{"id":46893,"date":"2025-12-07T12:02:20","date_gmt":"2025-12-07T15:02:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/a-inusitada-origem-do-orelhao-que-virou-estrela-em-o-agente-secreto\/"},"modified":"2025-12-07T12:02:20","modified_gmt":"2025-12-07T15:02:20","slug":"a-inusitada-origem-do-orelhao-que-virou-estrela-em-o-agente-secreto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/a-inusitada-origem-do-orelhao-que-virou-estrela-em-o-agente-secreto\/","title":{"rendered":"A inusitada origem do orelh\u00e3o, que virou \u2018estrela\u2019 em \u2018O Agente Secreto\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Orelh\u00e3o foi usado em diversas cenas do filme O Agente Secreto para ajudar a recriar o cen\u00e1rio da d\u00e9cada de 1970<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nUm elemento comum a muitos brasileiros ajudou a recriar o cen\u00e1rio da d\u00e9cada de 1970 do filme O Agente Secreto \u2014 indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar 2026 \u2014 e se tornou um dos s\u00edmbolos da produ\u00e7\u00e3o. Trata-se do orelh\u00e3o, o telefone p\u00fablico que por d\u00e9cadas ocupou as ruas do pa\u00eds.<br \/>\nA imagem de Marcelo (interpretado por Wagner Moura) usando um orelh\u00e3o passou a representar o filme pelo mundo e \u00e9 hoje marca registrada da produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEssa ic\u00f4nica cabine telef\u00f4nica em formato de ovo, que chegou a ter mais de 50 mil unidades espalhadas pelo pa\u00eds, foi projetada por uma arquiteta que nasceu na China, mas viveu a maior parte da vida no Brasil: Chu Ming Silveira.<br \/>\nSeu design fez tanto sucesso que outros pa\u00edses tamb\u00e9m decidiram adot\u00e1-lo.<br \/>\nEm entrevista ao podcast Witness History, da BBC World Service, Alan Chu, filho de Chu Ming, compartilhou lembran\u00e7as de sua m\u00e3e e de seu legado, que se tornou s\u00edmbolo do Brasil.<br \/>\n\u201cEu lembro se sentir orgulho dela, porque ela tinha projetado algo que estava em todo lugar nas ruas, como as cabines de telefone em Londres, que se tornaram um s\u00edmbolo do pa\u00eds, o mesmo aconteceu no Brasil com os orelh\u00f5es\u201d, diz Alan, que \u00e9 arquiteto e mora em Bras\u00edlia.<br \/>\n\u201cE \u00e9 muito interessante porque normalmente a gente importa esse tipo de coisa, as ideias, os designs. Mas o orelh\u00e3o \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o nacional, \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o brasileira. \u00c9 o s\u00edmbolo da nossa criatividade e design.\u201d<br \/>\nEm 2014, Pel\u00e9 autografou a cabine de um Orelh\u00e3o na Avenida Paulista como parte de uma campanha para companhia telef\u00f4nica<br \/>\nAFP via Getty Images<br \/>\nDa China para o Brasil<br \/>\nChu Ming Silveira nasceu em uma fam\u00edlia rica na cidade de Xangai, na China, em 1941. Seu av\u00f4 foi ministro do \u00faltimo imperador chin\u00eas, Puyi.<br \/>\n\u201cEles eram considerados uma fam\u00edlia nobre e tinham costumes ocidentais, como jogar t\u00eanis e dirigir carros\u201d, conta Alan.<br \/>\nSeu pai serviu no ex\u00e9rcito durante a Guerra Civil Chinesa, mas ap\u00f3s a vit\u00f3ria comunista em 1949, Chu, na \u00e9poca com 7 anos, e o resto da fam\u00edlia foram for\u00e7ados a deixar o pa\u00eds.<br \/>\nInicialmente, a fam\u00edlia queria se mudar para os Estados Unidos, mas Alan conta que seu av\u00f4 era fascinado pela ideia de ter uma fazenda no Brasil.<br \/>\n\u201cEu soube que meus av\u00f3s escutaram falar sobre a Amaz\u00f4nia e ficaram interessados. E tamb\u00e9m tinha a quest\u00e3o da dist\u00e2ncia, eles queriam viver em algum lugar distante. Mas eu acho que foi mais por causa da Amaz\u00f4nia que eles vieram\u201d.<br \/>\nDepois de tr\u00eas meses viajando em um navio, a fam\u00edlia chegou ao Rio de Janeiro. Logo se mudaram para S\u00e3o Paulo, onde se juntaram a uma crescente comunidade chinesa e japonesa no bairro de Pinheiros.<br \/>\nChu estudou arquitetura na universidade e n\u00e3o demorou para conseguir um emprego na companhia telef\u00f4nica brasileira.<br \/>\nA origem do Orelh\u00e3o<br \/>\nFoi durante o per\u00edodo em que Chu trabalhava na companhia telef\u00f4nica, em 1971, que ela criou um projeto que mudaria para sempre a comunica\u00e7\u00e3o no Brasil.<br \/>\nAlan lembra que, naquela \u00e9poca, n\u00e3o havia telefones p\u00fablicos no Brasil. \u201cEles ficavam dentro das farm\u00e1cias ou dos postos de gasolina e n\u00e3o tinha uma cabine para proteger o telefone.\u201d<br \/>\nAntes de Chu aparecer, poucas fam\u00edlias brasileiras tinham condi\u00e7\u00f5es de comprar um telefone.<br \/>\nTentativas anteriores de construir telefones p\u00fablicos tinham causado problemas enormes. Cabines grandes foram vandalizadas, eram caras de se fazer e tomavam muito espa\u00e7o.<br \/>\nEnt\u00e3o, o trabalho de Chu foi encontrar uma solu\u00e7\u00e3o barata, resistente a danos e visualmente agrad\u00e1vel. E foi assim que surgiu o Orelh\u00e3o.<br \/>\n\u201cN\u00f3s t\u00ednhamos um na nossa casa. Era o prot\u00f3tipo, o primeiro. Ele era branco e ficava no nosso jardim\u201d, lembra Alan.<br \/>\nO Brasil chegou a ter mais de 50 mil orelh\u00f5es espalhados pelas cidades<br \/>\nAFP via Getty Images<br \/>\nQuando foi lan\u00e7ado, a cabine tinha outros nomes como Chu I e Tulipa. Mas foi por Orelh\u00e3o que o telefone ficou conhecido pelo p\u00fablico.<br \/>\nEle era leve e bonito visualmente, fornecia abrigo para o calor do Brasil e, mais importante: tinha o formato de um ovo.<br \/>\n\u201cFoi algo inovador nesse sentido, porque era um projeto nacional. Foi projetado para o nosso pa\u00eds, para o nosso clima\u201d, diz Alan.<br \/>\nO formato foi escolhido por causa da qualidade ac\u00fastica. A ideia do design era que o ru\u00eddo que entrasse na cabine fosse refletido para um ponto fora dela.<br \/>\nIsso protegia as pessoas do barulho e ajudava a fazer uma liga\u00e7\u00e3o sem muito ru\u00eddo.<br \/>\nO orelh\u00e3o foi um grande sucesso e mais de 50 mil foram constru\u00eddos nas principais cidades do Brasil.<br \/>\nO sucesso foi tanto que adapta\u00e7\u00f5es do projeto foram instaladas em pa\u00edses ao redor do mundo, incluindo Peru, Col\u00f4mbia, Paraguai, Angola, Mo\u00e7ambique e at\u00e9 mesmo na China.<br \/>\nPara Alan, o fato de ser algo incomum, chamava aten\u00e7\u00e3o das pessoas.<br \/>\n\u201cAcho que h\u00e1 um componente de humor no objeto. \u00c9 criativo, diferente.\u201d<br \/>\nReconhecimento<br \/>\nPouco tempo depois, Chun deixou a companhia telef\u00f4nica e foi trabalhar no setor imobili\u00e1rio.<br \/>\nMas foi s\u00f3 ap\u00f3s a sua morte, em 1997, que as pessoas come\u00e7aram a reconhecer seu trabalho.<br \/>\nE isso se deve, em grande parte, ao marido de Chu, Cl\u00f3vis, que lan\u00e7ou um site com o nome dela.<br \/>\n\u201cPercebemos que seria importante, no in\u00edcio dessa revolu\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, organizar tudo isso para que se espalhasse da maneira certa, organizar documentos, fotografias e informa\u00e7\u00f5es\u201d, afirma Alan.<br \/>\nEm 2017, gra\u00e7as ao trabalho de Cl\u00f3vis para promover o design de Chu, o Google fez uma homenagem a ela criando um doodle.<br \/>\nAlan diz que se sentiu honrado ao ver o desenho da m\u00e3e na p\u00e1gina inicial do buscador.<br \/>\nHoje, os orelh\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais usados no Brasil, devido ao surgimento dos celulares. Mas eles permanecem como um s\u00edmbolo da criatividade e inova\u00e7\u00e3o brasileira.<br \/>\n\u201cEra muito comum para n\u00f3s, para minha gera\u00e7\u00e3o, um objeto natural na cidade porque n\u00e3o havia celulares. A gente usava muito. \u00c9 parte da nossa mem\u00f3ria.\u201d<br \/>\nNa hist\u00f3ria do design brasileiro, Chu Ming tem seu lugar porque o orelh\u00e3o foi algo muito \u00fanico e importante.<br \/>\nAl\u00e9m disso, o fato de ser uma mulher \u00e0 frente desse design, em uma \u00e9poca que eram poucas arquitetas, tamb\u00e9m \u00e9 algo relevante para a hist\u00f3ria.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/noticia\/2025\/12\/07\/a-inusitada-origem-do-orelhao-que-virou-estrela-em-o-agente-secreto.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Orelh\u00e3o foi usado em diversas cenas do filme O Agente Secreto para ajudar a recriar o cen\u00e1rio da d\u00e9cada de 1970 Divulga\u00e7\u00e3o Um elemento comum a muitos brasileiros ajudou a recriar o cen\u00e1rio da d\u00e9cada de 1970 do filme O Agente Secreto \u2014 indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar 2026 \u2014 e se tornou<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":46894,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-46893","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46893"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46893\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/46894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}