{"id":44784,"date":"2025-10-27T06:04:57","date_gmt":"2025-10-27T09:04:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/o-videoclipe-morreu-entenda-por-que-artistas-pop-nao-investem-mais-milhoes-em-clipes\/"},"modified":"2025-10-27T06:04:57","modified_gmt":"2025-10-27T09:04:57","slug":"o-videoclipe-morreu-entenda-por-que-artistas-pop-nao-investem-mais-milhoes-em-clipes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/o-videoclipe-morreu-entenda-por-que-artistas-pop-nao-investem-mais-milhoes-em-clipes\/","title":{"rendered":"O videoclipe morreu? Entenda por que artistas pop n\u00e3o investem mais milh\u00f5es em clipes"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     O videoclipe morreu? Entenda por que artistas n\u00e3o investem mais milh\u00f5es em clipes<br \/>\nNeste m\u00eas, a Paramount (empresa controladora da MTV) anunciou o fim da opera\u00e7\u00e3o de canais dedicados a videoclipes: MTV Music, MTV 80s, MTV 90s, e por a\u00ed vai. O canal deve seguir no ar, priorizando a exibi\u00e7\u00e3o de\u2026 reality shows.<br \/>\nEsse \u00e9 s\u00f3 um dos sinais de que a era de ouro dos videoclipes ficou para tr\u00e1s. Em outra \u00e9poca, seria impens\u00e1vel que algu\u00e9m como Beyonc\u00e9 lan\u00e7asse dois \u00e1lbuns sem nenhum videoclipe oficial. Ou que Lady Gaga, que se consolidou gra\u00e7as a v\u00eddeos megaloman\u00edacos nos anos 2010, faria clipes, hoje, em uma s\u00f3 loca\u00e7\u00e3o e pouqu\u00edssimos figurinos.<br \/>\nEm um discurso no Pr\u00eamio Multishow em 2024, Anitta disse que o formato j\u00e1 \u201cn\u00e3o vale mais a pena\u201d. \u201cA gente tem que convencer todo mundo a botar o dinheiro no clipe, porque ningu\u00e9m vai assistir\u201d.<br \/>\nO g1 conversou com profissionais do mercado musical para explicar o que aconteceu com os videoclipes \u2013 e se eles morreram de vez. Entenda:<br \/>\nEspecialistas afirmam que os clipes n\u00e3o morreram, mas n\u00e3o s\u00e3o mais protagonistas da divulga\u00e7\u00e3o musical;<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 o mesmo investimento de gravadoras em grandes videoclipes;<br \/>\nA quantidade de plataformas e dispositivos enfraquece o impacto de qualquer v\u00eddeo;<br \/>\nOutros formatos, como lyric videos (v\u00eddeo s\u00f3 com letras) e visualizers (v\u00eddeo com anima\u00e7\u00f5es), s\u00e3o alternativas mais vi\u00e1veis.<br \/>\nNunca teremos outro \u2018Thriller\u2019?<br \/>\nMadonna e Michael Jackson que o digam: desde os anos 80, o videoclipe se consolidou como uma parte fundamental da estrat\u00e9gia de um artista pop, estendendo a premissa das m\u00fasicas em uma mescla caprichosa de cinema, moda e performance.<br \/>\n\u2018Thriller\u2019, de Michael Jackson, se tornou um dos videoclipes mais ic\u00f4nicos da hist\u00f3ria da m\u00fasica<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o<br \/>\nCanais como a MTV e o Multishow, com o TVZ, valorizavam e promoviam o formato, ajudando f\u00e3s a construir um desenho visual em torno das m\u00fasicas. Depois, com o YouTube, praticamente todo mundo podia ver um clipe quando quisesse, onde quisesse \u2013 nasciam os clipes virais. E antes das dancinhas do TikTok, existiu a dancinha de \u201cSingle Ladies\u201d.<br \/>\nEra de se esperar que uma rede focada em v\u00eddeos como o TikTok s\u00f3 ampliaria essa l\u00f3gica, certo? N\u00e3o \u00e9 bem assim: h\u00e1 mais formatos a se explorar, mas usu\u00e1rios passaram a querer conte\u00fados mais acelerados e \u00e1geis. Al\u00e9m disso, a plataforma valoriza v\u00eddeos com jeit\u00e3o mais caseiro, dispensando a necessidade de grandes produ\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAli\u00e1s, para que gastar com algo que n\u00e3o vai chegar para todo mundo? S\u00e3o tantas redes sociais, plataformas e dispositivos, que aquela domin\u00e2ncia midi\u00e1tica j\u00e1 n\u00e3o existe mais \u2013 atualmente, nenhum meio de comunica\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a as massas por completo.<br \/>\nEsque\u00e7a \u201cThriller\u201d: nem Michael Jackson conseguiria aquele impacto todo hoje em dia.<br \/>\nCoreografia de \u2018Single Ladies\u2019, de Beyonc\u00e9, viralizou em 2008 e provou for\u00e7a do YouTube<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube<br \/>\nEm um v\u00eddeo nas redes sociais, a cantora americana Lizzo declarou que, na ind\u00fastria pop, j\u00e1 \u00e9 senso comum que as gravadoras n\u00e3o querem investir tanto em videoclipes. \u201cEm 2025, n\u00e3o importa o que voc\u00ea lance ou o que voc\u00ea tenha feito, o mundo continuar\u00e1 girando\u201d, disse.<br \/>\n\u201cOs or\u00e7amentos nunca mais ser\u00e3o o que foram nos anos 90 e 2000. \u00c9 melhor voc\u00ea fazer clipes pequenos, diger\u00edveis e potencialmente virais para suas plataformas de m\u00eddia social, especialmente se voc\u00ea for um artista novo.\u201d<br \/>\nCai qualidade, aumenta quantidade<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 que os videoclipes tenham morrido ou v\u00e3o morrer de vez. Mas fazer um clipe com or\u00e7amento de US$ 12 milh\u00f5es, como fez Madonna em \u201cExpress Yourself\u201d (valor atualizado), n\u00e3o \u00e9 comum nem para grandes artistas hoje.<br \/>\nAnitta disse que j\u00e1 chegou a investir at\u00e9 R$ 3 milh\u00f5es em um videoclipe. Mas ela n\u00e3o acha mais que isso compensa: nos \u00faltimos anos, ficou mais estrat\u00e9gico investir em quantidade de conte\u00fados do que em um s\u00f3 v\u00eddeo de alto or\u00e7amento.<br \/>\nAnitta no clipe de \u2018Funk rave\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nPara Felipe Britto, da Ginga Pictures (que assina v\u00e1rios v\u00eddeos da cantora), o que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9 menos demanda, mas uma \u201credistribui\u00e7\u00e3o de investimentos\u201d de artistas e gravadoras.<br \/>\n\u201cO desafio \u00e9 pensar o clipe como parte de uma estrat\u00e9gia maior, e n\u00e3o como um produto isolado. Vivemos um tempo que os clipes eram protagonistas\u2026 hoje, fazem parte de um ecossistema maior\u201d.<br \/>\nPara ele, o formato tamb\u00e9m mudou. Se antes os clipes eram pensados para TV, hoje, s\u00e3o criados para a tela do celular. Ent\u00e3o, mudam a linguagem, dura\u00e7\u00e3o, montagem, at\u00e9 a propor\u00e7\u00e3o da imagem nos clipes.<br \/>\nAndr\u00e9 Izidro, empres\u00e1rio musical e fundador da aceleradora Atabaque.biz, refor\u00e7a que o videoclipe ainda \u00e9 uma pe\u00e7a de marketing importante. At\u00e9 porque tamb\u00e9m \u00e9 mais uma forma de gerar monetiza\u00e7\u00e3o e contabilizar streams, mesmo que o YouTube n\u00e3o gere tanta receita nesse tipo de v\u00eddeo.<br \/>\n\u201cSob a \u00f3tica de receita direta, o investimento pode ser question\u00e1vel. Por outro lado, em termos de narrativa e contexto, o videoclipe continua sendo relevante para refor\u00e7ar o storytelling\u201d.<br \/>\nIsso varia de mercado para mercado, claro. Uma ind\u00fastria bilion\u00e1ria como o k-pop segue com investimento estratosf\u00e9rico em videoclipes (e tem retorno!), mas at\u00e9 por l\u00e1, a divulga\u00e7\u00e3o inclui v\u00e1rios outros formatos. Tem v\u00eddeo de coreografia, lyric video, visualizer e at\u00e9 dancinha no TikTok. No meio disso tudo, o clipe tem outro valor.<br \/>\nKatseye no v\u00eddeo de coreografia de \u2018Gnarly\u2019<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube<br \/>\n\u201cO videoclipe ainda \u00e9 um cart\u00e3o de visitas poderoso, principalmente para artistas que querem consolidar identidade visual e narrativa\u201d, diz Felipe.<br \/>\nPor isso, ainda h\u00e1 quem escolha investir uma boa grana em um grande v\u00eddeo. Mas hoje, isso vem muitas vezes do bolso dos pr\u00f3prios artistas, que fazem quest\u00e3o de ter uma mega produ\u00e7\u00e3o para aquela m\u00fasica espec\u00edfica.<br \/>\nAl\u00e9m do pop, o funk tamb\u00e9m segue adepto do formato. Muitos funkeiros novos ainda crescem gra\u00e7as ao YouTube, e n\u00e3o \u00e0 toa, selos como a Kondzilla e a GR6 (que atuam tamb\u00e9m como produtoras) apostaram nos clipes para lan\u00e7ar alguns dos maiores nomes do g\u00eanero.<br \/>\nMas mesmo com produ\u00e7\u00e3o ativa de videoclipes, essas produtoras n\u00e3o t\u00eam feito muitos v\u00eddeos caros. E a edi\u00e7\u00e3o segue atenta \u00e0s novas l\u00f3gicas da internet \u2013 com direito \u00e0 legenda com as letras, formatos verticais, etc.<br \/>\nOutros formatos ganham relev\u00e2ncia<br \/>\nEntre os dez v\u00eddeos de m\u00fasica mais assistidos no YouTube Brasil em 2024, s\u00f3 quatro foram videoclipes. A maior parte foi de grava\u00e7\u00f5es tipo DVD ao vivo, formato comum no sertanejo e no gospel.<br \/>\nNo topo da lista ficou \u201cThe Box Medley Funk 2\u201d, que re\u00fane os cantores em um est\u00fadio com fundo verde sem efeitos ou cen\u00e1rios.<br \/>\nEssa economia em loca\u00e7\u00f5es \u00e9 um formato comum e bem-sucedido no Brasil: um estilo \u201cPoesia Ac\u00fastica\u201d, ou at\u00e9 \u201cDominguinho\u201d, projeto bem-sucedido de Jo\u00e3o Gomes, Jota.p\u00ea e Mestrinho \u2013 que, no YouTube, mostra os m\u00fasicos tocando as can\u00e7\u00f5es em um grande v\u00eddeo de 41 minutos.<br \/>\nEssa l\u00f3gica de fazer um conte\u00fado s\u00f3, em um s\u00f3 lugar, tamb\u00e9m tem funcionado para artistas que operam na linguagem pop.<br \/>\nPara o disco \u201cRock Doido\u201d, Gaby Amarantos fez um v\u00eddeo em plano-sequ\u00eancia, filmado com celular, com trechos de cada can\u00e7\u00e3o. O or\u00e7amento provavelmente ficou menor do que se fossem v\u00e1rios clipes em diferentes loca\u00e7\u00f5es. E assim, ela garantiu material para trabalhar todas as m\u00fasicas.<br \/>\nGaby Amarantos no curta \u2018Rock Doido \u2013 o Filme\u2019<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/YouTube<br \/>\nDeu certo: \u201cRock Doido \u2014 o filme\u201d tem mais de 1 milh\u00e3o de visualiza\u00e7\u00f5es e chamou a aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 de cr\u00edticos gringos.<br \/>\n\u201cHoje, artistas conseguem lan\u00e7ar conte\u00fado globalmente com pouco recurso\u201d, refor\u00e7a Felipe.<br \/>\nEm um momento que o formato pode chamar mais aten\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio conte\u00fado, a norma \u00e9 inovar. Principalmente para artistas consolidados: Beyonc\u00e9 inovou na divulga\u00e7\u00e3o ao simplesmente\u2026 n\u00e3o lan\u00e7ar nada. Para o mais recente disco \u201cThe Life of a Showgirl\u201d, Taylor Swift levou s\u00f3 um videoclipe aos cinemas, mas aproveitou para incluir explica\u00e7\u00f5es faixa a faixa. The Weeknd, por sua vez, foi mais longe e fez um filme semi-autobiogr\u00e1fico.<br \/>\nTaylor swift lan\u00e7a seu novo \u00e1lbum \u2018The life of a showgirl\u2019<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Redes Sociais<br \/>\nE at\u00e9 a pr\u00f3pria Anitta lan\u00e7ou um document\u00e1rio com a Netflix. \u201cFilmes apoiam a carreira e um lan\u00e7amento e podem ser bancados por plataformas de streaming de v\u00eddeo. Isso pode ser uma forma inteligente de atingir um p\u00fablico diferente e contar com investimentos n\u00e3o diretos\u201d, explica Andr\u00e9.<br \/>\nPara Mel Chapaval, tamb\u00e9m da Ginga Pictures, o futuro \u00e9 \u201ch\u00edbrido\u201d. \u201cVemos o p\u00fablico consumindo experi\u00eancias imersivas (como performances ao vivo transmitidas em realidade aumentada ou VR), conte\u00fados interativos e at\u00e9 ativa\u00e7\u00f5es que misturam audiovisual com games.<br \/>\nOutra tend\u00eancia forte s\u00e3o narrativas seriadas \u2014 em vez de um clipe isolado, artistas lan\u00e7am cap\u00edtulos de uma hist\u00f3ria ao longo de diferentes m\u00fasicas. \u00c9 uma forma de prender a audi\u00eancia e criar comunidade\u201d.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2025\/10\/27\/o-videoclipe-morreu-entenda-por-que-artistas-pop-nao-investem-mais-milhoes-em-clipes.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O videoclipe morreu? 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