{"id":40146,"date":"2025-07-29T06:00:43","date_gmt":"2025-07-29T09:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-tyler-the-creator-resgata-a-danca-no-hip-hop-no-novo-album-dont-tap-the-glass\/"},"modified":"2025-07-29T06:00:43","modified_gmt":"2025-07-29T09:00:43","slug":"como-tyler-the-creator-resgata-a-danca-no-hip-hop-no-novo-album-dont-tap-the-glass","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-tyler-the-creator-resgata-a-danca-no-hip-hop-no-novo-album-dont-tap-the-glass\/","title":{"rendered":"Como Tyler, The Creator resgata a dan\u00e7a no hip-hop no novo \u00e1lbum \u2018Don\u2019t Tap The Glass\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Como Tyler, The Creator celebra resgata a dan\u00e7a no hip-hop em novo \u00e1lbum<br \/>\nMesmo em 2025, lan\u00e7ar um disco de rap que convida \u00e0 dan\u00e7a ainda \u00e9 algo ousado. Mas foi exatamente isso que Tyler, The Creator fez em \u201cDon\u2019t Tap The Glass\u201d, seu novo \u00e1lbum. A proposta \u00e9 simples: largar o celular e se mexer.<br \/>\nO rapper aposta no corpo em movimento como forma de express\u00e3o \u2014 algo que sempre fez parte do hip-hop, mas foi deixado de lado ao longo dos anos. Com refer\u00eancias \u00e0 chamada \u201cera de ouro\u201d do rap, o disco mistura nostalgia com uma vis\u00e3o moderna do g\u00eanero.<br \/>\n\u201cHip\u201d significa quadril. \u201cHop\u201d \u00e9 salto. O nome hip-hop j\u00e1 dizia: essa cultura nasceu para movimentar o corpo. Mas, com o tempo, a dan\u00e7a foi deixada de lado.<br \/>\nO amadurecimento de Tyler, The Creator<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u201cDon\u00b4t Tap The Glass\u201d de Tyler, The Creator<br \/>\nRedes sociais \/ divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nTyler Okonma, de Los Angeles, ficou conhecido como l\u00edder do coletivo Odd Future, com letras pol\u00eamicas, postura subversiva e shows ca\u00f3ticos \u2014 chegou a ser temporariamente banido do Reino Unido em 2015.<br \/>\nConstruiu uma carreira multifacetada: come\u00e7ou com a rebeldia dos primeiros discos (Goblin, Wolf), passou pelo sentimentalismo em Flower Boy e IGOR, e acumulou pr\u00eamios, turn\u00eas e controv\u00e9rsias. Parte do p\u00fablico mais conservador do rap criticava sua forma pouco convencional de se expressar artisticamente.<br \/>\nMesmo num ambiente que valorizava a frieza, Tyler sempre buscou formas alternativas de mostrar seus sentimentos. Em clipes como o de \u201cEARFQUAKE\u201d e nas performances da era \u201cChromakopia\u201d, ele dan\u00e7a, trope\u00e7a, se dobra e brinca \u2014 mais preocupado em deixar os sentimentos flu\u00edrem do que em parecer \u201ccool\u201d.<br \/>\nO endurecimento dos quadris<br \/>\nJa Rule, DJ Kool Herc e Grandmaster Flash, fotografados por volta dos anos 2000<br \/>\nDavid Corio\/ Getty Images<br \/>\nO hip-hop surgiu nas festas das periferias de Nova York nos anos 70, criado por comunidades negras e latinas. Nelas, DJs como Kool Herc promoviam batalhas de dan\u00e7a \u2014 as cyphers \u2014 t\u00e3o importantes quanto as batalhas de rima.<br \/>\nA dan\u00e7a est\u00e1 no pr\u00f3prio nome da cultura: \u201chip\u201d (quadril) e \u201chop\u201d (pulo). O breakdance \u2014 ou s\u00f3 break \u2014 surgiu nesse contexto, com passos influenciados por jazz, funk, disco, soul e at\u00e9 artes marciais como o kung fu. Os filmes de kung fu, ali\u00e1s, eram muito populares entre comunidades negras na \u00e9poca por serem acess\u00edveis nos cinemas locais.<br \/>\nA dan\u00e7a dava autoestima, promovia express\u00e3o coletiva e servia at\u00e9 para resolver conflitos entre gangues \u2014 trocando brigas por batalhas de dan\u00e7a. Com o tempo, o movimento corporal se espalhou e ganhou estilos pr\u00f3prios em diferentes partes dos EUA, como o booty shake de Miami e o footwork de Chicago.<br \/>\nMas nos anos 90, com a ascens\u00e3o do gangsta rap e a busca por uma imagem mais \u201cdurona\u201d, a dan\u00e7a perdeu espa\u00e7o. O machismo e o conservadorismo fizeram com que muitos se afastassem da pista \u2014 s\u00f3 restava o gesto de balan\u00e7ar a cabe\u00e7a.<br \/>\nNos anos 2000 e 2010, as redes sociais e os celulares trouxeram outro medo: dan\u00e7ar em p\u00fablico virou risco de virar meme. Em um ambiente t\u00e3o agressivo como o das redes, o hip-hop, que nasceu da uni\u00e3o entre m\u00fasica e corpo, viu seu p\u00fablico ficar com o quadril travado<br \/>\nMenos bl\u00e1bl\u00e1bl\u00e1 e mais dan\u00e7a<br \/>\nClipe de \u201cStop Playing With Me\u201d de Tyler, the Creator<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nDepois da introspec\u00e7\u00e3o de Chromakopia, Tyler volta em 2025 com um disco direto ao ponto: \u201cDon\u2019t Tap The Glass\u201d foi feito em seis meses, ainda durante a turn\u00ea do \u00e1lbum anterior, e tem como foco fazer o p\u00fablico dan\u00e7ar sem vergonha.<br \/>\nNa faixa de abertura, \u201cBig Poe\u201d, ele j\u00e1 d\u00e1 o recado: a ordem \u00e9 se mexer, celebrar as conquistas e proteger o ambiente \u2014 n\u00e3o encoste no vidro. A \u201cvidra\u00e7a\u201d funciona como met\u00e1fora dupla: \u00e9 um convite para deixar o celular na m\u00e3o e, ao mesmo tempo, um pedido de respeito aos limites \u2014 os seus e os dos outros \u2014 criando zonas seguras para o corpo se expressar.<br \/>\nNas redes sociais, Tyler contou que, ap\u00f3s uma audi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, perguntou a amigos por que eles n\u00e3o dan\u00e7am em p\u00fablico. A resposta de muitos: medo de serem filmados.<br \/>\nAo longo do disco, esse \u00e9 o tom: menos drama, mais ironia e afirma\u00e7\u00e3o pessoal. Can\u00e7\u00f5es como \u201cStop Playing With Me\u201d fazem piada com rivais e at\u00e9 com o uso de rem\u00e9dios para emagrecer. J\u00e1 \u201cRing Ring Ring\u201d e \u201cTell Me What It Is\u201d tocam em vulnerabilidades, mas com leveza, longe da carga emocional dos trabalhos anteriores.<br \/>\nAs refer\u00eancias da capa<br \/>\nMontagem com a capa do \u00e1lbum \u201cDon\u00b4t Tap The Glass\u201d de Tyler, The Creator, framde do clipe \u201cRun\u2019s House\u201d do Run DMC e frame do clipe \u201cI\u2019M Bad\u201d de LL Cool J<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o \/ reprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u201cDon\u2019t Tap The Glass\u201d soa como um t\u00fanel do tempo adaptado ao presente. Na capa, Tyler aparece animado, com bon\u00e9 vermelho, corrente de ouro e punhos em pose de b-boy \u2014 um tributo ao visual cl\u00e1ssico dos anos 80. Os clipes t\u00eam est\u00e9tica de fita VHS, e em \u201cStop Playing With Me\u201d h\u00e1 refer\u00eancias a Jamiroquai e v\u00eddeos ic\u00f4nicos do rap.<br \/>\nA sonoridade \u00e9 puro flerte com o passado: samples de jazz, soul e funk, scratches e a bateria Roland TR-808, s\u00edmbolo do rap dos anos 80. Tudo \u00e9 feito para movimentar o corpo: refr\u00f5es marcantes, grooves envolventes e batidas que convidam a ocupar a pista.<br \/>\nAs letras deixam de lado o tom melanc\u00f3lico dos \u00e1lbuns anteriores e apostam no humor \u00e1cido, nos autoelogios e nas provoca\u00e7\u00f5es. Destaque para faixas como \u201cSucka Free\u201d e \u201cSugar On My Tongue\u201d.<br \/>\nAo longo do projeto, Tyler recupera nomes e estilos regionais do hip-hop, reutiliza samples de Busta Rhymes, faz refer\u00eancia \u00e0 cultura pop and lock e presta homenagem n\u00e3o s\u00f3 aos MCs, mas tamb\u00e9m aos dan\u00e7arinos an\u00f4nimos \u2014 aqueles que precisam de coragem para se soltar.<br \/>\n\u00c1lbum \u00e9 um manifesto<br \/>\nNo fim das contas, \u201cDon\u2019t Tap The Glass\u201d vai al\u00e9m de um \u00e1lbum dan\u00e7ante. \u00c9 um manifesto para reconectar o hip-hop ao corpo, relembrando um dos quatro pilares da cultura: DJ, MC, breakdance e grafite.<br \/>\nTyler, The Creator agora ergue a bandeira da dan\u00e7a. Defende espa\u00e7os onde a alegria n\u00e3o seja julgada, filmada ou ridicularizada. Em uma \u00e9poca em que poucos MCs se arriscam a fazer o p\u00fablico dan\u00e7ar, ele prop\u00f5e o oposto: rir, performar, ser vulner\u00e1vel \u2014 e ocupar de novo a pista do hip-hop com liberdade e verdade.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/07\/29\/como-tyler-the-creator-resgata-a-danca-no-hip-hop-no-novo-album-dont-tap-the-glass.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como Tyler, The Creator celebra resgata a dan\u00e7a no hip-hop em novo \u00e1lbum Mesmo em 2025, lan\u00e7ar um disco de rap que convida \u00e0 dan\u00e7a ainda \u00e9 algo ousado. Mas foi exatamente isso que Tyler, The Creator fez em \u201cDon\u2019t Tap The Glass\u201d, seu novo \u00e1lbum. 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