{"id":43689,"date":"2025-10-04T18:00:54","date_gmt":"2025-10-04T21:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/o-office-boy-que-se-tornou-o-primeiro-rosto-humano-da-historia-a-aparecer-na-tv\/"},"modified":"2025-10-04T18:00:54","modified_gmt":"2025-10-04T21:00:54","slug":"o-office-boy-que-se-tornou-o-primeiro-rosto-humano-da-historia-a-aparecer-na-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/o-office-boy-que-se-tornou-o-primeiro-rosto-humano-da-historia-a-aparecer-na-tv\/","title":{"rendered":"O office-boy que se tornou o primeiro rosto humano da hist\u00f3ria a aparecer na TV"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Um s\u00e9culo atr\u00e1s, no dia 2 de outubro de 1925, o inventor escoc\u00eas John Logie Baird (1888-1946) transmitiu com sucesso, pela primeira vez, a imagem em movimento de um rosto humano reconhec\u00edvel<br \/>\nAlamy<br \/>\nOs cientistas vinham trabalhando na inven\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o desde os anos 1850. Mas foi preciso um inventor independente, usando far\u00f3is de bicicleta, restos de madeira e latas de biscoitos, para que ela se tornasse realidade.<br \/>\nJohn Logie Baird (1888-1946) era um inventor em s\u00e9rie que havia atingido relativo sucesso, at\u00e9 conseguir sua grande descoberta.<br \/>\nFilho de sacerdote, Baird enfrentou problemas de sa\u00fade na maior parte de sua vida. Por isso, os m\u00e9dicos o declararam inapto a servir na Primeira Guerra Mundial (1914-1918).<br \/>\nEle come\u00e7ou, ent\u00e3o, a trabalhar em uma companhia de eletricidade, mantendo paralelamente uma intensa linha empresarial.<br \/>\nInspirado pelo conto O Fabricante de Diamantes, do seu \u00eddolo, o escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica H.G. Wells (1866-1946), Baird tentou produzir diamantes artificiais a partir de carbono, com intenso consumo de eletricidade. Mas s\u00f3 o que ele conseguiu foi derrubar parte do abastecimento de energia da cidade de Glasgow, no Reino Unido.<br \/>\nSua desastrosa tentativa de encontrar uma cura dom\u00e9stica para as hemorroidas tamb\u00e9m s\u00f3 fez criar uma amostra daquele tipo de atividade que, no futuro, receberia o alerta dos apresentadores de televis\u00e3o: \u201cN\u00e3o tente fazer isso em casa.\u201d<br \/>\nMesmo com esses fracassos, Baird conseguiu algum sucesso comercial.<br \/>\nEm 1923, usando o capital obtido com a venda das suas empresas de meias e sab\u00e3o, ele alugou instala\u00e7\u00f5es modestas em Hastings, no litoral sul da Inglaterra.<br \/>\nO ar mar\u00edtimo fez bem aos seus pulm\u00f5es enfraquecidos, mas o ambiente de trabalho era um pesadelo, em termos de sa\u00fade e de seguran\u00e7a.<br \/>\nBaird montou um laborat\u00f3rio para come\u00e7ar seus experimentos com televis\u00e3o. Ele construiu seu aparelho de forma improvisada, usando materiais de sucata, como uma velha caixa de ch\u00e1 equipada com um motor.<br \/>\nNo centro do sistema de Baird, havia um grande disco que girava em alta velocidade, para escanear imagens, linha ap\u00f3s linha, usando fotodetectores e ilumina\u00e7\u00e3o intensa. Estes sinais eram transmitidos e reconstru\u00eddos para produzir figuras em movimento.<br \/>\nUm dia, ele conseguiu transmitir uma silhueta. Foi ali que o sonho de d\u00e9cadas, de criar a televis\u00e3o, finalmente entrou em cena.<br \/>\nWilliam Taynton e Margaret Baird, esposa do inventor escoc\u00eas John Logie Baird, inspecionam um dos seus primeiros aparelhos televisores em uma recep\u00e7\u00e3o em homenagem ao inventor em Londres, no dia 14 de agosto de 1963<br \/>\nKeystone via Getty Images<br \/>\nBaird se queimou com um choque el\u00e9trico no seu laborat\u00f3rio de Hastings. Com isso, chegou a hora de se mudar para as luzes brilhantes de Londres.<br \/>\nO inventor alugou um apartamento no andar de cima de um estabelecimento comercial, em 22 Frith Street, no distrito de Soho. Ali, ele montou um novo laborat\u00f3rio.<br \/>\nSeu aparelho mec\u00e2nico emitia tanto calor que as pessoas tinham dificuldade para suportar sua intensidade. Por isso, Baird precisava usar para os seus experimentos um boneco de ventr\u00edloquo, que ele batizou de Stooky Bill.<br \/>\nMas, no dia 2 de outubro de 1925, Baird, ent\u00e3o com 37 anos, conseguiu uma cobaia humana e fez uma descoberta inacredit\u00e1vel.<br \/>\nWilliam Taynton, um office-boy de 20 anos de idade, trabalhava no andar t\u00e9rreo do pr\u00e9dio onde ficava o laborat\u00f3rio improvisado de Baird. Ele contou \u00e0 BBC, 40 anos depois, como tudo se passou:<br \/>\n\u201cO sr. Baird desceu correndo, tomado pelo entusiasmo, e quase me arrastou para fora do escrit\u00f3rio, para que eu fosse at\u00e9 o seu pequeno laborat\u00f3rio.\u201d<br \/>\n\u201cAcho que ele estava t\u00e3o empolgado naquele momento que as palavras n\u00e3o sa\u00edam. Ele quase me agarrou e queria que eu subisse as escadas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.\u201d<br \/>\nStooky Bill \u2014 o boneco de ventr\u00edloquo usado por John Logie Baird \u2014 n\u00e3o oferecia os movimentos necess\u00e1rios para a experi\u00eancia. Foi necess\u00e1rio recrutar uma cobaia humana<br \/>\nSSPL via Getty Images<br \/>\nTaynton contou que, quando se deparou com o decr\u00e9pito estado do laborat\u00f3rio de Baird, sentiu vontade de voltar correndo para descer as escadas.<br \/>\nPrimeiro, ele precisou encontrar um caminho atrav\u00e9s dos fios pendurados do teto que se espalhavam por todo o ch\u00e3o.<br \/>\n\u201cO aparelho que ele usava naquela \u00e9poca era uma balb\u00fardia\u201d, relembrou Taynton.<br \/>\n\u201cSim, ele tinha discos de cart\u00e3o, com far\u00f3is de bicicleta e outras coisas, l\u00e2mpadas de todo tipo, baterias velhas e motores muito antigos, que ele usava para fazer o disco girar.\u201d<br \/>\nBaird colocou Taynton em frente ao seu transmissor. Como ser humano, ele poderia oferecer os movimentos necess\u00e1rios, o que era imposs\u00edvel para o valente Stooky Bill.<br \/>\nTaynton disse que ficou assustado quando come\u00e7ou a sentir o calor das l\u00e2mpadas. Mas Baird garantiu que ele n\u00e3o tinha nada com que se preocupar.<br \/>\n\u201cEle desapareceu e desceu at\u00e9 o ponto de recep\u00e7\u00e3o, para ver se conseguiria ver a imagem\u201d, relembrou Taynton. \u201cFiquei posicionado, mas s\u00f3 consegui ficar ali parado por pouco mais de um minuto, devido ao terr\u00edvel calor daquelas l\u00e2mpadas, e me afastei.\u201d<br \/>\nPara compensar o seu trabalho, Baird colocou meia coroa (dois xelins e seis pence) nas m\u00e3os de Taynton \u2014 \u201co primeiro cach\u00ea da televis\u00e3o\u201d \u2014 e o convenceu a voltar para sua posi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs primeiras imagens de rostos humanos transmitidas pela televis\u00e3o eram \u201cmuito rudimentares\u201d, \u201csem defini\u00e7\u00e3o\u201d<br \/>\nGetty Images<br \/>\nPara capturar algum movimento, Baird pediu que ele mostrasse a l\u00edngua e fizesse express\u00f5es engra\u00e7adas. O p\u00e2nico de Taynton aumentava cada vez mais e ele gritou, dizendo que estava \u201csendo assado vivo\u201d.<br \/>\n\u201cEle gritou de volta, \u2018aguente mais alguns segundos, William, alguns segundos, se voc\u00ea puder\u2019.\u201d<br \/>\n\u201cE assim eu fiz e, realmente, fiquei parado pelo m\u00e1ximo de tempo que consegui, at\u00e9 que n\u00e3o suportei mais e sa\u00ed de foco naquele calor terr\u00edvel. Era muito desconfort\u00e1vel\u201d, relembrou Taynton \u00e0 BBC.<br \/>\n\u201cE, com isso, o sr. Baird veio correndo do ponto de recep\u00e7\u00e3o, com seus bra\u00e7os levantados, e disse: \u2018Eu vi voc\u00ea, William, eu vi voc\u00ea! Consegui a televis\u00e3o, finalmente, a primeira imagem verdadeira de televis\u00e3o.&#8217;\u201d<br \/>\nNos lares de todo o mundo<br \/>\nTaynton n\u00e3o fazia ideia do que era a \u201ctelevis\u00e3o\u201d.<br \/>\nBaird, ent\u00e3o, sugeriu que eles invertessem os pap\u00e9is. Taynton ficou feliz em sair \u201cporque ele me parecia t\u00e3o entusiasmado e meio maluco naquele momento\u201d.<br \/>\nEle olhou por um pequeno t\u00fanel e observou \u201cuma imagem min\u00fascula, de cerca de 5 x 8 cm\u201d.<br \/>\n\u201cRepentinamente, o rosto de Baird apareceu na tela\u201d, relembrou Taynton. \u201cVoc\u00ea conseguia ver seus olhos se fechando, sua boca e os movimentos que ele fazia.\u201d<br \/>\n\u201cMas aquilo n\u00e3o era bom. N\u00e3o havia defini\u00e7\u00e3o; voc\u00ea s\u00f3 via a sombra e todas aquelas linhas correndo para baixo. Mas era uma imagem e estava se movendo.\u201d<br \/>\n\u201cEra a principal conquista de Baird. Ele havia conseguido uma verdadeira imagem de televis\u00e3o.\u201d<br \/>\nO edif\u00edcio no Soho, em Londres, onde John Logie Baird realizou as primeiras transmiss\u00f5es de televis\u00e3o da hist\u00f3ria, recebeu uma placa azul comemorativa em 1951<br \/>\nGetty Images<br \/>\nAinda dominado pela empolga\u00e7\u00e3o, Baird perguntou a Taynton o que ele achava da sua cria\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cFui sincero com ele e respondi \u2018n\u00e3o acho muita coisa, sr. Baird. \u00c9 muito rudimentar. Consegui ver o seu rosto, mas n\u00e3o havia defini\u00e7\u00e3o, nem nada ali.\u2019 Ele disse que n\u00e3o, que aquilo era o come\u00e7o.\u201d<br \/>\n\u201cEle disse: \u2018Esta \u00e9 a primeira televis\u00e3o. Voc\u00ea ir\u00e1 encontr\u00e1-la em todos os lares, por todo o pa\u00eds e, na verdade, por todo o mundo.&#8217;\u201d<br \/>\nNo dia 26 de janeiro do ano seguinte, Baird fez a primeira demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica da televis\u00e3o no mundo. Sua m\u00e1quina pioneira acabou sendo superada pela tecnologia desenvolvida por empresas com mais recursos, mas ele havia aberto o caminho para tudo o que viria em seguida.<br \/>\nEm 1951, cinco anos depois da morte de Baird, aos 57 anos, Taynton retornou ao pr\u00e9dio em 22 Frith Street, em Londres, para a inaugura\u00e7\u00e3o de uma placa azul comemorativa.<br \/>\nO ent\u00e3o presidente da Sociedade da Televis\u00e3o do Reino Unido, Robert Renwick (1904-1973), declarou aos presentes que, \u201cembora esta placa cerimonial esteja no cora\u00e7\u00e3o de Londres, seu verdadeiro legado est\u00e1 na floresta de antenas que se espalha por todo o pa\u00eds\u201d.<br \/>\nPoucos anos depois de Taynton relembrar seu importante papel na hist\u00f3ria da televis\u00e3o, pessoas de todo o mundo ficaram grudadas aos seus aparelhos para assistir ao pouso do homem na Lua.<br \/>\nA fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica havia se tornado ci\u00eancia real.<br \/>\nLeia a vers\u00e3o original desta reportagem, incluindo o v\u00eddeo da entrevista de William Taynton em 1965 (em ingl\u00eas), no site BBC Culture.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/10\/04\/o-office-boy-que-se-tornou-o-primeiro-rosto-humano-da-historia-a-aparecer-na-tv.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um s\u00e9culo atr\u00e1s, no dia 2 de outubro de 1925, o inventor escoc\u00eas John Logie Baird (1888-1946) transmitiu com sucesso, pela primeira vez, a imagem em movimento de um rosto humano reconhec\u00edvel Alamy Os cientistas vinham trabalhando na inven\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o desde os anos 1850. 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