ele inspirou as gera\u00e7\u00f5es seguintes.<br \/>\nJay-Z durante a cerim\u00f4nia do Hall da Fama do Rock, em 2021<br \/>\nDavid Richard\/AP<br \/>\nTravis Scott foi testemunha da grava\u00e7\u00e3o de \u201cMagna Carta\u201d, \u00e1lbum ic\u00f4nico de Jay-Z. \u201cEu achava que essa hist\u00f3ria de freestyle era mito at\u00e9 ver ele entrar no est\u00fadio\u2026 mano, ele improvisou durante o \u00e1lbum todo\u201d, disse Scott a uma r\u00e1dio americana. Ele produziu algumas faixas do disco.<br \/>\nA exist\u00eancia do \u201cpunch-in\u201d s\u00f3 foi poss\u00edvel por conta da moderniza\u00e7\u00e3o das grava\u00e7\u00f5es. Antes, m\u00fasicas eram gravadas de forma anal\u00f3gica em fita. O processo era muito mais complexo e caro, ent\u00e3o o rapper tinha que chegar com tudo j\u00e1 criado.<br \/>\nIsso obrigava os artistas a chegarem com letras praticamente prontas, j\u00e1 que havia uma escassez na disponibilidade de hor\u00e1rio nos est\u00fadios e a hora era muito cara.<br \/>\n\u201cSe voc\u00ea est\u00e1 sentindo o beat e improvisa ali na hora, isso pode ser t\u00e3o bom quanto uma composi\u00e7\u00e3o\u201d, opina Brocasito, rapper e produtor baiano, em entrevista ao g1.<br \/>\nCom o digital, foi poss\u00edvel usar m\u00faltiplas grava\u00e7\u00f5es sobrepostas, t\u00e9cnica conhecida como \u201cmultitrack\u201d. O recurso possibilitou que artistas tivessem mais liberdade criativa para explorar rimas variadas em cima das batidas.<br \/>\nDe Jay-Z ao SoundCloud<br \/>\nO \u201cpunch-in\u201d ganhou ainda mais for\u00e7a nos anos 2000 com nomes como Lil Wayne, Young Thug e Future, sendo impulsionada pelos \u201cSoundCloud rappers\u201d na d\u00e9cada de 2010.<br \/>\nO SoundCloud, plataforma de publica\u00e7\u00e3o de \u00e1udio, e a facilidade de encontrar na internet ferramentas de produ\u00e7\u00e3o musical indicaram uma nova era no rap. Com isso, jovens talentos lan\u00e7aram suas primeiras grava\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEsse movimento fez nascer o trap e as letras improvisadas sobre lifestyle, objetivos de vida e sa\u00fade mental. Chief Keef, Xxxtentacion, Juice WRLD e Playboi Carti s\u00e3o alguns dos representantes dessa leva.<br \/>\nApesar de ser n\u00e3o ser uma novidade no rap, o punch-in n\u00e3o \u00e9 bem aceito por alguns veteranos. O produtor americano Just Blaze j\u00e1 disse que \u201cnem todos s\u00e3o bons ou capazes de fazer isso\u201d. Ou seja, h\u00e1 rappers que v\u00e3o para frente do microfone sem letras escritas pensando que s\u00e3o o Jay-Z. Obviamente, est\u00e3o bem longe disso.<br \/>\nE no Brasil?<br \/>\nPor aqui, a hist\u00f3ria \u00e9 parecida, mas envolve um tempero brasileiro. Os Racionais MC\u2019s tinha suas letras (escritas antes das grava\u00e7\u00f5es) focadas na narrativa e na realidade que viviam.<br \/>\nOutros nomes como Tha\u00edde, GOG e Fac\u00e7\u00e3o Central tinham acesso limitado a grandes est\u00fadios. Ent\u00e3o, tudo precisava ser muito bem ensaiado, para n\u00e3o rolarem erros.<br \/>\n As batalhas de rima e a tecnologia, claro, mudaram um pouco essa mentalidade. Rappers como Emicida costumam anotar pequenas frases em cadernos e desenvolviam o restante da letra em est\u00fadio. Outros, inspirados pelos \u00eddolos americanos, passaram fazer tudo totalmente no improviso.<br \/>\nO que dizem os rappers brasileiros?<br \/>\nNegra Li<br \/>\nA cantora Negra Li<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nPara a cantora e compositora Negra Li, essa t\u00e9cnica sempre existiu como recurso dos artistas de destravarem bloqueios criativos.<br \/>\nEla, que despontou nos anos 2000 e segue em atividade, diz que utiliza o \u201cpunch-in\u201d. Mesmo assim, ela v\u00ea com cautela o uso: letras que utilizam dados hist\u00f3ricos precisariam de \u201cum estudo maior\u201d.<br \/>\nMesmo assim, ela n\u00e3o condena os artistas novos que utilizam. \u201cEu n\u00e3o vou nunca criticar quem est\u00e1 fazendo, quem t\u00e1 vencendo, quem est\u00e1 contrariando as estat\u00edsticas. \u00c9 melhor essa pessoa estar usando da arte dela para fazer o seu dinheiro do que estar fazendo algo criminoso.\u201d<br \/>\nMajor RD<br \/>\nMajor RD em sess\u00e3o de est\u00fadio<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ redes sociais<br \/>\nPara o rapper carioca Major RD, cria das batalhas de rima e apadrinhado pelo rapper Xam\u00e3, ele \u00e9 um infiltrado no sistema mainstream. A ideia, segundo ele, \u00e9 \u201chackear o sistema\u201d.<br \/>\nInspirado por bandas de rock como Kiss e Slipknot, Major v\u00ea no \u201cpunch-in\u201d uma forma de conseguir improvisar com rimas fortes em cima dos beats en\u00e9rgicos. Ele se empolga com o momento em que est\u00e1 vivendo em est\u00fadio e consegue passar a sensa\u00e7\u00e3o de viver intensamente a vida.<br \/>\nEle enxerga nas batalhas de rima a principal forma de melhorar a capacidade de improvisar. Em casa, ele tamb\u00e9m costuma deixar um filme no mudo e tentar improvisar dublagens. S\u00e3o exerc\u00edcios que, segundo ele, podem aumentar a t\u00e9cnica e melhorar o desempenho no est\u00fadio.<br \/>\n\u201cAs minhas m\u00fasicas \u2018s\u00f3 rock\u2019, todas as tr\u00eas s\u00e3o m\u00fasicas completamente zoeira\u2026 Mas a\u00ed se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, em algum momento vai ter uma cr\u00edtica, sobre o presidente, pol\u00edcia, ou governo\u201d, ele exemplifica.<br \/>\n\u201cExistem novos consumidores no rap e eles n\u00e3o querem ouvir m\u00fasica sobre cr\u00edtica social, t\u00e1 ligado? Eles consomem mais esse tipo de rima porque eles se identificam mais esse estilo de vida. Eles n\u00e3o vivem o caos que a gente vive na favela. Essa galera nova\u2026 a playboyzada.\u201d<br \/>\nBrocasito<br \/>\nRapper Brocasito divulga imagens do seu \u00e1lbum #OCARAMAU<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ M\u00eddias sociais<br \/>\nBrocasito, rapper e produtor oriundo de Juazeiro (BA), conheceu a m\u00fasica por meio da igreja e come\u00e7ou a lan\u00e7ar projetos na cena underground do trap aos 15 anos.<br \/>\nPara ele, o \u201cpunch-in\u201d \u00e9 o carro-chefe da sua forma de criar m\u00fasica. Ele acrescenta que os \u201csoftwares pirateados\u201d foram importantes para dar uma chance aos artistas perif\u00e9ricos.<br \/>\n\u201cAcho que flui melhor: voc\u00ea grava na hora pelo celular, sem muita complica\u00e7\u00e3o. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea ter ali e ter a vibe do seu som e o que voc\u00ea quer passar.\u201d<br \/>\nMais do que uma tend\u00eancia passageira, o \u201cpunch-in\u201d se tornou mais uma ferramenta na cria\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. Uma ferramenta que dominou os est\u00fadios americanos, mas ainda busca mais espa\u00e7o no Brasil.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/04\/11\/rappers-nao-escrevem-mais-letras-como-o-punch-in-esta-mudando-a-forma-de-fazer-rap.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7o da tecnologia fez com que letras de rap ficassem mais \u2018improvisadas\u2019. Ao g1, Negra Li, Major RD e Brocasito explicam se tend\u00eancia que domina EUA tem vez no Brasil. 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