{"id":41774,"date":"2025-09-02T03:02:30","date_gmt":"2025-09-02T06:02:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/planet-hemp-lamenta-sequestro-da-causa-da-liberdade-de-expressao-por-pessoas-que-querem-volta-da-ditadura\/"},"modified":"2025-09-02T03:02:30","modified_gmt":"2025-09-02T06:02:30","slug":"planet-hemp-lamenta-sequestro-da-causa-da-liberdade-de-expressao-por-pessoas-que-querem-volta-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/planet-hemp-lamenta-sequestro-da-causa-da-liberdade-de-expressao-por-pessoas-que-querem-volta-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Planet Hemp lamenta \u2018sequestro da causa\u2019 da liberdade de express\u00e3o por \u2018pessoas que querem volta da ditadura\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     A banda Planet Hemp percorre dez capitais do Brasil, entre setembro e novembro, com a turn\u00ea \u2018A \u00faltima ponta\u2019<br \/>\nWillmore \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nO Planet Hemp nasceu com gritos pela liberdade de express\u00e3o em um Brasil rec\u00e9m-sa\u00eddo da ditadura. Ap\u00f3s 30 anos, a banda se despede satisfeita com o legado art\u00edstico, mas pessimista pelo que v\u00ea como \u201csequestro\u201d desta pauta por pessoas que, no fim, querem o oposto: a volta da ditadura militar.<br \/>\nA partir de setembro, o Planet Hemp come\u00e7a sua turn\u00ea de despedida. Intitulada \u201cA \u00daltima Ponta\u201d, a s\u00e9rie de shows come\u00e7a por Salvador, no dia 13 de setembro, e termina no Rio de Janeiro, em 13 de dezembro. A banda vai passar tamb\u00e9m por outras capitais: Recife, Curitiba, Porto Alegre, Florian\u00f3polis, Goi\u00e2nia, Bras\u00edlia, Belo Horizonte e S\u00e3o Paulo.<br \/>\nEm 1995, eles viraram \u00eddolos de uma juventude que cresceu vendo o pa\u00eds ser silenciado em uma ditadura, mas que j\u00e1 experimentava a liberdade de falar o que pensava sem tanto medo.<br \/>\nFoi assim que Marcelo D2, Skunk, Rafael, Formig\u00e3o e Bacalhau se reuniram para dar voz a uma juventude que ainda n\u00e3o encontrava espa\u00e7o no mainstream. Sem saberem o que estava construindo, o Planet Hemp ajudou a criar um rap que tinha mais a ver com a cara do Rio de Janeiro.<br \/>\n\u201cO Planet foi muito importante nessa parada de fazer um estilo de rap genuinamente carioca. Isso \u00e9 muito importante dentro do pr\u00f3prio movimento do hip-hop, porque a tend\u00eancia sempre era ficar parecido com S\u00e3o Paulo\u201d, explica B Neg\u00e3o, integrante que chegou \u00e0 banda depois da morte de Skunk (1967-1994).<br \/>\n\u201cA gente queria fazer um som completamente diferente e somar pela diferen\u00e7a\u201d, continua B Neg\u00e3o, sendo complementado por Marcelo D2: \u201cpela diversidade\u201d. Segundo eles, essa diversidade interna ajudou a consolidar a sonoridade \u00fanica da banda.<br \/>\n\u201cEssa diversidade dentro do Planet Hemp \u00e9 muito interessante. A gente tem pessoas completamente diferentes, que torna a banda interessante para o grande p\u00fablico tamb\u00e9m\u201d, diz D2.<br \/>\nPol\u00edtica e contracultura<br \/>\n\u201cA gente veio de um momento p\u00f3s-ditadura, [Brasil] come\u00e7ando a abrir, falando sobre as coisas e refletindo muito dos nossos mestres do underground\u201d, lembra B Neg\u00e3o. Para os m\u00fasicos, esse peso pol\u00edtico ainda acompanha a cena cultural atual.<br \/>\n\u201cEssa anistia que aceitaram l\u00e1 atr\u00e1s est\u00e1 f*** a gente agora. Essa galera est\u00e1 no comando at\u00e9 hoje\u201d, continua o artista.<br \/>\nDurante todo o tempo em que a banda esteve ativa \u2014 e mesmo nos per\u00edodos de hiato \u2014 o Planet sempre cutucou feridas de um pa\u00eds que, apesar de curtir a m\u00fasica que eles faziam, ainda se sentia acuado pelo medo das mem\u00f3rias da ditadura, segundo D2.<br \/>\nUm reflexo disso foi a pris\u00e3o do grupo inteiro em 1997, acusados de apologia \u00e0s drogas durante um show no Rio de Janeiro, justificado pelas letras que falavam sobre o consumo de maconha. O primeiro disco do grupo se chama \u201cUsu\u00e1rio\u201d e contava com hits como \u201cLegalize J\u00e1\u201d, que se transformou em uma esp\u00e9cie de hino pela legaliza\u00e7\u00e3o e regulamenta\u00e7\u00e3o da venda e consumo da erva.<br \/>\nA maconha sempre esteve no centro da obra do grupo, mas o discurso, segundo eles, vai al\u00e9m da pol\u00eamica. \u201cPara brancos, ricos, que moram em condom\u00ednios, a maconha \u00e9 legalizada; para o resto, n\u00e3o\u201d, diz D2.<br \/>\nO epis\u00f3dio daquele ano marcou a hist\u00f3ria da banda e \u00e9 lembrado at\u00e9 hoje quando artistas enfrentam acusa\u00e7\u00f5es semelhantes.<br \/>\n\u201cA parada do Poze (do Rodo) teve esse lance de apologia num primeiro momento e a\u00ed eles viram que isso, de repente, nem iria colar, inclusive por conta de todo o debate que j\u00e1 tinha acontecido em rela\u00e7\u00e3o ao Planet h\u00e1 quase 30 anos\u201d, afirma Daniel Ganjaman.<br \/>\nA investiga\u00e7\u00e3o que prendeu Poze do Rodo apontou que as m\u00fasicas do artista faziam apologia ao tr\u00e1fico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo, al\u00e9m de incitar confrontos armados entre fac\u00e7\u00f5es rivais.<br \/>\nSegundo os artistas, o discurso est\u00e1 muito ligado \u00e0 onda conservadora que invadiu o pa\u00eds nos \u00faltimos anos. \u201cOs conservadores do Brasil s\u00e3o muito engra\u00e7ados. Eles s\u00e3o envolvidos com tr\u00e1fico de drogas, com golpe militar, que falam da fam\u00edlia brasileira e n\u00e3o honram a pr\u00f3pria fam\u00edlia\u201d, comenta B Neg\u00e3o.<br \/>\n\u201cE a\u00ed os caras v\u00eam com uma pauta moral, sendo que n\u00e3o seguem nada daquilo\u201d, continua.<br \/>\nDepois de anunciar o fim da banda, o Planet Hemp prepara turn\u00ea de despedida pelo Brasil<br \/>\nLiberdade de express\u00e3o<br \/>\n\u201cO Planet falava de liberdade de express\u00e3o no p\u00f3s-ditadura. Agora, os filhotes da ditadura militar dizem que querem liberdade de express\u00e3o para pedir a volta da ditadura\u201d, opina B Neg\u00e3o.<br \/>\nOs artistas criticam como esse discurso foi deturpado nos \u00faltimos anos. \u201cSequestraram as nossas causas, agora essa galera usa liberdade de express\u00e3o para cometer crime. \u00c9 um olhar elitista para o mundo\u201d, diz D2.<br \/>\nLegado aceso<br \/>\nMarcelo D2 resume o esp\u00edrito do grupo: \u201cNada nos foi dado\u201d. A banda, que alcan\u00e7ou o mainstream com um discurso contundente e provocador, encerra a carreira mantendo a mesma intensidade.<br \/>\n\u201cA gente tem uma garra e uma vontade que as coisas aconte\u00e7am fortes para c***\u201d, afirma D2. \u201cQueremos acreditar em alguma coisa diferente, mesmo em um momento em que estamos desacreditados demais\u201d, acrescenta D2. Ele destaca que essa postura mant\u00e9m vivo o legado do grupo.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/diversidade\/noticia\/2025\/09\/02\/planet-hemp-lamenta-sequestro-da-causa-da-liberdade-de-expressao-por-pessoas-que-querem-volta-da-ditadura.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A banda Planet Hemp percorre dez capitais do Brasil, entre setembro e novembro, com a turn\u00ea \u2018A \u00faltima ponta\u2019 Willmore \/ Divulga\u00e7\u00e3o O Planet Hemp nasceu com gritos pela liberdade de express\u00e3o em um Brasil rec\u00e9m-sa\u00eddo da ditadura. 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