{"id":41703,"date":"2025-08-31T18:02:06","date_gmt":"2025-08-31T21:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/da-relacao-dificil-com-o-pai-a-generosidade-com-jovens-artistas-as-outras-facetas-do-fabricante-de-best-sellers-luis-fernando-verissimo\/"},"modified":"2025-08-31T18:02:06","modified_gmt":"2025-08-31T21:02:06","slug":"da-relacao-dificil-com-o-pai-a-generosidade-com-jovens-artistas-as-outras-facetas-do-fabricante-de-best-sellers-luis-fernando-verissimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/da-relacao-dificil-com-o-pai-a-generosidade-com-jovens-artistas-as-outras-facetas-do-fabricante-de-best-sellers-luis-fernando-verissimo\/","title":{"rendered":"Da rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil com o pai \u00e0 generosidade com jovens artistas: as outras facetas do fabricante de best-sellers Luis Fernando Verissimo"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Nacionalmente conhecido pelas cr\u00f4nicas de humor nas quais despontaram personagens como a Velhinha de Taubat\u00e9, o Analista de Bag\u00e9 e o detetive Ed Mort, pelas tiras das Cobras e da Fam\u00edlia Brasil e pelos roteiros para TV, cinema e teatro, Luis Fernando Verissimo era uma usina de intelig\u00eancia e criatividade em carne e osso.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vasta que se torna dif\u00edcil at\u00e9 mesmo defini-lo com base nas categorias existentes da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e art\u00edstica. Escritor? Cronista? Humorista? Roteirista? Intelectual?<br \/>\nQualquer um desses r\u00f3tulos corre o risco de deixar fora uma variedade de aspectos da trajet\u00f3ria do autor que sempre fez quest\u00e3o de n\u00e3o se levar demasiadamente a s\u00e9rio \u2014 nem aos outros \u2014 e que morreu neste s\u00e1bado (30\/8), aos 88 anos, em Porto Alegre (RS).<br \/>\nMais do que os predicados como profissional, muitos dos que conheceram Verissimo de perto admiram sua grandeza humana.<br \/>\n\u00c9 o caso do publicit\u00e1rio e escritor Fraga, amigo de Verissimo por 53 anos e a quem coube, entre outros privil\u00e9gios, emprestar as fei\u00e7\u00f5es para o Analista de Bag\u00e9: \u201cGosto mais do Luis Fernando como pessoa do que como escritor\u201d, resume.<br \/>\nFato \u00e9 que Verissimo foi dono de diferentes facetas, algumas pouco conhecidas por seu p\u00fablico mais cativo.<br \/>\nEle teve um lado desenhista, outro m\u00fasico. Era fan\u00e1tico por futebol, apesar de ter passado parte da inf\u00e2ncia nos Estados Unidos e de ter sido visto muitas vezes como excessivamente influenciado pela cultura norte-americana e europeia. Cultivou uma rela\u00e7\u00e3o afetuosa, por\u00e9m dif\u00edcil, com o pai e era bastante generoso com jovens artistas.<br \/>\nConhe\u00e7a essas e outras hist\u00f3rias a seguir.<br \/>\nVerissimo foi velado no Sal\u00e3o Julio de Castilhos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul<br \/>\nMarcos Oliveira\/ ALRS\/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nO homem de imprensa<br \/>\nNascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, ele s\u00f3 passou a ser conhecido pelo sobrenome depois da morte do pai, Erico (1905-1975).<br \/>\nAntes disso, era \u201co filho do Erico\u201d ou \u201cLuis Fernando\u201d \u2014 qualquer outro tratamento implicaria risco de ser confundido com o maior nome da literatura ga\u00facha.<br \/>\nApesar de ter nascido e crescido em uma casa cheia de livros e acostumado \u00e0 companhia de escritores e artistas \u2014 ou talvez por isso mesmo \u2014, Verissimo jamais se viu como predestinado \u00e0 atividade liter\u00e1ria.<br \/>\nA primeira e mais marcante influ\u00eancia do pai, aquela na qual ele parece ter visto um espa\u00e7o para si pr\u00f3prio, foi a atividade jornal\u00edstica e editorial.<br \/>\nNatural de Cruz Alta, na regi\u00e3o centro-norte do Rio Grande do Sul, que serviu de ambiente para boa parte de sua obra, Erico chegou a Porto Alegre em 1930 como tradutor da Livraria do Globo, uma das principais casas editoriais do pa\u00eds, e secret\u00e1rio de reda\u00e7\u00e3o da Revista do Globo, principal publica\u00e7\u00e3o da casa.<br \/>\nEra uma posi\u00e7\u00e3o de prest\u00edgio, mas insuficiente para mant\u00ea-lo e \u00e0 mulher, Mafalda (1913-2003), antes dos primeiros \u00eaxitos liter\u00e1rios.<br \/>\nPara complementar a renda, o escritor iniciante tornou-se colaborador do Di\u00e1rio de Not\u00edcias e do Correio do Povo, dois dos principais di\u00e1rios da \u00e9poca.<br \/>\nSua milit\u00e2ncia jornal\u00edstica foi t\u00e3o marcante que, em 1935, Erico foi eleito primeiro presidente da rec\u00e9m-criada Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa (ARI), que existe at\u00e9 hoje.<br \/>\nA exemplo do pai e de praticamente todos os grandes nomes da literatura ga\u00facha, Luis Fernando produziu grande parte de sua obra na e para a imprensa, inclusive di\u00e1ria.<br \/>\nEmbora tenha crescido entre reda\u00e7\u00f5es de jornais e a sede da Livraria do Globo, uma das principais editoras do pa\u00eds, acompanhando o pai, Verissimo estreou relativamente tarde no of\u00edcio, aos 31 anos.<br \/>\nQuando assumiu pela primeira vez como interino uma coluna de notas no jornal Zero Hora, em 1969, era casado com Lucia, pai de duas filhas (Fernanda, nascida em 1965, e Mariana, em 1967) e conhecido apenas pelo sobrenome ilustre.<br \/>\nPassara por empresas de publicidade como redator at\u00e9 se tornar, no in\u00edcio dos anos 1970, s\u00f3cio de uma delas, com o argentino radicado no Brasil Anibal Bendatti, chefe de diagrama\u00e7\u00e3o de Zero Hora.<br \/>\nNa era de ouro da publicidade impressa, o carro-chefe da parceria era a revista Carrinho, produzida para o Supermercado Real.<br \/>\nFoi no coquetel de lan\u00e7amento da publica\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio dos anos 1970, que Fraga apertou pela primeira vez a m\u00e3o do futuro escritor.<br \/>\nDepois, fizeram dupla como redatores da ag\u00eancia MPM, al\u00e9m de colunistas do jornal Folha da Manh\u00e3, do grupo Caldas J\u00fanior, que editava o Correio do Povo, principal ve\u00edculo da imprensa ga\u00facha na \u00e9poca.<br \/>\n\u201cNa MPM, fic\u00e1vamos na mesma sala, cada um em uma mesa. O filho dele, Pedro (nascido em 1970), estudava no anexo do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o, e o meu filho tamb\u00e9m. Era um conv\u00edvio muito pr\u00f3ximo\u201d, diz Fraga.<br \/>\nOutro companheiro de Verissimo na Folha da Manh\u00e3, o artista gr\u00e1fico Edgar Vasques, deve ao escritor a consagra\u00e7\u00e3o de seu mais c\u00e9lebre personagem.<br \/>\n\u201cQuando ele (Verissimo) tirou f\u00e9rias, n\u00e3o havia outro humorista no jornal. A\u00ed os caras me escalaram para substitu\u00ed-lo. Eu disse: quem sou eu?\u201d, recorda-se.<br \/>\nPara dar conta da tarefa, Vasques lan\u00e7ou m\u00e3o do miser\u00e1vel latino-americano Rango, que criara em 1970, ainda como estudante na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).<br \/>\nCom o ambiente opressivo de censura sob a ditadura militar, a criatura amargara, no dizer do artista, \u201ctr\u00eas aninhos na gaveta\u201d.<br \/>\nAo retornar \u00e0 reda\u00e7\u00e3o, Verissimo brincou com o substituto dizendo que \u201cperdera o emprego\u201d, lembra Vasques, logo al\u00e7ado a titular de uma coluna pr\u00f3pria no jornal.<br \/>\nO publicit\u00e1rio Fraga, 75 anos, foi amigo e colega de Verissimo por 53 anos<br \/>\nLuiz Ant\u00f4nio Ara\u00fajo<br \/>\nO desenhista<br \/>\nQuando Verissimo lan\u00e7ou a primeira colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas, O popular, em 1973, pela Jos\u00e9 Olympio Editora, a mat\u00e9ria-prima foram os textos e tiras publicados na Folha da Manh\u00e3.<br \/>\nEle dizia que havia aprendido os fundamentos da arte gr\u00e1fica com o \u201cvelho Zeuner\u201d no departamento gr\u00e1fico da Editora Globo.<br \/>\nFormado na Academia de Artes de Leipzig, Alemanha, Ernst Zeuner (1895-1967) foi um dos respons\u00e1veis pela eleva\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o gr\u00e1fico das publica\u00e7\u00f5es da Globo, al\u00e9m de ter deixado pelo menos uma pintura ic\u00f4nica: o Quadro da Chegada, \u00f3leo sobre tela que retrata a chegada dos colonos alem\u00e3es ao Rio Grande do Sul em 1824 e est\u00e1 no Museu Hist\u00f3rico Visconde de S\u00e3o Leopoldo.<br \/>\nSeu tra\u00e7o despojado e conciso mostrava outra influ\u00eancia: a produ\u00e7\u00e3o de Jules Feiffer, Saul Steinberg e outros grandes nomes do desenho de imprensa dos Estados Unidos, que conhecera nas duas passagens da fam\u00edlia pelos Estados Unidos (1943-1945 e 1953-1956).<br \/>\nModesto, Verissimo costumava referir-se ao per\u00edodo at\u00e9 os anos 1970 como \u201ca \u00e9poca em que eu desenhava mal\u201d.<br \/>\n\u201cEle dizia, ironicamente: \u2018Eu desenho quando t\u00f4 com pregui\u00e7a de escrever&#8217;\u201d, afirma Vasques. E completa, rindo: \u201cComo se fosse mais f\u00e1cil\u201d.<br \/>\nEm 1975, Verissimo retornou a Zero Hora como colunista di\u00e1rio e passou a colaborar tamb\u00e9m com o Caderno B do Jornal do Brasil.<br \/>\nNo jornal ga\u00facho, nasceram tipos como o Analista de Bag\u00e9 e o detetive Ed Mort, enquanto a Velhinha de Taubat\u00e9, \u201ca \u00faltima brasileira a acreditar no governo\u201d, viria \u00e0 luz em 1982 na revista Veja.<br \/>\nVerissimo deixaria de escrever apenas em 2021, em raz\u00e3o de sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC).<br \/>\nLuis Fernando Verissimo construiu um vasto legado, com mais de 70 livros publicados e 5,6 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o dif\u00edcil com o pai<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o de Verissimo com o pai foi marcada pelo afeto, por um lado, e pela incomunicabilidade, por outro.<br \/>\nEm seu livro de mem\u00f3rias, Solo de clarineta, cujo segundo tomo foi organizado por Fl\u00e1vio Loureiro Chaves e publicado postumamente, Erico registra o desejo frustrado de uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima e transparente com o filho.<br \/>\nAo mesmo tempo, o escritor reconhecia no temperamento fechado de Luis Fernando tra\u00e7os de sua pr\u00f3pria timidez.<br \/>\n\u00c0s vezes, chegava a recorrer a terceiros em busca de pistas para se aproximar do filho.<br \/>\n\u201cPor favor, me fala do Luis\u201d, disse certa vez ao jornalista Ruy Carlos Ostermann (1935-2025), amigo de ambos e respons\u00e1vel pela passagem de Verissimo filho pela Folha da Manh\u00e3.<br \/>\nN\u00e3o se tratava de uma dificuldade t\u00edpica de Erico.<br \/>\nIndagado sobre se alguma vez notou Verissimo mais expansivo em 53 anos de amizade, Fraga sorri e responde de pronto: \u201cNunca\u201d.<br \/>\nRelata, por\u00e9m, um epis\u00f3dio que sintetiza a personalidade do amigo.<br \/>\n\u201cUma vez, vi um \u00e1lbum de um cartunista alem\u00e3o maravilhoso que s\u00f3 tinha para vender nos Estados Unidos. Pedi: \u2018Luis Fernando, voc\u00eas est\u00e3o indo de f\u00e9rias para os EUA, me traz este \u00e1lbum que eu te reembolso&#8217;\u201d, conta o publicit\u00e1rio.<br \/>\nAo retornar, Verissimo entregou-lhe o volume e n\u00e3o aceitou ressarcimento. Fraga pediu-lhe, ent\u00e3o, uma dedicat\u00f3ria e, quando o amigo estava com a caneta em punho, acrescentou: \u201cPor favor, n\u00e9? Escreve uma dedicat\u00f3ria bonitinha. N\u00e3o vai escrever nada lac\u00f4nico\u201d.<br \/>\nA mensagem que acabou rabiscada no livro dizia: \u201cPara o Fraga, com a amizade lac\u00f4nica por\u00e9m sincera do Luis Fernando\u201d.<br \/>\nO incentivador de talentos<br \/>\nO retraimento n\u00e3o impedia Verissimo de atender religiosamente pedidos de entrevista e produ\u00e7\u00e3o de pref\u00e1cios, orelhas e declara\u00e7\u00f5es que lhe chegavam todos os dias \u00e0s d\u00fazias, normalmente mediados pela mulher, Lucia.<br \/>\nO jornalista e escritor Roberto Jardim foi um entre as centenas de agraciados pela generosidade do \u00eddolo, que entrevistou pela primeira vez ainda como estudante de Jornalismo.<br \/>\n\u201cEle pediu que eu mandasse as perguntas por fax. Nem e-mail existia ainda. Mandei. Uma delas devia ser como ele se descrevia. Ele escreveu: \u2018Um rapaz alto, moreno, cabelos castanhos ondulados, enigm\u00e1tico e sensual&#8217;\u201d, diz Jardim.<br \/>\n\u00c0 m\u00e3o, Verissimo adicionou um coment\u00e1rio na folha de fax: \u201cEspalha, espalha\u201d.<br \/>\nEm 2020, Jardim voltou a contatar o escritor, desta vez com um pedido de texto de apresenta\u00e7\u00e3o para seu segundo livro, Democracia F\u00fatbol Club.<br \/>\n\u201cUma semana depois, acho, recebi um envelope com os originais, algumas linhas elogiosas e o texto que entrou na contracapa do livro\u201d, afirma.<br \/>\nFl\u00e2mula do Sport Club Internacional ornou caix\u00e3o de Verissimo, um dos mais famosos torcedores do clube<br \/>\nLuiz Ant\u00f4nio Ara\u00fajo<br \/>\nO m\u00fasico<br \/>\nAficionado por m\u00fasica de todos os g\u00eaneros, assim como o pai, mas com especial predile\u00e7\u00e3o pelo jazz, Verissimo frequentou desde a adolesc\u00eancia audit\u00f3rios e est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSaxofonista amador, participou de conjuntos e bandas, a mais famosa das quais foi a Jazz 6, que se apresentou no Rio Grande do Sul e em S\u00e3o Paulo e gravou cinco \u00e1lbuns, o \u00faltimo deles, Nas nuvens, em 2011.<br \/>\n\u201cCostum\u00e1vamos nos encontrar antes e depois de programas de TV que tinham apresenta\u00e7\u00f5es musicais, antes do advento do videoteipe, quando a cultura local tinha espa\u00e7o nas transmiss\u00f5es\u201d, diz Batista Filho, presidente de honra da ARI.<br \/>\nO amor pelo jazz foi apurado na segunda passagem dos Verissimo pelos Estados Unidos, nos anos 1950.<br \/>\nEra o auge do bebop, estilo jazz\u00edstico caracterizado pelo virtuosismo no qual pontificaram Charlie \u201cByrd\u201d Parker e Dizzy Gillespie, entre outros.<br \/>\nCom Erico empregado na Uni\u00e3o Panamericana, com sede em Washington, onde a fam\u00edlia vivia, o jovem Luis Fernando costumava pegar o trem para Nova York a fim de assistir apresenta\u00e7\u00f5es de seus \u00eddolos.<br \/>\nChegou a ouvir \u201cByrd\u201d e outros ao vivo na noite nova-iorquina e decidiu-se a aprender trompete, mas, diante das dificuldades do instrumento, optou pela suavidade do sax.<br \/>\n\u00c0s vezes, as facetas de m\u00fasico e desenhista mesclavam-se, como quando integrou o Conjunto Nacional com os irm\u00e3os Chico e Paulo Caruso, amigos de longa data, e outros.<br \/>\nEm outras, eram os artistas que buscavam inspira\u00e7\u00e3o em sua obra, como fizeram os tamb\u00e9m ga\u00fachos Kleiton e Kledir ao compor Analista de Bag\u00e9, inspirado no personagem de Verissimo.<br \/>\nO torcedor fan\u00e1tico<br \/>\nVisto muitas vezes como excessivamente influenciado pela cultura norte-americana e europeia, Verissimo n\u00e3o disfar\u00e7ava a brasilidade em um de seus aspectos caracter\u00edsticos: a paix\u00e3o futebol\u00edstica.<br \/>\nDizia com orgulho que tinha visto jogar os maiores times (Santos, Botafogo, Real Madrid) e jogadores (Pel\u00e9, Garrincha, Di Stefano) de sua juventude.<br \/>\nEm Porto Alegre, tornou-se ainda crian\u00e7a um frequentador impenitente de est\u00e1dios.<br \/>\nSua estreia como colunista coincidiu com a inaugura\u00e7\u00e3o do Beira-Rio, est\u00e1dio do Sport Club Internacional, time do cora\u00e7\u00e3o, em 1969.<br \/>\nFutebol n\u00e3o era apenas tema frequente de suas colunas di\u00e1rias, mas acabou por se tornar parte do cotidiano da casa dos Verissimo no bairro Petr\u00f3polis, frequentada por jogadores e dirigentes.<br \/>\nFoi durante um churrasco na resid\u00eancia com o zagueiro chileno El\u00edas Figueroa, rec\u00e9m-contratado pelo Internacional, emocionou a todos ao declamar versos do poeta Pablo Neruda, seu compatriota morto meses antes, \u00e0s v\u00e9speras do golpe militar de 1973 no pa\u00eds.<br \/>\nO apego de Verissimo ao Internacional refletiu-se em um detalhe quase impercept\u00edvel em seu vel\u00f3rio.<br \/>\nSobre o caix\u00e3o, a fam\u00edlia depositou um fl\u00e2mula desbotada com o nome do clube acompanhado da frase \u201cCampe\u00e3o brasileiro\u201d.<br \/>\nComo a pe\u00e7a n\u00e3o ostenta data e o time ergueu a ta\u00e7a do Campeonato Brasileiro em tr\u00eas oportunidades (1975, 1978 e 1979), \u00e9 presum\u00edvel que a comemora\u00e7\u00e3o seja alusiva \u00e0 primeira conquista.<br \/>\nO adeus a Luis Fernando Ver\u00edssimo: familiares e admiradores se despedem do escritor<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/08\/31\/da-relacao-dificil-com-o-pai-a-generosidade-com-jovens-artistas-as-outras-facetas-do-fabricante-de-best-sellers-luis-fernando-verissimo.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nacionalmente conhecido pelas cr\u00f4nicas de humor nas quais despontaram personagens como a Velhinha de Taubat\u00e9, o Analista de Bag\u00e9 e o detetive Ed Mort, pelas tiras das Cobras e da Fam\u00edlia Brasil e pelos roteiros para TV, cinema e teatro, Luis 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