{"id":44756,"date":"2025-10-26T06:30:30","date_gmt":"2025-10-26T09:30:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/familia-acolhedora-transforma-historias-e-desafia-modelo-de-institucionalizacao-no-tocantins-recuperar-a-vida-deles\/"},"modified":"2025-10-26T06:30:30","modified_gmt":"2025-10-26T09:30:30","slug":"familia-acolhedora-transforma-historias-e-desafia-modelo-de-institucionalizacao-no-tocantins-recuperar-a-vida-deles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/familia-acolhedora-transforma-historias-e-desafia-modelo-de-institucionalizacao-no-tocantins-recuperar-a-vida-deles\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia Acolhedora transforma hist\u00f3rias e desafia modelo de institucionaliza\u00e7\u00e3o no Tocantins: \u2018Recuperar a vida deles\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Casal conta experi\u00eancia de ser uma Fam\u00edlia Acolhedora<br \/>\nFoi o desejo de ajudar o pr\u00f3ximo que levou um casal de Nova Olinda, no norte do Tocantins, a fazer parte do Servi\u00e7o de Acolhimento em Fam\u00edlia Acolhedora (SFA) e receber, na casa deles, crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de maus-tratos. H\u00e1 seis anos participando do projeto, o casal fala dos desafios e do sentimento de gratid\u00e3o por fazer a diferen\u00e7a na vida dessas crian\u00e7as.<br \/>\n\u201cA minha fam\u00edlia \u00e9 uma fam\u00edlia acolhedora. Foi exatamente pela necessidade de umas crian\u00e7as que estavam precisando de ajuda que chegou at\u00e9 n\u00f3s essa causa. Quando chegaram aqui, nos procuraram. N\u00f3s, at\u00e9 ent\u00e3o, t\u00ednhamos muito pouco conhecimento sobre esse programa, mas resolvemos acolher aquelas crian\u00e7as. E foi muito gratificante\u201d, afirmou Paulo (nome fict\u00edcio), de 72 anos.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.farcomto.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/2696.png\" alt=\"\u2696\" class=\"wp-smiley\" style=\"height: 1em; max-height: 1em;\">Os personagens desta reportagem n\u00e3o ter\u00e3o seus nomes reais divulgados, tendo em vista que os processos ligados \u00e0 crian\u00e7a e adolescente correm em segredo de Justi\u00e7a.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.farcomto.org\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1f4-214.png\" alt=\"\ud83d\udcf1\" class=\"wp-smiley\" style=\"height: 1em; max-height: 1em;\"> Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp<br \/>\nO servi\u00e7o de fam\u00edlias acolhedoras faz parte de um esfor\u00e7o conjunto de diversos \u00f3rg\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es para transformar o acolhimento infantojuvenil no pa\u00eds, entre eles o Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual do Tocantins (MPTO). Apesar de promover diversos benef\u00edcios para os acolhidos e reduzir custos para o poder p\u00fablico, a modalidade ainda \u00e9 pouco conhecida e tem baixa ades\u00e3o.<br \/>\nProjeto fam\u00edlia acolhedora desafia modelo de institucionaliza\u00e7\u00e3o no Tocantins<br \/>\nVilma Nascimento\/g1 Tocantins<br \/>\nPara isso mudar esse cen\u00e1rio, o MPTO tem intensificado as a\u00e7\u00f5es do projeto Acolher Tocantins, que busca divulgar o servi\u00e7o de acolhimento por meio de semin\u00e1rios regionais e firmar compromissos com os munic\u00edpios para implanta\u00e7\u00e3o do modelo.<br \/>\n\u201cNo Tocantins e no Brasil de maneira geral existe todo um movimento para modificar esse modelo de atendimento, saindo de institui\u00e7\u00f5es que cuidam das crian\u00e7as para fam\u00edlias previamente selecionadas, cadastradas e capacitadas que abram as suas casas para receber essas crian\u00e7as e adolescentes\u201d, explicou o promotor de Justi\u00e7a Sidney Fiori J\u00fanior, coordenador do Centro de Apoio Operacional \u00e0s Promotorias da Inf\u00e2ncia, Juventude e Educa\u00e7\u00e3o (Caopije).<br \/>\nEm todo Tocantins, segundo dados da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), s\u00e3o 42 fam\u00edlias acolhedoras cadastradas, sendo dez nos servi\u00e7os regionalizados de acolhimento e outras 32 vinculadas aos servi\u00e7os implantados por munic\u00edpios.<br \/>\nPara Paulo e a esposa Maria (nome fict\u00edcio), de 52 anos, o acolhimento \u00e9 um gesto de amor, que fazem com muita dedica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cO que me levou a ser uma fam\u00edlia acolhedora foi um sentimento de ajudar o pr\u00f3ximo, n\u00e9? E \u00e9 muito gratificante quando se fala tamb\u00e9m de crian\u00e7as. H\u00e1 seis anos eu conheci o programa e \u00e9 muito gratificante participar desse programa\u201d, contou a mulher.<br \/>\nEles contam que h\u00e1 desafios em participar do projeto, mas todos podem ser superados com paci\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cH\u00e1 desafios, mas para superar eles a gente s\u00f3 precisa dedicar amor, carinho e dedica\u00e7\u00e3o, cuidar deles com muita aten\u00e7\u00e3o, igualmente voc\u00ea cuida dos seus pr\u00f3prios filhos, ou melhor ainda, porque eles realmente passaram por dificuldade, mas precisam. Quando chegam assim, eles precisam ter toda a aten\u00e7\u00e3o do mundo para poder \u00e9 recuperar a vida deles\u201d, explicou Paulo.<br \/>\nPor que h\u00e1 o afastamento da fam\u00edlia biol\u00f3gica?<br \/>\nO afastamento do n\u00facleo familiar \u00e9 uma medida excepcional adotada pela Justi\u00e7a em casos graves de viola\u00e7\u00e3o dos direitos da crian\u00e7a e do adolescente. Nestas situa\u00e7\u00f5es, os menores podem ser encaminhados para institui\u00e7\u00f5es de acolhimento ou para as fam\u00edlias acolhedoras.<br \/>\n\u201cNos casos mais graves de viol\u00eancia, maus-tratos, abandono em que a crian\u00e7a ou o adolescente precisam ser afastados do conv\u00edvio com sua fam\u00edlia nuclear, o Minist\u00e9rio P\u00fablico aju\u00edza uma a\u00e7\u00e3o de afastamento do conv\u00edvio, e o juiz da Inf\u00e2ncia e Juventude aplica uma medida de prote\u00e7\u00e3o que pode ser o acolhimento institucional no abrigo ou em uma casa lar, ou acolhimento em fam\u00edlias acolhedoras\u201d, explica o promotor.<br \/>\nNeste contexto, o acolhimento \u00e9 uma medida de prote\u00e7\u00e3o excepcional e provis\u00f3ria, que n\u00e3o deve ultrapassar o prazo de 18 meses. O servi\u00e7o de acolhimento tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser confundido com o instituto da ado\u00e7\u00e3o, inclusive, para ser uma Fam\u00edlia Acolhedora \u00e9 requisito n\u00e3o estar na fila de ado\u00e7\u00e3o.<br \/>\nBenef\u00edcios da Fam\u00edlia Acolhedora<br \/>\nPromotor de Justi\u00e7a fala sobre projeto Fam\u00edlia Acolhedora<br \/>\nSegundo dados do Censo do Sistema \u00danico da Assist\u00eancia Social (Suas), 91% das crian\u00e7as e adolescentes acolhidos no Brasil em 2023 foram enviados para institui\u00e7\u00f5es de acolhimento, enquanto 8,22% foram abrigadas em lares de Fam\u00edlias Acolhedoras.<br \/>\nNo Tocantins, os dados s\u00e3o semelhantes. Conforme o Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento, 164 crian\u00e7as e adolescentes precisaram ser retirados de suas fam\u00edlias biol\u00f3gicas por determina\u00e7\u00e3o judicial, em 2025. Deste total, somente 17 foram encaminhados para fam\u00edlias acolhedoras. Os outros 147 precisaram ser recebidos em abrigos provis\u00f3rios.<br \/>\nPara o promotor, a institucionaliza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 uma heran\u00e7a cultural que vem sendo desconstru\u00edda a partir de estudos e diretrizes da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), bem como pela legisla\u00e7\u00e3o interna, com previs\u00e3o no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), que prioriza o acolhimento familiar frente aos abrigos.<br \/>\n\u201cN\u00f3s estamos tentando resgatar esse modelo familiar. A neuroci\u00eancia j\u00e1 comprovou que, a cada ano que a crian\u00e7a fica dentro de um abrigo, ela perde quatro meses de desenvolvimento infantil. A partir destes estudos, o mundo inteiro se preocupou em criar modelos alternativos. Esse atendimento feito por uma fam\u00edlia \u00e9 da mesma forma que a fam\u00edlia cuida do seu pr\u00f3prio filho. Ent\u00e3o, aquela refer\u00eancia fam\u00edlia continua presente na vida da crian\u00e7a\u201d, comentou o promotor.<br \/>\nOs benef\u00edcios para as crian\u00e7as e adolescentes:<br \/>\nAtendimento personalizado: o ambiente familiar permite uma organiza\u00e7\u00e3o focada na crian\u00e7a e n\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o;<br \/>\nV\u00ednculos afetivos: V\u00ednculos mais est\u00e1veis com adultos de refer\u00eancia, favorecendo desenvolvimento saud\u00e1vel.<br \/>\nConviv\u00eancia comunit\u00e1ria: Maior acesso \u00e0 comunidade e possibilidade de vivenciar v\u00ednculos com membros dessa comunidade.<br \/>\nBenef\u00edcios para a gest\u00e3o:<br \/>\nMenor Custo: N\u00e3o h\u00e1 despesas permanentes com aluguel, manuten\u00e7\u00e3o, tarifas e pessoal.<br \/>\nEquipe T\u00e9cnica Otimizada: Maior possibilidade de investimento na atua\u00e7\u00e3o psicossocial, com estudos de caso e articula\u00e7\u00e3o da rede.<br \/>\nRecursos Humanos Reduzidos: Equipe profissional menor, mais voltada \u00e0s fun\u00e7\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o e t\u00e9cnicas.<br \/>\nMenos Quest\u00f5es Institucionais: Diminui\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do cotidiano institucional.<br \/>\nProjeto Acolher Tocantins<br \/>\nFam\u00edlias acolhedoras recebem crian\u00e7as durante afastamento de suas fam\u00edlias biol\u00f3gicas<br \/>\nAna C\u00e1ssia Costa\/Arquivo Pessoal<br \/>\nO projeto desenvolvido pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Tocantins tem como objetivo tornar o acolhimento em ambiente familiar uma pr\u00e1tica consolidada nos 139 munic\u00edpios do Tocantins.<br \/>\nPara isso, semin\u00e1rios regionais est\u00e3o sendo realizados com prefeitos e secret\u00e1rios, conselheiros tutelares e equipes da rede de prote\u00e7\u00e3o. O objetivo dos encontros \u00e9 conscientizar, capacitar e firmar compromissos para a efetiva implanta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<br \/>\nNo in\u00edcio de setembro, o evento foi realizado em Colinas do Tocantins e culminou na assinatura de carta compromisso com 14 munic\u00edpios da regi\u00e3o, que se comprometeram a estruturar e fortalecer o servi\u00e7o de acolhimento.<br \/>\nEntre outubro e novembro de 2025, ser\u00e3o realizados novos encontros em Porto Nacional, Gurupi, Xambio\u00e1 e Taguatinga.<br \/>\n\u201cO Estatuto da Crian\u00e7a diz que o acolhimento em fam\u00edlia acolhedora \u00e9 preferencial em rela\u00e7\u00e3o ao acolhimento institucional. Ent\u00e3o, a ideia \u00e9, por meio desses eventos, chamar a sociedade para esse debate, assinar uma carta compromisso com os prefeitos nesses eventos para que o Tocantins saia na frente\u201d, comentou o promotor.<br \/>\nRetrato do acolhimento no Tocantins<br \/>\nDe acordo com a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, 60 cidades do Tocantins possuem o Servi\u00e7o de Acolhimento em Fam\u00edlia Acolhedora, seja realizado pelo pr\u00f3prio munic\u00edpio ou vinculado a uma regional.<br \/>\nApesar disso, s\u00e3o apenas dez fam\u00edlias cadastradas nas unidades regionais e outras 32 vinculadas aos munic\u00edpios.<br \/>\n Em Nova Olinda, no norte do Tocantins, o servi\u00e7o foi implantado em 2011. A secret\u00e1ria de Assist\u00eancia Social, Keila Alves dos Santos Fernandes, conta que atualmente s\u00e3o cinco fam\u00edlias cadastradas.<br \/>\nA falta de conhecimento sobre o programa, segundo ela, est\u00e1 entre as principais dificuldades para a populariza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o. \u201cA baixa ades\u00e3o de fam\u00edlias cadastradas por falta de conhecimento, medo de criar la\u00e7os e sofrer com a partida, al\u00e9m de mitos sobre o comportamento dos acolhidos que vem de situa\u00e7\u00e3o de risco. Por isso \u00e9 fundamental o processo de capacita\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<br \/>\nApesar das barreiras, o projeto tem se desenvolvido de forma satisfat\u00f3ria e o munic\u00edpio tem interesse de ampliar o atendimento. Segundo a secret\u00e1ria, al\u00e9m de um atendimento mais humanizado para as crian\u00e7as v\u00edtimas de viol\u00eancia, o servi\u00e7o tamb\u00e9m tem benef\u00edcios para a gest\u00e3o.<br \/>\n\u201cEle traz redu\u00e7\u00e3o de custos em compara\u00e7\u00e3o ao acolhimento institucional. Sobretudo \u00e9 uma iniciativa social mais humanizada que oferece amor, cuidado e seguran\u00e7a para crian\u00e7as e adolescentes que est\u00e3o precisando de um lar seguro\u201d, explicou.<br \/>\nComo ser uma Fam\u00edlia Acolhedora?<br \/>\nPara se tornar uma fam\u00edlia acolhedora, antes de tudo, o munic\u00edpio precisa criar o servi\u00e7o. Depois, os interessados precisam seguir alguns passos:<br \/>\nInscri\u00e7\u00e3o: Contato com o SFA local e participa\u00e7\u00e3o em palestra informativa.<br \/>\nSele\u00e7\u00e3o: Realizada por uma equipe t\u00e9cnica com entrevistas, visitas domiciliares e avalia\u00e7\u00e3o psicossocial.<br \/>\nForma\u00e7\u00e3o: Capacita\u00e7\u00e3o sobre o papel e os deveres da fam\u00edlia acolhedora.<br \/>\nCadastro: A fam\u00edlia \u00e9 inclu\u00edda no banco de fam\u00edlias acolhedoras do servi\u00e7o.<br \/>\nAcompanhamento: Realiza\u00e7\u00e3o do suporte cont\u00ednuo da equipe t\u00e9cnica durante todo o processo de acolhimento.<br \/>\nTamb\u00e9m h\u00e1 requisitos b\u00e1sicos que os candidatos devem cumprir:<br \/>\nMaioridade legal: ter mais de 18 anos;<br \/>\nResid\u00eancia: Morar no munic\u00edpio onde se inscreveu;<br \/>\nAntecedentes: N\u00e3o pode ter antecedentes criminais ou depend\u00eancia qu\u00edmica;<br \/>\nDisponibilidade: Ter tempo para os cuidados di\u00e1rios e para participar das atividades do servi\u00e7o;<br \/>\nClareza de prop\u00f3sito: Entender que n\u00e3o se trata de uma ado\u00e7\u00e3o;<br \/>\nCaracter\u00edsticas pessoais: Ter abertura para o trabalho em equipe e respeito \u00e0s diferen\u00e7as sociais, culturais e religiosas, por exemplo.<br \/>\nAs fam\u00edlias que participam do programa recebem uma bolsa de um sal\u00e1rio m\u00ednimo durante o per\u00edodo em que estiverem acolhendo alguma crian\u00e7a ou adolescente. \u201cAqui no Tocantins n\u00f3s temos excelentes abrigos, com excelente infraestrutura, mas precisamos de fam\u00edlias. S\u00e3o as fam\u00edlias que podem dar todo o amor, afeto e carinho para essas crian\u00e7as, afirmou o promotor.<br \/>\nVeja mais not\u00edcias da regi\u00e3o no g1 Tocantins.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/to\/tocantins\/noticia\/2025\/10\/26\/familia-acolhedora-transforma-historias-e-desafia-modelo-de-institucionalizacao-no-tocantins-recuperar-a-vida-deles.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1  Tocantins<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casal conta experi\u00eancia de ser uma Fam\u00edlia Acolhedora Foi o desejo de ajudar o pr\u00f3ximo que levou um casal de Nova Olinda, no norte do Tocantins, a fazer parte do Servi\u00e7o de Acolhimento em Fam\u00edlia Acolhedora (SFA) e receber, na casa deles, crian\u00e7as e adolescentes v\u00edtimas de maus-tratos. 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