{"id":39610,"date":"2025-05-10T15:01:49","date_gmt":"2025-05-10T18:01:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/brasil-esquentai-vossos-pandeiros-para-a-exposicao-aberta-no-rio-para-contar-a-historia-social-do-instrumento-no-pais\/"},"modified":"2025-05-10T15:01:49","modified_gmt":"2025-05-10T18:01:49","slug":"brasil-esquentai-vossos-pandeiros-para-a-exposicao-aberta-no-rio-para-contar-a-historia-social-do-instrumento-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/brasil-esquentai-vossos-pandeiros-para-a-exposicao-aberta-no-rio-para-contar-a-historia-social-do-instrumento-no-pais\/","title":{"rendered":"Brasil, esquentai vossos pandeiros para a exposi\u00e7\u00e3o aberta no Rio para contar a hist\u00f3ria social do instrumento no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Ritmista atualmente esquecido, Pernambuco do Pandeiro (1924 \u2013 2011) \u00e9 lembrado na exposi\u00e7\u00e3o que abre hoje, 10 de maio, no Rio de Janeiro<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b AN\u00c1LISE<br \/>\n\u266a \u201c\u00d4, esse Brasil lindo e trigueiro \/ \u00c9 o meu Brasil brasileiro \/ Terra de samba e pandeiro\u201d, mapeou o compositor Ary Barroso (1903 \u2013 1964) em versos do samba-exalta\u00e7\u00e3o Aquarela do Brasil (1939). \u201cBrasil, esquentai vossos pandeiros \/ Iluminai os terreiros \/ Que n\u00f3s queremos sambar\u201d, pediu dois anos depois o compositor Assis Valente (1908 \u2013 1958) no refr\u00e3o de Brasil pandeiro, samba apresentado em 1941 pelo conjunto Anjos do Inferno e revitalizado em 1972 pelo grupo Novos Baianos.<br \/>\nEscritas sem pretens\u00f5es hist\u00f3ricas, as letras dos dois sambas eternizaram a presen\u00e7a do pandeiro como um instrumento fundamental no samba tocado nos anos 1930 e 1940, d\u00e9cadas do primeiro apogeu do g\u00eanero.<br \/>\nO pandeiro somente perderia a supremacia no samba a partir dos anos 1970, quando integrantes da gera\u00e7\u00e3o Fundo de Quintal propuseram nova forma de tocar samba, sem excluir o pandeiro (ouvido no toque de Bira Presidente), mas com instrumentos renovadores como banjo, repique de m\u00e3o e tant\u00e3, em revolu\u00e7\u00e3o que chegou ao p\u00fablico com o \u00e1lbum De p\u00e9 no ch\u00e3o (1978), da cantora Beth Carvalho (1946 \u2013 2019).<br \/>\nMesmo assim, dentro e fora do samba, o pandeiro permaneceu em cena na m\u00fasica do Brasil, mobilizando instrumentistas h\u00e1beis no toque desse instrumento de percuss\u00e3o que exige apurado senso r\u00edtmico.<br \/>\nA evolu\u00e7\u00e3o do pandeiro na m\u00fasica do Brasil \u00e9 mostrada na exposi\u00e7\u00e3o Pandeiros do Brasil \u2013 Hist\u00f3ria, tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, produzida com curadoria da pandeirista e professora Clarice Magalh\u00e3es e do pesquisador Eduardo Vidili, autor da tese A vida social do pandeiro no Rio de Janeiro (1900 \u2013 1939).<br \/>\nEm cartaz a partir de hoje, 10 de maio, na Casa do Pandeiro, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro (RJ), a mostra est\u00e1 estruturada em dois eixos, um art\u00edstico e outro sociol\u00f3gico, mostrando a rota do pandeiro desde os tempos ancestrais com evidente \u00eanfase no percurso do instrumento em solo nacional.<br \/>\nO primeiro registro iconogr\u00e1fico do instrumento no mundo \u00e9 pintura rupestre na Turquia, criada h\u00e1 mais de cinco mil anos. De prov\u00e1vel origem \u00e1rabe, o pandeiro teve o toque amplificado na Europa e foi (ou teria sido) levado do velho continente pelos mouros e, posteriormente, trazido ao Brasil pelos colonizadores portugueses.<br \/>\nNo Brasil, o instrumento foi adotado pelos escravizados e ficou entranhado nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais afro-brasileiras, sobretudo o samba e a capoeira. Nesta \u00e9poca do Brasil colonial e da Rep\u00fablica Velha (1889 \u2013 1930), o pandeiro foi duramente perseguido no pa\u00eds por preconceito que associava os ritmistas \u00e0 vadiagem.<br \/>\nNo Brasil, o pandeiro tamb\u00e9m deu toque brejeiro ao choro e fincou ra\u00edzes na na\u00e7\u00e3o nordestina como instrumento manuseado por ritmistas no canto de g\u00eaneros como o coco. N\u00e3o por outra raz\u00e3o, o cantor e m\u00fasico paraibano Jos\u00e9 Gomes Filho (31 de agosto de 1919 \u2013 10 de julho de 1982) ficou imortalizado com o nome art\u00edstico de Jackson do Pandeiro. \u00c0 sagacidade do canto, habilidade que o tornou um \u00e1s das divis\u00f5es de g\u00eaneros como cocos e xaxados, Jackson aliou a destreza no toque do pandeiro, instrumento ao qual se dedicou ap\u00f3s se iniciar no toque da zabumba e da bateria.<br \/>\nO nome de Jackson do Pandeiro atravessou gera\u00e7\u00f5es com reconhecimento nacional. A exposi\u00e7\u00e3o celebra Jackson, mas tamb\u00e9m joga luz sobre outros ritmistas atualmente menos conhecidos, caso de In\u00e1cio Pinheiro Sobrinho (1924 \u2013 2011), o Pernambuco do Pandeiro, m\u00fasico associado ao choro que ganhou relevo nos anos 1940 e 1950, d\u00e9cadas em que o artista pernambucano viveu no Rio de Janeiro (RJ) antes de migrar para Bras\u00edlia (DF).<br \/>\nAses no toque do pandeiro, os ritmistas Jo\u00e3o da Baiana (1887 \u2013 1974), Jorginho do Pandeiro (1930 \u2013 2017) e Bira Presidente tamb\u00e9m s\u00e3o celebrados na exposi\u00e7\u00e3o ao lado de Marcos Suzano, homenageado com instala\u00e7\u00e3o assinada por Bete Esteves e Luciana Maia por ter renovado o toque do instrumento e levado o pandeiro nacional para al\u00e9m das fronteiras do Brasil, terra quente de samba (e choro, coco, capoeira\u2026) e pandeiro.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/05\/10\/brasil-esquentai-vossos-pandeiros-para-a-exposicao-aberta-no-rio-para-contar-a-historia-social-do-instrumento-no-pais.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ritmista atualmente esquecido, Pernambuco do Pandeiro (1924 \u2013 2011) \u00e9 lembrado na exposi\u00e7\u00e3o que abre hoje, 10 de maio, no Rio de Janeiro Divulga\u00e7\u00e3o \u266b AN\u00c1LISE \u266a \u201c\u00d4, esse Brasil lindo e trigueiro \/ \u00c9 o meu Brasil brasileiro \/ Terra de samba e pandeiro\u201d, mapeou o compositor Ary Barroso (1903 \u2013 1964) em versos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39611,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-39610","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39610\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}