{"id":46063,"date":"2025-11-18T15:03:57","date_gmt":"2025-11-18T18:03:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/conheca-jards-macale-em-oito-albuns-expressivos-da-discografia-dissonante\/"},"modified":"2025-11-18T15:03:57","modified_gmt":"2025-11-18T18:03:57","slug":"conheca-jards-macale-em-oito-albuns-expressivos-da-discografia-dissonante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/conheca-jards-macale-em-oito-albuns-expressivos-da-discografia-dissonante\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a Jards Macal\u00e9 em oito \u00e1lbuns expressivos da discografia dissonante"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>Capas de oito \u00e1lbuns de Jards Macal\u00e9 (1943 \u20132025)<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o \/ Montagem g1<br \/>\n\u266b AN\u00c1LISE<br \/>\n\u266c Entre \u00e1lbuns individuais e discos coletivos, a trajet\u00f3ria fonogr\u00e1fica pavimentada por Jards Macal\u00e9 (3 de mar\u00e7o de 1943 \u2013 17 de novembro de 2025) entre 1969 e 2024 totalizou 25 t\u00edtulos, inclu\u00eddo na conta o EP inicial S\u00f3 morto \/ Burning night de 1969.<br \/>\nNessa discografia, h\u00e1 recorrentes interse\u00e7\u00f5es nos repert\u00f3rios dos \u00e1lbuns gravados a partir dos anos 2000 com releituras de m\u00fasica emblem\u00e1ticas de cancioneiro cujo suprassumo est\u00e1 situado na primeira metade da d\u00e9cada de 1970.<br \/>\nPara celebrar o legado de Jards Anet da Silva, o folcl\u00f3rico Macal\u00e9, o Blog do Mauro Ferreira selecionou oito t\u00edtulos expressivos da discografia dissonante do artista que morreu ontem, aos 82 anos, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ).<br \/>\nS\u00e3o \u00e1lbuns (alguns fundamentais) em que aparecem tanto o compositor de can\u00e7\u00f5es imprevis\u00edveis e o violonista de toque tortuoso quanto o int\u00e9rprete sagaz de obras de bambas do samba e do samba-can\u00e7\u00e3o, g\u00eaneros abra\u00e7ados com frequ\u00eancia pelo dissidente estilista que tamb\u00e9m transitou pelo rock, pelo blues, pelo choro e pelos ritmos da m\u00fasica da na\u00e7\u00e3o nordestina.<br \/>\n\u266a Eis os oito \u00e1lbuns indicados para quem quer se iniciar no universo vanguardista da m\u00fasica de Jards Macal\u00e9:<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Jards Macal\u00e9\u2019, de 1972<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266a Jards Macal\u00e9 \u2013 Jards Macal\u00e9 (Philips, 1972)<br \/>\n\u266c Pedra mais fundamental da discografia do artista carioca, o \u00e1lbum Jards Macal\u00e9 deu o norte para carreira que nunca perderia o rumo. \u00c9 disco de trio, feito sob dire\u00e7\u00e3o musical do pr\u00f3prio Macal\u00e9 com Lanny Gordin (1951 \u2013 2023) no baixo el\u00e9trico e no viol\u00e3o de a\u00e7o tocado como guitarra e com Tutty Moreno na bateria, al\u00e9m do viol\u00e3o de Macal\u00e9. \u00c9 a fric\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas m\u00fasicos que gerou a eletricidade de disco que mixou rock, samba, can\u00e7\u00e3o, blues, jazz e bai\u00e3o. O repert\u00f3rio apresenta as vers\u00f5es do autor para Hotel das estrelas (1970), Mal secreto (1971), Movimento dos barcos (1971) e Vapor barato (1971), can\u00e7\u00f5es ent\u00e3o j\u00e1 conhecidas nas vozes de Gal Costa (1945 \u2013 2022) e Maria Beth\u00e2nia.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Aprender a nadar\u2019, de Jards Macal\u00e9<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266a Aprender a nadar \u2013 Jards Macal\u00e9 (Philips, 1974)<br \/>\n\u266c No segundo \u00e1lbum de est\u00fadio, o anjo torto da MPB enfatizou j\u00e1 na capa que seguia a linha batizada de \u201cmorbeza rom\u00e2ntica\u201d \u2013 termo que caracteriza a requintada sofr\u00eancia do cancioneiro do compositor, pautado por beleza m\u00f3rbida \u2013 e apresentou repert\u00f3rio que destacou Anjo exterminado, Dona do castelo e Rua Real Grandeza. O pianista Wagner Tiso fez arranjos para este disco gravado em clima de repress\u00e3o. Macal\u00e9 estava na mira da ditadura pelo posicionamento na vida e na m\u00fasica. A capa exp\u00f5e caricatura do artista, retratado nos tra\u00e7os do cartunista Nilo de Paula.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Contrastes\u2019 (1977), de Jards Macal\u00e9<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266a Contrastes \u2013 Jards Macal\u00e9 (Som Livre, 1977)<br \/>\n\u266c Contrastes \u00e9 o terceiro e \u00faltimo \u00e1lbum solo gravado por Macal\u00e9 em est\u00fadio ao longo dos anos 1970. A capa original (vista acima) foi trocada em edi\u00e7\u00f5es recentes por quest\u00f5es jur\u00eddicas. Entre sambas, xotes, choros e can\u00e7\u00f5es, o artista regrava Sem essa (m\u00fasica do EP inicial de 1969) e apresenta Negra melodia, pioneiro reggae gravado no Brasil. A m\u00fasica-titulo \u00e9 o samba Contrastes, do bamba pioneiro Ismael Silva (1905 \u2013 1978). O xote Sim ou n\u00e3o apimenta o repert\u00f3rio com o tempero vivaz da m\u00fasica nordestina.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u20184 batutas &amp; 1 coringa\u2019 (1987), de Jards Macal\u00e9<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266a 4 batutas &amp; 1 coringa \u2013 Jards Macal\u00e9 (Continental, 1987)<br \/>\n\u266c Ap\u00f3s uma d\u00e9cada sem lan\u00e7ar \u00e1lbum, efeito da inabilidade do artista para jogar o jogo da ind\u00fastria do disco, Macal\u00e9 voltou ao mercado fonogr\u00e1fico com \u00e1lbum de int\u00e9rprete. Refinado estilista, o cantor abordou com personalidade e rever\u00eancia os cancioneiros de Geraldo Pereira (1918 \u2013 1955), Lupic\u00ednio Rodrigues (1914 \u2013 1974), Nelson Cavaquinho (1911 \u2013 1986) e Paulinho da Viola, situando as obras dos quatro batutas no universo da morbeza rom\u00e2ntica. Um grande e esquecido \u00e1lbum.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018O Q fa\u00e7o \u00e9 m\u00fasica\u2019, de Jards Macal\u00e9<br \/>\nLygia Anet<br \/>\n\u266a O Q fa\u00e7o \u00e9 m\u00fasica \u2013 Jards Macal\u00e9 (Atra\u00e7\u00e3o Fonogr\u00e1fica, 1998)<br \/>\n\u266c Gravado sob dire\u00e7\u00e3o musical do pianista Cristov\u00e3o Bastos e do pr\u00f3prio Macal\u00e9, que dividiram a autoria dos arranjos das 16 m\u00fasicas, o \u00e1lbum O Q fa\u00e7o \u00e9 m\u00fasica ampliou o cancioneiro autoral com repert\u00f3rio parcialmente in\u00e9dito e, embora n\u00e3o tenha reeditado o teor vanguardista dos discos iniciais do artista, mostrou que o pulso criativo de Macal\u00e9 ainda pulsava. Destino e Dente no dente eram m\u00fasicas feitas pelo compositor a partir de poemas deixados na casa de Macal\u00e9 pelo poeta tropicalista Torquato Neto (1944 \u2013 1972) dias antes de se retirar de cena. Samba da parceria bissexta de Macal\u00e9 com o poeta Abel Silva, Terceira vez foi gravado com cita\u00e7\u00e3o de verso de outro samba, A primeira vez (Bide e Mar\u00e7al, 1940).<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Amor, ordem &amp; progesso\u2019, de Jards Macal\u00e9<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266a Amor, ordem &amp; progresso \u2013 Jards Macal\u00e9 (Lua Discos, 2003)<br \/>\n\u266c Ent\u00e3o com 60 anos, Macal\u00e9 lan\u00e7ou um \u00e1lbum em que, partindo do conceito do samba Positivismo (Noel Rosa e Orestes Barbosa, 1933), o artista revistou can\u00e7\u00f5es de lavra pr\u00f3pria (Amo tanto, Pano pra manga e Meu amor me agarra &amp; geme &amp; treme &amp; chora &amp; mata) entre regrava\u00e7\u00f5es de p\u00e9rolas pescadas no ba\u00fa da m\u00fasica brasileira. O cantor aborda o moderno samba-can\u00e7\u00e3o Foi a noite (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendon\u00e7a, 1956) e as disson\u00e2ncias de Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973).<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Besta fera\u2019, de Jards Macal\u00e9<br \/>\nCafi<br \/>\n\u266a Besta fera \u2013 Jards Macal\u00e9 (Pomm_elo, 2019)<br \/>\n\u266c Em encontro produtivo e antol\u00f3gico com a turma paulistana capitaneada por Romulo Fr\u00f3es (diretor art\u00edstico do disco) com Kiko Dinucci e Thomas Harres (produtores de Besta fera), Macal\u00e9 apresentou \u00e1lbum \u00e0 altura dos grandes trabalhos do artista. Besta fera est\u00e1 para a discografia de Macal\u00e9 assim como A mulher do fim do mundo (2015) est\u00e1 para a obra de Elza Soares (1930 \u2013 2022). O anjo torto se revigora em combust\u00e3o sem alterar os padr\u00f5es da pr\u00f3pria obra e da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Parceria com Tim Bernardes, o samba-can\u00e7\u00e3o Buraco da Consola\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos destaques do repert\u00f3rio inteiramente inedito ao lado dos sambas Besta fera (Jards Macal\u00e9 sobre versos de Greg\u00f3rio de Matos) e Longo caminho do sol (Jards Macal\u00e9, Kiko Dinucci, Thomas Harres e Clima).<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Cora\u00e7\u00e3o bifurcado\u2019, de Jards Macal\u00e9<br \/>\nLeo Aversa com arte de Omar Salom\u00e3o<br \/>\n\u266a Cora\u00e7\u00e3o bifurcado \u2013 Jards Macal\u00e9 Biscoito Fino, 2023)<br \/>\n\u266c No \u00faltimo \u00e1lbum com m\u00fasicas in\u00e9ditas, feito para celebrar os 80 anos de vida, Macal\u00e9 p\u00f4s o amor no fio da navalha. Entre parcerias in\u00e9ditas com o antigo colaborador Jos\u00e9 Carlos Capinan (A arte de n\u00e3o morrer e Amor in natura), o compositor apresentou m\u00fasicas novas feitas como Ronaldo Bastos (Mist\u00e9rios de nosso amor, sambas-can\u00e7\u00e3o ouvido na voz de Maria Beth\u00e2nia) e Kiko Dinucci (o samba-t\u00edtulo Cora\u00e7\u00e3o bifurcado). Na encruzilhada entre as tradi\u00e7\u00f5es do samba-can\u00e7\u00e3o e o oxig\u00eanio modernista que lhe deu f\u00f4lego, o \u00e1lbum Cora\u00e7\u00e3o bifurcado resultou coerente com a inquietude salutar de Jards Macal\u00e9.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/11\/18\/jards-macale-em-oito-albuns-belos-e-expressivos-da-discografia-dissonante.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capas de oito \u00e1lbuns de Jards Macal\u00e9 (1943 \u20132025) Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Montagem g1 \u266b AN\u00c1LISE \u266c Entre \u00e1lbuns individuais e discos coletivos, a trajet\u00f3ria fonogr\u00e1fica pavimentada por Jards Macal\u00e9 (3 de mar\u00e7o de 1943 \u2013 17 de novembro de 2025) entre 1969 e 2024 totalizou 25 t\u00edtulos, inclu\u00eddo na conta o EP inicial S\u00f3 morto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14437,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-46063","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46063\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}