{"id":44618,"date":"2025-10-23T06:04:20","date_gmt":"2025-10-23T09:04:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/frankenstein-e-resultado-imperfeito-da-obsessao-e-do-talento-de-seu-criador-g1-ja-viu\/"},"modified":"2025-10-23T06:04:20","modified_gmt":"2025-10-23T09:04:20","slug":"frankenstein-e-resultado-imperfeito-da-obsessao-e-do-talento-de-seu-criador-g1-ja-viu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/frankenstein-e-resultado-imperfeito-da-obsessao-e-do-talento-de-seu-criador-g1-ja-viu\/","title":{"rendered":"\u2018Frankenstein\u2019 \u00e9 resultado imperfeito da obsess\u00e3o e do talento de seu criador; g1 j\u00e1 viu"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Em teoria, um \u201cFrankenstein\u201d dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro (ganhador do Oscar por \u201cA forma da \u00e1gua\u201d) nem tem como ser ruim. Na pr\u00e1tica, a nova adapta\u00e7\u00e3o do cl\u00e1ssico liter\u00e1rio de Mary Shelley \u00e9 um reflexo not\u00e1vel de sua trama.<br \/>\nO filme, que estreia nesta quinta-feira (23) nos cinemas brasileiros, \u00e9 o resultado imperfeito do talento ineg\u00e1vel de um mestre.<br \/>\nTecnicamente impressionante, sim. At\u00e9 belo, em muitos momentos. Mas longo e inst\u00e1vel, como se a obsess\u00e3o de seu criador impedisse o corte de excessos desnecess\u00e1rios, que prejudicam ritmo e cad\u00eancia.<br \/>\nAssista ao trailer de \u2018Frankenstein\u2019<br \/>\nExperimentos que d\u00e3o errado<br \/>\nO pr\u00f3prio del Toro assina o roteiro a partir do argumento do livro de 1818, no qual um cientista brilhante d\u00e1 vida a um monstro feito de partes de diferentes cad\u00e1veres com o objetivo de conquistar a morte.<br \/>\nO experimento, \u00e9 claro, d\u00e1 magnificamente errado \u2013 e criatura e criador ficam envolvidos em uma trama (quase) eterna de vingan\u00e7a.<br \/>\nO come\u00e7o \u00e9 promissor. Nele, o cineasta surpreende ao imprimir de forma not\u00e1vel cor e leveza na obra-prima da literatura g\u00f3tica (fundadora da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica).<br \/>\nFocada no cientista que d\u00e1 nome \u00e0 obra, a primeira metade se beneficia da atua\u00e7\u00e3o do sempre carism\u00e1tico Oscar Isaac (\u201cDuna\u201d).<br \/>\nSeu Victor Frankenstein \u00e9 arrogante, egoc\u00eantrico e obcecado, mas exala a aura inegavelmente magn\u00e9tica do ator guatemalteco \u2013 que impede uma avers\u00e3o total ao protagonista e provoca uma dualidade de sentimentos no p\u00fablico, dividido entre o asco e a atra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nCriatura que provoca a queda<br \/>\nA chegada da criatura anuncia a mudan\u00e7a de tom, e o aumento de sombras e da escurid\u00e3o na tela espelha a espiral de loucura do anti-her\u00f3i transformado em vil\u00e3o \u2013 uma escolha frustrante para uma mente criativa que deslumbrou o planeta com a est\u00e9tica de \u201cO labirinto do Fauno\u201d (2006) e outras de suas obras.<br \/>\nMais do que previs\u00edvel, a decis\u00e3o esconde algumas das maiores virtudes do pr\u00f3prio filme at\u00e9 ent\u00e3o.<br \/>\nJacob Elordi em cena de \u2018Frankenstein\u2019<br \/>\nKen Woroner\/Netflix<br \/>\nN\u00e3o ajuda tamb\u00e9m a escala\u00e7\u00e3o de um Jacob Elordi (\u201cEuphoria\u201d), tranquilamente um dos homens mais bonitos do mundo da forma mais \u00f3bvia poss\u00edvel, para o papel da monstruosidade feita de cad\u00e1veres.<br \/>\nCoberto de pr\u00f3teses e maquiagem, no fim do dia a criatura de \u201cFrankenstein\u201d ainda tem a cara de um Jacob Elordi \u2013 com algumas cicatrizes a mais.<br \/>\nO ator e modelo australiano tamb\u00e9m n\u00e3o consegue atingir a profundidade necess\u00e1ria para um dos personagens mais complexos da fic\u00e7\u00e3o, um rec\u00e9m-nascido colossal e \u2013 supostamente \u2013 assustador, dividido eternamente entre a gratid\u00e3o e o \u00f3dio mortal direcionados a seu criador.<br \/>\nTalvez nem seja culpa de uma limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do rapaz, mas de idade. \u00c9 poss\u00edvel que simplesmente falte a ele experi\u00eancia de vida o suficiente para imprimir no olhar o peso de uma exist\u00eancia t\u00e3o amaldi\u00e7oada.<br \/>\nMonstro ou her\u00f3i<br \/>\nPor fim, por mais que del Toro tenha uma louv\u00e1vel experi\u00eancia com super-her\u00f3is (com o incr\u00edvel \u201cBlade 2\u201d, o ok \u201cHellboy\u201d e sua fascinante continua\u00e7\u00e3o), os momentos em que o monstro luta contra marinheiros ou lobos destoam do resto do filme.<br \/>\nOscar Isaac em cena de \u2018Frankenstein\u2019<br \/>\nKen Woroner\/Netflix<br \/>\nCom uma for\u00e7a herc\u00falea e corpos jogados com facilidade por dist\u00e2ncias incr\u00edveis, as sequ\u00eancias parecem mais tiradas diretamente de uma adapta\u00e7\u00e3o da Marvel ou da DC.<br \/>\nDepois de uma introdu\u00e7\u00e3o promissora seguida por uma conclus\u00e3o t\u00e3o \u00e1rdua, a sensa\u00e7\u00e3o ao final das 2h30 de dura\u00e7\u00e3o \u00e9 de um potencial gigantesco nunca atingido.<br \/>\nDe fato, este \u201cFrankenstein\u201d est\u00e1 longe de ser ruim. E qualquer um que segue a carreira do mexicano pelo menos desde \u201cA espinha do diabo\u201d (2001) sabe que ele provavelmente nasceu para realizar esta adapta\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas fica at\u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o sonhar com o que poderia ter sido dessa criatura caso a obsess\u00e3o de seu criador ficasse um pouco mais sob controle.<br \/>\nCartela resenha cr\u00edtica g1<br \/>\nArte\/g1<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/g1-ja-viu\/noticia\/2025\/10\/23\/frankenstein-e-resultado-imperfeito-da-obsessao-e-do-talento-de-seu-criador-g1-ja-viu.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em teoria, um \u201cFrankenstein\u201d dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro (ganhador do Oscar por \u201cA forma da \u00e1gua\u201d) nem tem como ser ruim. 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