{"id":48710,"date":"2026-01-15T12:02:24","date_gmt":"2026-01-15T15:02:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/guilherme-arantes-demole-fronteiras-do-tempo-no-universo-particular-do-amoroso-album-interdimensional\/"},"modified":"2026-01-15T12:02:24","modified_gmt":"2026-01-15T15:02:24","slug":"guilherme-arantes-demole-fronteiras-do-tempo-no-universo-particular-do-amoroso-album-interdimensional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/guilherme-arantes-demole-fronteiras-do-tempo-no-universo-particular-do-amoroso-album-interdimensional\/","title":{"rendered":"Guilherme Arantes demole fronteiras do tempo no universo particular do amoroso \u00e1lbum \u2018Interdimensional\u2019"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Guilherme Arantes apresenta dez m\u00fasicas in\u00e9ditas ao longo das 15 faixas do \u00e1lbum \u2018Interdimensional\u2019<br \/>\nLeo Aversa \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u266b CR\u00cdTICA DE \u00c1LBUM<br \/>\nT\u00edtulo: Interdimensional<br \/>\nArtista: Guilherme Arantes<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605<br \/>\n\u266c Aos 50 anos de carreira solo, completados em 2026, Guilherme Arantes nada mais tem a provar a ningu\u00e9m. Ainda assim, mesmo j\u00e1 tendo lugar garantido no pante\u00e3o dos grandes artes\u00e3os da can\u00e7\u00e3o brasileira de todos os tempos, o artista paulistano parece querer provar que a chama da cria\u00e7\u00e3o ainda arde.<br \/>\n\u201cInterdimensional\u201d \u2013 \u00e1lbum autoral de m\u00fasicas in\u00e9ditas que Arantes apresenta hoje, 15 de janeiro, em edi\u00e7\u00e3o digital e nos formatos f\u00edsicos de LP duplo e CD \u2013 atesta que o pulso do compositor ainda pulsa. Forte.<br \/>\nAo longo de 15 faixas que combinam 10 m\u00fasicas in\u00e9ditas e cinco regrava\u00e7\u00f5es de can\u00e7\u00f5es recentes fornecidas pelo compositor para o grupo Boca Livre e para as cantoras Ala\u00edde Costa, Claudette Soares e Gal Costa (1945 \u2013 2022), Arantes derruba as fronteiras do tempo ao cruzar refer\u00eancias eternas no universo particular de repert\u00f3rio que apresenta algumas p\u00e9rolas.<br \/>\nO brilho mel\u00f3dico da valsa \u201cLuar de prata\u201d \u2013 que parece ecoar tanto Ernesto Nazareth (1863 \u2013 1964) quanto Francis Hime \u2013 atinge o sublime em feat de Arantes com M\u00f4nica Salmaso em grava\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m evoca Pixinguinha (1897 \u2013 1973) no sopro das flautas de Teco Cardoso.<br \/>\n\u201cLuar de prata\u201d por si s\u00f3 j\u00e1 justificaria a exist\u00eancia do \u00e1lbum \u201cInterdimensional\u201d. Mas h\u00e1 muito mais no \u00e1lbum anunciado em 9 de dezembro com a pegada black do single \u201cLibido da alma\u201d. Can\u00e7\u00e3o que prega a for\u00e7a do amor como arma pac\u00edfica e ant\u00eddoto para diluir o \u00f3dio propagado nos tribunais das redes sociais, \u201cMin\u00facias\u201d provoca alumbramento quando entra no refr\u00e3o.<br \/>\n\u201cInterdimensional\u201d \u00e9 \u00e1lbum mais coeso do que o antecessor \u201cA desordem dos templ\u00e1rios\u201d (2021) e tamb\u00e9m mais identificado com a est\u00e9tica sonora plural deste cantor, compositor e m\u00fasico, mago das teclas.<br \/>\nBasta ouvir \u201cEnredo de romance\u201d para detectar a tentativa de emular o pop feito pelo pr\u00f3prio Arantes entre a segunda metade dos anos 1970 e o in\u00edcio dos anos 1980, d\u00e9cada de explos\u00e3o pop cuja fagulha inicial foi disparada anonimamente por Arantes como parceiro n\u00e3o creditado de J\u00falio Barroso (1953 \u2013 1984) em \u201cPerdidos na selva\u201d, hit de festival de 1981.<br \/>\nJamais procurando soar moderno, talvez por j\u00e1 se perceber eterno pela perenidade da obra, Guilherme Arantes fez de \u201cInterdimensional\u201d um \u00e1lbum atemporal que j\u00e1 abre com bela balada de arquitetura cl\u00e1ssica, \u201cA vida vale a pena (I believe in love)\u201d, adornada com piano e cordas.<br \/>\nA letra \u00e9 de Nelson Motta, \u00fanico parceiro de Arantes na safra 2026, e resume a ideologia de \u00e1lbum que endeusa o amor com a alma rom\u00e2ntica que orbita luminosa entre os timbres espaciais da balada \u201cIntergal\u00e1ctica: miss\u00e3o\u201d. O esp\u00edrito rom\u00e2ntico do artista tamb\u00e9m anima a verborragia de \u201cNo mel dos seus olhos\u201d, tentativa menos aliciante de cruzar refer\u00eancias do pop dos anos 1980 e da MPB da d\u00e9cada de 1990.  Nem o falso final valoriza a faixa.<br \/>\nCapa do \u00e1lbum \u2018Interdimensional\u2019, de Guilherme Arantes<br \/>\nLeo Aversa<br \/>\n\u00c1lbum longo para os atuais padr\u00f5es do mercado fonogr\u00e1fico, com mais de uma hora e v\u00e1rias faixas que ultrapassam quatro ou mesmo cinco minutos, \u201cInterdimensional\u201d tamb\u00e9m reverbera o rock que norteou o som de Arantes nos anos 1970, sobretudo na fase em que integrou o grupo Moto Perp\u00e9tuo (1973 \u2013 1975), cujo som progressivo ecoa no tema instrumental \u201c50 anos-luz\u201d, cujo nome batiza a turn\u00ea retrospectiva que o cantor estrear\u00e1 em mar\u00e7o.<br \/>\n\u201cSob o sol\u201d se assenta sobre a textura roqueira do trio composto por Luiz Carlini (guitarra), Willy Verdaguer (baixo) e Gabriel Martini (bateria). J\u00e1 \u201cO espelho\u201d reflete o apre\u00e7o de Arantes pelo eletropop dos ingleses Dave Stewart e Vince Clarke.<br \/>\nDentre as abordagens das m\u00fasicas j\u00e1 conhecidas, a arrebatada balada \u201cO prazer de viver para mim \u00e9 voc\u00ea\u201d (2024) \u2013 apresentada em feat do compositor com Claudette Soares \u2013 \u00e9 rebobinada na grava\u00e7\u00e3o solo lan\u00e7ada por Arantes em julho 2024, com mixagem in\u00e9dita, e em registro instrumental que evidencia o refinamento da melodia.<br \/>\nJ\u00e1 \u201cPuro sangue (Libelo do perd\u00e3o)\u201d ressurge pretensamente \u00e9pica em grava\u00e7\u00e3o de quase sete minutos feita sem a flu\u00eancia do registro original de Gal Costa no \u00e1lbum \u201cA pele do futuro\u201d (2018). Assim como a on\u00edrica balada \u201cToda felicidade\u201d reaparece menos atraente com o autor do que na grava\u00e7\u00e3o do Boca Livre para o \u00e1lbum \u201cRasgamundo\u201d (2024). Algo se perdeu.<br \/>\nEm contrapartida, o acalanto \u201cBerceuse\u201d \u2013 apresentado por Ala\u00edde Costa no \u00e1lbum \u201cO que meus calos dizem sobre mim\u201d (2022) \u2013 alcan\u00e7a a dimens\u00e3o plena nessa grava\u00e7\u00e3o feita por Guilherme Arantes com piano e as cordas regidas pelo maestro Jaques Morelenbaum, valorizando tema inspirado na obra do compositor Gabriel Faur\u00e9 (1845 \u2013 1924).<br \/>\nEnfim, Guilherme Arantes j\u00e1 nada precisa provar, mas, ainda assim, ele prova com este belo \u00e1lbum \u201cInterdimensional\u201d que o tempo do artista \u00e9 ontem, hoje e amanh\u00e3 pela perman\u00eancia e relev\u00e2ncia de um cancioneiro que j\u00e1 se mostra perp\u00e9tuo pela pureza que rege a cria\u00e7\u00e3o do compositor.<br \/>\nGuilherme Arantes faz feat com M\u00f4nica Salmaso na valsa \u2018Luar de prata\u2019, destaque da safra autoral do \u00e1lbum \u2018Interdimensional\u2019<br \/>\nLeo Aversa \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2026\/01\/15\/guilherme-arantes-demole-fronteiras-do-tempo-no-universo-particular-do-amoroso-album-interdimensional.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Arantes apresenta dez m\u00fasicas in\u00e9ditas ao longo das 15 faixas do \u00e1lbum \u2018Interdimensional\u2019 Leo Aversa \/ Divulga\u00e7\u00e3o \u266b CR\u00cdTICA DE \u00c1LBUM T\u00edtulo: Interdimensional Artista: Guilherme Arantes Cota\u00e7\u00e3o: \u2605 \u2605 \u2605 \u2605 \u266c Aos 50 anos de carreira solo, completados em 2026, Guilherme Arantes nada mais tem a provar a ningu\u00e9m. 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