{"id":44916,"date":"2025-10-30T06:01:10","date_gmt":"2025-10-30T09:01:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/springsteen-salve-me-do-desconhecido-e-retrato-soturno-da-depressao-de-um-idolo-g1-ja-viu\/"},"modified":"2025-10-30T06:01:10","modified_gmt":"2025-10-30T09:01:10","slug":"springsteen-salve-me-do-desconhecido-e-retrato-soturno-da-depressao-de-um-idolo-g1-ja-viu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/springsteen-salve-me-do-desconhecido-e-retrato-soturno-da-depressao-de-um-idolo-g1-ja-viu\/","title":{"rendered":"\u2018Springsteen: Salve-me do desconhecido\u2019 \u00e9 retrato soturno da depress\u00e3o de um \u00eddolo; g1 j\u00e1 viu"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Quando decidiu se isolar para compor e gravar sozinho um de seus discos menos comerciais, no come\u00e7o dos anos 1980, Bruce Springsteen n\u00e3o estava l\u00e1 muito preocupado se seus f\u00e3s iam gostar ou n\u00e3o.<br \/>\nEsse \u00e9 mais ou menos o mesmo clima que \u201cSpringsteen: Salve-me do desconhecido\u201d \u2013 nova cinebiografia na pra\u00e7a, que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros \u2013  passa ao contar a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da grava\u00e7\u00e3o de \u201cNebraska\u201d.<br \/>\nApoiado na atua\u00e7\u00e3o competente de Jeremy Allen White (\u201cThe Bear\u201d), o diretor Scott Cooper (\u201cCora\u00e7\u00e3o louco\u201d) constr\u00f3i um retrato soturno e compassado da depress\u00e3o de um \u00eddolo no auge de sua fama.<br \/>\nD\u00e1 para entender aqueles que n\u00e3o se apaixonarem. O per\u00edodo est\u00e1 longe de ser dos mais empolgantes. H\u00e1 muita dor e ang\u00fastia e rebeldia de g\u00eanio \u2013 e bem pouco do rock oper\u00e1rio agitado celebrado pela maior parte da obra do \u201cBoss\u201d (como o americano \u00e9 conhecido).<br \/>\n\u2018Springsteen: Salve-me do Desconhecido\u2019 ganha primeiro trailer; assista<br \/>\nA escolha ajuda a evitar a estrutura mais padr\u00e3o do g\u00eanero. \u201cSalve-me do desconhecido\u201d n\u00e3o padece do come\u00e7o na inf\u00e2ncia sofrida, seguido da humilha\u00e7\u00e3o musical emendada pela revela\u00e7\u00e3o, e as subsequentes fama, drogas, mulheres e reinven\u00e7\u00e3o.<br \/>\nInfelizmente, o foco em um per\u00edodo silencioso \u2013 ou menos barulhento \u2013 e quase que particular demais ressalta tamb\u00e9m o uso (moderado, \u00e9 verdade) desconexo dos clich\u00eas de uma cinebio padr\u00e3o.<br \/>\nDo \u2018Bear\u2019 ao \u2018Boss\u2019<br \/>\n\u201cSalve-me do desconhecido\u201d come\u00e7a pelo fim da turn\u00ea de \u201cThe River\u201d, at\u00e9 ent\u00e3o o disco mais bem sucedido de um jovem Springsteen.<br \/>\nNo momento em que faria sentido manter a in\u00e9rcia com um novo \u00e1lbum de sucessos, o cantor decide voltar para a casa alugada longe da cidade, grava um novo projeto sozinho em seu quarto e teima pelo resto do filme para que as m\u00fasicas \u2013 que exorcizam a rela\u00e7\u00e3o complicada com o pai \u2013 sejam lan\u00e7adas sem divulga\u00e7\u00e3o, sem shows e at\u00e9 mesmo sem sequer uma foto sua na capa.<br \/>\nTestado e aprovado em \u201cThe Bear\u201d, White repete sua atua\u00e7\u00e3o como g\u00eanio reprimido, mas consegue elevar o n\u00edvel de carisma uns bons e necess\u00e1rios n\u00edveis para o Boss.<br \/>\nJeremy Allen White em cena de \u2018Springsteen: Salve-me do desconhecido\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nA falta de semelhan\u00e7a f\u00edsica no fim at\u00e9 favorece a atua\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 maquiagem e pr\u00f3teses para distrair o p\u00fablico ou servir de muletas.<br \/>\nNo come\u00e7o, n\u00e3o deixa de ser esquisito assistir ao chef obcecado da s\u00e9rie com um sotaque meio for\u00e7ado e uma guitarra na m\u00e3o, mas a estranheza \u00e9 superada com o tempo. Em especial, conforme a hist\u00f3ria avan\u00e7a para a explica\u00e7\u00e3o das fixa\u00e7\u00f5es do astro \u2013 uma incontorn\u00e1vel e inevit\u00e1vel depress\u00e3o.<br \/>\nA seu lado, Jeremy Strong (\u201cSuccession\u201d) se sacramenta como um dos maiores coadjuvantes de apoio de Hollywood ap\u00f3s a atua\u00e7\u00e3o em \u201cO aprendiz\u201d (2024), que lhe rendeu sua primeira indica\u00e7\u00e3o ao Oscar.<br \/>\nDessa vez, no entanto, com uma atua\u00e7\u00e3o diametralmente oposta, como o doce e emp\u00e1tico empres\u00e1rio e produtor Jon Landau (suas chances com a Academia s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o maiores por causa de uma participa\u00e7\u00e3o menor no filme e uma categoria j\u00e1 dominada pelo Sean Penn de \u201cUma batalha ap\u00f3s a outra\u201d).<br \/>\nSalve-nos dos clich\u00eas<br \/>\nMesmo com as montagens quase obrigat\u00f3rias de composi\u00e7\u00f5es sem grandes explica\u00e7\u00f5es e a decis\u00e3o incompreens\u00edvel de relevar as grava\u00e7\u00f5es com a E Street Band, rejeitadas pelo cantor em \u201cNebraska\u201d, \u201cSalve-me do desconhecido\u201d lida bem com os chav\u00f5es do g\u00eanero.<br \/>\nA dire\u00e7\u00e3o s\u00f3 perde a m\u00e3o com os flashbacks em preto e branco da inf\u00e2ncia de Springsteen. Como tudo contado no roteiro baseado no livro \u201cDeliver me from nowhere\u201d, de Warren Zanes, fica claro que a rela\u00e7\u00e3o com o pai \u00e9 importante para o \u00eddolo e sua forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nJeremy Strong e Jeremy Allen White em cena de \u2018Springsteen: Salve-me do desconhecido\u2019<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nNo filme, no entanto, as cenas parecem retalhos fora de lugar, com tom exagerado e momentos for\u00e7ados \u2013 quase como se n\u00e3o fizessem parte do todo.<br \/>\nPara o lan\u00e7amento de \u201cNebraska\u201d, Springsteen bateu o p\u00e9 e n\u00e3o deixou sua vis\u00e3o art\u00edstica ser comprometida de forma alguma. \u201cSalve-me do desconhecido\u201d talvez poderia ter se beneficiado um pouco da mesma teimosia.<br \/>\nDe qualquer forma, serve como uma boa introdu\u00e7\u00e3o para um g\u00eanio de 76 anos que talvez n\u00e3o seja mais t\u00e3o conhecido pelos jovens como j\u00e1 foi um dia.<br \/>\n\u00c9 prov\u00e1vel at\u00e9 que um p\u00fablico formado por pessoas que n\u00e3o sejam f\u00e3s aprecie mais o filme, sem tantas expectativas de ver epis\u00f3dios mais marcantes da vida do cantor.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de muitas cinebios por a\u00ed, \u201cSalve-me do desconhecido\u201d est\u00e1 mais interessado na viagem do que no destino. Pode n\u00e3o ser a abordagem mais animadora, mas n\u00e3o deixa de ser emocionante.<br \/>\nCartela resenha cr\u00edtica g1<br \/>\nArte\/g1<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/g1-ja-viu\/noticia\/2025\/10\/30\/springsteen-salve-me-do-desconhecido-e-retrato-soturno-da-depressao-de-um-idolo-g1-ja-viu.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando decidiu se isolar para compor e gravar sozinho um de seus discos menos comerciais, no come\u00e7o dos anos 1980, Bruce Springsteen n\u00e3o estava l\u00e1 muito preocupado se seus f\u00e3s iam gostar ou n\u00e3o. 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