{"id":38418,"date":"2025-04-13T15:03:21","date_gmt":"2025-04-13T18:03:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/a-historia-da-cena-mais-infame-do-cinema-e-seu-impacto-em-maria-schneider-atriz-principal\/"},"modified":"2025-04-13T15:03:21","modified_gmt":"2025-04-13T18:03:21","slug":"a-historia-da-cena-mais-infame-do-cinema-e-seu-impacto-em-maria-schneider-atriz-principal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/a-historia-da-cena-mais-infame-do-cinema-e-seu-impacto-em-maria-schneider-atriz-principal\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da \u2018cena mais infame do cinema\u2019 (e seu impacto em Maria Schneider, atriz principal)"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     \u2018Meu nome \u00e9 Maria\u2019, um novo filme estrelado por Matt Dillon e Anamaria Vartolomei, explora a vida de Maria Schneider e a filmagem de uma das produ\u00e7\u00f5es mais famosas da hist\u00f3ria do cinema.<br \/>\n Maria Schneider protagonizou o filme \u00daltimo Tango em Paris, drama er\u00f3tico de 1972<br \/>\nGetty Images<br \/>\nPode ser a cena mais infame de toda a hist\u00f3ria do cinema.<br \/>\nO drama sexualmente expl\u00edcito \u00daltimo Tango em Paris, do diretor italiano Bernardo Bertolucci, lan\u00e7ado em 1972, \u00e9 a hist\u00f3ria de um affair entre um homem de meia-idade, Paul, e uma jovem chamada Jeanne, em um apartamento da capital francesa.<br \/>\nA famosa \u201ccena da manteiga\u201d n\u00e3o estava no roteiro original, e algumas partes dela foram feitas sem o consentimento pr\u00e9vio da atriz Maria Schneider, que tinha 19 anos na \u00e9poca.<br \/>\nAviso: esta reportagem cont\u00e9m refer\u00eancias a agress\u00f5es sexuais que podem ser consideradas perturbadoras por alguns leitores<br \/>\nSchneider sofreu com a depend\u00eancia qu\u00edmica e transtornos de sa\u00fade mental durante anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do filme, mas sua hist\u00f3ria e da produ\u00e7\u00e3o de \u00daltimo Tango em Paris est\u00e3o sendo contadas agora no filme Meu nome \u00e9 Maria.<br \/>\nO longa \u00e9 protagonizado por Matt Dillon, que interpreta Marlon Brando, ator que fez o papel de Paul, e Anamaria Vartolomei, que d\u00e1 vida a Schneider. A diretora francesa do filme, Jessica Palud, adaptou a hist\u00f3ria de um livro de mem\u00f3rias de 2018 da jornalista Vanessa Schneider, prima de Maria.<br \/>\n\u201cAcho que temos que analisar o contexto da \u00e9poca de \u00daltimo Tango em Paris, j\u00e1 se passaram cinquenta anos desde que o filme foi feito\u201d, afirmou Matt Dillon \u00e0 BBC.<br \/>\n\u201cEra uma \u00e9poca diferente, mas \u00e9 muito importante olhar para ela agora de uma perspectiva diferente.\u201d<br \/>\n\u201cFoi uma experi\u00eancia muito traum\u00e1tica para ela. E n\u00e3o apenas no momento em que aconteceu, mas porque continuou a persegui-la e assombr\u00e1-la ao longo da vida, por onde quer que ela passasse, de v\u00e1rias maneiras.\u201d<br \/>\nMeu nome \u00e9 Maria conta a hist\u00f3ria de Schneider e da filmagem de \u00daltimo Tango em Paris<br \/>\nKino Lorber<br \/>\nMeu nome \u00e9 Maria explora as origens de Schneider. A atriz \u00e9 fruto de um affaire entre um famoso ator franc\u00eas, Daniel G\u00e9lin, e uma modelo romena. Ela conheceu o pai quando era adolescente, e ele a apresentou aos sets de filmagem.<br \/>\nO \u00daltimo Tango em Paris foi seu primeiro papel de destaque.<br \/>\nEm uma entrevista em 2007, quando tinha 50 anos, ela contou que a convenceram a aceitar o papel, em vez de protagonizar um filme com o astro do cinema franc\u00eas Alain Delon \u2014 e disse que, aos 19 anos, \u201cn\u00e3o entendia todo o conte\u00fado sexual do filme\u201d.<br \/>\n\u201cTinha um mau pressentimento\u201d, ela afirmou, mas sua ag\u00eancia disse que ela n\u00e3o poderia recusar um trabalho com Marlon Brando, um dos maiores astros do cinema do s\u00e9culo 20.<br \/>\nSchneider recordou o que aconteceu no dia da filmagem daquela cena, em que sua personagem \u00e9 estuprada por Brando, usando manteiga como lubrificante.<br \/>\n\u201cEssa cena n\u00e3o estava no roteiro original. A verdade \u00e9 que foi Marlon quem teve a ideia. S\u00f3 me contaram antes de filmarmos a cena, e eu fiquei com muita raiva\u2026 Me senti humilhada e, para ser sincera, me senti um pouco estuprada, tanto por Marlon quanto por Bertolucci\u201d, ela afirmou.<br \/>\n\u201cDepois da cena, Marlon n\u00e3o me consolou nem pediu desculpas.\u201d<br \/>\n\u201cMarlon me disse: \u2018Maria, n\u00e3o se preocupe, \u00e9 apenas um filme\u2019, mas durante a cena, mesmo sabendo que o que Marlon estava fazendo n\u00e3o era real, eu chorava com l\u00e1grimas de verdade.\u201d<br \/>\n\u201cFelizmente, houve apenas uma tomada.\u201d<br \/>\nMarlon Brando recebeu uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar por seu papel em \u00daltimo Tango em Paris<br \/>\nGetty Images<br \/>\nMais tarde, Bertolucci falaria sobre o motivo de ter ocultado detalhes da cena para Schneider, dizendo: \u201cEu queria que ela reagisse como uma garota, n\u00e3o como uma atriz. Queria que ela reagisse humilhada\u201d. E insistiu que foi apenas o uso da manteiga que havia surpreendido a atriz. Mas, para Matt Dillon, o que aconteceu foi \u201cmuito errado\u201d.<br \/>\n\u201c\u00c9 algo que n\u00f3s, atores, fazemos com frequ\u00eancia, n\u00e3o contamos ao outro ator, ou o diretor nos incentiva a n\u00e3o revelar o que vamos fazer, para que possamos ter uma rea\u00e7\u00e3o real\u201d, diz ele. \u201cMas foi muito errado, em uma cena t\u00e3o delicada, fazer algo assim.\u201d<br \/>\nJessica Palud disse \u00e0 BBC que a recria\u00e7\u00e3o da cena do estupro \u201cn\u00e3o podia ser evitada\u201d em Meu nome \u00e9 Maria. Mas, desta vez, o p\u00fablico v\u00ea o ocorrido da perspectiva de Maria Schneider.<br \/>\n\u201cN\u00e3o podia evitar filmar esta cena porque foi o exato momento em que a vida dela mudou completamente. A partir da\u00ed, tudo d\u00e1 errado\u201d, diz Palud.<br \/>\n\u201cEra importante fazer a cena do ponto de vista dela, do seu corpo, do seu olhar, o que ela passou, e o fato de que havia testemunhas. Maria estava sendo agredida na presen\u00e7a de toda a equipe, que estava observando, e n\u00e3o estava reagindo.\u201d<br \/>\nDesta vez, a cena foi preparada em parceria com um coordenador de intimidade \u2014 Dillon, de 61 anos, conta ter sido a primeira vez que trabalhou com este tipo de profissional.<br \/>\nO uso de um coordenador de intimidade, que atua como core\u00f3grafo e mediador entre os atores e a produ\u00e7\u00e3o durante cenas simuladas de sexo e nudez, \u00e9 cada vez mais comum no setor desde o movimento #MeToo.<br \/>\nAgora vira not\u00edcia quando eles s\u00e3o recusados, como por Mikey Madison no filme Anora, vencedor do Oscar, ou quando Gwyneth Paltrow revelou que disse a um deles para \u201cse afastar um pouco\u201d durante as cenas de sexo com Timoth\u00e9e Chalamet em Marty Supreme.<br \/>\n\u201cN\u00e3o acho que seja uma coisa ruim, acho que pode evoluir para algo bom\u201d, diz Dillon sobre o uso de coordenadores de intimidade.<br \/>\n\u201cParece que eles est\u00e3o l\u00e1 para evitar que as pessoas ultrapassem os limites, mas na verdade est\u00e3o criando limites que oferecem oportunidades para diferentes maneiras de abordar essas cenas. Espero que seja assim que as coisas evoluam, em vez de as pessoas sentirem que \u2018eles est\u00e3o aqui para nos dizer o que podemos e o que n\u00e3o podemos fazer\u2019. E Anamaria e eu nos sentimos muito \u00e0 vontade.\u201d<br \/>\nAnamaria Vartolomei, que interpreta Maria Schneider no novo filme, diz que, embora tenha se sentido \u201csegura, protegida e orientada\u201d ao gravar a cena de estupro em Meu nome \u00e9 Maria, ainda assim ficou mal. \u201cEssa cena foi realmente violenta\u201d, afirmou ela \u00e0 BBC.<br \/>\n\u201cN\u00e3o consigo imaginar o que foi para Maria, pois ela sentiu isso de verdade. Estou apenas interpretando. Mas isso realmente aconteceu com ela, e ela n\u00e3o tinha ningu\u00e9m ao seu redor. As pessoas estavam apenas olhando para ela sem fazer nada. Acho que a viol\u00eancia foi em dobro porque ela n\u00e3o tinha o apoio que eu tinha no set, e ainda assim foi muito dif\u00edcil para mim.\u201d<br \/>\n\u201cEu estava muito emotiva naquele dia. N\u00e3o conseguia parar de chorar, acho que acumulei a viol\u00eancia da cena quando vi na tela. Quando tive que interpret\u00e1-la, as l\u00e1grimas vieram \u00e0 tona. Acho que \u00e9 muito brutal. E \u00e9 insano pensar que algu\u00e9m possa fazer isso.\u201d<br \/>\nMeu nome \u00e9 Maria \u00e9 baseado em um livro escrito por Vanessa Schneider, prima de Maria Schneider<br \/>\nKino Lorber<br \/>\nFama da noite para o dia<br \/>\nMaria Schneider n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o recebeu apoio profissional no set, como tamb\u00e9m n\u00e3o tinha experi\u00eancia suficiente para saber que Bertolucci n\u00e3o podia obrig\u00e1-la a fazer a cena. \u201cDevia ter ligado para o meu agente ou pedido ao meu advogado para ir ao set, porque n\u00e3o se pode obrigar algu\u00e9m a fazer algo que n\u00e3o est\u00e1 no roteiro, mas na \u00e9poca eu n\u00e3o sabia disso\u201d, ela diria mais tarde.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a sensa\u00e7\u00e3o causada pelo filme \u00daltimo Tango em Paris, quando estreou em outubro de 1972, tamb\u00e9m acabaria com Schneider. Apesar de (ou gra\u00e7as a) ter sido proibido ou restringido em alguns pa\u00edses, o filme arrecadou cerca de US$ 36 milh\u00f5es em bilheteria somente nos EUA. Na Fran\u00e7a, foi noticiado que o p\u00fablico chegava a esperar mais de duas horas na fila para conseguir um ingresso.<br \/>\nA disparidade entre Bertolucci, Brando e Schneider ficou evidente: a rea\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica ao filme consolidou a reputa\u00e7\u00e3o de Bertolucci como cineasta internacional, e tanto ele quanto Brando foram indicados ao Oscar pelo longa.<br \/>\nBrando \u2014 que fez O Poderoso Chef\u00e3o, de Francis Ford Coppola, na mesma \u00e9poca \u2014 teria ganhado cerca de US$ 3 milh\u00f5es com \u00daltimo Tango em Paris, j\u00e1 que ficou com uma parte dos lucros; Schneider lembra que recebeu cerca de US$ 4 mil. Ela fez nu frontal; Brando nunca apareceu nu no filme.<br \/>\nSchneider afirmou em entrevistas que, na \u00e9poca das filmagens, n\u00e3o entendia todo o conte\u00fado sexual do filme<br \/>\nGetty Images<br \/>\nA jovem achou cada vez mais dif\u00edcil lidar com a fama que alcan\u00e7ou da noite para o dia. Quando o filme foi lan\u00e7ado, ela disse aos entrevistadores, que havia dormido com 50 homens e 20 mulheres, e \u201cexperimentado hero\u00edna\u201d, porque, conforme explicou mais tarde, embora isso n\u00e3o fosse verdade, ela era vista como \u201cum s\u00edmbolo sexual\u201d.<br \/>\nSeu comportamento err\u00e1tico, segundo ela, era devido ao medo. \u201cSer famosa de repente no mundo todo era assustador\u201d, ela disse. \u201cEu n\u00e3o tinha guarda-costas como os de hoje. As pessoas achavam que eu era igual \u00e0 minha personagem, e eu inventava hist\u00f3rias para a imprensa, mas aquela n\u00e3o era eu\u2026 Me deixou louca. Me envolvi com drogas\u2026 era como uma fuga da realidade. Era a d\u00e9cada de 1970 e, naquela \u00e9poca, tudo isso estava acontecendo.\u201d<br \/>\nVanessa Schneider, prima da atriz, disse que Maria tamb\u00e9m foi v\u00edtima do sistema de dois pesos e duas medidas da \u00e9poca: \u201cPara os espectadores puritanos, ela era uma mulher f\u00e1cil que fazia pornografia. Foi brutal para ela, especialmente porque isso n\u00e3o fazia parte da natureza dela \u2014 ela era muito modesta, reservada e bastante conservadora em certos aspectos\u201d.<br \/>\n\u201cAs pessoas achavam que eu era como a garota do filme, mas aquela n\u00e3o era eu\u201d, declarou Maria Schneider em uma entrevista de 2007. \u201cEu me sentia muito triste porque era tratada como um s\u00edmbolo sexual, e eu queria ser reconhecida como atriz. Todo o esc\u00e2ndalo e desdobramentos do filme me deixaram um pouco louca, e tive um colapso.\u201d Schneider tamb\u00e9m revelou que tentou tirar sua vida durante esse per\u00edodo.<br \/>\nSchneider morreu de c\u00e2ncer em 2011, aos 58 anos<br \/>\nGetty Images<br \/>\nA cultura no set de filmagem<br \/>\nMais tarde, Schneider ficaria s\u00f3bria, mas apesar de ter feito cerca de 50 filmes durante sua carreira (incluindo o longa aclamado pela cr\u00edtica Profiss\u00e3o: Rep\u00f3rter, de 1975, com Jack Nicholson), ela comentou que \u201c\u00daltimo Tango em Paris ainda \u00e9 o filme sobre o qual todo mundo me pergunta\u201d. Ela morreu em 2011, v\u00edtima de c\u00e2ncer.<br \/>\n\u201cO lament\u00e1vel \u00e9 que Maria Schneider teve um desempenho incr\u00edvel nesse filme, e voc\u00ea pode ver como sua carreira poderia ter tomado um rumo diferente\u201d, diz Matt Dillon, que interpreta Brando no novo filme.<br \/>\n\u201cMas ela j\u00e1 tinha sofrido tantos golpes. Sua fam\u00edlia era muito complicada. Ela foi abandonada pelos pais, e depois pelas pessoas com quem trabalhava. Acho que esse abandono a perseguiu.\u201d<br \/>\nSchneider n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica atriz daquela \u00e9poca que sofreu por causa do alarde em torno do filme er\u00f3tico que estrelou \u2014 Sylvia Kristel tamb\u00e9m teve dificuldade para escapar do esc\u00e2ndalo gerado pelo filme de soft porn Emmanuelle, de 1974, no qual ela era protagonista, e que tamb\u00e9m contava com uma cena de estupro.<br \/>\nN\u00e3o foram apenas as mulheres que sofreram ao fazer filmes com conte\u00fado sexual; Schneider diria mais tarde que \u201cat\u00e9 Brando disse que se sentiu estuprado e manipulado\u201d durante a infame cena da manteiga.<br \/>\nSchneider, Brando e Bertolucci no set de filmagem de \u00daltimo Tango em Paris<br \/>\nGetty Images<br \/>\n\u201cFoi uma era de diretores famosos\u201d, conta Anna Smith, apresentadora do podcast Girls on Film, \u00e0 BBC. \u201cE o padr\u00e3o parece ser principalmente o de diretores homens dominadores que exploram e intimidam atrizes mais jovens. A autoridade desses homens aclamados permitia a eles exercer controle sobre as mulheres.\u201d<br \/>\n\u201cT\u00ednhamos essa ideia do criador, do diretor que tem o poder supremo\u201d, acrescenta Vartolomei. \u201cE que era uma esp\u00e9cie de guru, e que todas as pessoas ao seu redor o escutavam como se fosse Deus. Acho que esse era o problema naquela \u00e9poca. Agora estamos mais protegidas, e nossa voz \u00e9 ouvida e tamb\u00e9m valorizada, o que n\u00e3o acontecia naquele momento.\u201d<br \/>\nMas a diretora de Meu nome \u00e9 Maria, Jessica Palud, ressalta que um dos aspectos mais extraordin\u00e1rios da personagem de Schneider \u00e9 que, muito antes da era #MeToo, ela estava falando sobre o que aconteceu no set de filmagem de \u00daltimo Tango em Paris.<br \/>\n\u201cO que eu realmente achei interessante e comovente nela \u00e9 que, apesar de ter sido na d\u00e9cada de 1970, e naquela \u00e9poca muitas atrizes jovens eram agredidas ou estupradas, mas se calavam, Maria era extremamente direta e clara nas entrevistas\u2026 ela falava, mas n\u00e3o era ouvida.\u201d<br \/>\nSchneider atuou em mais de 50 filmes ao longo de sua carreira<br \/>\nGetty Images<br \/>\nA experi\u00eancia de Schneider em \u00daltimo Tango em Paris acabou sendo levada a s\u00e9rio em 2016, quando veio \u00e0 tona um v\u00eddeo da entrevista de Bertolucci em 2013 \u00e0 Cin\u00e9math\u00e8que Fran\u00e7aise sobre a cena infame e seu desejo de que a humilha\u00e7\u00e3o de Schneider fosse real. Desta vez, causou indigna\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAlguns n\u00e3o perceberam que a cena de sexo, embora traum\u00e1tica, foi apenas simulada por Brando e Schneider. O diretor, ent\u00e3o com 76 anos, classificou o furor de \u201crid\u00edculo\u201d, e reiterou que Schneider sabia da cena de antem\u00e3o.<br \/>\nOs tr\u00eas protagonistas do esc\u00e2ndalo de \u00daltimo Tango em Paris \u2014 Bertolucci, Brando e Schneider \u2014 j\u00e1 morreram.<br \/>\nSabendo que o horror, o choque, a tristeza e a f\u00faria que se v\u00ea no rosto de Maria Schneider s\u00e3o reais e deliberadamente provocados, ser\u00e1 que o filme, como ponderou o jornal franc\u00eas Le Monde ap\u00f3s o cancelamento de uma exibi\u00e7\u00e3o em 2024 em Paris devido a protestos, deveria conter algum tipo de advert\u00eancia?<br \/>\n\u201cH\u00e1 muito tempo acho que \u00e9 preciso reavaliar o c\u00e2none percebido dos grandes nomes do cinema pois ele vem de um lugar inerentemente patriarcal\u201d, diz Smith. \u201cAcho que \u00e9 saud\u00e1vel revisitar os cl\u00e1ssicos a partir de uma perspectiva moderna; espero que nossa compreens\u00e3o dos danos que podem ser causados por certas atitudes e pr\u00e1ticas tenha evolu\u00eddo.\u201d<br \/>\nMeu nome \u00e9 Maria, diz Palud, tenta mostrar isso. Ela afirma que \u201cn\u00e3o queria julgar nem condenar, mas mostrar o sistema e o que precisa mudar para proteger a gera\u00e7\u00e3o mais jovem. Ainda h\u00e1 muito a ser feito. Mas uma cena como essa n\u00e3o aconteceria agora, gra\u00e7as a Deus\u201d.<br \/>\nVartolomei acrescenta: \u201cAcho que este filme est\u00e1 esclarecendo o lado da Maria, junto ao livro da Vanessa Schneider. Naquela \u00e9poca, Maria era considerada uma v\u00edtima, mas para mim, ela est\u00e1 longe disso, pois encontrou for\u00e7as para falar, para que sua hist\u00f3ria fosse ouvida, mesmo que a sociedade n\u00e3o estivesse pronta para escutar sua voz. Mas agora estou feliz por finalmente podermos ouvi-la.\u201d<br \/>\nDiretora do Me Too Brasil \u00e9 amea\u00e7ada de morte<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/04\/13\/a-historia-da-cena-mais-infame-do-cinema-e-seu-impacto-em-maria-schneider-atriz-principal.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u2018Meu nome \u00e9 Maria\u2019, um novo filme estrelado por Matt Dillon e Anamaria Vartolomei, explora a vida de Maria Schneider e a filmagem de uma das produ\u00e7\u00f5es mais famosas da hist\u00f3ria do cinema. 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