{"id":45910,"date":"2025-11-13T06:02:47","date_gmt":"2025-11-13T09:02:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/qual-a-importancia-da-musica-3-nos-discos-e-como-e-pensada-a-sequencia-de-faixas-dos-albuns\/"},"modified":"2025-11-13T06:02:47","modified_gmt":"2025-11-13T09:02:47","slug":"qual-a-importancia-da-musica-3-nos-discos-e-como-e-pensada-a-sequencia-de-faixas-dos-albuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/qual-a-importancia-da-musica-3-nos-discos-e-como-e-pensada-a-sequencia-de-faixas-dos-albuns\/","title":{"rendered":"Qual a import\u00e2ncia da m\u00fasica 3 nos discos \u2013 e como \u00e9 pensada a sequ\u00eancia de faixas dos \u00e1lbuns?"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>As m\u00fasicas nos celulares do infogr\u00e1fico abaixo s\u00e3o de m\u00fasicas de diversos g\u00eaneros musicais. Mas todos trazem uma mesma ideia: comparar um sentimento ou algum momento importante com o impacto da faixa tr\u00eas nos \u00e1lbuns de m\u00fasica.<br \/>\nA escolha pela cita\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas por rima. A faixa tr\u00eas ocupa um lugar especial dos discos. O espa\u00e7o \u00e9 considerado \u201co hor\u00e1rio nobre\u201d. E as m\u00fasicas costumam ser a grande aposta de um \u00e1lbum ou serem a cara do projeto. N\u00e3o \u00e9 raro que elas tenham se tornado o grande hit do \u00e1lbum. Veja alguns exemplos:<br \/>\n\u201cWonderwall\u201d, no album \u201c(What\u2019s the Story) Morning Glory?\u201d, do Oasis;<br \/>\n\u201cCome as You Are\u201d, no album \u201cNevermind\u201d, do Nirvana;<br \/>\n\u201cResposta\u201d, no \u00e1lbum \u201cSiderado\u201d, do Skank;<br \/>\n\u201cVeludo Marrom\u201d, no \u00e1lbum \u201cCaju\u201d, de Liniker;<br \/>\n\u201cCachimbo da Paz\u201d, no \u00e1lbum \u201cQuebra-cabe\u00e7a\u201d, de Gabriel o Pensador;<br \/>\n\u201cRios, Pontes &amp; Overdrives\u201d, no \u00e1lbum \u201cDa lama ao caos\u201d, de Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi;<br \/>\n\u201cComo Nossos Pais\u201d, no \u00e1lbum \u201cAlucina\u00e7\u00e3o\u201d, de Belchior;<br \/>\n\u201cCap\u00edtulo 4, vers\u00edculo 3\u201d, no \u00e1lbum \u201cSobrevivendo no Inferno\u201d, dos Racionais;<br \/>\n\u201cO Trem Azul\u201d, no \u00e1lbum \u201cClube da esquina\u201d, de  Milton Nascimento e L\u00f4 Borges;<br \/>\n\u201cTinindo Trincando\u201d, no \u00e1lbum \u201cAcabou chorare\u201d, dos Novos Baianos;<br \/>\n\u201cFemme fatale\u201d, no \u00e1lbum \u201cThe Velvet Underground &amp; Nico\u201d, do The Velvet Underground\u2026 <\/p>\n<p>\u201cEu acho que sempre rolou uma m\u00edstica em rela\u00e7\u00e3o a terceira faixa do disco. Pelo menos, desde que eu comecei a escutar CD, t\u00eam v\u00e1rias \u2018faixas 3\u2019 emblem\u00e1ticas em discos que marcaram minha vida\u201d, afirma Pedro Pimenta, compositor de \u201cVou te escrever um rap\u201d e vocalista do Atitude 67\u2019.<br \/>\nPor essa raz\u00e3o, Pedro escolheu citar na can\u00e7\u00e3o que faria um rap para a amada e encaixaria na terceira faixa 3. \u201cFoi um jeito que eu achei ali na composi\u00e7\u00e3o de ser uma declara\u00e7\u00e3o mesmo de amor.\u201d<br \/>\n\u201cQuando eu comecei a trabalhar com m\u00fasica, nos est\u00fadios, nos lugares sempre falavam que o hit, o sucesso do disco, era na terceira faixa. E isso ficou assim marcado, n\u00e3o s\u00f3 para mim, mas para v\u00e1rios m\u00fasicos. Por isso que a faixa tr\u00eas \u00e9 uma faixa meio simb\u00f3lica, meio emblem\u00e1tica.\u201d<br \/>\nA banda Atitude 67 canta sobre a faixa 3 na m\u00fasica \u201cVou te escrever um rap\u201d<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o\/BPMcom<br \/>\nO produtor Dudu Borges, um dos compositores da m\u00fasica \u201cFaixa 3\u201d, gravada pela dupla Bruninho e Davi com Gusttavo Lima, escolheu a terceira posi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum tamb\u00e9m para falar de amor.<br \/>\n\u201cA m\u00fasica fala da experi\u00eancia de um \u00e1lbum em que, justamente, a faixa 3 fazia a pessoa lembrar de um amor e sofrer\u201d, explica. \u201c[A escolha de usar na composi\u00e7\u00e3o] foi muito por essa quest\u00e3o de a faixa 3 dos \u00e1lbuns sempre ter algo especial.\u201d<br \/>\nA composi\u00e7\u00e3o, claro, ocupa a terceira posi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u201cBruninho e Davi ao Vivo no Ibirapuera\u201d.<br \/>\nPara Dudu, al\u00e9m de as faixas de n\u00famero 3 serem, normalmente, a grande aposta do disco, ela tamb\u00e9m ocupa um lugar quase definitivo para segurar o ouvinte.<br \/>\n\u201cSe a pessoa n\u00e3o gostou das 3 primeiras faixas, \u00e9 dif\u00edcil que da quarta para frente as coisas mudem.\u201d<br \/>\nSequ\u00eancia do \u00e1lbum<br \/>\nDudu Borges<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram<br \/>\nQuando Dudu diz isso, n\u00e3o \u00e0 toa. A forma de encaixar cada faixa em um \u00e1lbum faz parte de uma pensata importante sobre a sequ\u00eancia do disco. Assim como shows, os \u00e1lbuns tamb\u00e9m contam hist\u00f3rias, com in\u00edcio, meio e fim.<br \/>\n\u201cMeu foco \u00e9 contar uma hist\u00f3ria durante o \u00e1lbum e causar sensa\u00e7\u00f5es que deixem a experi\u00eancia boa e viciante para ser ouvida ou consumida o m\u00e1ximo poss\u00edvel\u201d, diz Dudu.<br \/>\nClaro que tudo depende do produtor, do artista e do projeto. N\u00e3o h\u00e1 uma f\u00f3rmula exata para isso, mas existem algumas linhas de pensamento comuns na hora da produ\u00e7\u00e3o:<br \/>\nNo in\u00edcio, \u00e9 comum aparecerem as maiores apostas do \u00e1lbum. Faixas impactantes e que segurem o ouvinte. A velha t\u00e1tica que diz que \u201ca primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica\u201d;<br \/>\nSe algum single tiver sido lan\u00e7ado antes do \u00e1lbum completo, \u00e9 comum que ele apare\u00e7a tamb\u00e9m nesta primeira parte, pra criar conex\u00e3o com os f\u00e3s;<br \/>\n J\u00e1 o meio do \u00e1lbum costuma contar com faixas mais longas ou experimentais;<br \/>\nE o ter\u00e7o final, traz faixas mais emocionantes e que fazem com que o ouvinte tenha vontade de voltar novamente para a faixa um. At\u00e9 por isso, muitas vezes, existe uma conex\u00e3o entre a \u00faltima e a primeira.<br \/>\nPara o beatmaker e produtor Papatinho, a primeira faixa pode ser uma introdu\u00e7\u00e3o ou um interl\u00fadio. \u201cJ\u00e1 a dois e a tr\u00eas t\u00eam uma responsa muito grande nos \u00e1lbuns que eu produzo. Elas mostram mais o que que \u00e9 o \u00e1lbum para a pessoa se situar\u201d, explica.<br \/>\n\u201cA partir da metade, normalmente, eu come\u00e7o a experimentar. E no final, eu tento fazer um fechamento emocionante. Em v\u00e1rios \u00e1lbuns que eu produzi, a \u00faltima faixa ou a pen\u00faltima s\u00e3o a maior vibe de reflex\u00e3o.\u201d<br \/>\nA sequ\u00eancia das faixas de um \u00e1lbum \u00e9 importante para contar uma hist\u00f3ria ao ouvinte<br \/>\nAdobe Stock\/IA<br \/>\n\u201c\u00c9 claro que a gente procura fazer um \u00e1lbum inteiro de hits, mas \u00e9 muito dif\u00edcil. A gente sabe que tem m\u00fasicas que servem para compor \u00e1lbum, se n\u00e3o o artista n\u00e3o lan\u00e7ava \u00e1lbum, s\u00f3 lan\u00e7ava single. O \u00e1lbum serve para voc\u00ea poder contar uma hist\u00f3ria, criar um conceito.\u201d<br \/>\n\u00c1lbum cl\u00e1ssico \u00e9 \u00e1lbum curto<br \/>\nAlguns produtores acreditam que \u00e1lbum cl\u00e1ssico \u00e9 \u00e1lbum curto, com poucas faixas e sem \u201cfillers\u201d, como s\u00e3o chamadas aquelas m\u00fasicas que entram na sele\u00e7\u00e3o apenas para completar o \u00e1lbum, mas que n\u00e3o acrescenta muita coisa na sonoridade ou conceito. A famosa \u201cgordurinha\u201d.<br \/>\nPapatinho concorda em partes com essa defini\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c1lbum bom e curto acaba sendo mais impactante e n\u00e3o d\u00e1 margem a erro.\u201d<br \/>\nMas ele cita algumas produ\u00e7\u00f5es que fizeram hist\u00f3ria e marcaram gera\u00e7\u00f5es, mesmo contento dezenas de faixas: \u201c\u201cPre\u00e7o curto\u2026 prazo longo\u201d, do Charlie Brown Jr., com 25 faixas; e \u201cAll Eyez on Me\u201d, do Tupac, com 27 m\u00fasicas e mais de duas horas de dura\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cMas a\u00ed tem que ter bom senso na hora de selecionar para facilitar que o \u00e1lbum seja um cl\u00e1ssico. Tudo depende de muita coisa.\u201d<br \/>\nEquil\u00edbrio entre as faixas<br \/>\nPapatinho durante o terceiro dia de Lollapalooza 2023<br \/>\nCelso Tavares\/g1<br \/>\nOutro fator que interfere na posi\u00e7\u00e3o das faixas \u00e9 o equil\u00edbrio entre elas.<br \/>\n\u201cEu gosto de dar uma equilibrada n\u00e3o s\u00f3 nos temas, mas tamb\u00e9m na vibe, na energia\u201d, diz Papatinho, que tenta n\u00e3o deixar um projeto inteiro com apenas uma levada musical.<br \/>\n\u201cA n\u00e3o ser que seja um projeto espec\u00edfico. \u2018Fulano de tal canta m\u00fasicas calmas\u2019. A\u00ed faz sentido. Mas em um projeto comum, eu tento sempre fazer um equil\u00edbrio para a entrega ser completa e ter um pouquinho de cada.\u201d<br \/>\nPedro Pimenta vai na mesma linha de produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cA gente tenta sempre balancear o disco para que n\u00e3o fiquem todas as rom\u00e2nticas juntas, os balan\u00e7os depois, ou os feats todos juntos. A gente tenta mesclar tudo isso para que o disco fique gostoso de ouvir\u201d, explica o vocalista do Atitude 67.<br \/>\n\u201cS\u00e3o detalhes que \u00e0s vezes funcionam, \u00e0s vezes n\u00e3o. \u00c0s vezes a gente faz todo esse malabarismo para mexer na ordem, e a que estoura \u00e9 uma que t\u00e1 l\u00e1 no final. Tudo pode acontecer.\u201d<br \/>\nEra do streaming<br \/>\nA preocupa\u00e7\u00e3o com a sequ\u00eancia da ordem das faixas segue mesmo com a era do streaming, per\u00edodo que, segundo Papatinho, est\u00e1 sendo cada vez mais dif\u00edcil prender a aten\u00e7\u00e3o do ouvinte pelo excesso de op\u00e7\u00f5es e lan\u00e7amentos.<br \/>\n\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil tu ver hoje em dia algu\u00e9m que pare para escutar um \u00e1lbum. Ent\u00e3o a gente tem que se adaptar. A gente tenta diminuir um pouco o tamanho das m\u00fasicas, a dura\u00e7\u00e3o, porque a gente sabe que cada vez as m\u00fasicas est\u00e3o ficando mais curtas.\u201d<br \/>\n\u201cA rapaziada mais nova n\u00e3o tem paci\u00eancia. Eles j\u00e1 cresceram num ambiente, num meio com muita informa\u00e7\u00e3o, muitas op\u00e7\u00f5es. Tem tudo ali. \u00c9 uma parada que perde at\u00e9 um pouco a gra\u00e7a. E a\u00ed a galera fica com tanta informa\u00e7\u00e3o, tanto lan\u00e7amento, que passa a achar que um \u00e1lbum que saiu tr\u00eas meses atr\u00e1s j\u00e1 t\u00e1 velho.\u201d<br \/>\nEssa mudan\u00e7a na forma de consumir m\u00fasica tamb\u00e9m alterou o planejamento de lan\u00e7amentos. Os \u00e1lbuns chegam em partes no mercado, divididos em EPs e v\u00e1rios singles.<br \/>\n\u201cPor causa dessa mudan\u00e7a no formato, eu acho que, pelo menos agora, o lance de optar pela faixa tr\u00eas como a m\u00fasica de trabalho ficou um pouco em desuso\u201d, analisa Pedro Pimenta.<br \/>\nVeja os v\u00eddeos que est\u00e3o em alta no g1<\/p>\n<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2025\/11\/13\/qual-a-importancia-da-musica-3-nos-discos-e-como-e-pensada-a-sequencia-de-faixas-dos-albuns.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As m\u00fasicas nos celulares do infogr\u00e1fico abaixo s\u00e3o de m\u00fasicas de diversos g\u00eaneros musicais. Mas todos trazem uma mesma ideia: comparar um sentimento ou algum momento importante com o impacto da faixa tr\u00eas nos \u00e1lbuns de m\u00fasica. 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