{"id":39626,"date":"2025-05-12T12:02:25","date_gmt":"2025-05-12T15:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/vanessa-da-mata-repele-intolerancias-e-moldes-machistas-no-album-todas-elas\/"},"modified":"2025-05-12T12:02:25","modified_gmt":"2025-05-12T15:02:25","slug":"vanessa-da-mata-repele-intolerancias-e-moldes-machistas-no-album-todas-elas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/vanessa-da-mata-repele-intolerancias-e-moldes-machistas-no-album-todas-elas\/","title":{"rendered":"Vanessa da Mata repele intoler\u00e2ncias e moldes machistas no \u00e1lbum \u2018Todas elas\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Disco cresce na segunda metade das 11 faixas, quando a compositora se liberta dos pr\u00f3prios padr\u00f5es autorais e flerta at\u00e9 com o jazz latino em faixa com o pianista norte-americano Robert Glasper. Capa do \u00e1lbum \u2018Todas elas\u2019, de Vanessa da Mata<br \/>\nPriscila Prade<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Todas elas<br \/>\nArtista: Vanessa da Mata<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 1\/2<br \/>\n\u266c Na letra de Eu te apoio em sua f\u00e9, afro(beat)samba que integra o repert\u00f3rio do 11\u00ba \u00e1lbum de Vanessa da Mata, Todas elas, a artista sai em defesa de quem segue os cultos de matriz afro-brasileira, alvos de intoler\u00e2ncia religiosa. \u00c9 leg\u00edtimo protesto de cantora e compositora que se sabe negra, embora n\u00e3o seja percebida como negra pela racista sociedade brasileira por conta da pele clara.<br \/>\nEm Todas elas, \u00e1lbum que lan\u00e7a hoje, 12 de maio, com repert\u00f3rio inteiramente autoral, Vanessa da Mata repele intoler\u00e2ncias e moldes sociais sob prisma feminino. Nos versos de Maria sem vergonha, por exemplo, a compositora lista conven\u00e7\u00f5es sociais impostas \u00e0s mulheres para se rebelar no refr\u00e3o contra esse cabresto social que ainda vigora em universos machistas.<br \/>\nNo todo, o disco \u00e9 bom. Mas Vanessa da Mata repete os pr\u00f3prios padr\u00f5es sonoros na primeira metade das 11 faixas de Todas elas, \u00e1lbum formatado com produ\u00e7\u00e3o musical orquestrada pela artista com os toques de m\u00fasicos recorrentes nos discos da cantora, caso sobretudo do guitarrista Maur\u00edcio Pacheco. A safra autoral de Todas elas oscila como a do \u00e1lbum antecessor de Vanessa, Vem doce (2023), mas o disco cresce a partir da s\u00e9tima das 11 m\u00fasicas.<br \/>\nA prop\u00f3sito, o disco chega ao mundo digital com 11 m\u00fasicas, mas a fil\u00f3sofa e psicanalista Viviane Mos\u00e9 menciona, em texto escrito para apresentar Todas elas, a exist\u00eancia de regrava\u00e7\u00e3o de Nada mais (1984), vers\u00e3o em portugu\u00eas de Lately (Stevie Wonder, 1980) feita por Ronaldo Bastos para Gal Costa (1945 \u2013 2022), mas a faixa deve ter sido guardada para futura edi\u00e7\u00e3o deluxe do \u00e1lbum.<br \/>\nSem Nada mais, por ora, o disco apresenta  baladas que ro\u00e7am o apelo popular, caso de Esperan\u00e7a, can\u00e7\u00e3o naturalmente escolhida para anunciar o \u00e1lbum Todas elas em single apresentado em 11 de abril.  Nessa seara, a artista tamb\u00e9m apresenta Troco tudo, can\u00e7\u00e3o composta e gravada em un\u00edssono com o parceiro Jota.P\u00ea. A letra versa sobre amor capaz de desanuviar cora\u00e7\u00e3o nublado.<br \/>\nNa sequ\u00eancia deste \u00e1lbum h\u00e1bil na prega\u00e7\u00e3o de que o amor cura, \u00c9 por isso que eu dan\u00e7o p\u00f5e na pista ecos da disco music \u2013 percept\u00edveis na breve passagem instrumental da faixa \u2013 e evidencia o apuro dos arranjos coletivos, \u00e0s vezes mais interessantes do que as m\u00fasicas em si. Atual faixa-foco do disco, \u00c9 por isso que eu dan\u00e7o tem metais recorrentes no \u00e1lbum Todas elas, orquestrados por Luiz Potter ou Rafael Rocha.  Arranjada sem metais, Me adora, mas\u2026 p\u00f5e em quest\u00e3o os relacionamentos abusivos de parceiros amorosos t\u00f3xicos.<br \/>\nJ\u00e1 Um passeio com Robert Glasper nomeia no t\u00edtulo o pianista e compositor norte-americano que participa da m\u00fasica. Glasper \u00e9 artista associado ao universo do jazz e do soul dos Estados Unidos. O piano do artista \u00e9 o toque luxuoso de faixa que celebra as riquezas art\u00edsticas do Brasil com mix de samba, latinidade e jazz, ro\u00e7ando o universo do jazz latino e reverberando (com personalidade) o suingue tropical j\u00e1 exportado pelo pianista Sergio Mendes (1941 \u2013 2024).<br \/>\nSem Glasper, o passeio continua em Quem mandou, samba de balan\u00e7o vintage que ecoa Jorge Ben Jor enquanto alveja os machistas que oprimem e confinam mulheres em pap\u00e9is servis. Ciranda mergulha nas \u00e1guas do hom\u00f4nimo g\u00eanero musical pernambucano para exaltar a fibra da mulher brasileira na luta cotidiana da vida severina que enfrenta sede e fome.<br \/>\nFaixa situada na mesma na\u00e7\u00e3o nordestina, Sobre as coisas mais dif\u00edceis marcha em prociss\u00e3o entre a pisada do maracatu e a levada do ijex\u00e1, se elevando como o grande destaque da atual safra autoral dessa compositora de assinatura pessoal. A grava\u00e7\u00e3o se imp\u00f5e como uma das mais expressivas da discografia de Vanessa da Mata.<br \/>\nGravado e mixado no est\u00fadio Visom Digital, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), o \u00e1lbum Todas elas fecha na praia do reggae Demorou, gravado pela cantora com Jo\u00e3o Gomes, cantor pernambucano que j\u00e1 havia participado do \u00e1lbum anterior da cantora, Vem doce. Com tem\u00e1tica atual, o reggae prega o amor como ant\u00eddoto que liberta das neuras e p\u00e2nicos os que acabam enredados em c\u00f3digos sociais.<br \/>\nCaso raro de \u00e1lbum que come\u00e7a com a impress\u00e3o de que vai ser mais do mesmo em Maria sem vergonha, mas que vai crescendo e se mostrando renovador \u00e0 medida em que avan\u00e7am as onze faixas, Todas elas \u00e9 feminista sem ser panflet\u00e1rio.<br \/>\nO \u00e1lbum atesta a relev\u00e2ncia de Vanessa da Mata como compositora perspicaz na exposi\u00e7\u00e3o dos anseios e conquistas sociais em cancioneiro autoral que permanece coerente desde que chegou ao mundo em 1999 na voz referencial de Maria Beth\u00e2nia. Nesse sentido, por mais que Vanessa da Mata \u00e0s vezes repita os pr\u00f3prios padr\u00f5es autorais, a for\u00e7a da compositora nunca seca.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/05\/12\/vanessa-da-mata-repele-intolerancias-e-moldes-machistas-no-album-todas-elas.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disco cresce na segunda metade das 11 faixas, quando a compositora se liberta dos pr\u00f3prios padr\u00f5es autorais e flerta at\u00e9 com o jazz latino em faixa com o pianista norte-americano Robert Glasper. 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