{"id":40519,"date":"2025-08-05T09:02:40","date_gmt":"2025-08-05T12:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/carmen-miranda-como-estrela-portuguesa-virou-maior-simbolo-internacional-do-brasil\/"},"modified":"2025-08-05T09:02:40","modified_gmt":"2025-08-05T12:02:40","slug":"carmen-miranda-como-estrela-portuguesa-virou-maior-simbolo-internacional-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/carmen-miranda-como-estrela-portuguesa-virou-maior-simbolo-internacional-do-brasil\/","title":{"rendered":"Carmen Miranda: como estrela portuguesa virou maior s\u00edmbolo internacional do Brasil"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Carmen Miranda, em filme de 1953<br \/>\nArquivo Nacional via BBC<br \/>\nA morte de Carmen Miranda h\u00e1 70 anos, na madrugada de 5 de agosto de de 1955, precipitou um solene Carnaval fora de \u00e9poca no Rio de Janeiro que ela tanto amava.<br \/>\nNem bem a not\u00edcia chegou ao Brasil e, pelo Rep\u00f3rter Esso, a R\u00e1dio Nacional a transmitiu ao pa\u00eds, todas as emissoras brasileiras passaram a tocar hits eternizados pela cantora e atriz conhecida como \u201cA Pequena Not\u00e1vel\u201d. Ta\u00ed, Disseram que voltei americanizada, O que \u00e9 que a bahiana tem?, t\u00e3o alegres e carnavalescas, comunicavam a tristeza que permeava a na\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuem conta a hist\u00f3ria \u00e9 o jornalista Ruy Castro, na mais completa e detalhada biografia a respeito dessa mulher que, nascida em Portugal e al\u00e7ada ao estrelato internacional nos Estados Unidos, onde morreu, acabou se tornando o maior s\u00edmbolo mundial da cultura brasileira, a Brazilian Bombshell.<br \/>\nEm Carmen \u2014 A Vida de Carmen Miranda, a brasileira mais famosa do s\u00e9culo XX (Companhia das Letras, 2005), Castro afirma que as m\u00fasicas de Carmen, trazidas novamente \u00e0 tona naquele m\u00eas, funcionaram como \u201cuma esp\u00e9cie de senha para um carnaval em agosto\u201d.<br \/>\nSegundo desejo de Carmen Miranda, ela foi enterrada no Rio, no cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista. De acordo com Carmen Miranda foi a Washington (Record, 1999), escrito pela jornalista Ana Rita Mendon\u00e7a, 12 igrejas do Rio celebraram missa de s\u00e9timo dia em mem\u00f3ria da artista.<br \/>\nO caix\u00e3o chegou ao pa\u00eds apenas na semana seguinte e, na noite do dia 12 para o 13 de agosto, houve um vel\u00f3rio aberto na C\u00e2mara dos Vereadores.<br \/>\n\u201cAlguns se chocaram com o fato de Carmen estar vestida de vermelho, penteada e maquiada; outros se encantaram com isso \u2014 em Hollywood, at\u00e9 a morte era em Technicolor!\u201d, escreve Castro.<br \/>\n\u201cPor toda a noite de 12 para 13 de agosto, o Rio desfilou em sil\u00eancio diante de Carmen. E gente de outras cidades, usando todos os transportes dispon\u00edveis, veio se despedir dela.\u201d<br \/>\n\u201cNem o frio da madrugada afugentou seus adoradores\u201d, ressalta o escritor.<br \/>\nMembros da Velha Guarda, como Pixinguinha, Donga, Jo\u00e3o da Baiana e outros companheiros, tentaram tocar Ta\u00ed para saud\u00e1-la pela \u00faltima vez, postados nas escadarias da C\u00e2mara. N\u00e3o conseguiram.<br \/>\n\u201cAs gargantas se fechavam, o saxofone e a flauta n\u00e3o produziam som, a emo\u00e7\u00e3o era muita\u201d, descreve Castro. A marchinha acabou sendo entoada por um coro de mais de 50 mil vozes.<br \/>\nEm dado momento, o cortejo rumo ao cemit\u00e9rio, em carro de bombeiros, foi seguido por um caminh\u00e3o de som que tocava os discos de Carmen. O \u00faltimo percurso da estrela, assim, foi como os f\u00e3s gostavam de v\u00ea-la: com m\u00fasica, muita m\u00fasica.<br \/>\nUma carreira ascendente<br \/>\nMaria do Carmo Miranda da Cunha nasceu em Marco de Canaveses, em Portugal, em fevereiro de 1909. Sua fam\u00edlia j\u00e1 havia decidido emigrar para o Brasil. Carmen Miranda chegou ao Rio de Janeiro com menos de 1 ano de idade.<br \/>\nIrm\u00e3 de outros cinco, a garota estudou em uma escola de freiras e, aos 14 anos, teve seu primeiro emprego. Trabalhou em uma loja de gravatas e, depois, em uma chapelaria.<br \/>\nEra uma menina que j\u00e1 gostava de cantar e era elogiada por isso. Em 1928, foi apresentada \u00e0 R\u00e1dio Sociedade Professor Roquete Pinto e passou a se apresentar l\u00e1. No ano seguinte, gravou sua primeira m\u00fasica, o samba N\u00e3o V\u00e1 Sim\u2019bora, composi\u00e7\u00e3o de Josu\u00e9 de Barros.<br \/>\nDali por diante, foi s\u00f3 ascens\u00e3o. Em 1930, Carmen Miranda gravou a marcha-can\u00e7\u00e3o Pra Voc\u00ea Gostar de Mim, tamb\u00e9m chamada de Ta\u00ed. O disco vendeu 35 mil c\u00f3pias apenas no ano de lan\u00e7amento \u2014 um recorde que fez com que a jovem cantora fosse aclamada como \u201ca melhor do Brasil\u201d.<br \/>\nCarmen se tornou uma das estrelas da chamada \u201cera de ouro\u201d do r\u00e1dio no Brasil e, ao mesmo tempo, passou a emprestar corpo e voz ao in\u00edcio da ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica no Brasil \u2014 especialmente, nos musicais.<br \/>\nDepois de apari\u00e7\u00f5es t\u00edmidas em produ\u00e7\u00f5es anteriores, como o longa musical Al\u00f4, Al\u00f4, Brasil, de 1935, ela teve o espa\u00e7o de um estrela popular de primeira grandeza.<br \/>\nCarmen Miranda, em foto dos anos 1940<br \/>\nArquivo Nacional via BBC<br \/>\nCarmen Miranda viveu anos enfileirando um projeto atr\u00e1s do outro. Era uma fase de filmes que tinham enredo feito apenas como pretexto para encadear n\u00fameros musicais.<br \/>\nAutora de um estudo acad\u00eamico sobre Carmen Miranda, a pesquisadora Renata Couto, professora da Universidade Unigranrio Afya, acredita que paire um preconceito sobre a relev\u00e2ncia da artista. \u201cBoa parte das pessoas faz um julgamento muito apressado sobre ela\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil.<br \/>\n\u201cParte disso, por ela ser uma mulher. A outra parte \u00e9 pela figura que ficou consagrada da Carmen, que incorpora essa baiana estilizada, quase uma caricatura do que seria o Brasil.\u201d<br \/>\nA baiana estilizada conquista os EUA<br \/>\nEm 1939, o filme Banana da Terra apresentou a vers\u00e3o mais ic\u00f4nica de Carmen Miranda: ela vestindo uma vers\u00e3o estilizada de um figurino que representava uma baiana tradicional.<br \/>\nNo n\u00famero, ela interpretava O que \u00e9 que a bahiana tem?, de Dorival Caymmi \u2014 e muitos apontam que o sucesso desse filme acabou impulsionando a carreira e o prest\u00edgio do compositor e cantor.<br \/>\nFato \u00e9 que Carmen, uma portuguesa criada no Rio de Janeiro, incorporou essa imagem caricaturada da baiana em suas apresenta\u00e7\u00f5es dali por diante. Era este seu figurino quando, um pouco antes do Carnaval de 1939, ela se apresentou no badalado Cassino da Urca e chamou a aten\u00e7\u00e3o do produtor americano Lee Shubert, que estava na plateia.<br \/>\nShubert era dono da empresa que geria metade dos teatros da Broadway. Um magnata do entretenimento americano, portanto. Ele contratou a artista para se apresentar l\u00e1, e, em maio daquele ano, ela embarcou rumo a Nova York.<br \/>\nNos Estados Unidos, Carmen Miranda fez sucesso com suas vestes estilizadas e o arranjo de frutas sobre a cabe\u00e7a. Intelectuais brasileiros torceram o nariz: para eles, aquilo era uma vis\u00e3o estereotipada e err\u00f4nea do Brasil.<br \/>\n\u201cCarmen foi uma das primeiras artistas a representar o Brasil no exterior de forma ic\u00f4nica, antes mesmo de Pel\u00e9 ou da bossa nova\u201d, diz \u00e0 BBC News Brasil Gisele Jord\u00e3o, coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).<br \/>\n\u201cA imagem do Brasil como pa\u00eds alegre, ex\u00f3tico e musical tem muito da marca que ela deixou. Essa proje\u00e7\u00e3o foi absorvida pela publicidade, pelo turismo e pela diplomacia cultural, criando um \u2018Brasil tipo exporta\u00e7\u00e3o\u2019 que ainda hoje molda o imagin\u00e1rio internacional.\u201d<br \/>\nSoft power<br \/>\nCom a Segunda Guerra Mundial, a chamada pol\u00edtica de boa vizinhan\u00e7a entre os Estados Unidos e a Am\u00e9rica Latina acabou favorecendo uma artista como Carmen Miranda.<br \/>\nOu pode ter sido o contr\u00e1rio. Como documenta Ruy Castro, ela j\u00e1 era um sucesso inquestion\u00e1vel antes de a pol\u00edtica de aproxima\u00e7\u00e3o ser implementada.<br \/>\n\u201cEla j\u00e1 tinha uns dez anos de sucesso aqui no Brasil quando foi aos Estados Unidos. Evidentemente, conquistou o mundo com a verve art\u00edstica, a comunicabilidade, a extrovers\u00e3o. Era uma mulher not\u00e1vel quanto \u00e0 express\u00e3o\u201d, ressalta \u00e0 BBC News Brasil o music\u00f3logo Alberto Tsuyoshi Ikeda, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista e ex-professor colaborador da ECA-USP.<br \/>\nT\u00e3o logo a estrela come\u00e7ou a se apresentar nos Estados Unidos, projetos cinematogr\u00e1ficos foram surgindo para ela, que logo ganharia proje\u00e7\u00e3o internacional.<br \/>\nCartaz do filme Banana da Terra, de 1939<br \/>\ndom\u00ednio p\u00fablico<br \/>\n\u201cN\u00e3o h\u00e1 como negar a onipresen\u00e7a da Carmen Miranda nos anos 1930 e, sobretudo, 1940. Seu gigantismo e sua exuber\u00e2ncia marcaram e marcam at\u00e9 hoje o mundo teatral, musical e cinematogr\u00e1fico\u201d, diz Ikeda.<br \/>\nNesse sentido, Castro explica que a pol\u00edtica da boa vizinhan\u00e7a pode at\u00e9 ter se aproveitado do brilho de Carmen \u2014 e da sua conveniente caracteriza\u00e7\u00e3o como brasileira, ainda que uma caracteriza\u00e7\u00e3o estereotipada.<br \/>\nGisele Jord\u00e3o v\u00ea um alinhamento \u201ctotal\u201d entre Carmen Miranda e o projeto de soft power do governo americano. \u201cA presen\u00e7a dela em Hollywood n\u00e3o \u00e9 fruto apenas de seu talento, mas tamb\u00e9m de um projeto geopol\u00edtico\u201d, ressalta a professora.<br \/>\n\u201cDurante a Segunda Guerra, os Estados Unidos buscavam estreitar la\u00e7os com a Am\u00e9rica Latina para conter influ\u00eancias europeias e garantir apoio hemisf\u00e9rico. Carmen se encaixou perfeitamente nessa estrat\u00e9gia: era latina, mas control\u00e1vel; ex\u00f3tica, mas divertida; uma embaixadora cultural informal\u201d, destaca.<br \/>\n\u201cSeu corpo e sua voz foram mobilizados como instrumentos simb\u00f3licos de um Brasil amigo e cooperativo.\u201d<br \/>\nMas para Ikeda, entretanto, \u201co que n\u00e3o se pode \u00e9 atribuir \u00e0 Carmen Miranda [a inten\u00e7\u00e3o] de ser ela um instrumento dessa proje\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e art\u00edstica dos Estados Unidos no mundo\u201d.<br \/>\nSeu auge no cinema foi durante os anos da Segunda Guerra \u2014 ela estrelou 8 de seus 14 filmes nessa primeira metade dos anos 1940. Suas personagens n\u00e3o eram identificadas como brasileiras, mas sim latino-americanas, de modo gen\u00e9rico e indefinido.<br \/>\nA essa altura ela j\u00e1 havia se instalado nos Estados Unidos. Como convinha a uma estrela, morava em Beverly Hills, na Calif\u00f3rnia. Foram 14 anos sem pisar no Brasil, para onde voltou, em f\u00e9rias, em dezembro de 1954.<br \/>\nEm uma consulta, seu m\u00e9dico a diagnosticou como dependente qu\u00edmica \u2014 ela abusava de barbit\u00faricos e \u00e1lcool \u2014 e submeteu-a a um tratamento de quatro meses em uma su\u00edte do hotel Copacabana Palace. Ela voltou aos Estados Unidos somente em abril de 1955.<br \/>\nAinda faria uma turn\u00ea em Las Vegas e em Cuba e receberia uma proposta do canal CBS para ter um programa semanal na TV. No dia 4 de agosto de 1955, participou do programa de Jimmy Durante, na NBC. Foi encontrada morta no corredor da sua casa na manh\u00e3 seguinte, v\u00edtima de um ataque card\u00edaco.<br \/>\nCarmen Miranda fotografada por Annemarie Heinrich em 1935<br \/>\nDom\u00ednio p\u00fablico<br \/>\nS\u00edmbolo de brasilidade?<br \/>\nPara Jord\u00e3o, Carmen se tornou s\u00edmbolo de brasilidade porque encarnou, de forma \u201cperform\u00e1tica e midi\u00e1tica\u201d, um Brasil \u201cque o pr\u00f3prio Brasil estava tentando entender e vender\u201d.<br \/>\nRenata Couto ressalta que n\u00e3o se pode ignorar o papel de Carmen Miranda como uma \u201cmulher extremamente revolucion\u00e1ria, que tinha um comportamento pioneiro\u201d em seu tempo: \u201cEla n\u00e3o se encaixava nos padr\u00f5es tradicionais e esperados do que era ser mulher nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930 no Brasil\u201d.<br \/>\nJord\u00e3o ressalta que, embora tivesse nascido em Portugal, a artista cresceu no Brasil e teve sua identidade art\u00edstica forjada no r\u00e1dio, nos teatros de revista e no in\u00edcio da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica nacional.<br \/>\n\u201cAo assumir elementos da cultura popular, especialmente a m\u00fasica afro-brasileira e os trajes das baianas, ela se tornou uma tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, ainda que estilizada, do que se queria projetar como \u2018alma brasileira\u2019. \u00c9 um caso cl\u00e1ssico de uma brasilidade constru\u00edda mais pela forma como \u00e9 vista do que pela realidade que representa.\u201d<br \/>\n\u201cEssa imagem foi constru\u00edda a muitas m\u00e3os. Envolve o r\u00e1dio, a ind\u00fastria cultural, o Estado Novo, o cinema hollywoodiano e tamb\u00e9m o contexto da pol\u00edtica de Boa Vizinhan\u00e7a com os Estados Unidos\u201d, diz Jord\u00e3o.<br \/>\n\u201cCarmen foi moldando sua persona a partir de c\u00f3digos reconhec\u00edveis: a tropicalidade, a sensualidade, o ritmo do samba, mas sempre com uma est\u00e9tica amplificada, quase caricatural.\u201d<br \/>\nEra um Brasil do teatro de revista. L\u00fadico, alto astral, popular e festivo. \u201cN\u00e3o era uma representa\u00e7\u00e3o direta do Brasil real, mas sim de um Brasil performado, que pudesse circular internacionalmente\u201d, afirma Jord\u00e3o.<br \/>\n\u201cSua imagem visual, com turbantes, frutas e tecidos exuberantes, \u00e9 resultado de escolhas est\u00e9ticas que dialogavam tanto com o imagin\u00e1rio externo quanto com a cultura visual interna\u201d, prossegue.<br \/>\nPara Couto, no entanto, Carmen Miranda vendia n\u00e3o uma ideia de Brasil, mas de Am\u00e9rica Latina: \u201cFoi uma mulher latina, representou a latinidade. Essa imagem da Carmen como Brasil tipo exporta\u00e7\u00e3o, eu diria que \u00e9 uma coisa muito recente\u201d.<br \/>\nOs elementos da cria\u00e7\u00e3o da personagem Carmen Miranda tamb\u00e9m s\u00e3o creditados a Dorival Caymmi. O autor de O que \u00e9 que a bahiana tem?\u2019 orientou a cantora at\u00e9 no gestual para o filme de 1939. Para Jord\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o de ambos foi de uma \u201cdin\u00e2mica de tradu\u00e7\u00e3o perform\u00e1tica\u201d.<br \/>\n\u201cEla potencializou a letra, exagerando nas cores. Mas a m\u00fasica j\u00e1 descrevia esse Brasil tropical, essa baiana que requebra bem, essas coisas\u201d, pontua Ikeda.<br \/>\nJord\u00e3o concorda. \u201cEnquanto Caymmi constru\u00eda uma Bahia musicalizada com tra\u00e7os de melancolia, espiritualidade e identidade negra, Carmen devolvia essa imagem sob a lente do espet\u00e1culo: colorida, exagerada, teatral\u201d, comenta.<br \/>\n\u201cEla n\u00e3o era exatamente um alter ego, mas uma amplifica\u00e7\u00e3o estilizada do universo que Caymmi evocava. Nessa amplifica\u00e7\u00e3o, ganha-se pot\u00eancia midi\u00e1tica, mas perde-se parte da densidade simb\u00f3lica.\u201d<br \/>\nPara a especialista, este \u00e9 mais um exemplo da ambiguidade de sua trajet\u00f3ria. Afinal, Carmen foi o que se diz de \u201cuma mulher \u00e0 frente do seu tempo, carism\u00e1tica, irreverente e pioneira\u201d.<br \/>\n\u201cMas tamb\u00e9m um corpo a servi\u00e7o de estere\u00f3tipos e interesses geopol\u00edticos. Ao performar a baiana em Hollywood, ela transformou um s\u00edmbolo de resist\u00eancia negra em emblema de uma brasilidade export\u00e1vel, palat\u00e1vel ao gosto estrangeiro, mas distanciada de suas ra\u00edzes afrobrasileiras.\u201d<br \/>\nQuanto vale Carmen Miranda? Leil\u00e3o com raridades da estrela tem lances baixos e dom\u00ednio de estrangeiros<br \/>\nA hist\u00f3ria do \u2018maior ladr\u00e3o de livros raros do Brasil\u2019<br \/>\nO Brasil do olhar estrangeiro: parte 4, Brasil chega a Hollywood<br \/>\nCarmen Miranda \u00e9 tema da coluna de Nelson Motta<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/08\/05\/carmen-miranda-como-estrela-portuguesa-virou-maior-simbolo-internacional-do-brasil.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carmen Miranda, em filme de 1953 Arquivo Nacional via BBC A morte de Carmen Miranda h\u00e1 70 anos, na madrugada de 5 de agosto de de 1955, precipitou um solene Carnaval fora de \u00e9poca no Rio de Janeiro que ela tanto amava. 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