{"id":48615,"date":"2026-01-13T12:02:34","date_gmt":"2026-01-13T15:02:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/luca-argel-mapeia-no-album-o-homem-triste-a-jornada-de-masculinidade-toxica-que-contamina-meninos-ja-na-infancia\/"},"modified":"2026-01-13T12:02:34","modified_gmt":"2026-01-13T15:02:34","slug":"luca-argel-mapeia-no-album-o-homem-triste-a-jornada-de-masculinidade-toxica-que-contamina-meninos-ja-na-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/luca-argel-mapeia-no-album-o-homem-triste-a-jornada-de-masculinidade-toxica-que-contamina-meninos-ja-na-infancia\/","title":{"rendered":"Luca Argel mapeia no \u00e1lbum \u2018O homem triste\u2019 a jornada de masculinidade t\u00f3xica que contamina meninos j\u00e1 na inf\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Capa do \u00e1lbum \u2018O homem triste\u2019, de Luca Argel<br \/>\nObra de Marina Poppovic<br \/>\n\u266b CR\u00cdTICA DE \u00c1LBUM<br \/>\nT\u00edtulo: O homem triste<br \/>\nArtista: Luca Argel<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605<br \/>\n\u266c Luca Argel estranhou quando notou o afilhado mais agressivo ao voltar da escola. O menino passou a rejeitar cores, roupas e brinquedos de que antes gostava. Argel concluiu que, na conviv\u00eancia com os colegas da escola, o afilhado come\u00e7ara a ser contaminado por no\u00e7\u00f5es equivocadas que fizeram nascer, como efeito imediato, a semente de masculinidade t\u00f3xica que germina na alma dos homens desde a inf\u00e2ncia e, uma vez germinada, rege atitudes machistas na vida adulta.  Nasceu dessa percep\u00e7\u00e3o a ideia de \u201cO homem triste\u201d, quinto \u00e1lbum autoral de Argel, cantor, compositor e m\u00fasico carioca que migrou para Portugal em 2012.<br \/>\n\u201cO homem triste\u201d chega ao mundo fonogr\u00e1fico digital em 23 de janeiro com produ\u00e7\u00e3o musical de Moreno Veloso e capa que exp\u00f5e obra criada pela artista visual Marina Poppovic em sintonia com o conceito do disco.<br \/>\nSim, \u201cO homem triste\u201d \u00e9 \u00e1lbum conceitual em que, ao longo de nove can\u00e7\u00f5es autorais, Luca Argel mapeia a jornada de masculinidade t\u00f3xica na vida de homens que se tornam travados e tristes ao notarem que ca\u00edram na armadilha social de camuflar emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO \u00e1lbum \u201cO homem triste\u201d est\u00e1 alinhado com o conceito do disco anterior do artista, \u201cMeigo energ\u00fameno \u2013 Luca Argel canta Vinicius\u201d (2025), EP em que Argel questionou o machismo embutido em letras do compositor e poeta Vinicius de Moraes (1913 \u2013 1980).<br \/>\nA estrofe inicial da letra da boa m\u00fasica-t\u00edtulo \u201cO homem triste\u201d \u2013 \u201cFoi na TV que aprendi a ser homem \/ Foi na escola e nos filmes de her\u00f3i \/ Ser o maior, o mais forte, o primeiro \/ E ainda n\u00e3o sentir-se inteiro\u201d \u2013 sintetiza o argumento do \u00e1lbum gravado por Argel entre Rio de Janeiro (RJ) e Almada (Portugal) com banda estelar formada pelos m\u00fasicos Alberto Continentino (baixo), Domenico Lancellotti (bateria), Leo Martins (percuss\u00e3o), Pedro S\u00e1 (guitarra) e Pri Azevedo (piano, sanfona e teclados), al\u00e9m do pr\u00f3prio Moreno Veloso (no prato e na faca) e de cordas orquestradas por Marcelo Caldi.  A letra da faixa-t\u00edtulo embute cita\u00e7\u00f5es de versos das m\u00fasicas \u201cCanal zero\u201d (Manel Cruz, 2008) e \u201cHomem\u201d (Caetano Veloso, 2006).<br \/>\nA inten\u00e7\u00e3o do artista de apresentar um cancioneiro de acento mais pop, interpretado de forma mais exteriorizada, esbarra na suavidade natural do canto quase cool de Luca Argel e na (apropriada) op\u00e7\u00e3o por uma sonoridade mais \u00edntima.<br \/>\nDestaque da safra autoral do \u00e1lbum, \u201cPrimeiro mar\u201d tangencia a onda calma de um reggae com versos po\u00e9ticos como \u201cO primeiro mar de todo mundo \/ Fica dentro de uma mulher \/ E no seu olhar fica o segundo \/ De onde ningu\u00e9m sai porque quer\u201d, s\u00ednteses da liga\u00e7\u00e3o uterina que todo homem tem como uma mulher ao nascer para a vida.<br \/>\n\u201cTive que mentir\u201d d\u00e1 sequ\u00eancia \u00e0 jornada reflexiva do \u00e1lbum de Argel com o mesmo grau de inspira\u00e7\u00e3o. Em \u201c\u00c9 pedir demais?\u201d, can\u00e7\u00e3o ambientada em atmosfera de bossa nova, o cantor e compositor rejeita cobran\u00e7as por perfei\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas e vocais em atitude simp\u00e1tica j\u00e1 que eventuais fragilidades s\u00e3o detectadas ao longo de \u201cO homem triste\u201d sem comprometer a beleza da obra.<br \/>\n\u201cHomem \/ Onde escondes as palavras quando as for\u00e7as somem?\u201d, questiona Argel nos versos iniciais de \u201cHomem (a can\u00e7\u00e3o)\u201d, faixa em que o artista exp\u00f5e os limites masculinos na explora\u00e7\u00e3o do prazer oferecido pelo pr\u00f3prio corpo. \u201cPo\u00e7o \/ De tesouros da sola do p\u00e9 at\u00e9 o pesco\u00e7o \/ De textura e aromas da casca ao caro\u00e7o \/ Onde \u00e9 permitida a dor \/ E o dar\u201d, rima o cantautor, jogando bem com as palavras.<br \/>\nO toque da sanfona de Pri Azevedo embala \u201cMeu irm\u00e3o\u201d, can\u00e7\u00e3o que sublinha a ternura, a delicadeza e a poesia que guiam Argel neste \u00e1lbum sens\u00edvel antecedido por dois singles, sendo um deles \u201cArqueologia de arm\u00e1rio\u201d, samba cool apresentado em 9 de janeiro com as cordas que adornam a maior parte das faixas de \u201cO homem triste\u201d.<br \/>\nO samba se exterioriza em \u201cSe acabou\u201d. E, por falar em fim, \u201cO homem triste\u201d tem um fecho como todo bom \u00e1lbum conceitual. \u00danica m\u00fasica assinada por Luca Argel com um parceiro (no caso, C\u00e9sar Lacerda), a can\u00e7\u00e3o \u201cQuando a cura come\u00e7a\u201d antev\u00ea, sobre acordes de piano, uma luz na escurid\u00e3o em que homens s\u00e3o jogados ainda na inf\u00e2ncia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 tempo pro pavor \/ E n\u00e3o h\u00e1 tempo pra adiar o amor\u201d, pondera Argel na can\u00e7\u00e3o final.<br \/>\nAinda que o cancioneiro do artista n\u00e3o tenha uma assinatura realmente original, o \u00e1lbum \u201cO homem triste\u201d eleva a Arte de Luca Argel a um novo patamar na m\u00fasica do s\u00e9culo XXI. Numa era em que a maioria das m\u00fasicas parece flores de pl\u00e1stico, Lucas Argel se alimenta de emo\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es reais em \u201cO homem triste\u201d.<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2026\/01\/13\/luca-argel-mapeia-no-album-o-homem-triste-a-jornada-de-masculinidade-toxica-que-contamina-meninos-ja-na-infancia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capa do \u00e1lbum \u2018O homem triste\u2019, de Luca Argel Obra de Marina Poppovic \u266b CR\u00cdTICA DE \u00c1LBUM T\u00edtulo: O homem triste Artista: Luca Argel Cota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605 \u266c Luca Argel estranhou quando notou o afilhado mais agressivo ao voltar da escola. 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