{"id":42928,"date":"2025-09-19T06:02:03","date_gmt":"2025-09-19T09:02:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/como-filmes-asiaticos-influenciam-a-cultura-negra-americana\/"},"modified":"2025-09-19T06:02:03","modified_gmt":"2025-09-19T09:02:03","slug":"como-filmes-asiaticos-influenciam-a-cultura-negra-americana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/como-filmes-asiaticos-influenciam-a-cultura-negra-americana\/","title":{"rendered":"Como filmes asi\u00e1ticos influenciam a cultura negra americana"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Como filmes asi\u00e1ticos influenciam a cultura negra americana<br \/>\nSpike Lee, Kendrick Lamar e Kareem Abdul-Jabbar fazem parte da hist\u00f3ria de negros norte-americanos influenciados por filmes orientais, e muitos casos produ\u00e7\u00f5es que destacam o kung fu. Mas o que explica essa rela\u00e7\u00e3o no mercado americano?<br \/>\nO filme mais recente do diretor Spike Lee, \u201cLuta de Classes\u201d, \u00e9 uma releitura do cl\u00e1ssico \u201cC\u00e9u e Inferno\u201d, do japon\u00eas Akira Kurosawa. O longa \u00e9 s\u00f3 a ponta do iceberg de uma conex\u00e3o cultural profunda entre os negros americanos e produ\u00e7\u00f5es vindas da \u00c1sia.<br \/>\nMuitos desses longas s\u00e3o cheios de lutas de kung fu. Desde os anos 1970, essa ante marcial \u00e3o apenas transformou o cinema de a\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, mas tamb\u00e9m se tornaram s\u00edmbolos de resist\u00eancia e identifica\u00e7\u00e3o para jovens negros das grandes cidades.<br \/>\nComo o Kung Fu virou a voz dos guetos<br \/>\nBruce Lee e Jim Kelly nas grava\u00e7\u00f5es do filme \u2018Opera\u00e7\u00e3o Drag\u00e3o\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nDurante os anos 1960 e 1970, os guetos americanos viviam em guerra, marcada por gangues, aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas e repress\u00e3o do Estado. Esse cen\u00e1rio impulsionou a cria\u00e7\u00e3o de grupos pol\u00edticos como o Partido dos Panteras Negras e outros movimentos de resist\u00eancia.<br \/>\nNesse contexto de viol\u00eancia e pouca representa\u00e7\u00e3o nas m\u00eddias tradicionais, como as produ\u00e7\u00f5es de Hollywood, os filmes de kung fu come\u00e7aram a ganhar espa\u00e7o nos Estados Unidos.<br \/>\nNo in\u00edcio dos anos 1970, dois filmes marcaram essa virada: \u201cCinco Dedos de Viol\u00eancia\u201d e \u201cO Martelo de Deus\u201d. Eles abriram caminho para uma explos\u00e3o de quase 30 produ\u00e7\u00f5es de artes marciais lan\u00e7adas no mesmo ano, incluindo os cl\u00e1ssicos de Bruce Lee, como \u201cO Drag\u00e3o Chin\u00eas\u201d e \u201cA F\u00faria do Drag\u00e3o\u201d.<br \/>\nOs filmes eram exibidos nos cinemas da 42\u00aa Avenida, em Nova York. Eram baratos de adquirir e tinham ingressos acess\u00edveis para as popula\u00e7\u00f5es mais pobres. Tornaram-se um ref\u00fagio para uma comunidade que raramente via her\u00f3is negros nas telonas.<br \/>\nOs protagonistas asi\u00e1ticos eram diferentes, mas traziam hist\u00f3rias de luta contra a opress\u00e3o e desafios sociais muito pr\u00f3ximos da realidade dos guetos<br \/>\nMontagem posters dos filmes \u2018Five Fingers of Death\u2019 e \u2018The Hammer of God\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M: De \u2018Dragon Ball\u2019 a Megan Thee Stallion: como os animes influenciam o universo do hip-hop<br \/>\nA integra\u00e7\u00e3o entre o cinema blaxploitation (protagonizado por personagens negros) e o kung fu aconteceu em \u201cOpera\u00e7\u00e3o Drag\u00e3o\u201d (1973), quando Bruce Lee contracenou com Jim Kelly, um dos primeiros astros negros do g\u00eanero.<br \/>\nBruce Lee foi pe\u00e7a central na populariza\u00e7\u00e3o do g\u00eanero e na ponte cultural entre negros e asi\u00e1ticos. Ele chegou a contracenar com a lenda da NBA Kareem Abdul-Jabbar em \u201cJogo da Morte\u201d.<br \/>\nEssa mistura legitimou a presen\u00e7a de her\u00f3is negros e narrativas alinhadas \u00e0s batalhas da comunidade contra discrimina\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, j\u00e1 que muitos protagonistas dessas obras enfrentavam algum tipo de injusti\u00e7a.<br \/>\nFilmes como \u201cCle\u00f3patra Jones\u201d e \u201cO Drag\u00e3o Negro\u201d seguiram essa tend\u00eancia, abrindo caminho para uma est\u00e9tica de poder e resist\u00eancia que ecoaria em outras manifesta\u00e7\u00f5es culturais.<br \/>\nWu-Tang Clan, um dos \u00edcones da cultura Hip Hop mundial, se apresenta em S\u00e3o Paulo<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nSe h\u00e1 um grupo que exemplifica essa influ\u00eancia, \u00e9 o Wu-Tang Clan. O coletivo, formado por RZA, Ghostface Killah, Method Man e outros nomes, tem cl\u00e1ssicos como \u201cC.R.E.A.M.\u201d, \u201cProtect Ya Neck\u201d e \u201cShame\u201d (com o System of a Down).<br \/>\nEles cresceram imersos nesse universo, fazendo da filosofia do kung fu a alma do grupo. O filme \u201cShaolin vs. Wu Tang\u201d inspirou o nome da banda, e as armas e t\u00e9cnicas marciais foram transformadas em rimas, batidas e microfones \u2014 como eles pr\u00f3prios dizem.<br \/>\nA dan\u00e7a dos B-Boys tamb\u00e9m bebeu diretamente dos movimentos de artes marciais para criar os passos do breakdance. Na s\u00e9rie da Netflix \u201cThe Get Down\u201d, que retrata o nascimento do hip-hop, os core\u00f3grafos Rich e Tone Talauega contaram que assistiram a muitos filmes de kung fu para se inspirar nas coreografias.<br \/>\nEssa fus\u00e3o entre culturas asi\u00e1tica e negra atravessou os anos 1970 e 1980. Est\u00e1 presente em produ\u00e7\u00f5es mais recentes, como \u201cBlade\u201d (com Wesley Snipes), \u201cA Hora do Rush\u201d, \u201cGhost Dog: O Caminho do Samurai\u201d e at\u00e9 na anima\u00e7\u00e3o \u201cAvatar: A Lenda de Aang\u201d, que contou com consultoria de um mestre de kung fu negro, Sifu Kisu.<br \/>\nNo rap contempor\u00e2neo, Kendrick Lamar incorporou a persona \u201cKung Fu Kenny\u201d, inspirada no personagem de Don Cheadle em \u201cA Hora do Rush 2\u201d, em seu \u00e1lbum \u201cDAMN\u201d (2017). O ator, inclusive, aparece no clipe de \u201cDNA\u201d.<br \/>\nSpike Lee e a reinterpreta\u00e7\u00e3o destes cl\u00e1ssicos<br \/>\nMontagem de Kendrick Lamar no clipe da faixa \u2018DNA\u2019 e o ator Don Cheandle no filme \u2018A Hora do Rush 2\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nSpike Lee j\u00e1 havia demonstrado sua admira\u00e7\u00e3o pelo cinema japon\u00eas em \u201cEla Quer Tudo\u201d (1986), inspirado em \u201cRashomon\u201d (1950), de Akira Kurosawa. Agora, em \u201cDo Mais Alto ao Mais Baixo\u201d, que estreia no Brasil em 5 de setembro, ele revisita \u201cC\u00e9u e Inferno\u201d (1963) com um olhar que denuncia as desigualdades sociais e econ\u00f4micas contempor\u00e2neas.<br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o da A24 \u00e9 mais uma colabora\u00e7\u00e3o entre Spike Lee e Denzel Washington, dupla que j\u00e1 trabalhou em \u201cMalcolm X\u201d, \u201cJogada Decisiva\u201d e \u201cO Plano Perfeito\u201d. O elenco ainda conta com A$AP Rocky e Ice Spice.<br \/>\nEssas hist\u00f3rias, que marcaram jovens negros desde a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia, geraram identifica\u00e7\u00e3o e inspiraram gera\u00e7\u00f5es a contar suas pr\u00f3prias narrativas. Assumem, dessa forma, o protagonismo sem se limitar por barreiras lingu\u00edsticas ou pela opress\u00e3o do ambiente.<br \/>\nCena do filme \u2018Luta de Classes\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o \/ Apple TV+<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/diversidade\/noticia\/2025\/09\/19\/como-filmes-asiaticos-influenciam-a-cultura-negra-americana.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como filmes asi\u00e1ticos influenciam a cultura negra americana Spike Lee, Kendrick Lamar e Kareem Abdul-Jabbar fazem parte da hist\u00f3ria de negros norte-americanos influenciados por filmes orientais, e muitos casos produ\u00e7\u00f5es que destacam o kung fu. Mas o que explica essa rela\u00e7\u00e3o no mercado americano? O filme mais recente do diretor Spike Lee, \u201cLuta de Classes\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":42929,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-42928","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42928","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42928"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42928\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}