{"id":48889,"date":"2026-01-20T12:03:29","date_gmt":"2026-01-20T15:03:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.farcomto.org\/album-em-que-gal-costa-cantou-dorival-caymmi-com-arranjos-de-joao-donato-e-perinho-albuquerque-chega-aos-50-anos-com-a-relevancia-e-frescor-de-1976\/"},"modified":"2026-01-20T12:03:29","modified_gmt":"2026-01-20T15:03:29","slug":"album-em-que-gal-costa-cantou-dorival-caymmi-com-arranjos-de-joao-donato-e-perinho-albuquerque-chega-aos-50-anos-com-a-relevancia-e-frescor-de-1976","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/album-em-que-gal-costa-cantou-dorival-caymmi-com-arranjos-de-joao-donato-e-perinho-albuquerque-chega-aos-50-anos-com-a-relevancia-e-frescor-de-1976\/","title":{"rendered":"\u00c1lbum em que Gal Costa cantou Dorival Caymmi, com arranjos de Jo\u00e3o Donato e Perinho Albuquerque, chega aos 50 anos com a relev\u00e2ncia e frescor de 1976"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<br \/>     Capa do \u00e1lbum \u2018Gal canta Caymmi\u2019 (1976), de Gal Costa<br \/>\nThereza Eugenia<br \/>\n\u266b MEM\u00d3RIA<br \/>\n\u266c \u00c1lbum que completa 50 anos em 2026 sem perda da relev\u00e2ncia e do vi\u00e7o, \u201cGal canta Caymmi\u201d foi disco oportunista, mas nem por isso menos oportuno, belo e importante.<br \/>\n\u00c9 que, embora Gal Costa (26 de setembro de 1945 \u2013 9 de novembro de 2022) viesse lan\u00e7ando grandes \u00e1lbuns na primeira metade da d\u00e9cada de 1970, como \u201cFa-Tal \u2013 Gal a todo vapor\u201d (1971), \u201c\u00cdndia\u201d (1973) e o na \u00e9poca incompreendido \u201cCantar\u201d (1974), o fato \u00e9 que a artista tinha se transformado em cantora de nicho.<br \/>\nEm bom portugu\u00eas: Gal tinha prest\u00edgio, era cultuada pela cr\u00edtica e por um p\u00fablico antenado, mas n\u00e3o desfrutava de sucesso na propor\u00e7\u00e3o da imensid\u00e3o da voz cristalina que encantara at\u00e9 Jo\u00e3o Gilberto (1931 \u2013 2019), muso inspirador da t\u00edmida Gracinha que viera de Salvador (BA) para o Rio de Janeiro (RJ) em 1965 em busca de oportunidades profissionais.<br \/>\nGal ampliaria o p\u00fablico a partir do \u00e1lbum \u201c\u00c1gua viva\u201d (1978), mas o primeiro ponto de virada rumo \u00e0 popularidade nacional oi o convite da TV Globo em 1975 para Gal gravar \u201cModinha para Gabriela\u201d para a trilha sonora original da novela \u201cGabriela\u201d.<br \/>\nComposi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de Dorival Caymmi (30 de abril de 1914 \u2013 16 de agosto de 2008), feita para a novela exibida de abril a outubro de 1975, \u201cModinha para Gabriela\u201d era ouvida diariamente como o tema da abertura da primorosa adapta\u00e7\u00e3o para a TV do romance \u201cGabriela, cravo e canela\u201d (1958), do escritor baiano Jorge Amado (1912 \u2013 2001).  Se dependesse do diretor Daniel Filho, Gal tamb\u00e9m teria interpretado a pr\u00f3pria personagem-t\u00edtulo Gabriela, mas a cantora n\u00e3o se via como atriz e ficou somente com a m\u00fasica nova de Caymmi.<br \/>\nAtenta ao sucesso da novela e da m\u00fasica, a gravadora Philips lan\u00e7ou single com a grava\u00e7\u00e3o de \u201dModinha para Gabriela\u201d por Gal com bom resultado de vendas. Foi a\u00ed que Roberto Menescal, ent\u00e3o no posto de diretor art\u00edstico da companhia fonogr\u00e1fica (a mais importante do Brasil na \u00e9poca pelo elenco estelar), exercitou o tino comercial e o senso de oportunidade, convidando Gal para gravar um \u00e1lbum com m\u00fasicas de Caymmi. Um songbook, g\u00eanero de disco ent\u00e3o incomum no mercado fonogr\u00e1fico brasileiro.<br \/>\nGravado ainda em 1975, sob dire\u00e7\u00e3o musical do produtor e guitarrista Perinho Albuquerque (1946 \u2013 2025), falecido aos 79 anos em agosto do ano passado, o tributo da cantora baiana ao compositor conterr\u00e2neo foi lan\u00e7ado no primeiro semestre de 1976, com capa que expunha Gal em close clicado pela fot\u00f3grafa Thereza Eugenia, e emplacou de cara um hit noveleiro. No rastro do sucesso de Gal na abertura de \u201cGabriela\u201d, a TV Globo escolheu a grava\u00e7\u00e3o do samba-can\u00e7\u00e3o \u201cS\u00f3 louco\u201d (1955) para a abertura da novela \u201cO casar\u00e3o\u201d, estreada em junho de 1976.<br \/>\nCom arranjos divididos entre Perinho Albuquerque e o pianista Jo\u00e3o Donato (1934 \u2013 2023), que orquestrou a faixa \u201cS\u00f3 louco\u201d, o \u00e1lbum \u201cGal canta Caymmi\u201d foi formatado com os toques de instrumentistas do naipe de Antonio Adolfo, Dominguinhos (1941 \u2013 2013), Luiz\u00e3o Maia (1949 \u2013 2005), Novelli, Paulinho Braga e Roberto Menescal.<br \/>\nEsses grandes m\u00fasicos armaram a cama perfeita para Gal Costa deitar e rolar no canto de dez m\u00fasicas de Dorival Caymmi. S\u00e3o m\u00fasicas que, embora j\u00e1 conhecidas em grava\u00e7\u00f5es lapidares do pr\u00f3prio compositor, ganharam a marca de Gal. O tempero da cantora no samba \u201cVatap\u00e1\u201d (1942) salta aos ouvidos, por exemplo, no aceleramento do andamento no fim da grava\u00e7\u00e3o arranjada por Jo\u00e3o Donato.<br \/>\nA pot\u00eancia do canto de Gal nos versos de \u201cPescaria (Canoeiro)\u201d \u201d(1944) tem o vigor de um estivador na beira do cais e, no entanto, a int\u00e9rprete n\u00e3o faz for\u00e7a. O canto sai naturalmente forte. Ao mesmo tempo, Gal soube imprimir toda a delicadeza exigida pelo samba-can\u00e7\u00e3o \u201cNem eu\u201d (1952) em grava\u00e7\u00e3o feita com toque de bolero ao estilo leve do arranjador Jo\u00e3o Donato.<br \/>\nJ\u00e1 os sambas \u201cRainha do mar\u201d (1939), \u201cFesta de rua\u201d (1949) e \u201cDois de fevereiro\u201d (1957) soam como pren\u00fancios da Gal tropical que explodiria nas paradas dali a tr\u00eas anos, com show e disco de 1979. Ainda no terreiro do samba, ouvir Gal cantando \u201cS\u00e3o Salvador\u201d (1960) \u00e9 testemunhar a artista celebrando a Bahia e a cidade na qual viera ao mundo h\u00e1 ent\u00e3o 31 anos.<br \/>\nNa praia das can\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas, g\u00eanero fundamental do cancioneiro de Caymmi, a grava\u00e7\u00e3o de \u201cO vento\u201d (1949) traz uma Gal puxando na voz a rede da ancestralidade afro-brasileira incrustada nessas p\u00e9rolas negras lapidadas na forma de can\u00e7\u00f5es devotas de santos e orix\u00e1s que regem o mar.  Gal chama \u201cO vento\u201d com arranjo de Perinho Albuquerque enquanto \u201cPeguei um ita no Norte\u201d (1945) navega em mar sem tempestade, no balan\u00e7o suave de Jo\u00e3o Donato.<br \/>\nEnfim, Gal Costa cantou Dorival Caymmi com a sofistica\u00e7\u00e3o do compositor ourives, mas sem suntuosidade, em sintonia com o esp\u00edrito de obra vocacionada para ser a trilha atemporal do povo da Bahia e, pelo alcance, tamb\u00e9m do Brasil.  \u00c9 por isso que o songbook do compositor na voz da imortal cantora chega aos 50 anos com a mesma relev\u00e2ncia e frescor de 1976<\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/musica\/blog\/mauro-ferreira\/post\/2026\/01\/20\/album-em-que-gal-costa-cantou-dorival-caymmi-com-arranjos-de-joao-donato-e-perinho-albuquerque-chega-aos-50-anos-com-a-relevancia-e-frescor-de-1976.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">G1 Entretenimento<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capa do \u00e1lbum \u2018Gal canta Caymmi\u2019 (1976), de Gal Costa Thereza Eugenia \u266b MEM\u00d3RIA \u266c \u00c1lbum que completa 50 anos em 2026 sem perda da relev\u00e2ncia e do vi\u00e7o, \u201cGal canta Caymmi\u201d foi disco oportunista, mas nem por isso menos oportuno, belo e importante. \u00c9 que, embora Gal Costa (26 de setembro de 1945 \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":48890,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-48889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-entretenimento"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48889\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.selfassessoria.com.br\/oprevidente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}