{"id":46090,"date":"2025-11-19T12:02:57","date_gmt":"2025-11-19T15:02:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/estupros-crescem-na-amazonia-e-faccoes-submetem-mulheres-a-normas-de-comportamento-diz-forum-brasileiro-de-seguranca-publica\/"},"modified":"2025-11-19T12:02:57","modified_gmt":"2025-11-19T15:02:57","slug":"estupros-crescem-na-amazonia-e-faccoes-submetem-mulheres-a-normas-de-comportamento-diz-forum-brasileiro-de-seguranca-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/estupros-crescem-na-amazonia-e-faccoes-submetem-mulheres-a-normas-de-comportamento-diz-forum-brasileiro-de-seguranca-publica\/","title":{"rendered":"Estupros crescem na Amaz\u00f4nia, e fac\u00e7\u00f5es submetem mulheres a normas de comportamento, diz F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Os registros de estupros aumentaram na Amaz\u00f4nia Legal, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19) pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP). O estudo tamb\u00e9m mostra que as fac\u00e7\u00f5es aumentaram a presen\u00e7a na regi\u00e3o e passaram a controlar at\u00e9 relacionamentos de mulheres ligadas ou n\u00e3o ao crime organizado.<br \/>\nEm 2024, foram 13.312 registros de viol\u00eancia sexual na regi\u00e3o. O n\u00famero representa uma taxa de 90,4 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, n\u00famero 38% maior do que a m\u00e9dia nacional. O aumento foi de 4% em rela\u00e7\u00e3o aos registros de 2023, enquanto o Brasil teve varia\u00e7\u00e3o negativa de 0,3% no mesmo per\u00edodo.<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.farcomto.org\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1f50e-1.png\" alt=\"\ud83d\udd0e\" class=\"wp-smiley\" style=\"height: 1em; max-height: 1em;\"> Nove estados comp\u00f5e a Amaz\u00f4nia Legal Brasileira: Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins.<br \/>\nO Amazonas teve alta de 41% nos registros de estupros de 2023 para 2024, maior registro entre os estados. Por outro lado, o Tocantins teve a maior queda, de 9%.<br \/>\nAcre: de 736 para 860 (16%);<br \/>\nAmap\u00e1: de 625 para 715 (14%);<br \/>\nAmazonas: de 951 para 1353 (41%);<br \/>\nMaranh\u00e3o: de 1594 para 1811 (14%);<br \/>\nMato Grosso: de 514 para 483 (-7,5%);<br \/>\nPar\u00e1: de 5.011 para 4.815 (-4,5%);<br \/>\nRond\u00f4nia: de 1.501 para 1.491 (-1%);<br \/>\nRoraima: de 729 para 848 (13%);<br \/>\nTocantins: de 1.014 para 934 (-9%).<br \/>\nEntre as v\u00edtimas, 77% delas tinham 14 anos ou menos, segundo os dados levantados pelo estudo.<br \/>\nPresen\u00e7a do CV no Amazonas<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nEst\u00e1 \u00e9 a 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o do estudo Cartografias da Viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia, que conta com parceria do Instituto Clima e Sociedade, do Instituto Itausa, do Instituto M\u00e3e Crioula e do Laborat\u00f3rio Interpretativo Laiv.<br \/>\nAlta de estupros com maior presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es<br \/>\nEstupro de vulner\u00e1vel<br \/>\nBanco de imagens<br \/>\nIsabella Matosinhos, pesquisadora do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, afirma que n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica causa para explicar o cen\u00e1rio de alta nos estupros na Amaz\u00f4nia.<br \/>\nEntre as hip\u00f3teses, ela cita as divisas com outros pa\u00edses, j\u00e1 que crescem o risco de viola\u00e7\u00f5es e a vulnerabilidade de mulheres em \u00e1reas de fronteira, onde n\u00e3o h\u00e1 tanta presen\u00e7a do Estado. Ela tamb\u00e9m cita o fato de as fac\u00e7\u00f5es criminosas agirem em uma l\u00f3gica que coloca o homem como figura central.<br \/>\n\u201cA forma como as din\u00e2micas de relacionamento, a l\u00f3gica que guia as masculinidades dentro das fac\u00e7\u00f5es, s\u00e3o l\u00f3gicas muitas vezes machistas. Ent\u00e3o, n\u00e3o tem como a gente pensar que isso n\u00e3o vai se refletir nas pr\u00e1ticas de viol\u00eancia contra a mulher. Faz sentido o crescimento das fac\u00e7\u00f5es com o crescimento dessas taxas de estupro\u201d, explica Isabella.<br \/>\nSegundo ela, as viol\u00eancias contra as mulheres s\u00e3o relativizadas pelos grupos a ponto de um estupro n\u00e3o necessariamente ser visto dessa forma pelos integrantes da fac\u00e7\u00e3o, mesmo com estupradores ficando mais vulner\u00e1veis a ataques de outros detentos na cadeia.<br \/>\n\u201cA partir do momento em que esse cara est\u00e1 preso, foi condenado por estupro, \u00e9 uma coisa. Na pr\u00e1tica, antes de chegar a isso, se um homem, faccionado ou n\u00e3o, comete uma viol\u00eancia sexual, ser\u00e1 que \u00e9 claro que isso \u00e9 uma viol\u00eancia sexual?\u201d, questiona a especialista.<br \/>\nFac\u00e7\u00f5es criam regras de comportamento para mulheres<br \/>\nO estudo identificou por meio de entrevistas com pessoas que moram nos estados que as fac\u00e7\u00f5es criminosas criaram formas de controle sobre as mulheres \u2014 sejam elas integrantes das fac\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o.<br \/>\nO estudo destaca tr\u00eas tipos de situa\u00e7\u00f5es recorrentes:<br \/>\nMulheres relacionadas com faccionados: as determina\u00e7\u00f5es envolvem controle r\u00edgido de v\u00ednculos pessoais, determina\u00e7\u00e3o de que roupas podem vestir, com quem podem interagir e, em alguns casos, necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o da fac\u00e7\u00e3o para terminarem relacionamentos;<br \/>\nMulheres em territ\u00f3rios de fac\u00e7\u00f5es: mesmo sem rela\u00e7\u00e3o com integrantes dos grupos, as mulheres vivem sob san\u00e7\u00f5es que v\u00e3o at\u00e9 a restri\u00e7\u00e3o de fofocas e proibi\u00e7\u00e3o de se envolver com membros de fac\u00e7\u00f5es rivais. Puni\u00e7\u00f5es podem ser humilha\u00e7\u00f5es e castigos p\u00fablicos e at\u00e9 execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias;<br \/>\nMulheres integrantes de fac\u00e7\u00f5es: s\u00e3o colocadas em fun\u00e7\u00f5es de apoio dentro das organiza\u00e7\u00f5es criminosas, sem cargos de lideran\u00e7a. Viol\u00eancia \u00e9 usada como ferramenta de disciplina para se manterem com baixo status no grupo e sob alto risco de serem pegas pelas autoridades, como venda de drogas.<br \/>\n\u201cN\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que a gente v\u00ea que mulheres faccionadas, por exemplo, geralmente est\u00e3o atuando numa fun\u00e7\u00e3o mais baixa na hierarquia. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia, \u00e9 muito por causa dessa viol\u00eancia de g\u00eanero, mesmo, que coloca tamb\u00e9m os homens mais em condi\u00e7\u00f5es superiores, lugares de mais prest\u00edgio\u201d, afirma.<br \/>\nOutros dados do estudo sobre viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia Legal:<br \/>\nMortes violentas na Amaz\u00f4nia Legal caem para 8.047 em 2024, mas seguem 31% acima da m\u00e9dia nacional;<br \/>\nMaranh\u00e3o \u00e9 \u00fanico estado da Amaz\u00f4nia Legal a ter alta na taxa de homic\u00eddio em 2024, com crescimento de 11%; Amap\u00e1 lidera ranking de viol\u00eancia;<br \/>\nPar\u00e1 e Maranh\u00e3o lideram conflitos no campo na Amaz\u00f4nia Legal; 2024 teve recorde de 1.317 casos, aumento de 20% em rela\u00e7\u00e3o a 2023;<br \/>\nFeminic\u00eddios s\u00e3o 19% maior na regi\u00e3o amaz\u00f4nica do que a m\u00e9dia nacional;<br \/>\nEstupro sobem na Amaz\u00f4nia, com 13 mil registros: quase 80% das v\u00edtimas t\u00eam 14 anos ou menos;<br \/>\nFac\u00e7\u00f5es criminosas est\u00e3o criando regras comportamentais para mulheres, que chegam at\u00e9 necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o para terminarem relacionamentos;<br \/>\nMunic\u00edpios sem pol\u00edcia viram zonas dominadas por fac\u00e7\u00f5es na Amaz\u00f4nia Legal;<br \/>\nApreens\u00e3o de drogas subiu 21% em 2024 na Amaz\u00f4nia Legal;<br \/>\nA Pol\u00edcia Federal apreendeu 118 toneladas de coca\u00edna na Amaz\u00f4nia entre 2019 e 2024: o aumento foi 84,8% no per\u00edodo.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2025\/11\/19\/estupros-amazonia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1  Tocantins<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os registros de estupros aumentaram na Amaz\u00f4nia Legal, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19) pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP). O estudo tamb\u00e9m mostra que as fac\u00e7\u00f5es aumentaram a presen\u00e7a na regi\u00e3o e passaram a controlar at\u00e9 relacionamentos de mulheres ligadas ou n\u00e3o ao crime organizado. 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