{"id":44796,"date":"2025-10-27T12:00:06","date_gmt":"2025-10-27T15:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/chico-chico-evolui-e-desfaz-confusoes-na-ardencia-do-melhor-album-solo\/"},"modified":"2025-10-27T12:00:06","modified_gmt":"2025-10-27T15:00:06","slug":"chico-chico-evolui-e-desfaz-confusoes-na-ardencia-do-melhor-album-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/chico-chico-evolui-e-desfaz-confusoes-na-ardencia-do-melhor-album-solo\/","title":{"rendered":"Chico Chico evolui e desfaz confus\u00f5es na ard\u00eancia do melhor \u00e1lbum solo"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Chico Chico lan\u00e7a o terceiro \u00e1lbum solo de est\u00fadio, \u2018Let it burn \/ Deixa arder\u2019, com 20 faixas que transitam entre blues, folk e gospel<br \/>\nZabenzi \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO<br \/>\nT\u00edtulo: Let it burn \/ Deixa arder<br \/>\nArtista: Chico Chico<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605 1\/2<br \/>\n\u266c Terceiro \u00e1lbum solo gravado em est\u00fadio por Chico Chico, no mundo desde 24 de outubro com capa assinada por Christian Proen\u00e7a, Let it burn \/ Deixa arder \u00e9 \u00e1lbum longo para os padr\u00f5es da era digital. S\u00e3o 20 faixas nas quais o cantor e compositor carioca transita pela can\u00e7\u00e3o de atmosfera folk, pelo blues e at\u00e9 pelo gospel, entre eventuais temas de sotaque mais brasileiro, com surpreendente unidade.<br \/>\nQuando se aproxima do fim, talvez pela longa dura\u00e7\u00e3o, o disco come\u00e7a a dar leves sinais de cansa\u00e7o e repeti\u00e7\u00e3o, mas essa sensa\u00e7\u00e3o n\u00e3o chega a comprometer a excel\u00eancia do conjunto da obra.<br \/>\n\u00c1lbum bil\u00edngue, por\u00e9m cantado mais em portugu\u00eas do que em ingl\u00eas, Let it burn \/ Deixa arder \u00e9 o melhor trabalho da discografia de Chico Chico. Um \u00e1lbum que atesta definitivamente a voca\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o musicais do filho de C\u00e1ssia Eller (1962 \u2013 2001), desfazendo confus\u00f5es em torno da obra fonogr\u00e1fica do cantor.<br \/>\nSim, a discografia de Chico Chico sempre resultou confusa, dispersa, povoada por t\u00edtulos colaborativos que empanaram a identidade do artista. Let it burn \/ Deixa arder p\u00f5e Chico Chico no devido lugar, com safra autoral bem mais coesa do que os cancioneiros reunidos pelo artistas nos \u00e1lbuns antecessores Pomares (2021) e Estopim (2024), discos bons, mas n\u00e3o o suficiente para firmar de vez o nome de Chico como faz o \u00e1lbum atual.<br \/>\nParte expressiva desse \u00eaxito deve-se ao azeitamento da parceria do artista com Pedro Fonseca, tecladista e arranjador que assina sozinho a produ\u00e7\u00e3o musical de Let it burn \/ Deixa arder (no \u00e1lbum anterior Estopim, Fonseca dividiu a produ\u00e7\u00e3o com Rafael Ramos). Pedro Fonseca parece entender a alma musical de Chico Chico, como evidenciam os excelentes arranjos, e a traduz com precis\u00e3o para o disco.<br \/>\nComo o cantor tamb\u00e9m mostra evolu\u00e7\u00e3o vocal (talvez por ter se livrado do v\u00edcio em \u00e1lcool), o resultado \u00e9 disco coeso que flagra Francisco Ribeiro Eller na ard\u00eancia existencial de 32 anos, parte deles vivido \u00e0s voltas com compara\u00e7\u00f5es com C\u00e1ssia Eller, j\u00e1 que o DNA materno est\u00e1 impresso na voz de Chico.<br \/>\nContudo, at\u00e9 nesse quesito, Let it burn \/ Deixa arder contribui para delinear a identidade do cantor ao terminar de cortar o cord\u00e3o umbilical que ligava Chico a C\u00e1ssia de forma natural, ainda que C\u00e1ssia estar\u00e1 para sempre entranhada em Chico.<br \/>\n\u201cN\u00e3o mudo, s\u00f3 n\u00e3o sou mais aquele \/ Estou novo, e as can\u00e7\u00f5es se repetem\u201d, d\u00e1 a pista em versos de Farsa, can\u00e7\u00e3o autoral de aura folk ouvida na segunda faixa, ap\u00f3s Tanto pra dizer, apaixonada m\u00fasica de Chico com Sal Pessoa apresentada em 15 de agosto como primeiro single do \u00e1lbum.<br \/>\nNa sequ\u00eancia, N\u00e3o carece \u00e9 faixa quase vinheta de um minuto que ecoa a pros\u00f3dia dos vanguardistas paulistanos da d\u00e9cada de 1980. E vem ent\u00e3o a certeza de que Chico Chico encontrou um rumo em Let it burn \/ Deixa arder com o fox-blues Tempo de lou\u00e7as, primeiro grande momento do \u00e1lbum, inclusive pelo exuberante arranjo cheio de soul, cordas, metais e romantismo.<br \/>\nTwo mother\u2019s blues \u00e9, como o t\u00edtulo j\u00e1 indica, blues em ingl\u00eas. O formato ac\u00fastico favorece o sentimento do g\u00eanero, evocado tamb\u00e9m pelo toque da gaita de Milton Guedes. Esse sentimento  tamb\u00e9m paira na can\u00e7\u00e3o Zero jogo.<br \/>\nPrimeiro faixa do lado B do disco 1 da prov\u00e1vel edi\u00e7\u00e3o de Let it burn \/ Deixa arder no formato f\u00edsico de LP duplo, Lugarzinho desloca o \u00e1lbum para as fronteiras do Sul do Brasil na forma de de milonga valorizada pelo toque do bandoneon do m\u00fasico argentino Richard Scofano. Na sequ\u00eancia, Hora H quebra a est\u00e9tica do frio com a quentura do balan\u00e7o brasileiro soprado pelo arranjo do trombonista Marlon Sette.<br \/>\nAinda dentro do territ\u00f3rio nacional, Parabelo da exist\u00eancia (Chico Chico, Helber Quiroga e Oscar Vasconcellos) junta Chico com a nova baiana Josyara em grava\u00e7\u00e3o calcada na aridez do sert\u00e3o nordestino, o que sintoniza a faixa com a reverente abordagem de Vila do sossego (1978), standard do cancioneiro do paraibano Z\u00e9 Ramalho. A na\u00e7\u00e3o musical nordestina ainda reverbera no pife soprado por Carlos Malta na faixa Na minha idade, composi\u00e7\u00e3o de Sal Pessoa cantada por Chico com Ivo Vargas.<br \/>\nRecorrente ao longo do disco, o esp\u00edrito da can\u00e7\u00e3o folk baixa novamente em Heal me. Como o disco gravita em torno da m\u00fasica norte-americana da d\u00e9cada de 1960 e 1970, a regrava\u00e7\u00e3o de Four and twenty  (Stephen Stills, 1970) \u2013 m\u00fasica lan\u00e7ada pelo quarteto norte-americano Crosby, Stills, Nash &amp; Young h\u00e1 55 anos no \u00e1lbum D\u00e9j\u00e0 vu (1970) \u2013 se ajusta com perfei\u00e7\u00e3o ao mood do \u00e1lbum de Chico. Assim como a interpreta\u00e7\u00e3o de Girl from the north country (1963), m\u00fasica da inicial fase folk da Bob Dylan cantada por Chico com propriedade.<br \/>\nSe o coro gospel de Acaso inevit\u00e1vel (Chico Chico e Sal Pessoa) eleva a faixa aos c\u00e9us pela for\u00e7a das vozes de Janeh Magalh\u00e3es, Fael Magalh\u00e3es, Cleyde Jane e R\u00f4mulo Nascimento, o acalanto espacial Can\u00e7\u00e3o de ninar traz o canto adicional de Jo\u00e3o Mantuano, parceiro e convidado de Chico na m\u00fasica.<br \/>\nJ\u00e1 A felicidade (Chico Chico e Sula Turner) se desenvolve em clima progressivamente viajante, Reason to moan (Chico Chico, Kadu Mota e Andr\u00e9 Pereira) e Rita e Lu\u00edsa deixam no ar sensa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o e excesso. At\u00e9 que a bil\u00edngue faixa final Let it burn arrebata novamente o ouvinte com um boogie meio espirituoso, quase l\u00fadico, em que Chico Chico avisa que fecha ciclo com disposi\u00e7\u00e3o para arder futuramente em outras fogueiras das paix\u00f5es.<br \/>\nEnfim, Let it burn \/ Deixa arder \u00e9 grande disco \u2013 em todos os sentidos \u2013 que abre portas para Chico Chico.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Let ir burn \/ Deixa arder\u2019, de Chico Chico<br \/>\nArte de Christian Proen\u00e7a<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/10\/27\/chico-chico-evolui-e-desfaz-confusoes-na-ardencia-do-melhor-album-solo.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico Chico lan\u00e7a o terceiro \u00e1lbum solo de est\u00fadio, \u2018Let it burn \/ Deixa arder\u2019, com 20 faixas que transitam entre blues, folk e gospel Zabenzi \/ Divulga\u00e7\u00e3o \u266b OPINI\u00c3O SOBRE DISCO T\u00edtulo: Let it burn \/ Deixa arder Artista: Chico Chico Cota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605 1\/2 \u266c Terceiro \u00e1lbum solo gravado em est\u00fadio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44797,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-44796","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44796\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44797"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}