{"id":46004,"date":"2025-11-17T06:03:20","date_gmt":"2025-11-17T09:03:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/sofisticado-mas-ultraprocessado-musicos-de-orquestra-analisam-album-de-rosalia\/"},"modified":"2025-11-17T06:03:20","modified_gmt":"2025-11-17T09:03:20","slug":"sofisticado-mas-ultraprocessado-musicos-de-orquestra-analisam-album-de-rosalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/sofisticado-mas-ultraprocessado-musicos-de-orquestra-analisam-album-de-rosalia\/","title":{"rendered":"Sofisticado, mas \u2018ultraprocessado\u2019: M\u00fasicos de orquestra analisam \u00e1lbum de Rosal\u00eda"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>Sofisticado, mas \u2018ultraprocessado\u2019: M\u00fasicos de orquestra analisam \u00e1lbum de Rosal\u00eda<br \/>\nRosal\u00eda se inspirou na m\u00fasica cl\u00e1ssica para criar \u201cLux\u201d, seu \u00e1lbum mais recente, lan\u00e7ado no in\u00edcio de novembro. Mas n\u00e3o se engane: o trabalho da cantora espanhola continua sendo pop para quem, de fato, transita no universo erudito.<br \/>\nO g1 mostrou o \u201cLux\u201d a integrantes da Osesp (Orquestra Sinf\u00f4nica do Estado de S\u00e3o Paulo). As rea\u00e7\u00f5es deles ajudam a entender de que formas o disco se aproxima \u2014 e tamb\u00e9m se afasta \u2014 da m\u00fasica cl\u00e1ssica (assista ao v\u00eddeo acima).<br \/>\nCR\u00cdTICA: Rosal\u00eda serve a Deus e \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica em \u00e1lbum suntuoso, mas s\u00e9rio demais<br \/>\nAbaixo, entenda 5 pontos levantados pelos m\u00fasicos.<br \/>\n1 \u2013 O disco \u00e9 sofisticado, mas tamb\u00e9m \u2018ultraprocessado\u2019<br \/>\nAo lado de Rosal\u00eda nos cr\u00e9ditos do \u201cLux\u201d, est\u00e3o nomes como os de Dan\u00edel Bjarnason, maestro island\u00eas que trabalhou com Brian Eno e Sigur R\u00f3s, e Caroline Shaw, compositora cl\u00e1ssica americana, vencedora do Pr\u00eamio Pulitzer de M\u00fasica em 2013.<br \/>\nAo ouvir o \u00e1lbum, os m\u00fasicos da Osesp elogiaram a criatividade das composi\u00e7\u00f5es. \u201cAo ouvir, eu fiquei me imaginando sentado no piano tendo essas ideias e procurando meios de pass\u00e1-las para o papel\u201d, disse La\u00e9rcio Resende, bar\u00edtono do Coro da orquestra. \u201c\u00c9 um trabalho fenomenal. O arranjo de cordas de \u2018Rel\u00edquia\u2019, por exemplo, d\u00e1 para perceber que quem o escreveu realmente domina a composi\u00e7\u00e3o de cordas.\u201d<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u201cLux\u201d, de Rosal\u00eda<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nTamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o o n\u00edvel de sofistica\u00e7\u00e3o das produ\u00e7\u00f5es. Mas foi consenso entre os m\u00fasicos ouvidos que o trabalho da cantora apresenta uma m\u00fasica cl\u00e1ssica, nas palavras deles, \u201cultraprocessada\u201d. Romeu Rabelo, contrafagotista da Osesp, explica:<br \/>\n\u201cTudo \u00e9 muito bem feito, mas o som \u00e9 editado, trabalhado em est\u00fadio. Poderia ter sido feito com instrumentos eletr\u00f4nicos e, talvez, o resultado fosse o mesmo. A m\u00fasica erudita \u00e9 um acess\u00f3rio. \u00c9 um disco pop, que tem elementos da m\u00fasica erudita.\u201d<br \/>\n\u201cDe qualquer forma, \u00e9 acima da m\u00e9dia do que eu acho que est\u00e1 acontecendo por a\u00ed. No mundo pop, tem gente que nem se prop\u00f5e a isso\u201d, acrescentou o contrabaixista Alexandre Rosa.<br \/>\n2 \u2013 N\u00e3o vai ser t\u00e3o f\u00e1cil reproduzir as m\u00fasicas ao vivo<br \/>\nEm um concerto tradicional, a m\u00fasica \u00e9 executada pela orquestra 100% ao vivo. O p\u00fablico ouve o som que sai dos instrumentos naquele exato momento, sem corre\u00e7\u00f5es e interfer\u00eancias de grava\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias. N\u00e3o h\u00e1 nem mesmo a amplifica\u00e7\u00e3o da m\u00fasica que \u00e9 tocada no palco: ela se propaga naturalmente pela sala. Por isso, esse tipo de apresenta\u00e7\u00e3o costuma acontecer em locais com \u00f3tima estrutura ac\u00fastica.<br \/>\nEsse \u00e9 um fator essencial para uma aut\u00eantica experi\u00eancia de concerto \u2014 e tamb\u00e9m uma das principais diferen\u00e7as entre a m\u00fasica erudita e a m\u00fasica pop.<br \/>\nRosal\u00eda ainda n\u00e3o revelou se far\u00e1 uma turn\u00ea do \u201cLux\u201d. Se fizer, claro que o esquema ser\u00e1 outro: a cantora provavelmente se apresentar\u00e1 em est\u00e1dios, arenas ou festivais, ambientes que precisam de muita amplifica\u00e7\u00e3o do som. Mas esse n\u00e3o ser\u00e1 seu \u00fanico desafio para levar ao p\u00fablico uma experi\u00eancia pr\u00f3xima da proposta do disco.<br \/>\nMesmo que Rosal\u00eda se apresente com uma orquestra, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel reproduzir algumas m\u00fasicas exatamente como elas est\u00e3o no \u00e1lbum. Pelo menos, n\u00e3o 100% ao vivo, segundo os integrantes da Osesp. \u201cComo as m\u00fasicas s\u00e3o processadas no est\u00fadio, em alguns trechos a gente fica se perguntando se [o som dos instrumentos] foi acelerado digitalmente. Na voz tamb\u00e9m, h\u00e1 distor\u00e7\u00f5es, efeitos. Ao vivo, soaria um pouco diferente\u201d, afirmou Regiane Martinez, soprano do Coral.<br \/>\nPara mostrar as faixas em um show com a maior qualidade de execu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, a artista precisar\u00e1 de m\u00fasicos muito competentes \u2014 e de uma boa prepara\u00e7\u00e3o vocal. \u201cAl\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es digitais, h\u00e1 m\u00fasicas virtuos\u00edsticas, dif\u00edceis de tocar. Ser\u00e1 dif\u00edcil para a orquestra e tamb\u00e9m para ela\u201d, previu o contrafagotista Romeu Rabelo.<br \/>\n3 \u2013 O que Rosal\u00eda faz n\u00e3o \u00e9 exatamente canto l\u00edrico<br \/>\nM\u00fasicos de orquestra analisam \u00e1lbum de Rosal\u00eda<br \/>\nLuiz Gabriel Franco\/g1<br \/>\nEm v\u00e1rios momentos do \u201cLux\u201d, a performance vocal de Rosal\u00eda passa do estilo mais \u00e1spero do flamenco para um canto mais pr\u00f3ximo do l\u00edrico. Mas \u00e9 preciso fazer a ressalva: o que a cantora faz no \u00e1lbum n\u00e3o \u00e9 exatamente canto l\u00edrico.<br \/>\nComo a m\u00fasica da orquestra n\u00e3o \u00e9 amplificada, os cantores \u2014 sem microfones \u2014 adotam t\u00e9cnicas espec\u00edficas para que a voz consiga \u201cfurar\u201d o som dos instrumentos para chegar ao p\u00fablico. A soprano Regiane Martinez resume:<br \/>\n\u201cEla usa recursos do canto l\u00edrico, sim, mas n\u00e3o d\u00e1 para dizer que \u00e9 tudo l\u00edrico. H\u00e1 um arzinho na voz dela, que \u00e9 legal e pr\u00f3prio da m\u00fasica pop. Mas, se cantamos assim numa sala de concerto, a voz n\u00e3o ganha proje\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m ouve nada.\u201d<br \/>\n4 \u2013 Os idiomas combinam com as refer\u00eancias<br \/>\nAo longo das 18 faixas do \u201cLux\u201d, Rosal\u00eda canta em 13 idiomas: catal\u00e3o, \u00e1rabe, ucraniano, italiano, espanhol, ingl\u00eas, franc\u00eas, alem\u00e3o, hebraico, japon\u00eas, latim, mandarim e portugu\u00eas. E todas essas l\u00ednguas n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1 por acaso.<br \/>\nEm entrevistas, a cantora tem falado que os idiomas t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com as refer\u00eancias do trabalho. Ela cita o caso de \u201cBerghain\u201d, com trecho em alem\u00e3o inspirado por Hildegard von Bingen, monja beneditina alem\u00e3 conhecida pela atua\u00e7\u00e3o nas mais diversas \u00e1reas: da m\u00fasica \u00e0 medicina natural. A espiritualidade feminina e a trajet\u00f3ria de mulheres da Igreja Cat\u00f3lica s\u00e3o temas centrais do \u201cLux\u201d.<br \/>\nAo ouvir o \u00e1lbum, os m\u00fasicos da Osesp destacaram que os idiomas escolhidos por Rosal\u00eda n\u00e3o ajudam a entender apenas o conte\u00fado, mas tamb\u00e9m a forma do disco. \u201cMio Cristo Piange Diamanti\u201d, por exemplo, \u00e9 cantada em italiano para remeter \u00e0 \u00f3pera, forma de arte que mistura m\u00fasica e dramatiza\u00e7\u00e3o e que nasceu na It\u00e1lia no s\u00e9culo 17.<br \/>\nA faixa fez Regiane Martinez lembrar de Domenico Mazzochi, compositor de \u00f3peras desse per\u00edodo. A soprano elogiou:<br \/>\n\u201cD\u00e1 para perceber que ela traz uma bagagem de escuta musical muito interessante.\u201d<br \/>\nA pr\u00f3pria decis\u00e3o de cantar em v\u00e1rias l\u00ednguas \u00e9 um aceno de Rosal\u00eda ao universo da m\u00fasica erudita. Como apresentam pe\u00e7as musicais de diferentes pa\u00edses, integrantes dos coros de orquestras est\u00e3o acostumados a cantar em idiomas nos quais n\u00e3o s\u00e3o fluentes. Regiane, integrante do Coro da Osesp, calculou mais de 20 idiomas em seu curr\u00edculo.<br \/>\n5 \u2013 No clipe, os m\u00fasicos n\u00e3o est\u00e3o tocando de verdade<br \/>\n\u00c9 algo que, talvez, n\u00e3o seja t\u00e3o \u00f3bvio para leigos. J\u00e1 para m\u00fasicos profissionais, fica evidente que a orquestra do clipe de \u201cBerghain\u201d, lan\u00e7ado por Rosal\u00eda em outubro, n\u00e3o est\u00e1 tocando m\u00fasica alguma.<br \/>\nNo v\u00eddeo, Rosal\u00eda aparece rodeada por m\u00fasicos de uma orquestra. Ela canta em situa\u00e7\u00f5es peculiares (lavando e passando roupa, na cama de um hospital, andando de \u00f4nibus\u2026) enquanto eles manuseiam instrumentos, principalmente os de cordas.<br \/>\n\u201cQuem \u00e9 instrumentista consegue identificar muito facilmente que eles n\u00e3o est\u00e3o tocando, porque h\u00e1 uma postura e uma inten\u00e7\u00e3o f\u00edsica diferente quando se toca um instrumento\u201d, comparou o bar\u00edtono La\u00e9rcio Resende.<br \/>\nRomeu Rabelo, contrafagotista, se divertiu: \u201c\u00c9 claro que a gente assiste abstraindo essas quest\u00f5es, porque uma orquestra dentro de um \u00f4nibus \u00e9 algo totalmente invi\u00e1vel de acontecer: n\u00e3o h\u00e1 o m\u00ednimo de espa\u00e7o necess\u00e1rio para tocar os instrumentos. N\u00f3s, que vivemos esse mundo, imaginamos aqueles m\u00fasicos no \u00f4nibus pensando: o que estou fazendo aqui?\u201d.<br \/>\nM\u00fasicos de orquestra analisam \u00e1lbum de Rosal\u00eda<br \/>\nLuiz Gabriel Franco\/g1<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/noticia\/2025\/11\/17\/sofisticado-mas-ultraprocessado-musicos-de-orquestra-analisam-album-de-rosalia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sofisticado, mas \u2018ultraprocessado\u2019: M\u00fasicos de orquestra analisam \u00e1lbum de Rosal\u00eda Rosal\u00eda se inspirou na m\u00fasica cl\u00e1ssica para criar \u201cLux\u201d, seu \u00e1lbum mais recente, lan\u00e7ado no in\u00edcio de novembro. Mas n\u00e3o se engane: o trabalho da cantora espanhola continua sendo pop para quem, de fato, transita no universo erudito. 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