{"id":40403,"date":"2025-08-02T15:01:40","date_gmt":"2025-08-02T18:01:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/o-professor-que-decidiu-dar-um-curso-sobre-bad-bunny-em-yale-apos-ouvir-o-novo-disco-do-cantor\/"},"modified":"2025-08-02T15:01:40","modified_gmt":"2025-08-02T18:01:40","slug":"o-professor-que-decidiu-dar-um-curso-sobre-bad-bunny-em-yale-apos-ouvir-o-novo-disco-do-cantor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/o-professor-que-decidiu-dar-um-curso-sobre-bad-bunny-em-yale-apos-ouvir-o-novo-disco-do-cantor\/","title":{"rendered":"O professor que decidiu dar um curso sobre Bad Bunny em Yale ap\u00f3s ouvir o novo disco do cantor"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Como Bad Bunny usou seu novo disco para defender a hist\u00f3ria e a cultura de Porto Rico<br \/>\nAlbert Laguna, professor da Universidade de Yale, uma das institui\u00e7\u00f5es de ensino mais prestigiadas dos EUA, afirma que compreender o sucesso de Bad Bunny n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 ind\u00fastria musical.<br \/>\nBenito Mart\u00ednez Ocasio, nome de batismo do artista porto-riquenho de 31 anos, demonstrou ser um g\u00eanio do marketing, capaz de transformar a m\u00fasica em espanhol \u2014 e a cultura latina, em geral \u2014 em produtos que atravessam como nunca as fronteiras dos pa\u00edses hisp\u00e2nicos e conquistam p\u00fablicos globais.<br \/>\nEm 2024, por exemplo, foi o cantor latino mais ouvido do mundo na popular plataforma de streaming Spotify. Seu novo \u00e1lbum, Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, manteve-se por semanas no top 10 mundial ap\u00f3s seu lan\u00e7amento em janeiro.<br \/>\nMas seu impacto n\u00e3o se limita ao mercado da m\u00fasica, afirma Laguna, especialista em estudos culturais.<br \/>\nCom o passar dos anos, Bad Bunny adotou uma postura cada vez mais pol\u00edtica. Em suas m\u00fasicas \u2014 e tamb\u00e9m em apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas \u2014 ele aborda temas como g\u00eanero, desigualdade, migra\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o colonial da ilha onde nasceu, territ\u00f3rio dos EUA desde 1898.<br \/>\nLeia mais:<br \/>\nShows de Bad Bunny em Porto Rico podem gerar mais de US$ 180 milh\u00f5es para ilha<br \/>\nBad Bunny: Como foi a estreia da aguardada turn\u00ea que vem ao Brasil<br \/>\nComo Bad Bunny usou seu novo disco para defender a hist\u00f3ria e a cultura de Porto Rico<br \/>\nAl\u00e9m disso, ele conseguiu reinventar o reggaeton, fundindo seu ritmo caracter\u00edstico com g\u00eaneros como salsa, bachata, bomba e plena.<br \/>\nLaguna afirma que, por meio de suas letras e melodias, Bad Bunny constr\u00f3i um mapa que permite compreender a hist\u00f3ria de Porto Rico e sua di\u00e1spora.<br \/>\nSegundo o doutor em literatura de origem cubana, tudo isso refor\u00e7a a import\u00e2ncia da influ\u00eancia indiscut\u00edvel do artista porto-riquenho na m\u00fasica popular contempor\u00e2nea.<br \/>\nPor essa raz\u00e3o, em setembro, Laguna oferecer\u00e1 um curso sobre o \u201ccoelho mau\u201d na Universidade de Yale.<br \/>\nO que significa incluir Bad Bunny no curr\u00edculo de uma das universidades mais importantes do mundo? Como o professor pretende abordar a figura do artista em sala de aula? E qual foi a rea\u00e7\u00e3o dos alunos ao saberem da nova disciplina?<br \/>\n\u201cParte do interesse nesse curso \u00e9 o fato de que estou oferecendo essa disciplina na Universidade de Yale. \u00c0s vezes, pensa-se que Bad Bunny \u00e9 uma coisa e Yale \u00e9 outra. Meu trabalho \u00e9 reafirmar que Bad Bunny tem seu lugar em Yale\u201d, afirma.<br \/>\n\u201cToda cultura popular tem seu lugar em Yale. Por meio de um artista como Bad Bunny, podemos entender o presente e o passado de Porto Rico, dos EUA e tamb\u00e9m como ele se tornou um fen\u00f4meno global.\u201d<br \/>\nAlbert Laguna, de origem cubana, diz que a cultura popular, embora considerada \u201cpouco sofisticada\u201d por alguns setores, tem espa\u00e7o nas universidades<br \/>\nCedida \u00e0 BBC<br \/>\nA ideia de criar um curso sobre Bad Bunny surgiu quando Laguna escutou o novo disco do porto-riquenho, Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, enquanto caminhava pelas ruas de Nova Orleans, cidade com forte heran\u00e7a caribenha.<br \/>\n\u201cMeus alunos t\u00eam muito interesse em Bad Bunny, mas pouco conhecimento sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a ilha e os EUA\u201d, disse.<br \/>\n\u201cVou usar suas m\u00fasicas para tratar de temas importantes tanto para a di\u00e1spora porto-riquenha quanto para quem vive no territ\u00f3rio.<br \/>\nPor exemplo, a m\u00fasica Nuevayol, que abre o \u00e1lbum, faz refer\u00eancia a Un verano en Nueva York, m\u00fasica lan\u00e7ada em 1975 pela orquestra de salsa El Gran Combo de Puerto Rico.<br \/>\n\u201cQuando ouvi um trecho dessa melodia no disco do Bad Bunny, fiquei em choque. Pensei: h\u00e1 algo diferente nessa produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<br \/>\nJ\u00e1 TURiSTA que trata da ind\u00fastria do turismo e de como h\u00e1 pessoas dos EUA que viajam para Porto Rico e se comportam como se fossem donas da ilha.<br \/>\n\u201cPor meio do g\u00eanero salsa, que nasceu justamente em Nova York, podemos falar sobre o fluxo migrat\u00f3rio de cubanos e porto-riquenhos para os EUA e a influ\u00eancia afro-caribenha no pa\u00eds.\u201d<br \/>\nBad Bunny foi o artista latino mais ouvido no Spotify em 2024<br \/>\nGetty Images<br \/>\nO impacto cultural do artista, diz o professor, \u00e9 levar o mundo para Porto Rico.<br \/>\n\u201cBad Bunny est\u00e1 fazendo uma resid\u00eancia de 30 shows em Porto Rico neste ver\u00e3o. Esses eventos, por si s\u00f3, j\u00e1 s\u00e3o um ato pol\u00edtico.\u201d<br \/>\n\u201cMuitos artistas constroem um p\u00fablico em seu pa\u00eds de origem e depois levam sua cultura para o mundo\u201d, afirma.<br \/>\n\u201cEle est\u00e1 centrando seus shows na ilha, transformando-os em uma oportunidade para discutir os problemas locais.\u201d<br \/>\nEsse \u00e9 outro ponto pol\u00edtico do disco. Em suas letras, Bad Bunny insiste que Porto Rico deve ser para os porto-riquenhos. E ele faz isso em meio a uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dif\u00edcil, quando a ilha \u00e9 administrada por uma Junta de Supervis\u00e3o Fiscal nomeada pelos EUA.<br \/>\n\u201cEle busca dar visibilidade \u00e0 rela\u00e7\u00e3o colonial entre os dois pa\u00edses e como isso afeta os boricuas [como tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos os porto-riquenhos] hoje. Muitos norte-americanos ainda n\u00e3o sabem que Porto Rico \u00e9 uma col\u00f4nia do pr\u00f3prio pa\u00eds.\u201d<br \/>\nPara ele, isso ajuda os alunos a entenderem a realidade da di\u00e1spora, n\u00e3o s\u00f3 a porto-riquenha, mas a latina em geral, especialmente num momento em que o governo dos EUA tem adotado medidas mais restritivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 migra\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cPara muitos imigrantes e latinos em geral, seu pa\u00eds de origem, a terra dos pais, \u00e9 sempre uma refer\u00eancia quando vivem fora. Em Deb\u00ed tirar m\u00e1s fotos, Bad Bunny explora e celebra essa conex\u00e3o constante\u201d, afirma.<br \/>\n\u201cN\u00e3o se pode falar da hist\u00f3ria de Nova York sem Porto Rico, nem de Porto Rico sem Nova York. N\u00e3o d\u00e1 para falar de salsa sem falar de Nova York e da rela\u00e7\u00e3o com a di\u00e1spora latina que fez da cidade sua casa.\u201d<br \/>\nEm Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos, Bad Bunny tamb\u00e9m denuncia a gentrifica\u00e7\u00e3o, os problemas de infraestrutura e a crise econ\u00f4mica de Porto Rico<br \/>\nGetty Images<br \/>\nPara Laguna, o impacto do Caribe na ind\u00fastria musical n\u00e3o \u00e9 suficientemente reconhecido.<br \/>\n\u201cN\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancias suficientes. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es pelas quais vou oferecer essa disciplina. De certa forma, com seu novo \u00e1lbum, Bad Bunny oferece um curso de m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 reggaeton com salsa, bomba ou plena \u2014 \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros\u201d, diz o professor, mencionando tamb\u00e9m a j\u00edbara, ritmo das zonas rurais de Porto Rico.<br \/>\n\u201cO disco abre caminhos para entender uma hist\u00f3ria mais ampla e, em particular, caribenha.\u201d<br \/>\nLaguna afirma que h\u00e1, historicamente, uma ideia de que \u00e9 muito popular \u00e9 pouco sofisticado.<br \/>\n\u201cNo s\u00e9culo 19, o danz\u00f3n cubano era tratado como esc\u00e2ndalo. Talvez, daqui a 50 anos, a gente ria de quem zombava e dizia que Bad Bunny tamb\u00e9m era isso\u201d, diz.<br \/>\n\u201cMas devo dizer que \u00e9 importante manter uma perspectiva cr\u00edtica. Meu trabalho como professor \u00e9 compreender toda a complexidade de um produto cultural: como a m\u00fasica representa g\u00eanero, ra\u00e7a, etnicidade e outros temas.\u201d<br \/>\nA disciplina ser\u00e1 oferecida em um momento dif\u00edcil para as universidades dos EUA, quando suas pol\u00edticas de diversidade v\u00eam sendo questionadas pelo governo de Donald Trump, que inclusive cortou verbas por essa raz\u00e3o.<br \/>\nRecentemente, houve uma tentativa da administra\u00e7\u00e3o de impedir que Harvard aceitasse estudantes estrangeiros. Para Laguna, o curso pode abrir espa\u00e7o para que se continue debatendo ra\u00e7a, etnia e diversidade nas institui\u00e7\u00f5es de ensino do pa\u00eds.<br \/>\n\u201cO que aconteceu com Harvard \u00e9 uma postura anti-intelectual por parte do governo. Essa administra\u00e7\u00e3o quer manter pessoas que considera \u2018diferentes\u2019 \u2014 imigrantes, porto-riquenhos \u2014 \u00e0 margem, como se n\u00e3o fossem importantes\u201d, afirma Laguna.<br \/>\n\u201cO que fa\u00e7o com esse curso \u00e9 colocar Porto Rico no centro da discuss\u00e3o acad\u00eamica. Isso nos permite entender os EUA como um poder imperial \u2014 algo que nossos estudantes raramente consideram.\u201d<br \/>\nO \u00e1lbum mais recente de Bad Bunny, lan\u00e7ado em janeiro, traz letras que fazem refer\u00eancia \u00e0 realidade colonial de Porto Rico, territ\u00f3rio dos EUA h\u00e1 mais de 100 anos<br \/>\nGetty Images<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/08\/02\/o-professor-que-decidiu-dar-um-curso-sobre-bad-bunny-em-yale-apos-ouvir-o-novo-disco-do-cantor.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como Bad Bunny usou seu novo disco para defender a hist\u00f3ria e a cultura de Porto Rico Albert Laguna, professor da Universidade de Yale, uma das institui\u00e7\u00f5es de ensino mais prestigiadas dos EUA, afirma que compreender o sucesso de Bad Bunny n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 ind\u00fastria musical. 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