{"id":47549,"date":"2025-12-20T15:02:29","date_gmt":"2025-12-20T18:02:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/lindomar-castilho-cantor-que-deu-voz-ao-que-o-povo-queria-ouvir-personificou-o-drama-na-musica-e-na-vida-passional\/"},"modified":"2025-12-20T15:02:29","modified_gmt":"2025-12-20T18:02:29","slug":"lindomar-castilho-cantor-que-deu-voz-ao-que-o-povo-queria-ouvir-personificou-o-drama-na-musica-e-na-vida-passional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/lindomar-castilho-cantor-que-deu-voz-ao-que-o-povo-queria-ouvir-personificou-o-drama-na-musica-e-na-vida-passional\/","title":{"rendered":"Lindomar Castilho, cantor que deu voz ao que o povo queria ouvir, personificou o drama na m\u00fasica e na vida passional"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Lindomar Castilho na capa do \u00e1lbum \u2018Eu canto o que povo quer\u2019, de 1974<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b OBITU\u00c1RIO<br \/>\n\u266c Eu canto o que povo quer. O t\u00edtulo do \u00e1lbum lan\u00e7ado por Lindomar Castilho em 1974 traduziu o tom popular do repert\u00f3rio desse cantor e compositor goiano que morreu hoje aos 85 anos.<br \/>\nA m\u00fasica que abria esse \u00e1lbum se chamava Voc\u00ea \u00e9 doida demais e era de autoria do artista em parceria com Ronaldo Adriano. Voc\u00ea \u00e9 doida demais justificou o t\u00edtulo do disco, tocou exaustivamente nas r\u00e1dios de todo o Brasil e ganhou novos ouvintes quando, entre 2001 e 2003, foi ouvida novamente em todo o pa\u00eds nas noites de sexta-feira \u2013 na grava\u00e7\u00e3o original feita por Lindomar em 1974 \u2013 como o tema de abertura do seriado Os normais, exibido pela TV Globo e protagonizado pelo casal Rui e Vani, personagens dos atores Luiz Fernando Guimar\u00e3es e Fernanda Torres.<br \/>\nNem todos os seguidores de Os normais identificavam na voz de Lindomar Cabral (21 de janeiro de 1940 \u2013 20 de dezembro de 2025) o cantor que protagonizou na vida real um drama passional, de desfecho tr\u00e1gico, que at\u00e9 poderia ser o enredo da letra de um dos muitos boleros e sambas-can\u00e7\u00e3o gravados pelo artista ao longo da discografia iniciada na d\u00e9cada de 1960 na gravadora Continental.<br \/>\nMas era tudo verdade que foi parar nas primeiras p\u00e1ginas dos jornais e nas capas de revistas.  Na noite de 30 de mar\u00e7o de 1981, Lindomar entrou movido pelo \u00f3dio em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 boate de S\u00e3o Paulo (SP) disparou cinco tiros em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cantora Eliane de Grammont, matando a ex-mulher por ci\u00fame e possessividade.<br \/>\nO feminic\u00eddio, t\u00e3o chocante quanto os crimes contra mulheres que ainda causam horror nas manchetes e no cotidiano de 2025, abalou bastante, mas n\u00e3o a ponto de encerrar, a trajet\u00f3ria fonogr\u00e1fica do cantor de \u00e1lbuns como Can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se esquecem (1964), Somos iguais (1969), Eu vou rifar meu cora\u00e7\u00e3o (1973), O filho do povo (1976) e Chamarada (1977).<br \/>\nCondenado pelo assassinato da ex-esposa, Lindomar comp\u00f4s na pris\u00e3o em Goi\u00e2nia um \u00e1lbum de tom confessional, Muralhas da solid\u00e3o, lan\u00e7ado em 1986 sem a repercuss\u00e3o dos discos gravados pelo cantor nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, sobretudo nos \u00e1ureos anos 1970, quando o cantor j\u00e1 tinha trocado a gravadora brasileira Continental pela multinacional RCA-Victor.<br \/>\nNessa \u00e9poca de apogeu, o sucesso do cantor extrapolou as fronteiras do Brasil. O cantor se tornou \u201cO namorado de las Americas\u201d em refer\u00eancia ao \u00eaxito obtido nos pa\u00edses de l\u00edngua hisp\u00e2nica, receptivos aos boleros sentimentais de Lindomar. Na \u00c1frica, o cantor teve at\u00e9 busto erguido em Luanda, cidade da Angola.<br \/>\nTudo isso desmoronou com o crime de feminic\u00eddio. Lindomar Castilho saiu da pris\u00e3o em 1988 (em liberdade condicional) e quitou de vez a divida com a Justi\u00e7a em 1996, mas jamais se libertou do peso do ato cometido em 1981 e do qual afirmava que se arrependia todos os dias.<br \/>\nEm 2000, a gravadora Sony Music contratou o artista e lan\u00e7ou o \u00e1lbum Lindomar Castilho ao vivo, gravado em show apresentado pelo artista em 4 e 5 de fevereiro daquele ano em Goi\u00e2nia (GO).<br \/>\nContudo, ainda que tivesse certo p\u00fablico, o cantor sempre pareceu um espectro, quase um simulacro, do que Lindomar tinha sido um dia.  Talvez porque a passionalidade das letras dos boleros do repert\u00f3rio do artista j\u00e1 n\u00e3o se afinasse tanto com a alma de um assassino acidental que amaldi\u00e7oava o ato insano de uma noite que manchou para sempre o nome de Lindomar Castilho.<br \/>\nHoje morre um artista que, at\u00e9 ent\u00e3o, vinha cantando o que povo do Brasil queria ouvir, mas que, depois daquela noite tr\u00e1gica de mar\u00e7o de 1981, teve a chama e a voz apagadas.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2025\/12\/20\/lindomar-castilho-cantor-que-deu-voz-ao-que-o-povo-queria-ouvir-personificou-o-drama-na-musica-e-na-vida-passional.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lindomar Castilho na capa do \u00e1lbum \u2018Eu canto o que povo quer\u2019, de 1974 Divulga\u00e7\u00e3o \u266b OBITU\u00c1RIO \u266c Eu canto o que povo quer. 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